Vila Mulher

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O Portal da Mulher

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Um jantar


Codornizes ao molho de rosas

I




Um jantar, apenas. Estava ansiosa. Ao receber o convite, quase não acreditou. O incrível escritor Waldir Velasco havia lhe enviado o convite com um botão de rosa branca, fechado, e um convite de cor azul, levemente cheirando a incenso.

Ela mesma estava se acostumando com a fama, os bons jantares, os requintes da vida social.

Iria. Usaria o seu longo preto, de cetim aveludado, comprado especialmente para ocasiões glamourosas como aquelas.

Teria que saber usar os talheres. E isso era o mais difícil. Estava aprendendo a se comportar socialmente e não via sentido em tanta etiqueta, em tanto requinte.

Ninguém havia descoberto ainda que ela era  uma farsa. Uma pobretona. Uma nova rica com uma história pouco convincente de pedigree francês.

Na verdade, havia nascido no Bairro do Limão, São Paulo.

Madame Adele, na verdade era Adineuza , Adriana da parte da mãe, Neuza da parte do pai.

Mas isso era passado. Ela queria mesmo era se divertir, com um tinto francês e o luxuoso jantar de Velasco.

Do outro lado da cidade, a procura furiosa no armário de roupas teve um saldo muito negativo: dois surrados ternos cor de chumbo, com um cheiro de naftalina imperdoável. A camisa branca de linho fino, comprada há décadas no mercado de pulgas em Paris, estava com a gola um tanto quanto puída.

Ele não tinha outra opção, entretanto. E não podia perder aquele jantar.

Fazia muito tempo que não era chamado para atuar em papéis, Nem a televisão, nem o cinema, nem o Teatro.

Se conseguisse ao menos um instantâneo ao lado de Velasco, ou se conseguisse flagrar uma situação pitoresca, venderia para o folhetim Comigo e ficaria em evidência. Choveriam convites. Choveria dinheiro.



II



O trânsito estava empacado. Tinha que chegar em casa, tomar um banho relaxante e ir ao encontro do querido amigo Velasco.

Verificou pela milésima vez se havia trazido um exemplar de seu último livro, “Martas entre figos”. Olhou para ver se já havia autografado.

Sensação estranha, aquela. A sua assinatura em um livro seu, da sua mente, estava se tornando cada dia mais famosa e importante.

Vaidade é ouro de tolo.

Mas não conseguia evitar esse apreço imenso por si, agora que era uma importante e notória figura pública.

E o carinho que o amigo Velasco lhe despertara era muito além das rasgações de seda e dos salamaleques do ethos social.

Surpreendente o convite. Irradiante o jantar. E a garrafa de vinho, bom vinho estava ali, dentro do balde de gelo, ansiando para ser descoberta, saboreada,o sabor da vida.Saber o sabor da vida.Prazer, Baco.

Fantasia dionisíaca. E quem sabe, por aquela noite, seria brindado pelo vinho doce de Afrodite. O coração estava precisando.



III

E Velasco estava desesperado. As pobres perninhas das codornizes amarradas lhe dava a dimensão exata do ridículo humano.

Arrependera-se até o último fio de cabelo em ter programado esse jantar. Havia um complô dos deuses contra ele, agora tinha certeza.

Do pneu furado do carro até o ponto errado do molho de rosas.

E rosas...Ah, bendita rosas.

Se os seus convidados soubessem aonde tinha conseguido aquelas rosas, o amaldiçoaria até a ultima geração.

Provavelmente, deveria estar com um parafuso solto.

Mas no convite já havia especificado o cardápio. E aquela hora em São Paulo, difícil arrumar um ramo de rosas frescas para o molho das codornizes.

Não que as rosas que estavam ali estavam propriamente frescas. Um jarro de água e um pouco de otimismo.

Era tudo o que precisava.

Brancas, azuladas, amarelas, profusões e profusões de rosas.

Mas nenhuma rosa vermelha.Só na lápide do cemitério.

E que cheiro era aquele?Desesperado, constatou que o bolo tão carinhosamente preparado estava queimado!

Céus! Mais do que depressa, muito atrapalhado, tirou o bolo da forma e com uma espátula,  aproveitou o que pode.



IV



O jantar, ah, o jantar...

Foi constrangedor. Angustiado, percebeu nos rostos tensos dos convidados que aquela comida estava uma porcaria.

E o ápice da noite foi quando madame Adele pediu, sem muita cerimônia, um pão de hambúrguer e gastou o restante do molho branco empapando o pão e comendo com uma voracidade pouco elegante.

Tosses polidas, rostos abrasados, mãos retorcidas, muxoxos.

Velasco queria que o solo e abrisse embaixo dos seus pés e o tragasse.

De tão envergonhado, não percebeu o cheiro de naftalina disfarçado por um perfume caro no paletó do belíssimo convidado e nem pode apreciar o exemplar do mais novo livro do amigo Charlie, em parceria com o pastor Sálvio, “Martas entre figos”;

O Pastor não pode comparecer, devido a agenda cheia.

E Deus seja louvado. Pois se o pastor aparecesse, claramente haveria de querer dar um jeito espiritualizado na situação.



V

Bem, Velasco se prepara para dormir. E ele jura, olhando furiosamente para a fumaça do seu charuto, nunca mais se meter a coisas de cozinha.

Coisas de cozinha são  da alçada de Nina Horta.

Talvez a única pessoa de verdade dessa história. A única inteira.

Seu métier era escrever.

Ainda bem que a noite acabou. E nada  como um dia depois do outro.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Estudos

SABERES SUBALTERNOS DA SOCIEDADE E SUAS INTERSECÇÕES COM A ESCOLA


“Os saberes subalternos são interpretações e práticas atuais, fundamentados em estudos pós-coloniais que se confrontam com outras práticas e interpretações dominantes. O entendimento de como os atores foram (e são) silenciados/ ignorados pela sociedade podem minimizar a cegueira conceitual docente, demonstrados pela crença de que basta formalizar o ensino, reduzindo complexidades inerentes ao processo educativo e a gestão educacional.” (Folder do Curso de Gestão, UNESP, 2010.



A Teoria Queer e os Estudos Pós-Coloniais, também conhecidos como Saberes Subalternos, têm origem nos Estudos Culturais britânicos, ou seja, uma vertente culturalizada do marxismo ocidental especialmente influenciada pela obra de Antonio Gramsci. Incorporando fontes pós-estruturalistas como as obras de Michel Foucault e Jacques Derrida, estes saberes desenvolveram-se nas últimas décadas de forma a criar um corpus teórico-metodológico inovador que apontou a centralidade das questões "raciais" e da sexualidade nas relações de poder. Atualmente, do diálogo entre as duas  correntes surgem propostas como a da análise iterseccional que busca compreender processos inter-relacionados como os da sexualização da raça e racialização do sexo. (Miskolci et all UFSCar, 2010);



Da beirada da minha trincheira, eu cri que os saberes subalternos seriam os saberes da massa inculta e incivilizada. O foco, no entanto, é outro: tem origem, em sua gênese, nos estudos culturais britânicos na vertente culturalizada do marxismo ocidental,sob a ótica de Gramsci.

Nesse campo do saber, o sabor sempre está revestido do traço totalitário dos cultos, dos produtores de saber. Explico: os saberes da classe dominada só tem sentido e só passa a existir se for produto dos estudos eruditos organizados (?), ou como esclarece os autores do folder, é a sua fundamentação teórica.

O saber, enquanto entidade tem a sua existência real dentro das relações subjetivas e objetivas que se estabelecem no campo do viver.

Mas enquanto produto tem a sua existência e a sua forma depurada pelos artífices da palavra, da construção de conhecimento.

Não se fabricaram novos produtores de conhecimento, talvez porque a própria ordenação dos dominantes não permitiram.

Então, estamos sempre ancorados a Gramsci, a Foucalt, a Freud, a Derrida, e ignora-se por completo, que as formas como esses sujeitos concebiam o mundo interferem e muito nas produções de novos saberes e na inculcação ideológica afim.

domingo, 23 de maio de 2010

Sonhos roubados

SONHOS ROUBADOS






O que se questiona nesse filme, que se trata de três adolescentes que se prostituem para bancar os seus sonhos de consumo, é a alienação contida nele.

Seria possível existir como única opção esse caminho, das drogas e da prostituição para manter a sobrevivência das jovens adolescentes da classe pobre brasileira?

Em um dos momentos do filme, uma diz para outra:

__O professor faltou e não vai ter aulas.

Ao que a outra retruca:

__ Não vai sair nada mesmo dali, então porque perder tempo com essa chatice?

È uma mensagem enviesada, que coloca como opção a prostituição como única moeda de valor para que essas moças continuem a sua sobrevida.

E uma das prostitutas tem uma filha de dois anos.

O filme mostra a forma como a sociedade culta e organizada enxerga as mulheres que moram em favelas, que tem desestrutura familiar, marcadores negativos.

Aposto no papel da família para manter as coisas no lugar.

Quem tem uma família organizada, ainda que enfrente vários problemas financeiros não se perde no mundo assim tão fácil.

E o modelo educativo brasileiro, mesmo estando com problemas, ainda salva muitas vidas da prostituição, das drogas e de uma vida delituosa.

Mas o centro de todas as mudanças e escolhas é o sujeito.

Se a índole pessoal aponta para marginalização e aprecia-a, desprezando os valores da sociedade, não há o que fazer.

As igrejas estão vazias e os clubes, inferninhos, estão cheios.

As escolas estão melhorando o seu atendimento e é importante que haja essa parceria entre pais e educadores para que as classes baixas comecem a enxergar na Educação um modelo de vida que livre as meninas de terem seus sonhos roubados.

Mas quem acredita nos seus sonhos, de uma forma digna e clara, sempre vai ter opções de viver de forma saudável, sem apelar para o baixo nível da prostituição.

Uma das idéias que os gringos tem do Brasil, é como um celeiro de sexo fácil, barato e juvenil.

O livro documentário de Dimenstein trata esse assunto com propriedade.

Li-o com a idade de 16 para 17 anos de idade. E foi através dessa leitura que eu percebi como a prostituição pode ser humilhante e sem dignidade.

Por isso considero a Escola e a Família como pilares para evitar tais caminhos nas vidas das moças.

As igrejas também podem ser uma saída, desde que haja uma moralização e uma revisão nos seus valores.

A Sociedade brasileira deve se modificar e perceber que os velhos valores, educação, família e religião ainda são as bases para que a juventude não se perca.

sábado, 22 de maio de 2010

Crônicas do cotidiano paulista

O PEDRADOR




“ Saudade é a luz que sobra da pessoa” ...

Esse verso martelava a sua cabeça e as têmporas estavam sensíveis.

Já não podia prosseguir naquela ânsia de redescobrir o amor.

Andara por todo o Ibirapuera, olhando cada face, cada rosto feminino que passara.

As mulheres tinham em si a pressa da vida, de todos os detalhes das suas futilidades ou das suas rotinas.

Como ela, que partira. Partira em uma manhã de Maio, o clima frio e as folhas caindo das árvores como anunciando o outono. Partira, com os seus cabelos dançando em volta dela, o seu corpo franzino como o de uma menina, a sua pressa de viver.

Soubera o tempo todo que a solicitude pela vida que acalentava e que a fazia rir de seu azedume, de suas palavras ásperas em relação ao pessoal ao escritório, eram apenas as emoções de uma moça que soubera viver a vida em seu lado suave.

Quisera esse casamento, como quisera terminar a faculdade de Arquitetura, tão concentrada nos projetos com desenhos que ele mesmo não desvendara.

Uma mente brilhante.

E na rotina com esse homem mais velho, com outras vivências, acrescentara luz e som para a vida dele.

Dera-lhe a possibilidade de crer e de amar a vida, a promessa do fruto, no seu ventre perfeito e redondo.

Dera-lhe o sal da Terra. E repentinamente, com seu corpo frouxo como o de uma boneca, o seu pulso caindo por cima da mesa branca e mármore, levara a promessa, deixando-o vazio, vazio de si mesmo, procurando-a no perfume de alfazema dos lençóis, nas cartas românticas que escrevera a ele, como se soubesse que um dia iria partir, pois adorava escrever cartas.

Nas suas roupas azuis e creme, cuidadosamente dobradas ou penduradas para preservar a ordem do mundo, a beleza simétrica das coisas do mundo que ela cultivava e acreditava verdadeiramente existir.



Os olhos brilhantes, ela anunciara com felicidade, a notícia esperada por tanto tempo: estava grávida.

Depois, a viagem e na volta, a notícia em um telefonema curto e áspero.

Perdera a direção e o carro capotou numa curva, chocando-se no poste.

O que dela restara era a lápide. A lápide, impessoal e fria onde em letras douradas estava escrito o doce nome que o revivera:Eduarda.

Porque a vida, ainda que encarada por esse sentido prático e objetivo, pragmático, que ele costumava adotar, ainda trazia em si a capacidade de desiludir aqueles que nem esperavam nada dela.

E passado o período de luto, onde ele desejara ardentemente partir para o mundo que a tragara, ali estava ele, novamente, vagando pelo Parque, se sentindo um vagabundo, pois o que ele procurava, não iria encontra jamais: a luz dos olhos dela, a perfeição arredondada de sue ventre, a sua voz suave a chamá-lo de amor.

Mas ele deveria continuar. Estava ali para continuar a viver, ainda que a vida continuasse a lhe escapar entre os dedos.

E, subitamente a viu.

Sorriu-lhe, acenou.

Os olhos cor de mel, em um rosto oval, o corpo magro em tudo lembrara o de Eduarda.

Estava sentada em sua bicicleta, os quadris arredondados firmemente apoiados e a boca entreaberta, revelando dentes perfeitos.

Estava sorrindo para ele, como se o conhecesse, e as mãozinhas delicadas seguravam um ramalhete de violetas.

Absorveu-a num olhar.

Cumprimentou-a como se a conhecesse.

E os seus olhos famintos fotografavam cada detalhe de seu corpo, que em breve, seria seu;

Um sorriso triunfal acendeu-lhe o rosto, luminoso, cheio de júbilo.

A encontrara.











quinta-feira, 20 de maio de 2010

Dos encontros e dos amores


DOS ENCONTROS E DOS AMORES




Não meço as pessoas pelos títulos que tem e nem pelo tanto de dinheiro que tem em suas carteiras.

Eu as meço pelo sentimento que trazem em seus atos, palavras e posturas.

Acredito no respeito entre elas e na consideração que possam ter uma das outras.

A minha postura nem sempre foi assim. Houve um tempo em que acreditava que poderia resolver os problemas usando de rispidez quando a situação se tornasse insustentável.

Hoje sei que é no espírito de mansidão que terei a solução dos meus conflitos.

Aprendo a cada dia que o amor resolve tudo.

Quando se fala em amor, é em uma postura de respeito ao humano, consideração e espírito de servir ao outro, como Jesus, ao lavar os pés dos seus discípulos.

Construindo o meu espírito de educadora.

Isso faço o tempo todo, procurando ouvir mais do que falar.

As respostas não vêm prontas. O professor não está pronto.

Quero me lembrar de uma expressão que ouvi tempos atrás: amor ágape;

Amor altruísta, condicional.

Talvez o amor das irmãs de caridade cuja vida é um servir contínuo ao próximo.

Amor traduzido em atos, não a melodramas.

Encontro de almas, de pessoas que nunca terão um efetivo laço de convivência física, mas que tem uma ligação espiritual que as permita ser educador e educando.

Cecília Meirelles é assim para mim. Sou muito sensível a sua arte poética.

Na poesia “Mosquito escreve” que as crianças adoram, ela trata a aprendizagem de uma forma lúdica, inclusiva e acessível, tirando a angústia da criança e o medo de não aprender, décadas antes de inventarem o conceito de educação inclusiva.

Por esse contexto, posso dizer que não tenho medo de amar e de incluir a possibilidade dos afetos em um mundo materialista como o nosso.

Eu me sinto próxima de autores contemporâneos e sou imensamente grata a tudo o que me acrescentam com suas belas palavras.

Amor, para mim, não é aquela coisa vulgar de encontros biológicos, onde há a banalização do sensual.

Amor é algo mais infinito, é uma fusão de almas dentro do mesmo campo sensório;

Amor é interesse de alimentar o espírito na sabedoria, beleza, de uma alma evoluída que se entrelaça com a outra no ballet da vida.

Quanto ao orgânico, ao biológico, há um tempo para tudo.

Nem sempre amores devem ser traduzidos em encontros físicos.

Isso banaliza, perde o encanto.

Mas enquanto houver a possibilidade de encontros de almas, mesmo que o nosso aparelho sensório e psíquico não consiga absorver e assimilar, ou entender, o conhecimento acumulado vai se disseminar em espiral, e novos aprimoramentos de almas vão se realizando.
Serão distribuídos de acordo com as inteligências dos sujeitos.

Howard Gardner diria que a minha inteligência está entre a lingüística e a musical, no conceito de inteligências múltiplas.



E em todas essas teias reflexivas eu resgato a principal: na nossa imortalidade, estamos sempre nos encontrando.
Charlie




O amor transforma

A nossa visão de mundo

A nossa concepção de sorriso

Uma mudança de paradigma

Um momento reflexivo

Onde sonhamos a inclusão

Incluir o brilho do olhar

O caminhar nas estrelas

Ser poeira de estrelas

E fazer versos intensos

E sem sentido as vezes

Como uma parlenda

Parlenda, como disse alguém

È parte da lenda

Você é minha lenda

E doce realidade

E eu sou nada sem você
                                             (vocabulário pedagogiguês)



Patilene

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Empréstimo do Blog Cult


nem te conto... fofocas e outras maledicências


Ah, essa palavrinha... Três sílabas com alto poder de contaminação. A FOFOCA é um vício desprezível, daqueles que merecia campanha do governo, com cartazes pelas cidades (Espalhe amor. Não fofoca!) ou grupos de terapia - bem do gênero Alcoólicos Anônimos ("há três dias eu não faço fofoca", diria o linguarudo sob forte aplauso dos ex-fofoqueiros). Enfim, quem é que não conhece um(a) fofoqueiro(a) ou já foi vítima dessa figura?



Pouca gente sabe, mas uma das explicações para essa abominável mania vem do verbo mexericar (falar mal de alguém) que por sua vez deriva de mexerica (a fruta mesmo), por causa do forte odor que deixa na mão. Ou seja, pedir segredo para um fofoqueiro é o mesmo que pedir para alguém disfarçar que comeu uma mexerica.



É como eu sempre digo, fofoca é coisa de gente desocupada, que exala baixa credibilidade (ou você iria desabafar justo no ombro de um fofoqueiro?). Afinal, gente inteligente e bem-resolvida conversa, dialoga, fala olhando no olho. Por isso, se você tem uma língua comprida, ainda dá tempo de se redimir e melhorar sua imagem. Se você é alvo da fofoca, fique tranqüilo, só pessoas que se destacam geralmente o são. Seja qual for o caso, aqui vão as dicas para você enfrentar essa gente linguaruda.



PARA DEIXAR DE SER FOFOQUEIRO







Fofoqueiro jamais é visto como pessoa confiável. Além do mais, fofoca está diretamente ligada à inveja, insegurança, sentimento de inferioridade e falta de equilíbrio emocional. E mais: Para criar uma fofoca é necessário tempo e energia. Portanto, gastá-los com assuntos de menor importância é o mesmo que perdê-los. Mude de vida já!



Nunca fale pelas costas. Se não puder falar para as pessoas envolvidas na história, simplesmente fique quieto.

Não ofereça um "ombro amigo" se você não poderá ajudar.

Quando necessário, confronte as pessoas frente a frente, mas em particular para não se expor.

Ocupe-se de assuntos que contribuam para o seu desenvolvimento.

Cuidado ao expressar opiniões e versões publicamente. Quem fala menos, ganha mais.

Lembre da "Lei do Retorno", mais conhecida como "tudo o que vem tem volta". Se você fala da vida alheia, outros falarão da sua.

Não julgue precipitadamente as pessoas. Saiba que toda história tem duas ou mais versões.

Dizer uma inverdade sobre alguém é mentira e, em alguns casos, pode ser até crime. Se houver difamação (uma acusação falsa ofendendo a reputação ou o crédito de alguém), calúnia (acusar alguém de um crime que ela não cometeu) ou ainda uma injúria (quando é uma ofensa moral e causa dano à dignidade da pessoa ofendida) o fofoqueiro estará cometendo um crime contra a honra, sujeito à punição pelo Código Penal Brasileiro.



SE VOCÊ CONVIVE COM UM FOFOQUEIRO



Não dê ouvido a fofoqueiros. Afinal, ouvinte é cúmplice! Se chegarem perto com: "Você não vai acreditar no que eu fiquei sabendo da fulana", simplesmente responda: "Não vou mesmo e nem quero". E mude o assunto imediatamente. Caso não consiga, questione sobre a veracidade dos fatos e se a pessoa já disse aquilo para a envolvida, pois ela é maior interessada no assunto e não você.



SE VOCÊ É ALVO DAS FOFOCAS



Deletar o orkut e seu blog pessoal já ajuda. Evite deixar informações pessoais muito disponíveis para fazer da sua vida um prato cheio para gente maldosa.

Não tenha um amigo fofoqueiro. Como sempre disse minha mãe: "Quem fala mal dos outros para você, certamente de você fala para os outros".

Mantenha seu controle emocional, especialmente no trabalho. Irritações e chiliques podem levar a desdobramentos comprometedores.

Se disserem que estão falando mal de você, não dê ouvido. Só assim você neutraliza a fofoca. Siga em frente de cabeça erguida.

Mantenha um bom relacionamento com seus colegas, mas evite expor demais sua vida privada. Repita sempre: Eu não estou no programa "Fala que eu te escuto".

Quando alguém lhe contar o que disseram a respeito de fulano, não faça comentários. Eles sempre são passadospara frente. Aliás, mude de assunto e fale sobre novela, um tema bem alto nível para a estirpe dos fofoqueiros.

Não se preocupe em desmentir a fofoca. Quanto mais falar do assunto, mais o alimentará.

Não mande recado. Converse diretamente com a pessoa que espalhou os boatos a seu respeito. Tenha uma conversa elegante e tente esclarecer o caso. Esse choque da verdade costuma assustar os mentirosos.

Por fim, não deixe de brilhar só porque tem gente invejosa ao seu redor. Mantenha as orelhas besuntadas de pomada para queimadura e vá em frente! Boa sorte!



Janaína Depiné é jornalista e diretora

da Lead Comunicação.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Um pouco de amor e morte

“... Deslizes diários que nos recordam que somos território da indigência. O pecador exposto na vitrine deixa de ser organismo...”





Indigência significa pobreza extrema. Despido de sua dignidade, o ser humano é essencialmente muito pobre espiritualmente.

Traições, mentiras, perfídias, falsidades, atos falhos.

A exposição da Internet não é o fator principal da nudez humana e nem legitima sua face de indignidade.

São nos atos do cotidiano aonde perpassam todos os deslizes da nossa índole que nos revelamos em nossas fraquezas.

Mas como preconiza o Eclesiastes, tudo é vaidade.

O pecador exposto na vitrine deixa de ser organismo para ser o bode expiatório de todas as maledicências que fumegam no interior do indivíduo.

E a misericórdia humana, travestida de assistencialismo, como assevera o articulista da Folha é um arremedo de hipocrisia que expõe a falta de misericórdia.

Ao invés de ser misericórdia, é uma maneira de expor a miséria do outro e de se sobressair como benemérito;

Então me remeto a lembranças que somos vasos de honra e desonra.

Instrumentos do bem e do mal.

E o livre arbítrio que nos orienta a sermos quem somos.

Não me envergonho das minhas lembranças de camponesa.

Envergonho-me das máscaras que se usam para iludir o povo, em nome de um falso amor e de uma falsa piedade, apoiados na vaidade pessoal.

Atualmente, muito difícil confiar nas pessoas.Mas ainda existem pessoas que nos encantam com o seu poder de lógica e persuasão.

domingo, 16 de maio de 2010

Marcadores sociais

Marcadores Sociais

O que são marcadores sociais? Aquilo que te define como sujeito, como ocupante de um papel social, com todas as suas características.
Quando nascemos, não escolhemos os nossos marcadores.
Eles nos são dados pelos pais e mães que temos.
Então podemos definir o que iremos  ser, a partir daí.
Muitos se perdem, pois os seus marcadores sociais são a tristeza, a miséria, o vício e a falta de fé;Alguns tem a desestrutura familiar como marcador.
Dífícil prosseguir.
Outros lutam e superam as marcas da violência simbólica que seus marcadores sociais negativos lhe auferiram.
Sobretudo o que impede uma pessoa de superar a sina triste dos seus marcadores sociais são as falácias da identidade cristalizada, ou seja, filho de peixe, peixinho é.
 Médico gera médico, doméstica gera doméstica, etc.
Mas existem casos em que a Identidade cristalizada não prevalece.A alma tem a potência de milhares de cavalos, diria John Dewey.
Há uma superação de toda a negatividade exercida sobre aquele sujeito.
E a educação religiosa tem contribuído para que haja uma renovação de gerações;

O padre que não era padre

De padres e professores


O PADRE QUE NÃO ERA PADRE



Oficiava missas, batizados, matrimônios e cerimônias. Atendia em uma Igreja elegante e bem classe média. Fazia sermões, rezava missas e comovia as beatas do local.

Então, repentinamente, constatou-se que não era Padre.

A Igreja publicou um aviso num mural, onde constava a seguinte advertência: O fulano não era padre e mesmo assim, todas as cerimônias realizadas por ele não perderia a validade. (Folha, 16/05);

O que conta é a boa fé das pessoas.

Se o mistério teológico, a fusão com o divino vem da boa fé das pessoas, o padre está com o seu prazo de validade vencido.

Lamentavelmente, o que se infere desse caso que o que conta é a paciência da população.

E as mentiras da Igreja Católica.

O tiro saiu pela culatra. Isso sim é impublicável.

A norma seria realizar todas essas cerimônias de novo. Por um legítimo padre.

Disse que não acredito em títulos. E não acredito mesmo.

Os seres humanos têm a capacidade do bem e do mal.

A mentira é uma arma do demônio.

Jesus asseverou que nos últimos dias viriam vários querendo se passar por Ele.

Dos padres legítimos e que fazem um bom serviço, tenho boas memórias.

Padre Fábio me encanta com seu discurso piedoso e com a sua arte de fazer uma política religiosa e divertida.

Não sei se tem esqueletos no armário. Provavelmente deve ter.

Daqui a um tempo, com a amizade abençoada com Chalita, que é outro ícone, sairá candidato a deputado.

Mas mesmo assim, vale o que divertiu, o que esclareceu, o que comoveu.

Vale o bem que fez. Valem as suas memórias.

Quem não tem esqueletos no armário?

Lembro-me que quando era criança, debaixo dos pés de manga, brincava de professora com minhas colegas.

E eu nunca podia ser a professora, pois a professora era a dona do sítio. Era sempre a aluna, por causa dos marcadores socais.

O fantasma da identidade cristalizada já me assombrava.

Então, sem querer, os caminhos da vida me levaram ao Magistério e a Pedagogia.

Hoje sou professora formada, mas mesmo assim, eu desejei por muito tempo, ser médica ou advogada.

E até preferia ser médica ginecologista ou pediatra, mas Deus, que me conhece, escreveu outra coisa nas linhas da minha vida.

E ser professora é um desafio constante.

Será que ser médica também o é?

Não considero o padre que não era padre um “pobre coitado”.

Considero que ele saiu atrás de seus sonhos e não pode realizá-los mas fraudulentamente foi algo que o Estado não legitimou.

Mas dentro dele, ele é padre.

Eu, ao invés de puni-lo o colocaria em uma escola de Padres.

Pois no tempo de Jesus, os discípulos foram chamados pela sua poderosa voz.

Não houve uma cerimônia secular.

E quando eu me aventurava a ser professora, debaixo dos pés de manga, a minha “aula” era recebida com pouco caso pelos meus “alunos”.

Até que um dia, eu ensinei uma conta de mais para a dona do sítio, que estava embaraçada com a soma de suas costuras.

Uma conta que a filha dela, professora eleita por nós, pela sua ascendência econômica, não conseguia fazer.

Então, nesse dia eu fui a professora, porque eu provei que sabia fazer contas de mais.

E matando um leão por dia, tenho que provar para meus pares que sou professora, que devem me aceitar, apesar dos meus marcadores sociais ainda terem um peso relevante na minha aceitação.

Acima de tudo, como disse Dona Ângela, sou uma Educadora.

Mão de ferro em luva de pelica.

E voltando ao padre que não era padre, quem não tem pecado, atire a primeira pedra.

Isso visto de um ponto de vista piedoso.

Mas sob o ponto de vista secular, merece punição.

E. eu sou professora? Céus! Uma professora que não era professora? Vejo meu nome nas manchetes;

Mas a UNESP me autorizou a ser Professora. A Dona do Sítio me autorizou a ser professora. Os alunos que eu alfabetizei me autorizaram a ser professora.

Os meus marcadores sociais me autorizaram a ser professora.


E a vida me ensinou a ser Educadora.

Melhor a educação do que a deseducação. Melhor o amor do que o ódio. Melhor a fé do que a descrença;

E meu título perante a autoridade de Jesus? È conquista dele, também.

Coloquem o falso padre em uma escola de padres. Jesus falaria isso.

Mas o mundo secular é que vai decidir;

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Um pouco de paz


Um pouco de Paz




Quando eu penso em Paz duas coisas me vem a mente: os braços de Jesus e o seu infinito Amor.

Outra coisa que me vem a mente é que os homens perdem tanto tempo correndo atrás de suas vaidades e esquecem que o poder libertador de um abraço bem dado tem um poder de cura que nem uma conta bancária recheada de dólares pode trazer, ou um atendimento VIP de um psiquiatra renomado.

Penso em coisas que me fazem bem: a fé simples do Pe. Marcelo e a filosofia teológica do Pe. Fábio de Mello.

O Padre Marcelo de uma forma despretensiosa fala de um Jesus que cura, que ama, que acolhe e que pega no colo.

Peço a Deus que o mundo não me tire o poder de crer nesse Salvador tão humano que se dispôs de Si e se entregou por amor.

O padre Fábio com todo o seu conhecimento de filosofia coloca respostas aos questionamentos da alma sem abrir mão do Amor de Cristo e da fé sobrenatural.

Existem homens com um profundo relacionamento com o Cristo místico que trazem luz aos corações das pessoas.

Conheci a absorvi a essência dos homens e mulheres em várias denominações que Deus utiliza para se mostrar ao Mundo e tal como filhos amados se sobrepõem a miséria do mundo.

E essa Paz, a Paz que Jesus trouxe que ilumina o meu coração e que não faz eu querer nada a não ser paz e Bem para todos os homens e mulheres do mundo que precisam de Jesus.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Esperança por Patrícia

Esperar o quê?
Se já concretizou
Nada espero a mais
Só o som suave
Da sua voz que me acalma
E me faz acreditar em um mundo melhor
Nada sabes
Que sou uma alma suave
Dinheiro é bom
Mas amar é muito melhor
Amar sem fronteiras
Amar sem barreiras
Para que barreiras?
É despretensioso esse amor
Nada espero
A não ser poder ver
e lembrar que existes
E está aí
Iluminando com seu Amor
Grande invenção a visão
Felizes os que podem ver
Eu me glorio
Eu me sacio
Pois existo sem teu amor
E trago a existência as coisas que não são
E invento novos mundos
Só pela força de Ser
E alimentar esse Amor
O amor se contenta em ser
E se basta a si mesmo
Espera poder continuar a bater no coração
Até que a vida finita
Se transforme infinitamente
Juntando o Alfa e o ômega
Tornando tudo uno

A esperança, por Mário Quintana

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano


Vive uma louca chamada Esperança

E ela pensa que quando todas as sirenas

Todas as buzinas

Todos os reco-recos tocarem

Atira-se

E

— ó delicioso vôo!

Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,

Outra vez criança...

E em torno dela indagará o povo:

— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?

E ela lhes dirá

(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)

Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:

— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...



domingo, 9 de maio de 2010

Um amor na Avenida Ibirapuera

Crônica de um amor da Avenida Ibirapuera

O sol queimava a sua pele àquelas horas da manhã. Aborreceu-se com aquilo.

Cansada de lutar em vão por algo que nunca seria perfeito.

As coisas na vida não são perfeitas e nunca serão. O sol já é algo que poderia se esperar a imperfeição absoluta, como proferem os cientistas, arautos das ameaças da devastação que o ser humano causou no Planeta Terra.Postulam que o sol vai esfriar daqui há uns milhões de anos e a vida no Planeta será extinta.

Lembrou-se de todas as coisas que vinham lhe aborrecendo.

Nada havia que pudesse lhe confortar a alma, a sua vida era a de um deserto absoluto.

Entendeu que era um ciclo se fechando e o inferno astral a tragaria absolutamente e inexoravelmente.

No entanto, havia algo. Uma possibilidade, talvez.

Afastou os cabelos que teimavam em cair na sua face, e vivificou a única esperança que a mantinha:

O amor improvável que teimava em nascer, ainda que o veneno da sua alma teimasse em sufocá-lo.

Repentinamente, sentiu-se bem.

O ônibus avançava, barulhentamente, arrancando guinchos estertorantes de seus mecanismos sem graxa.

Um pensamento absurdo se misturou as sensações e sentimentos que a assaltavam, de súbito: o mecânico devia, tinha obrigação de engraxar os parafusos do ônibus.

Como se disso dependesse a sua vida. Como se somente essa medida fosse consertar o estrago que era a sua vida.

Mas, súbito, uma decisão a tomara por inteiro.

Não adiantava mais. Não poderia remar contra a maré.

Tinha que pensar na única pessoa a quem poderia salvar: ela mesma.

Aquele fiapo de esperança a encheu e sentiu-se vivificada, elétrica, como se tivesse sido ligada a uma tomada de voltagem máxima.

Seria hoje.

Desceu no próximo ponto e voltou apressada para casa.

Arrumou as pressas os poucos pertences que possuía numa valise que usava para vender produtos de beleza, de forma afoita e descuidada.

Sentindo-se livre e leve, saiu porta afora, louca de entusiasmo pois nunca tinha tido essa sensação.

Parecera a ela que tinha tomado uma injeção de dopamina.

Levou seis horas exatas para chegar ao seu destino: dormira um pouco na viagem, como uma criança, causando pena e desconforto, com seus cabelos finos espalhados pelo encosto da poltrona, e a sua boca entreaberta.

Mas chegara, viva e inteira.

Faltavam poucos minutos para encontrar aquele que seria a razão de sua existência. Aquele a quem dedicara, secretamente, todos os seus sonhos de menina.

Sonhos patéticos, pessoa patética, triste figura, um dom Quixote de saias.

Uma náusea na boca do estômago a encheu de um súbito medo: aquela estação era imensa e pessoas iam e vinham com uma pressa louca, parecendo formigas, ou o coelho da história de Alice.

Ninguém a conhecia ali e ela não conhecia ninguém. Era como estar em outro planeta, território estranho. E aquilo fez com que uma dor de cabeça fina se instalasse nas suas têmporas.

Tropegamente, com uns passos incertos, alcançou uma lanchonete onde tinham em suas vitrines comidas apetitosas e ela realmente estava com fome.

Mas o dinheiro que tinha na carteira era apenas para empreender a triste viagem de volta acaso não encontrasse o que procurava.

Se ela gastasse aquele dinheiro iria ficar perdida em São Paulo, aquela cidade monstro.

Mas não iria voltar. Não podia, aquela altura do campeonato.

Não poderia nunca fazer aquilo com ela mesma.

Então, levantou-se, já um pouco triste, um pouco desanimada e com a euforia diminuída.

A fome lhe corroia as entranhas.

Foi com um pouco de dificuldade que saiu na Avenida Paulista.

O barulho ensurdecedor dos veículos fez com que ela titubeasse mais um pouco.

Teria que caminhar a pé, para chegar a Av. Ibirapuera. Como era mesmo o nome do Edifício?

Coplan.

Iria chegar lá. De surpresa, mas deixaria que a surpresa e a impossibilidade da sua presença ali o colhessem de surpresa e o motivasse.

Chegou a tal avenida. Novo ânimo a compelia.

Avistou o edifício. Alto, imponente, parecendo um gigante.

Recentemente, ficara sabendo que a Terra havia sido morada de gigantes.

E aquele pensamento desconexo lhe impulsiona mais uma vez.

Um sacrifício, atravessar a pé, qualquer avenida de São Paulo.

Pareceram horas a ficar ali, aguardando uma trégua dos veículos para chegar ao prédio.

Ganhou o outro lado da calçada.

Respirou profundamente, já se sentindo acolhida.

Súbito, uma carreta, vinda de não sei de onde, a alta velocidade, rasga o asfalto de forma inclemente.

E o corpo frágil é colhido por uma das partes frontais do veiculo sendo lançado longe como o de uma boneca de trapo.

Seu corpo descreve uma curva no ar, como um ballet macabro.

E a sua cabeça bate no asfalto quente e empoeirado, arranhando a face, cuidadosamente maquiada.

O sangue vermelho que começa a jorrar se confunde com o batom da sua boca em formato de coração.

Inclementes as buzinas do carro, abrindo passagem em meio ao trânsito engarrafado.

Inclemente a luz do sol, iluminando os cabelos finos e escorridos sobre o tecido bege claro de seu casaco.

Um amor que nem nascera termina ali, na Avenida Ibirapuera, que significa árvore que já se foi.

Assim como os índios, criadores da palavra: se foram.

Traços culturais.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Palestra na escola


Surreal mesmo foi a palestra na escola..


Eu esquadrinhei cada espaço daquele recanto, e lembrei que me emocionava com a possibilidade de poder trabalhar ali;

E tudo dentro de mim foi morrendo, pois o que eu tanto desejei não foi realizado.

Tive a esperança de ser removida para o Grupão e acabei sendo removida do meu emprego.

E então um senhor respeitável, gerente de Banco aposentado, foi palestrando sobre a família.

Falou de tudo um pouco, da nossa responsabilidade enquanto pais de educarem os filhos e as filhas.

Dentro de mim, uma fagulha cintilou por um instante: ele disse: “Antigamente, quando um filho aprontava na escola, os pais ainda o castigavam em casa, hoje em dia, quando um filho apronta em casa, é o professor que é chamado na sala da diretora e é castigado, punido severamente”.

Bem, pelo menos alguém entende o que eu passei.

E lembrei-me da emoção quando eu vi a escola a primeira vez.que eu podia ter sido removida e que eu podia ter trabalhado ali.

Então, continuou:

...” A família é a célula mater da sociedade e quando os pais tem um problema gravíssimo para resolver, devem se dar os braços para atravessar aqueles trilhos difíceis”...

Bem, morri de vez.

Famílias são dissolvidas porque os homens tem se omitido e sobrecarregado as mulheres com fardos impossíveis de carregar.

Então, o amor acaba e não tem volta.

Amor é como cristal quebrado. Não tem conserto.

Alto lá, cara pálida.

Não se responsabiliza a mulher mãe de filhos, sobre a desagregação familiar, sobre o costume dos filhos de assistir Sílvio Santos, Ratinho e outros  da TV.

Não se responsabiliza a mulher, mãe de filhos sobre o costume dos filhos de jogar vídeo games violentos e acessarem a Internet no seu pior. Não em tudo, pelo menos.

E tinha uma senhora do meu lado que estava tão cansada que disse que não estava entendendo nada daquela palestra, será que era um discurso político?

E outro zoou um pouquinho:

__Aleluia, irmão!

E lembrei pela enésima vez que o povão não gosta de palestras difíceis e complicadas, o que o povo quer é Viagra e camisinha e uma cama bem quentinha para dormir com a TV ligada no folhetim da Globo, depois de ter feito uma ginastiquinha.

Fiquei com a sensação de que aquele senhor respeitável, mais uma vez, deixou nos ombros das mulheres toda a poluição do mundo em todas as suas formas.

E sai de lá mais triste do que entrei.

Então, até a história da Ilustrada perdeu a graça.

Ali também, até o foco das desventuras da personagem principal é culpa dela.

Até a lembrança do Tarcísio Meira evoca as vicissitudes da brasileira contemporânea, que é um olho ligado na novela da globo e outro nos lengas lengas da sua vidinha doméstica e cotidiana;

E me senti menor, porque o Estado me reduziu.

E bocejando, ao lembrar a relatividade das coisas, lembrei que o cronista da Folha está desatualizado ao falar de Tarcísio, o da moda mesmo é Rodrigo Santoro ou Bruno Galiasso.

E ri por dentro, pois os senhores ao fazerem palestras ou crônicas lembram daqueles museus que quase ninguém lembra.

Então, deixa eu atualizar o meu Lupicínio Rodrigues.

E tem certas pessoas que deve atualizar Dolores Duran. Shakira, Rihanna, Maria Gadú serve melhor aos propósitos contemporâneos.

E sai dando risada pois a vida é uma comédia.

Pão com ovo virtual a ser dividido com a Nina Horta

Tem uma Nina lá de Cruzália também. Um beijão para ela, que tinha uma paciiiiiiiiiência comigo. As Ninas são pessoas de luz e  me ninam .

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Comida Nina Horta- Folha de São Paulo- Ilustrada

A alma come ou não come?

..."Comida de alma é aquela que consola, que escorre garganta abaixo quase sem precisar ser mastigada, na hora da dor, de depressão, de tristeza pequena. Não é, com certeza, um leitão pururuca, nem um menu nouvelle seguido à risca. Dá segurança, enche o estômago, conforta a alma, lembra a infância e o costume. É a canja de mãe judia, panacéia sagrada a resolver os problemas de náusea existencial. O macarrão cabelo-de-anjo cozido mole e passado na manteiga. O caldo de galinha gelatinoso, tomado às colheradas. São as sopas. O leite quente com canela, o arroz-doce, os ovos nevados, a banana cozida na casca, as gelatinas, o pudim de leite." ....


In Horta, Nina – Não é sopa – crônicas e receitas de comida, São Paulo: Companhia das Letras, 1995.








Bem, amiga Nina Horta, a culpa é sua mesmo. Você viajou com merendeiras de escola pública e publicou um livro doqualnãolembroonome e ensina nesse livro a comida das almas que é manteiga e macarrão cabelo de anjo.

E pena mesmo só podemos ter as das galinhas. E por falar em galinhas, imagina uma assada, com batatas a doré e arroz branco?Para acompanhar, uma salada de alface, bem caseira.

Tá, você não é dessas coisas, você é muito chique, assim como os nossos amigos blasée da Ilustrada.

E que história é essa da Santa Tereza ter um amante? Isso é novidade.

Pode? Do jeito que está o mundo...

Bem, eu viajo nos delírios dos santos e sou ao mesmo tempo muito pé no chão.

A sua coluna me dá um referencial do que os ricos comem. Melhor dizendo do que os classe médias comem, eu que sou classe C.Adoro pão com ovo.

Beijar Deus na boca... Escândalo.

Já pensou que o ofício religioso, a entrega religiosa é para sublimar o tesão?

Desculpa a má palavra. Afinal, até o Serra anda usando –a.

Mas vc pode dedicar umas breves linhas para essa humilde criatura que nem cozinheira é e explicar a pena das maravilhosas epistológrafas? Do que se trata?

Se acaso for pena das dificuldades financeiras que assombram a minha vida Severina, o meu pão com ovo, já lhe passo o nº da minha conta bancária.,,

É de comer?

Abraços

Patrícia

A escrita de Deus no casco das tartarugas

A escrita de Deus no casco da tartaruga

Levei um artigo da revista Nova Escola para trabalhar a base alfabética e a escrita na sala de aula. O artigo falava da escrita de Deus no casco da tartaruga, as descobertas  do mundo em uma criança  em fase de alfabetização, letramento e desvendamento do mundo.
Para essa criança, o pai dela falava que  os segredos do mundo estavam escritos nos cascos das tartarugas. No desenvolvimento da leitura, a criança descobria que para cada pessoa há um elemento onde há a escrita de Deus para os que creêm.
Nesse dia, um tio de uma aluna havia falecido. Ele faleceu em serviço, pois adormeceu  no volante e a carreta que dirigia bateu.Deixou duas crianças pequenas.A sobrinha estava inconsolável.
Na oração inicial, pedimos a intercessão de Jesus para consolar o coração da criança. Eu a olhava, e me doía o coração, pois para uma criança,  a morte é algo inconsolável.
Nesses momentos, a laicidade da Escola não é providencial.Como você vai consolar o coração de uma criança que acabou de perder um tio querido explicando a teoria da evolução de Darwin, ou que nas fases da vida , vem a morte e pluft!?!
Na roda da leitura, por acaso ou coincidência, li o livro de Patrícia Enggel Secco, "O segredo das borboletas" que falava de uma menina, que era xará da garotinha e que aprendera a dançar ballet, pelo sua alta sensibilidade sensorial, já que era desprovida da visão.

Foi um tema em que eu pude falar da missão de cada um na terra, sobre as nossas deficiências e limitações.
Tudo o que falei pareceu consolar o coração da criança. Daí a pouco, a amiga dela disse que a menina  estava ouvindo o tio.
Continuei a escrever na lousa, procurei amenizar , não alardear e não dei ênfase ao ocorrido. Olhei para a menina e ela estava de cabeça baixa, parecendo estar de fato, ouvindo alguém.
Dentro de cinco minutos, ela se levantou e veio até mim, sorrindo, e me disse no ouvido:
__ O meu tio falou que é para eu parar de chorar que ele quer ir embora.Disse que ele quer ir embora e veio aqui para me ver mais uma vez. Pediu que eu a obedesse e continuasse a fazer o bem.ele me disse que para mim a vida continua e que eu vou esquecê-lo. Eu vou fazer a lição, não se preocupe comigo, eu vou esquecer que meu tio morreu.
A fala dessa criança é  escrita de Deus na minha vida.
Involuntariamente, sempre tenho que falar de Deus para as crianças, da Salvação que há em Jesus Cristo.
Posso dizer que Deus escreve na minha vida nas faces alegres, ansiosas, doloridas das minhas crianças.
 E que a escrita de Deus para mim, também estava no casco das tartarugas.
Porque Deus escreve. E a escrita de Deus silencia todas as outras, as imperfeitas e as perfeitas.
Preocupo-me com a regra do Estado laico,de não divulgar éticas religiosas na sala de aula.Mas o cotidiano traz Deus e o mistério da morte e da vida nos olhos ainda esperançosos daquelas crianças a quem o mundo não destruiu.
E eu me renovo nelas e para elas.
Das coisas que a minha querida criança falou, pode haver imaginação ou uma alto consolação.mas eu creio que é mais do que isso. É a escrita de Deus.








terça-feira, 4 de maio de 2010

Amor de menina

Amor de menina




A alma feminina tem uma complexidade ímpar. Em recente artigo, um colunista traçou considerações pouco louváveis sobre a rivalidade entre as mulheres maduras e as mulheres jovens.

Frisou que as mulheres mais velhas e sozinhas se arrumam e se pintam de uma forma macabra para si mesmas.

E que as mulheres jovens, meninas, tem a supremacia no jogo da sedução, ao passo que as mulheres maduras tem inveja e ciúmes delas que liberadamente fazem sexo com quem bem aprouver e na hora que quiser.

Não entendi muito bem o que ele queria dizer, e nada me causou espanto, pois ele geralmente tem uma forma muito crua e pouco elegante de se referir as subjetividades dos sujeitos.

Eu creio que os homens maduros quando se aproximam de uma menina para através dela se sentir renovado está enganando a si mesmo.

Aquele momento frio e vazio, em troca de dinheiro ou de granjeamento de favores, como a promoção do cargo, a obtenção de favores, etc. só se reduzirá para adiar o inevitável: as células vão envelhecer e a velhice chegará para todos.

O amor é um sentimento que nem se discute. Ele as vezes acontece em ocasiões improváveis.

Um amigo meu, jovem de 23 anos com um fã clube de meninas apaixonadas por sua boa aparência e pelo seu carro, escolheu uma pessoa 30 anos mais velha do que ele e foi morar com ela, sem pensar duas vezes.

Ele tem uma verdadeira paixão por ela que não dá para acreditar.

Imagino que é um ponto de vista diferente e que todos devem respeitar.

De qualquer forma, o amor, na alma de uma mulher, sempre é algo que é renovado.

Nós, mulheres, ainda que pesem as nossas diferenças e as rivalidades, amamos de um jeito tranqüilo e dedicado que sempre é como um amor de menina.

E a velha do meu amigo, o verdadeiro amor da vida dele,parece uma menina pela dedicação e pelo jeito que o olha, ainda que pareça surreal.

E as mulheres que nunca descobriram o amor, ainda guardam dentro de si aquela porção feminina, aquele amor de menina, traduzido aqui por um amor ingênuo e confiante, talvez porque não saibam realmente que os homens não aprendem a amar, pois não podem revelar fraquezas ou porque querem todas, ou porque gostam de outros homens ou porque são trogloditas que não entendem das nuances da alma feminina.

E realmente é hilária toda essa discussão, essa ponderação, pois no final a única coisa que não passará é o amor, e esse chega para todos os seres.

sábado, 1 de maio de 2010

Liberdade e Direito, Folha


Liberdade e Direito

Nota: Vigostsky usava a idéia da zona de desenvolvimento proximal para se referir a aquisição de conhecimentos e posteriores conflitos dessa aquisição em crianças.



Mas o que eu considero é que o adulto é uma criança grande que não conhece nem metade do que deveria conhecer e conceber.


Está tateando ainda diante das possibilidades de descoberta, redescoberta que ainda tem para se investigar e provar.


Embora o conceito não seja para adultos, eu me apropriei dele para definir as aquisições dos adultos.


Observando as farras que se fazem no Senado e nos congressos eu posso tranqüilamente utilizar esse termo, pois quem está lá não passam de crianças crescidas, malcriadas que nunca fizeram a lição de casa.







Walter Ceneviva, {Artigo publicado na Folha de São Paulo do dia 1 de Maio de2010). Ininteligível, o seu artigo.Vai do nada ao lugar nenhum.

Se o Presidente do STF, apregoa a liberdade e o direito, como pode estar preocupado com os efeitos gerados pelo ensino superior, e ao mesmo tempo apóie a idéia da criação de universidades que defendem as trocas culturais, o intercâmbio, e, sobretudo, o aprimoramento científico e tecnológico dos aparelhos policiais?Paradoxal, não?

Eu posso cantar, pois como cigarra travestida de formiga, lembro um rock que dizia: “ Polícia para quem precisa, polícia para quem precisa de polícia...”

Não meus amores, não precisam ficar preocupados com os rebentos da Universidade. Até eles e elas estão controlados pelos aparelhos ideológicos de Estado.

A polícia não pode controlar o meu pensamento e nem o pensamento dos que estão olhando para fora da caverna.

Nós dependemos do Estado, infinitum and nauseaum;

Ou o Honorável presidente do STF está favorável ao letramento e a erudição dos jovens acreditando no poder policial para conter excessos, ou ele quer massas manipuláveis que digam amém a tudo e a todos e consintam silenciosamente que homens pretensamente religiosos com más intenções, seduzam e abusem sexualmente das crianças indefesas, no crime da pedofilia?

As formas como os detentores do poder conduzem a nação são lamentáveis.

Devem antes entrar em consenso com os pontos que de_fendem.

Justamente por isso em que um dos fragmentos da fala do Ministro está a idéia de que a estabilidade democrática não significa ausência de crises.

Deve então o Senhor Ministro estudar a fundo a obra de Kholberg, para saber que a democracia mesmo estando fundamentada em bases sólidas, ainda é uma zona de desenvolvimento proximal, citando Bachelard.

Tudo o que concebemos são áreas de desenvolvimento proximal, e sempre haverá um pensamento e um sentimento distinto do que preconiza a ordem, a regra, a lei e a moral.

Tristemente se vê que a moralidade dos detentores do poder como os políticos e os defensores da Justiça são fiapos da verdadeira moralidade.

E que esses mesmos poderosos utilizam os pobres policiais como bucha de canhão, para conter os excessos da urbe.

Policiais, aliás, que sobrevivem com um salário irrisório.

Antes do ministro, do presidente, do professor, do médico e do policial está a pessoa.

E policiais são pessoas que estão devidamente treinadas  a morrer pela Pátria.

O Direito é vida, senhor Ministro, e os jovens que estão mergulhados nessa sopa de contradições que é a política e os aparelhos jurídicos do Estado tem o direito da liberdade da expressão, na realização pessoal e profissional, e de alcançar e permanecer num próximo estágio de moralidade que é superior ao que os democratas ( no poder) estão.

A ordem jurídica deve ser preservada. Não devemos menoscabar ou desprezar a força dos aparatos ideológicos do Estado para contenção da (dês) ordem do social;

Inicialmente, a fala preocupada do Ministro Peluso é em relação aos crimes praticados no cotidiano, do ladrão de galinhas aos estupradores e serial killers, matadores em série.

Mas no aprofundamento da sua fala está a preocupação real de educar os jovens para que percebam a alienação que é essa ordem fictícia, esse sistema de coisas e que somem esforços para eliminar esses maus patrões.

Mas essa humilde escrava sabe que o máximo a chegar é ter um modelo de universitária como a Geisy Arruda , que prestou um desserviço as mulheres universitárias, provando ipsis literis o poder da sua cruzada de pernas, de sua rebolada, de seu microvestido rosa choque.

Eternizou, and nauseaum o Brasil como paraíso do sexo e das mulheres objetos sexuais.

O senhor ministro não deve temer.

Redimo o articulista da Folha, pois o escopo da sua escrita foi o discurso do respeitável ministro,devidamente condicionado a cumprir seu papel social.

E quanto a mim, Patrícia Rodrigues cansada de guerra, devo me recolher a minha insignificância e focar meu estudo (sensual) na linda e viril farda do jovem policial, cumprindo o papel de mulher brasileira , temendo o giroflex ligado e obedecendo cegamente.

Alienar-me.

Estou calma, aliviada e feliz.Afinal, o Brasil se credenciou como “interlocutor respeitável no diálogo das nações”.