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sexta-feira, 30 de abril de 2010

O desvendamento do mundo


AS CHAVES ESSENCIAIS




Porque vemos em espelho, mas veremos face a face”....




AMOR INCONDICIONAL



Vivemos no mundo e convivemos com vários tipos de pessoas. Mas Jesus nos orientou a amar todas as pessoas. O Amor é a cura, é a condição.

Projetamos nos outros aquilo que está dentro de nós.Se amarmos apesar das barreiras que se impõem ao nosso amor, criaremos a chave que abre todas as portas.




O mal é na verdade, uma grande ilusão. Se vivermos em um estado de espírito cuja concepção seja o mal e as suas formas, esse vai ser o nosso ambiente.

Um exemplo claro hoje para mim, foi rever uma pessoa que me magoou no passado, cerca de quatro anos atrás.

Hoje, como fiz a oração de perdão para essa pessoa, eu me senti bem perto dela e a achei bonita.

Não temi qualquer mal que a presença dela pudesse me trazer. O que ela me trouxe foi a consciência da responsabilidade e a dedicação que devo ter em relação ao meu trabalho.

Entendi hoje que o que ela espera de mim é que eu demonstre a capacidade de assumir o meu cargo e honrar os meus compromissos, tendo a sensibilidade necessária para entender que é das minhas mãos que sairão novas personalidades se formando em sua essência que é o de se colocar como sujeito, construindo a sua persona , o seu jeito de estar no mundo, os pilares do seu conhecimento sistematizado, o contato com as primeiras letras, o trabalho bonito da alfabetização e letramento.

Um termo que já é lugar comum e que eu vou utilizar agora é a mudança de paradigma.



VER TUDO COM A MENTE DE CRISTO



Qual é o segredo do Evangelho?

Qual é o propósito da vinda e do sacrifício de Jesus? Como explicar o Evangelho, vida nova, se para algumas pessoas tudo continua como sempre foi e até pior?

Aceitar o Evangelho de Jesus e vivê-lo em sua plenitude é assumir um novo referencial de vida.

Mas o condicionamento a qual somos submetidos coloca as barreiras para que não desfrutemos do Evangelho em sua plenitude.

O paradoxo de tudo isso é que a maioria das pessoas crê que uma vida plena é a que não traz dificuldades de ordem financeira.

Mas o verdadeiro fluir do Espírito é a beatitude e inocência dos que contemplam a Face de Deus.

Existem pessoas que mantém o corpo livre das amarras do sexo biológico sublimando o desejo sexual em atividades altruístas ou hipoteticamente altruístas.

Pensam que todos vão notar a sua cota de sacrifício e de boas ações. As pessoas verão como são piedosas;

Interiormente, porém, sabem que são uma farsa. Na realidade, são infelizes, pois não nasceram de novo.

Financeiramente, é importante que esteja tudo em ordem. Mas se existem problemas de ordem financeira, podem ser que estão ali, com um objetivo: o de moldar e treinar o caráter e servir de mola propulsora para que as pessoas realmente alcancem um estado de contemplação de Deus;

Olhai os lírios do campo, diria Jesus. Acontece que olhar os lírios do campo não é suficiente.

È olhar os lírios do campo e saber que temos um Criador que é melhor do que tudo isso, que supera. que abrange que transforma, que nos Ama assim como somos.



A FORÇA DOS CONDICIONAMENTOS MENTAIS



Recentemente, entrei em contato com um erudito,  reconhecido pela sua sabedoria acadêmica, que só conhecia por ouvir falar e pela quantidade de livros que publicou.

Em uma de suas palestras, ele contou a história de uma escrava que perdeu o filho ao ser levada de volta para o seu senhor. (“Pai e Mãe”, Machado de Assis);

O que achei curioso é que ele, apesar de todo amor que apregoa, não teve complacência a escrava e nem comentou a dureza com a qual ela foi tratada.

Apenas usou esse exemplo para mostrar a supremacia do homem e do senhor sobre a mulher e sobre a escrava.

Não sei qual foram os seus objetivos. Sei que perdeu um pouco o encanto que eu nutria por ele, pois apesar de estar situado entre um nível 4 ou 5 de Lawrence Kholberg, a sua intolerância referente a questões de gêneros não foi rompida.

Assim como seus ancestrais, a impiedade ainda é parte de seu condicionamento. Como homem, mantém a idéia da identidade cristalizada da mulher como serva do homem.

Não vou detalhar as impressões que tal relato me causou, mas a partir desse exemplo eu entrevi o quanto o condicionamento mental mantém idéias cristalizadas na cabeça das pessoas;

A contribuição desse senhor na esfera da Educação é inestimável.

Mas ele ainda tem que rever as questões referentes a gênero, e aperfeiçoar a sua visão (democrática) de mundo;

Jesus, por exemplo, sempre foi mais ameno no trato com as mulheres. Ele as amou e as ama, valorizando-as como ajudadora do homem e como líder;

Na festa de Canaã, apesar de não ser a hora de fazer milagres, Jesus obedeceu a sua mãe e fez o primeiro milagre



OS ESTÁGIOS DE KHOLBERG



Sempre me perguntei se a espécie humana é uma espécie que vai continuar evoluindo organicamente. Fisicamente, parece que chegamos ao fim das nossas características evolutivas;

A nossa evolução vai continuar no plano da nossa sensibilidade e aparato psicológico e espiritual;

Existem alguns cientistas que já estão delineando esse caminho das características psicológicas, cognitivas e sensoriais da espécie humana, pesquisando e catalogando as diferentes personalidades e os diferentes estágios pelos quais passam.

Resumidamente, as características dos estágios de Lawrence Kholberg são atinentes aos estágios morais, em que se encontra a espécie humana.

Estão subdivididas em três níveis:



Nível 1 (Pré-Convencional)

1. Orientação "punição obediência"

(Como eu posso evitar a punição?)

2. Orientação auto-interesse (ou "hedonismo instrumental")

(O que eu ganho com isso?)

Nível 2 (Convencional)

3. Acordo interpessoal e conformidade

(Normas sociais)

(Orientação "bom moço"/"boa moça")

4. Orientação "manutenção da ordem social e da autoridade"

(Moralidade "Lei e Ordem")

Nível 3 (Pós-Convencional)

5. Orientação "Contrato Social"

6. Princípios éticos universais

(Consciência principiada)





.



Nível pré-convencional

Um estágio egôcentrico, onde o indvíduo está preocupado com as consequencias dos seus atos, a medida que essas consequencias vão afetá-lo ou prejudicá-lo.

No estágio 1, a pessoa obedece literalmente as regras, para evitar o castigo.Essa pessoa tem veneração por aqueles que detém o poder social, a autoridade., poder e prestígio.

Já no estágio 2, ocorre a ação a partir dos próprios interesses, age por conveniência.Não é o foco do respeito que o influencia, mas no sentido de que se as regras forem obedecidas, através da sua obediência, terá o que busca.Entretanto, nãopode ser confundido com o estágio 5, já que as ações são puramente egoístas, são feitas para satisfazer os interesses do indivíduio.No nível convencional, as pessoas se baseiam pelo dever de obedecer as regras, sem questioná-las, porque isso é o correto, é o normativo;

Nível 3

O nível 3 é o da identidade cristalizada, o cumprimento dos papésis sociais.Atender as expectativas das pessoas de referência, ser um bom moço, uma menina boazinha;

Tal conduta está atrelada a questão dos valores, tais como Kholberg os denominava, tidos como universais.Seu ponto focal é a boa intenção, fazer o que é certo para granjear o respeito, a gratidão, e “regra de ouro”.A finalidade de todas as açôes é a de manter papéis sociais.

No estágio 4, a pessoa preocupa-se com a autoridade e a ordem social, com a manutenção do bem estar de si e do outro.

A argumentação moral nesse campo é além da aprovação individual exibida no estágio 3. A performance está de acordo com o cumprimento da ordem social, mas como considera a transcedência das necessidades individuais para cada caso em particular.

Nesse ponto, o cumprimento das regras sociais permitem atitudes do tipo “mentirinha branca” ou “jeitinho brasileiro’.

Porém, externamente, todos devem cumprir as regras para o bom funcionamento da sociedade.A maioria dos membros ativos na sociedade se mantém nesse estágio.

No estágio 5 do desenvolvimento moral, a base é a de que os seres devem obedecer as regras como um contrato social, se houver uma justificativa para tal.

Essas pessoas vivem de acordo com seus preceitos do que é certo e errado, inclusos os direitos humanos básicos.

As regras não são ditos absolutos que devem ser obedecidos sem questionamentos, podendo ser desobedecidas ou modificadas com base em justificativas universais (Fonte: Wikipedia).

O Estágio 6 é referente aos princípios universais éticos.Todas as leis e valores sociais são válidos a medida que derivam desses princípios.

Quando uma lei agride um princípio moral, ela perde a validade.É uma filosofia kantiana, que preconiza os individuos como fins e não como meios.É a ética da reciprocidade, se imaginar no lugar do outro.

Poucas pessoas se guiam por esse estágio, que é considerado por Kholberg como o mais moralmente correto.

Aparentemente, é nesse estágio que o nosso amigo da história de Machado de Assis interage.

Mas se analisarmos a postura do mesmo referente a crueldade do relato, sem comentar a violência e a submissão a que foi vítima a escrava nessa história ficctícia, podemos localizá-lo entre o estágio 2, 3 e 4, o da obediência as regras, a recompensa por fazer o que é certo, (capturar a escrava); identidade cristalizada; ( o filho da escrava não merecia sobreviver, pois ela é propriedade do seu senhor, ao passo que o filho do caçador de escravos merece sobreviver, com dignidade, oriundos do lucro que o seu pai conquistou em esforçar-se ao capturar a escrava fugida);

Nas relações de gêneros que se desenham no palco do social, são travados embates e combates, permeados por conflitos morais. Quero crer que ninguém age motivado puramente por um único estágio, de acordo com a evolução do sujeito, as ações são mescladas por orientação dos estágios em sua subjetivação, de acordo com as suas crenças;

O nó dessa fiação, dessa tecelagem é  considerar Jesus como um homem superior em sua evolução moral, por causa da sua natureza divina, conceituar o mal como uma ilusão que sai da boca do humano, (...Pois se seus olhos forem maus, quão grandes serão as trevas que inundarão o seu coração...). Finalmente também é alertar as mulheres que o que as salva da sua condição de subserviência ao poder masculino, seja ele de que natureza for, é a erudição, é o conhecimento, é o acesso a que o Professor Chafic chama de código interior.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Tucanar


Tucanar




Eu não posso tucanar

Não acredito em tucanagens

Ninho de cobras

Politicagem

O meu bebê nasceu

Num quarto do IAMSPE

Coberto pelo SUS

E trocentos pratinhas

Para laquear as trompas

Na minha 4ª cesárea

E depois o Tucano mor

Candidato ao cargo mais importante do país

Me mandou uma cartinha

Para que eu pudesse avaliar o serviço do SUS

No SUSTO que foi a minha concepção

E outro tucano, sorridente

Me tirou o ganha pão

O sistema me abandona

Porque eu não posso largar casa, maridinho e filhos

E ir para Sampa

E me acusa de abandono

Com o arroto do leão

Que garfou trinta por cento da minha licença

Paga quando o meu bebê

Já tinha seis meses de idade

Tucanar

Só quando eu me candidatar e vencer as eleições

e esquecer a solidariedade

então essa não sou eu

Avalio seu doutor

O SUSTO do medo da morte

O SUSTO da falta de pão

O SUSTO da tucanagem

Me tirando a esperança

E me jogando na rua

Com maridinho e filhos

E declaro que eu

Não posso mais cantar Serra Serra

Para o meu bebê

Não vou ensinar tucanagem

Para essa criança

A quem foi desrespeitado todos os direitos

Como essas pessoas conseguem colocar a cabeça no travesseiro e tucanar o seu soninho?

Não me fale mal da poesia


Da caixa de ferramentas




Bem, está correto. Na matéria do Caderno Cotidiano, 27/04/10. Folha de São Paulo, Alves esclareceu o pensamento sem dizer para as pessoas que ficarão inúteis porque vão ficar velhas.

Rubem Alves diz que escreveu textos que hoje lhe causa estranhamento e se vê como uma pessoa melhor.

Mas em uma análise crítica, a margem do respeito é considerar que a velhice traz uma beleza serena em saber que conseguiu passar por todas as adversidades e estar ali, com os cabelos branquinhos, aconselhando filhos e netos ou dando muito trabalho para eles.

Não considero a velhice uma inutilidade.

Penso que temos que aprender muito com os velhinhos, até para se lembrar que um dia, nós também estaremos ali, dependendo das pessoas mais jovens até para tomar um banho;

Não considero a poesia inútil. Numa noite de primavera, adolescente, em que a tristeza tomava conta da minha alma a Professora Iracema Caobianco me fez renascer com uma poesia de Cecília Meireles que falava sobre as mãos.





Canção





Pus o meu sonho num navio

e o navio em cima do mar;

- depois, abri o mar com as mãos,

para o meu sonho naufragar





Minhas mãos ainda estão molhadas

do azul das ondas entreabertas,

e a cor que escorre de meus dedos

colore as areias desertas.





O vento vem vindo de longe,

a noite se curva de frio;

debaixo da água vai morrendo

meu sonho, dentro de um navio...





Chorarei quanto for preciso,

para fazer com que o mar cresça,

e o meu navio chegue ao fundo

e o meu sonho desapareça.





Depois, tudo estará perfeito;

praia lisa, águas ordenadas,

meus olhos secos como pedras

e as minhas duas mãos quebradas



A partir dessa poesia ela fez uma reescrita, criando outra poesia, “As minhas mãos nas tuas mãos” que lembrava a ela o vínculo com seu esposo, o amor e a cumplicidade que os unia.

Achei tão bonito existir esse amor perfeito, que renasci e escolhi, do rol de poesias que ela nos mostrou para o meu momento, outra poesia de Cecília Meirelles, Motivo;





Motivo

Eu canto porque o instante existe

e a minha vida está completa.

Não sou alegre nem sou triste:

sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,

não sinto gozo nem tormento.

Atravesso noites e dias

no vento.

Se desmorono ou se edifico,

se permaneço ou me desfaço,

— não sei, não sei. Não sei se fico

ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.

Tem sangue eterno a asa ritmada.

E um dia sei que estarei mudo:

— mais nada.



Essa poesia eu tirei da minha caixa de brinquedos, para utilizar como lema para que eu pudesse me tornar uma pessoa melhor eu acreditar em mim um pouco mais, para construir a minha caixa de ferramentas.

Quanto a cumplicidade das minhas mãos nas tuas mãos, eu considero problemático, pois os homens, geralmente, tiram das mulheres mais do que ela podem e querem dar.

Penso que o romantismo faz com que as mulheres enxerguem rosas onde só há espinhos.

Renasço com a poesia e ela é vital.Não me fale mal da poesia.

A poesia, como a arte é essencial e vital.



Renascer com a Poesia



De versos tortos

De versos cansados

De versos vivos

De versos trágicos

Renasci

Aproveitei e frui

Na fruição encontrei

E me encontrei viva

Na minha própria condição humana

Entrevi a minha imortalidade

A minha caixa de brinquedos

Criança

Tem poesias para todos os gostos

Os momentos

Os desgostos

Não me fale mal da poesia

Ela é o meu alimento

Para rir o meu riso

E lamentar o meu lamento
Patrícia Rodrigues

Essa poesia é  minha.Não entendo nada de metrificação de poesia mas componho os meus poemas e as minhas poesias e escrevo pois:
Razão de ser




Escrevo. E pronto.

Escrevo porque preciso

preciso porque estou tonto.

Ninguém tem nada com isso.

Escrevo porque amanhece.

E as estrelas lá no céu

Lembram letras no papel,

Quando o poema me anoitece.

A aranha tece teias.

O peixe beija e morde o que vê.

Eu escrevo apenas.

Tem que ter por quê?



Paulo Leminski

terça-feira, 27 de abril de 2010

Cotidiano amargo

HOJE ESTOU TRISTE...




Hoje estou triste, dessa tristeza que a gente sente ao lembrar que por mais que tentemos ver no mundo uma esperança e um raio de luz, ela sucumbe a maldade dos que não esperam em Deus.

Lembro-me de uma menina, tão querida e que conheci recentemente. Como todas as meninas, ela sonhava um príncipe encantado.

Conheceu o amor e desencantou-se rapidamente. Hoje, está no Hospital, internada e perdeu o bebê que esperava.

Não quero me detalhar nessa perda, o que sei é que o mundo é mais cruel do que possa conceber e também não quero pensar o que essa perda realmente significou.

O mundo é muito cruel para as meninas.

Mas me deixou triste de verdade. Gostaria de estar ao seu lado, dar-lhe o meu abraço e lhe confortar, tentando aliviar a dor que tudo isso deixou na sua alma.

O que me deixou também muito triste foram as críticas do Blog do Reinaldo de Azevedo em relação a esse professor que semeia a paz, o amor e a compreensão entre os educadores e os educandos.

Colhi ali também um comentário de minha irmã e percebi a distância que há entre o meu modo de pensar e sentir e o modo de pensar e sentir dela.

Para que tanta amargura? O mundo já não é triste o suficiente?

Fomos geradas na mesma mãe e somos o oposto uma da outra.

Eu trabalho na Educação e acredito na educação;

Ela não quer nem passar perto de uma sala de aula. o período de estágio presencial para ela foi o sofrimento maior de todos os momentos no Curso de Geografia;

Por um lado e isso me deixa triste, ela não deixa de ter razão.

No meu caso, o Secretário da Educação não quis considerar essa parte do sacrifício, a impossibilidade de eu me deslocar para São Paulo e me destruiu um pouco.

Sinto-me vítima de um processo de bulying e considero que tal afronta a dignidade humana não é só entre alunos.
Sempre acreditei que ser professor romperia com esse modelo  maldito do sistema que coisifica as coisas e as pessoas e as escraviza.
Mas ser professor é entrar em contato com os mecanismos desse processo de exclusão, do afunilamento das oportunidades respeitando as regras do jogo sujo, a tucanagem perversa , propagando uma pseudo inclusão e uma pseudo democracia que na realidade não existe.
No meu processo de renascimento, encontro críticas ao trabalho de gente que acredita em valores universais tidos como bons e prega a Paz.

Em que acreditar? No que se apegar?

Espero que eu não possa perder as esperanças de acreditar que o mundo possa ser realmente melhor.
Vou lutar com as armas que  eu tenho e ignorar a maledicência.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Sobre o Buliyng nas escolas

O buliyng






O bulying nas escolas é preocupante. Komensky, um renomado pedagogo, (tradução brasileira Comenius) , afirmou em seus escritos que havia um espírito muito mal nas escolas, estou falando de uma forma simplificada.

O mal está nos corações de quem está conduzindo a Educação; Ou o bem.

As escolas são palcos frutíferos e ideais para qualquer ação, seja ela boa ou má;

O que me preocupa nas escolas é o buliyng consentido e reforçado pelos funcionários das escolas, ocupem eles o cargo que ocupem.

Qual seria o termo para referir a covardia de diretores e professores que acobertam e incentivam o buliyng?

Buliyng, tortura psicológica, qualquer termo que seja é horroroso.

Quero lembrar a todos que a verdadeira Educação é um exercício de Paz e de Bem;

E adianto a todos os que trabalham nas escolas e nas secretarias da Educação do Brasil e do mundo inteiro que a paz começa dentro de casa e dentro da sala de aula, nos pátios, nos corredores, nos refeitórios.

A paz só pode ser realizada se e se somente se cada um fazer a sua parte.
Cada um fazer a sua parte, essa é a essência da verdadeira Educação para a Paz.

domingo, 25 de abril de 2010

Partilhas

“Já se disse que o homem surgiu quando a primeira canção foi cantada. Mas eu imagino que a primeira canção foi cantada ao redor do fogo, todos juntos se aquecendo do frio e se protegendo contra as feras. Antes da canção, o fogo. Um fogo aceso é um sacramento de comunhão solitária. Solitária porque a chama que crepita no fogão desperta sonhos que são só nossos. Mas os sonhos solitários se tornam comunhão quando se aquece e come.”(Rubem Alves)






Sonhos partilhados e pão negado



A reescrita da vida acontece quando me deparo com as obras do Rubem Alves e que como Funnes, o memorioso, remeto-me a lembranças do passado.

Não que eu não queira esquecer ou que as lembranças me incomodam. São pálidos fantasmas do passado, mas eu acho que eu aprendi muitas coisas da vida olhando o fogo.

O fogo era belo e eu entrevia imagens nele que o meu coração de criança me permitia imaginar que eram reais;

Eu via contornos de coisas imaginadas e meu cérebro dava formas a elas.

Fiquei então sabendo nas aulas de catecismo que o inferno era feito de fogo e que o ser que habitava as profundezas também era representado pelo fogo.



E eu não conseguia deixar de gostar do fogo, pois nas noites frias de inverno, a tentativa era  a de fazer acender as achas de lenhas úmidas, colhidas na plantação e eucaliptos, pois não tinha luz elétrica e quando acabava o fósforo, (e logo acabava, pois os ventos fortes não deixavam acesa a chama da lamparina) o último recurso era a brasa do fogão de lenha adormecido, debaixo das cinzas.

E quando o fogo começava a crepitar todos se aquietavam, e mãe e  pai paravam de discutir, pois era só ali em torno do fogo que estava confortável.

E ali que sentíamos que éramos uma família e mais tarde, descobri que éramos seis, e a vida já tinha reescrito a nossa história no romance de Dupré.

Ali, perto do fogo, eu aprendi a dar valor ao que nos unia, que era o amor e que sem isso por mais dinheiro que tivéssemos nenhum de nós iria sobreviver.

Quando a família se aquietava, meu pai, com voz embargada, começava a dizer que ele iria mudar, que iria parar com aquilo que era seu vício e que a mãe devia perdoá-lo , pois ele nos amava.

Todas essas coisas aconteceram perto do fogo. E a vida fizera uma reescrita da nossa história com um tal de Irineu Funnes, já que meu pai se chama Irineu. Irineu Rodrigues Almeida.

Na infância, nos bancos escolares conheci Dupré pela sua escrita e no romance tinha uma família com seis pessoas e tal como na vida real o amor que os unia não dava a compreensão total, mas era o vínculo de união.

Na Faculdade, conheci a história de Funnes, com a Ilíada e me incomodei um pouco, pois esse sujeito além de se apropriar do nome do meu pai também rememorava as coisas como ele.

O egocentrismo estava se desfazendo.

Quantas coisas da nossa criança interior carregamos e em certas coisas nunca deixamos de crescer totalmente;

A sopa quente, o alimento confortava o corpo e o espírito.

E foi em volta do fogo.

Conheci outras facetas do fogo. O fogo do Batismo no Espírito Santo de Deus, o fogo nas faces quando se apaixonava, paixão de menina, rubor.

E descobri que as coisas não são em si mesmas, boas ou más.

Nós que as trabalhamos para que elas se tornem úteis e preciosas;é a nossa mente, o nosso referencial, são as nossas projeções.

E a força do fogo que derrubou os aspectos primitivos da vida ancestral no processo civilizatório me tira da alienação de não ter poder em um mundo como o nosso e me dá a noção que o fogo subjetivo mostra a minha força em tecelã da palavra, ou como diria alguém, artesã da palavra.

Esse é o meu poder e ninguém vai me tirar, já que está inacessível.

Quando Walcyr Carrasco escreveu “Hoje é dia de Maria”, senti que retalhos da minha história estavam sendo tecidos ali.Agradeço infinitamente por ter reescrito parte da trajetória subjetiva dos meus fragmentos.

Não vão me identificar ali, continuo sendo anônima, mas eu não quero ser celebridade.

E há chances de que mais pessoas venham a se reencontrar nessa história, que é a história do Brasil e Maria é a nossa Alice do Pais das Maravilhas e Walcyr é o nosso Lewis Carrol;

E absolvo os autores que reescrevem histórias partindo das fragilidades das pessoas aparentemente sem poder, como eu.

Somos a pedra bruta na mão dos artífices reconhecidos autores. Nós somos o seu alimento.

A Justiça da não partilha só Deus pode resolver;

O sonho é partilhado, o pão não.

Mas a memória histórica não se perde.

E tudo em volta do fogo; Obrigada, Deus. Obrigada, Rubem Alves.Obrigada, Walcyr.


http://www.youtube.com/watch?v=UJzBl1zJdO0

sábado, 24 de abril de 2010

O amor nos tempos de cólera

                                                                 
É um livro de Gabriel Garcia Márquez.Vou ler se estiver disponível no Google livros. Não posso comprar o mesmo já que saiu de circulação.Mas eu estou refletindo sobre o Amor;
Eu tenho pensado muito sobre esse tema.
Já  foi ensinado que o amor é uma invenção burguesa.
Mas eu creio que não.O amor nos deixa tolos.
Perde o sono, rói as unhas, escreve poesias tontas e sem metrificação. Sente ciúmes e insegurança.Quer resgatar de memória o que nunca sentiu. O perfume, a pele, o toque.
E sublima escrevendo romances e novelas.
Todo escritor, no fundo é um apaixonado. Ele quer resgatar e grafar vidas que não são suas, recebendo-as por psicografia vidas que já foram vividas e estão suspensas no ar , nesse mistério que é a vida.
E se faz análise, deixa também o terapeuta meio apaixonado.E se bate o carro,  faz o policial que atendeu a ocorrência dar um abraço apertado na esposa comemorando a frágil segurança do lar.E o mecânico se surpreender que mais uma vez, só ferro velho para bater, retorcer e colocar no lugar.A vida está inteira.
E se faz Faculdade, deixa o professor ou a professora reminiscente, voltando aos tempos onde a erudição não tinha deixado  marcas da máscara do polido professor.
É apenas um ser humano que acalenta, platonicamente e pateticamente um amor impossível.Que o faz perder o sono e o sentido das coisas que faz. Que sente solidão em meio a uma multidão de pessoas.
O amor faz reescritas.
O amor faz um padre querer derrubar o celibato.
Indira Ghandi diz que se um homem ou uma mulher chega ao potencial máximo do seu amor todo mundo será envolvido.Algo assim.
E se é amor de duas almas gêmeas, ninguém tem mais sossego.
Walcir Carrasco nos torturou o coração com uma obra prima que escreveu chamada de "Alma Gêmea". Tinha uma india,meio tontinha que vioru empregada apaixonada por seu patrão.
Mas que era de outra vida o amor deles.e foi lindo demais ver a cena onde mostravam suas outras vidas se encontrando e se amando.Ora, o folhetim da Globo.
O amor estava ali, no olhar deles, onde quer que se encontravam.
E é sempe amor nos tempo de cólera.
Quem vai acreditar no amor quando ele acontece onde não pode acontecer?
Só quem o sente.
Só quem o sabe.
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sexta-feira, 23 de abril de 2010

A criança interior

“ Mais do que nunca, é preciso dar luz a esses seres iluminados que ocupam almas e corações. Crianças interiores que habitam castelos, vales, montanhas edificados quando ainda arquitetávamos sonhos.” (Gabriel Chalita, Pedagogia do Amor)




A criança interior



Hoje já estou chegando a fase a maturidade,perto da idade da loba.

Mas quando eu me olho no espelho, eu vejo o meu rosto redondo de criança e a esperança brilhando em meus olhos, como se eu fosse uma criança.

Sou mais para o doce do que para o salgado. Amo chocolate e a comida das almas;

Quem me ensinou a fazer a comida das almas foi a Nina Horta, que escreve na Folha de São Paulo;

Macarrão cabelo de anjo e muita manteiga.A alma tristinha encontra conforto ao saborear essa comida.Dá uma sensação de acalanto, de colo de mãe.

E eu com as minhas crianças, todas elas, como o James que está na 6ª série da escola estadual, e que me vê hoje e vem me abraçar e me dizer que está com saudades.



Logo está namorando.Se já não está;

E a minha alma de criança encontra guarida ao lado das outras almas, perfeitas crianças.

Adoro pintura de guache.

Faz aquela bagunça. As diretoras ficam de cabelo em pé. Será que vai dar tempo de limpar tudo isso?

No fundo, apesar da minha alma madura, a minha criança interior está viva;

E isso é muito bom.

Eu não regrido ao me permitir ser criança. Eu me permito,sem culpas,permanecer na nuvenzinha cor de rosa dos sonhos de criança;

Mas eu sei que sou adulta e que tenho que cuidar e maternar as outras crianças;

A mãezinha de um aluno entrou em trabalho de parto hoje.

Foi embora mais cedo.

E eu olhei o rostinho feliz, brilhando de felicidade, segurando a bandeira nacional, feliz por ser escolhido;

E pedi a Deus que abençoasse aquela criança que eu amo (um tipo doce de amor) e que mudasse a vida dele para melhor;

Hoje eu me senti plena de luz e de amor.

Foi um dia especial, para mim e para a minha criança interior.

Obrigada, meu Deus. Obrigada pelo Amor, pelo despretensioso amor, sem exigências que me une aos educandos.

Obrigada por suavizar a minha alma e redescobrir a força de ser feliz ,quebrando os grilhões da amargura e perdoando.

Sou imensamente feliz pois faço uma criança sorrir.

E isso não tem preço;

selo

quinta-feira, 22 de abril de 2010

A seriedade da Palavra de Deus



Leviandade no trato com a Palavra de Deus




Tenho refletido muito sobre o que Deus tem trazido para mim. Entreguei o leme do meu barquinho frágil para Deus.

Ainda tento mudar as coisas do meu jeito e isso não é correto. Correto é não ter arrogância e se entregar tão completamente a Deus que do silêncio e da meditação, possa ouvir a opinião de Deus sobre as minhas decisões;

Tem gente que se apressa. Sempre peço conselhos às pessoas experientes. Então, pedi conselho a uma amiga sobre uma decisão que eu tinha que tomar. “Ouço o que as pessoas me dizem, também, pois não quero me alienar).

No final, tento saber o que Deus quer daquilo que está acontecendo;

Não digo que a minha amiga tenha sido leviana ao me indicar fazer uma oração e abrir a Bíblia. O que saísse, era a resposta de Deus.

Assim fiz. Estava tão urgente em mim a necessidade da resposta, que fiz a minha oração em concordância comigo mesma.

“Ah, mas Deus sabe o quanto eu tenho esperado por isso, Ele sabe o quanto preciso disso”.

Não ouvi de fato o que Deus queria falar comigo.

Então, ao abrir a Bíblia, as palavras que li, rapidamente, foram (traduzidas para um bom português): “Deus está irado e ordenará a sua morte nessa semana”.

Bem a semana não acabou ainda, mas eu penso que essa mensagem mostrou para mim que a Bíblia é a palavra sagrada e que não deve ser tratada com leviandade.

Se Deus quer que isso aconteça comigo, virá no tempo certo. No tempo de Deus e não no meu tempo.

O bom anjo Gabriel fala desse assunto no dia 19/04 em seu pod cast.

E então eu percebo que Deus me mostrou a resposta de um jeito diferente, de um jeito novo. Mas com uma precisão e uma eficácia que não me deixa dúvidas.

A Bíblia não é um livro de magia. A Bíblia não é um xamã;

Mesmo carregando em si tanto paradoxos, é a forma que Deus usa para falar conosco.

E Deus usa as pessoas, mas com autoridade certa.

E que a pressa é inimiga da perfeição;

Não de forma descuidada, de forma incerta, conversando consigo mesmo.

Eu não quero saber o que diz o meu coração apressado.

Eu quero a resposta de Deus.

Virei um girassol;

E tenho aprendido muito nesse tempo de Deserto.

Toda essa aprendizagem é melhor do que saber a resposta da minha questão que angustia a alma.


quarta-feira, 21 de abril de 2010

Sobre os girassóis

Sem olhar para o mundo secular, colho um pouco de sabedoria nas palavras de um Padre;


Não estou atrás de títulos, pois não acredito neles;

Eu acredito na essência humana se ela estiver ligada a força de Deus, assim como nos explica Fábio, como os girassóis voltados na direção do Sol;

Onde estás, Senhor? Não escondas de mim a Tua Santa Face;

Recebo de Ti a inspiração para continuar, para cumprir a minha missão a que estou destinada aqui na Terra;

Às vezes, pego no arado e quero olha para trás. Mas a Tua Palavra diz que quem é digno de Ti, não olha para trás ao pegar o arado.

Dá-me Deus o dom de perdoar. Dá-me o dom de aceitar o que eu não posso mudar e persistência para mudar o que eu posso mudar.

Não sei o que vim fazer aqui, nem sei quem eu sou.

Mas como um girassol, volto a minha face para Ti,pois sei que é preciso ter paciência;

Eu não sou dona da minha vida e sei quem está no comando dela;

Não tenho explicações para o sofrimento. Quando eu sofro, eu me resigno e penso em Ti, que deve saber porque está permitindo o sofrimento.

Sou tua, Senhor; Todos os meus objetivos estão traçados em cima desse mesmo propósito: sou mordomo de Deus;

Ao mesmo tempo, sou sacerdotisa, pois Jesus me entregou a capacidade e a Palavra;

Amo, Senhor com toda a intensidade do meu coração e a espontaneidade de uma criança;

Devo ser forte e lembrar que como um girassol, sem a Tua Luz nada sou.

Obrigada, Padre.



terça-feira, 20 de abril de 2010

Ponderações sobre o universo feminino


Perdendo a referência




Histórias de dor, histórias de amor. È sempre assim. As mulheres presas ao seu complexo de Cinderela vivem querendo encontrar o homem perfeito, o príncipe encantado.

Quando encontra um, perde a referência de si mesma. Esquecem que homens, via de regra, não consideram sentimentos, ainda que pareçam considerar.

Um homem que está apto a ser o tudo de bom que as mulheres almejam se corrompe em contato com os amigos.

Biologicamente, o que o ser masculino quer é espalhar a sua semente. Comer todas as que encontrarem pela frente. Verdadeiros lobos maus em pele de cordeiro. Talvez não sejam culpados.

É a testosterona falando mais alto. As mulheres, ocultas atrás de um lenga lenga que diz serem elas as portadoras de um amor romântico, digladiam com as outras para apoderar-se de uma referência básica, que é o cerne das questões sociais e morais: o poder falocrático.

Poder que tem outras faces e instrumentos , comando, subordinação, mas que revela a parte libidinal de todos os atos e processos da vida real. É o que Freud chamava de inveja do pênis.

A mais recente aquisição artística propagada pela mídia revela, inconscientemente, o que diz esse artigo: a polly dance.

Um mal estar muito grande se apodera de mim ao ver, as mulheres idolatrando aquele mastro, dançando em volta dele, abraçando-o com as pernas.

E como foi promovida a modalidade esportiva, as crianças, sem saber ou sabendo, colocaram essa brincadeira como a favorita.

Condicionando-se e passando adiante.

E novas histórias, novos dramas, novos corações partidos. Novos abortos.

Talvez nunca chegue o dia em que as mulheres percam a necessidade de se atrelarem a um homem e consiga ser feliz sozinha.Sem o coração partido.

Mas um foi criado para o outro. Essa também é uma construção social.

Homens tem se unido a homens e mulheres a mulheres.

Não há  nada de novo sobre o sol.

Mas a vingança básica da natureza é da fêmea do louva-a deus que devora o macho no ato da cópula.

E do matriarcado como sistema social.

Chapeuzinho vermelho, se cuide. O lobo mau não engravida. O muito que se exige é que pague pensão alimentícia.

Mas se ele não quiser pagar, não há vovozinha no mundo que o obrigue.

Não somos as fêmeas dos louva a deuses.

Precisamos nos cuidar mais.

domingo, 18 de abril de 2010

Eros, Tanatus e a impossibilidade dos afetos

Dos amores e das maçãs





Sei que nem toda a expressão de afeto entre seres do sexo oposto ou seres do mesmo sexo tem um happy end.

Existe a predisposição para o amor e o interesse em tecer teias para um bom relacionamento amoroso. Mas como no palco do teatro, no palco da vida, as tragédias se sucedem quando há amor passional envolvido.

Preocupo-me com o aumento da minha pressão arterial e o bombeamento do meu coração Eros é imprevisível. Ele nunca conseguiu crescer.

Como insaciável, filho de Pínia e Poros, Eros quer sempre ter, embora nunca consiga ser nem pobre nem rico.

Mas quando sua flecha atinge o alvo, são interessantes seus ardis.

Anda disfarçado sobre o manto do amor espiritualizado e subliminar, embora deseje revelar o carnal e o material.

Ah, as complicações de Eros. Mas se não fora Eros, nossa vida seria menos bela e a tentação da mordida na maçã já teria se esvaído há tempos.

(Prudência vem).

Eros é corajoso, audaz e constante. È um caçador temível, astucioso, sempre armando intrigas. Gosta de invenções e é cheio de expediente para consegui-las. É filósofo o tempo todo, encantador poderoso, fazedor de filtros, sofista. Sua natureza não é nem mortal nem imortal; no mesmo dia, em um momento, quando tudo lhe sucede bem, floresce bem vivo e, no momento seguinte, morre; mas depois retorna à vida, graças à natureza paterna. Mas tudo o que consegue pouco a pouco sempre lhe foge das mãos. Em suma, Eros nunca é totalmente pobre nem totalmente rico.

Prometeu, supervisor das atitudes humanas, mas falho por ter roubado o fogo destinado aos deuses para dá-lo ao seres humanos, deveria intervir para contestar a ação de Eros.

E todo amor de origem ilegítima deveria se sublimar para se transformar em amor platônico.

“ Amor platônico é uma expressão usada para designar um amor ideal, alheio a interesses ou gozos. Um sentido popular pode ser o de um amor impossível de se realizar, um amor perfeito, ideal, puro, casto.” (Wikipedia).

E a impossibilidade dos afetos não se circunscreve somente aos quesitos idade e posição social, mas de arranjos ou acordos feitos antes da flechada de Eros.

Mas Eros, como todo o deus pagão imprevisível, poderia, num rompante, fazer deixar beber a água da nova fonte até ela se esvair e no final, abandonar o campo e ceder o lugar a Tanatus,

Então onde havia um jardim de delícias, instaura-se um campo onde sofrimentos, rupturas se manifestam dando a vitória final a Tanatus, enquanto Eros, insaciável, continua a seguir o seu caminho, flechando os corações....

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Paixão por chocolate

PAIXÃO POR CHOCOLATE




Hoje, eu comprei um chocolate Prestígio. Na verdade, eu queria levar uns vinte chocolates. È numa lojinha que vende doces a preço de fábrica . Todos os dias, os proprietários me cumprimentam. Já gastei uma grana legal lá, comprando chocolates. Ainda bem que não sou adolescente. O meu rosto iria ficar cheio de espinhas.

Depois de todos os assuntos pesados da semana, como pedofilia na igreja Católica falar de coisas tolas e boas faz bem.

Ultimamente, eu ando muito melosa. Deve ser o efeito chocolate. Eu quero terminar de escrever o meu livro, “Espelhos”. Fui reler o livro e me espantei com a quantidade de dramas que existe nele em 14 capítulos. Novela da Globo perde.

Surpreendi-me com a capacidade de escrever coisas cruéis e tocantes, mas atualmente eu quero falar de coisas amenas.

Esse é o efeito Chalita.

O Chalita é árabe. Ou descendente de. Os ascendentes de Chalita tratam muito mal as suas mulheres. Como escravas. Talvez seja por isso que o referido professor, vereador e amigo do Padre Fábio de Mello, contou em sua palestra a história de uma escrava que perdeu o seu filho, num conto de Machado de Assis, “Pai contra mãe”.

Aí ele falou que a escrava perdeu o filho, e quando o feitor voltou a farmácia buscar a criança que tinha deixado para ir capturar a escrava, o final ele deixaria para a gente terminar de ler o livro. Que isso ele aprendeu com uma professora.

Então eu imaginei que o final seria o feitor também perder o seu filho, mas nada disso. O feitor recuperou o seu filho e ainda ficou muito rico. Enquanto a escrava perdeu o seu filho numa hemorragia violenta e virou escrava de novo. Fiquei com uma baita raiva.

Dor no meio de uma atmosfera de acolhimento e amor.Dor feminina.

Estava lendo o livro “Educar em amor” e o livro “Cartas entre amigos”e me questionei se um doutor em semiótica e filósofo tem a capacidade de tratar de assuntos como o amor e romantismo, e se realmente ele acredita nisso ou se é só para encher lingüiça e encantar a muguegada.

Homens! Bah!

Falando em homens, tem um cronista na Folha de São Paulo que deve estar com encosto. Só fala de coisas ruins, faltando apregoar o nazismo latente na natureza humana.

Mas no fundo, todos nós somos comida de verme. E isso eu encontro na Fábula de Monteiro Lobato, “O gato vaidoso”.

Voltarei ao chocolate, quero ser criança esperando um dia encontrar uma casa de doces como na história de João e Maria;

Mas no lugar da bruxa má, uma diretora de escola boazinha ou uma fada que me realize três desejos: chocolate, livros e flores.

Hoje eu estou falando pelos cotovelos e só coisas tolas. Regredi a infância.

E por falar em paixão, eu tenho a mania de dizer que sou apaixonada por tudo ou quase tudo e as pessoas me interpretam mal.

Sou apaixonada por chocolates, xícaras de chá, miojo, poesias, teatro , banhos quentes, óleo de avelã da Natura, sabonete de chocolate da Racco, o time de futebol Santos, as crianças do meu Brasil varonil, roupas brancas, livros , telefone, orações, Internet e muitas outras cositas mas.

Sou apaixonada pelos meus filhos, o Arthur, meu bebê.

E encerro com uma citação de Rousseau, embora eu não acredito muito nessa história romântica de homem como um ser bom.
(qual é o sentido dessa postagem?Será que é hora do chá do Chapeleiro maluco?)
Acho que se eu não me cuidar, eu vou ser o próximo almoço de um canibal ou uma canibal da Educação:

“Viver é o ofício que eu quero lhe ensinar, saindo das minhas mãos; Ele não será, portanto, nem soldado, nem magistrado, nem juiz, nem padre. Ele será, primeiramente, um homem.”

Homens, homens, bah e bah!

Quero chocolate!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Energia do Pensamento

PENSAMENTO




“Você tem que saber o que se passa aqui dentro: eu vou falar prá você: você vai entender a força de um pensamento, pra nunca mais esquecer”.

“Que seus pensamentos sejam de luz, não de trevas, de amor não de ódio”;

Eu penso, logo existo.

Existem muitas coisas sérias sobre o pensamento. Os livros de auto ajuda propagam que o pensamento tem energia, que são ondas de luz e som, que nosso ouvido não capta, nem olho não pode ver. 700 trilhões por segundo de vibração...

A energia que vem do imã, alguém pode registrar ou medir? Assim é a energia do nosso pensamento.

Os iguais se atraem no mundo do pensamento.

O homem pode construir seu pensamento e fazer dele o que desejar.

O Eu superior, irmanado com as forças da vontade superior domina e elimina as vontades destrutivas do eu inferior.

domingo, 11 de abril de 2010

Em defesa do Papa

O papa não é o novo Judas



In: Folha de Jundiaí
Tipo de texto: Artigo


GABRIEL CHALITA

"Pedofilia é pecado e é crime. Pecado mortal e crime hediondo. Merece repúdio e sanção. Ato abjeto, condenável, qualificado na esfera legal como singular exemplo de hediondez. Se na instância religiosa obtém-se o perdão mediante honesto remorso e firme propósito de não mais pecar, no âmbito legal o castigo é a inevitável segregação da liberdade.



O Código Penal contempla a figura do atentado violento ao pudor - artigo 214 - o assédio sexual - artigo 216 - e a corrupção de menores - artigo 218, tipos suscetíveis de enquadramento da conduta do pedófilo. Nas disposições gerais pertinentes aos crimes contra os costumes, abriga a presunção de violência se a vítima é menor de 14 anos, alienada ou débil mental e o agente conhecia esta circunstância e não pode, por qualquer outra causa, oferecer resistência - artigo 224. Além disso, a pena é aumentada de quarta parte se o agente, a qualquer título, tem autoridade sobre a vítima - artigo 226. Essa é a situação perante as normas religiosa e humana. Conhecer o fato, conhecer o seu autor, conhecer a lei. São as condições mínimas para se concretizar a justiça dos homens.



O atual estágio civilizatório se erige sobre postulados arduamente conquistados, dos quais não se pode abrir mão, sob pena de retorno à barbárie. A opção pelo processo judicial já consiste em escolha ética, a substituir a justiça de mão própria ou o linchamento, este quando parte da comunidade toma a si a tarefa do carrasco.



Dentre os dogmas do processo penal contemporâneo, situam-se o contraditório e a ampla defesa e o princípio de que a sanção incidirá sobre o criminoso e não resvalará sobre outras pessoas. Inadmissível, em nossa era, transigir com a singela dicção: a pena não passará da pessoa do criminoso. O eixo da individualização da responsabilidade parece ter sido afetado nestes dias, por uma teimosa insistência em atribuir a Bento 16" culpa que ele não tem. A pedofilia teve início na noite dos tempos. É mais um traço da miserável condição humana e a Igreja nunca pactuou com ela. Quem poderia indicar algum religioso - de qualquer confissão - que a tenha louvado?



Em seu pontificado, o Papa reiterou o repúdio em relação a qualquer inobservância aos preceitos evangélicos. Firme na ortodoxia, já foi taxado de conservador e se receava um retorno ao anacronismo, à época em que eleito pelo Colégio Cardinalício. Eis que se surpreendem os incrédulos. Sua primeira Encíclica foi sobre o amor. Mostrou-se magnânimo, terno e afável. Amigo das artes, dos artistas, do belo e do lúdico.



Em relação à pedofilia na Igreja, nítida a sua consternação. Pediu perdão às vítimas, lamentou que mais essa chaga continuasse a ser acrescentada ao atemporal sacrifício do Salvador. Aquele que Se imolou para redimir a humanidade. Diante disso, como se justifica o furor em execrá-lo, se não é pedófilo, se perfilhou - como não poderia deixar de fazer - frontalmente contra esse crime - se nunca se acumpliciou com os que chafurdaram nessa lama?



Aponte-se um fato ocorrido no curso de seu pontificado e que não tenha merecido resposta da Igreja. Acusá-lo em relação a práticas anteriores é arremessar sobre seus ombros, já sacrificados pela carga imensa de responder pelos desafios da Igreja de Cristo num século turbulento, o peso insuportável do injusto flagelo. Nem se invoquem omissões passadas. A função exercida pelo Cardeal Ratzinger na hierarquia da Igreja Católica, durante o longo período sob João Paulo II, era zelar pela Doutrina da Fé. Foi ele quem sistematizou e atualizou a normatividade a que se deve submeter a comunhão dos fiéis. Seu desempenho foi modelar, com estrita fidelidade à verdade evangélica, sem se curvar às pretensões de quem reclamava um aggiornamento desconforme com as exigências cristãs.



A Doutrina da Fé não equivale e nem possui as atribuições de uma Corregedoria Eclesiástica. Ratzinger é um pensador, um respeitado filósofo, reconhecido autor de uma obra consistente. Já integrava a Pontifícia Academia Vaticana de Ciências, seleto grupo de intelectuais de todo o mundo, sem distinção de crenças e dentre os quais figuram muitos galardoados com o Prêmio Nobel. Causa perplexidade que tantos se satisfaçam com explicações psicológicas para os desvios de comportamento, se oponham à distinção binária entre o permitido e o proibido, e, simultaneamente, sejam tão severos em relação a Bento XVI. Aqui não se invoca a presunção de inocência, nem se insiste no exaurimento do contraditório. Duplo perigo: usar de diferentes pesos, de distintas medidas, perante situações que, ontologicamente, ostentam um núcleo comum.



Os pedófilos precisam de corretivo. Sabem que procedem erradamente, caso contrário agiriam às escâncaras. Mas os infratores são eles, não o Papa. Este é o chefe de uma Igreja que tem milhares de sacerdotes santos, de leigos a caminho da santificação. Mas que é instituição humana, também falível e pecadora. E que, definitivamente, não é a instância encarregada de julgar os infratores da lei penal. A Semana Santa, que a mídia prefere chamar de "feriadão", neste ano de 2010 representou um espinho a mais na coroa de Cristo: a tentativa de fazer de Seu representante o antigo "bode expiatório" do sábado de Aleluia. Regredir em termos de princípios é muito grave. Desestrutura os alicerces da civilização e acelera a marcha-ré que parece remeter o mundo rumo ao caos."







GABRIEL CHALITA é docente universitário, doutor em Filosofia do Direito e Semiótica, ex-Secretário da Educação de São Paulo e Presidente do CONSEDE, além de vereador da Capital Paulista.







JOSÉ RENATO NALINI é desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo e Presidente da Academia Paulista de Letras