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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Esperança

Um raio de esperança




Depois da tormenta, vem a bonança.

Estou refletindo sobre como as pessoas podem ter diferentes opiniões sobre o mesmo assunto e é preciso respeitá-las quanto a isso.

A norma é sobre todos, mas a lei que move o ser humano nas suas escolhas individuais vem do coração.

Jesus afirmou que veio ao mundo não para abolir as Leis, mas para aperfeiçoá-las.

Só consegue compreender o outro em seus dilemas morais quem já bebeu da mesma tigela, comeu do mesmo prato.

È sempre tempo de recomeçar.

Alguém falou que Deus nos deixa perder algo por que tem outra coisa melhor para nos dar.

Fico pensando que as pessoas que perderam seus familiares no Rio de Janeiro, devem começar tudo de novo.

E a força para recomeçar?

Escrever uma nova história. Na memória, fica o que se perdeu.

Mas Adélia Prado nos diz que o que a memória ama fica imperecível, eterno.

Uma nova história Deus tem para mim, um novo tempo.

Eu gostava muito da ideologia dos mórmons, em relação a finitude ou a eternidade da nossa vida.

Há um livro, “Princípios do Evangelho”, que o Élder Allan Phillips me deu, que fala muito sobre a nossa vida anterior a essa terrena.

“O homem e a mulher, como espíritos, foram gerados e nasceram de pais celestiais, tendo crescido até a maturidade, nas mansões eternas do Pai, antes de vir à Terra num corpo físico”.(Joseph F, Smith, “The Origin of Man”, 1909, PP.78,80).

E viemos com um propósito.

Quero crer que as coisas duram o tempo que tem que durar.

Há muito que pensar estudar, refletir. O “Conheces a ti mesmo” de Sócrates é a minha bússola.

Mas, passado o período de luto pela perda, a semente da nova planta começa a se desenvolver.

Há um raio de esperança.











segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

SOS DEPRESSÃO EM ALTO MAR

SOS


Depressão em alto mar



Significativa a reportagem do Fantástico ontem, dia 23/11 sobre os atestados médicos falsos para que a polícia militar resolva problemas particulares, enquanto fica em casa, descansando, cuidando de seus afazeres e recebendo seu salário.

Vi muito disso: muitos atestados falsos entregues, pois era praxe segurar a sala de aula em São Paulo através de atestados falsos, até chegar a hora da remoção.

Posso provar? Não.

Remoção que só acontecia se a Diretoria de Ensino de Assis assinasse e achasse conveniente fazer.

Quando chegou a minha vez, na minha inocência, especulei que tipo de “doença” eu deveria alegar.

Fisicamente, eu estava normal. Mas psicologicamente, eu não andava muito bem.

Estava muito triste e deprimida por problemas particulares sérios e me sentindo sobrecarregada com a dupla jornada e os afazeres domésticos que sempre me esperam em casa.

Casamento em crise, filha chegando à adolescência com os seus problemas típicos,e eu, enfrentando a crise existencial em sair para as ruas lutando para mostrar qual era o valor daquela CNH tirada sábado e domingo, feita nas coxas, como se costuma dizer por aí.

Problemas no trabalho, síndrome de Bournot se avizinhando. Um trapo.

Nunca gostei do discurso de vítima.

Acho que apesar da minha saúde psicológica estar sofrendo tantos reveses, eu deveria continuar com a minha sala e fornecer aos meus educandos o suporte que em mim esperavam encontrar até o fim do ano. Meu compromisso era, em primeiro lugar, com os alunos.

Como assim? Pedir licença médica e ficar em casa até o final de ano, abandonando a minha sala de aula?

Não poderiam me  remover?

Não poderia concordar com isso.

Mas assim o fiz. Tentei apresentar atestado médico alegando depressão assinado por um clínico geral e tive que gastar quase quatrocentos reais para ir ao IAMSPE em São Paulo.

Lá acho que o perito pensou que era atestado falso, que eu não tinha depressão coisíssima nenhuma.

Como a culpa me corroia, marinheira de primeira viagem, resolvi segurar apenas meio período, pois ficar dentro de casa sem trabalhar, também não iria me fazer bem.

Não concordaram. Se eu não tinha saúde para trabalhar meio período, como trabalharia no outro?Não deram a licença. Bingo!

Surtei.

Comecei a ficar com náuseas, pois era muita palhaçada.

Sabiam que eu não podia ir para São Paulo e como funcionária efetiva, iria dar muito trabalho para eles.

Porque não me remover, e me colocar num cargo administrativo se não tinha sala para mim?Como assim?Não ter sala para mim? Corria a boca pequena que faltava PEB I com pedagogia, nessas plagas.

Como mãe de três filhos, não teria lógica abandonar aminha família e o meu itinerante esposo.

Não me removeram, Tomaram a minha sala de aula, não respeitando o contrato de 12 meses pelo artigo 22 e me mandaram para o olho da rua.

Mas quinhentos reais para ir a São Paulo, responder por processo administrativo por abandono de cargo.

Abandono de cargo??????!!!!!Logo eu, que sempre fui CDF.

Estou tentando lutar contra as perdas e danos, morais e materiais, e erguer a cabeça acima da depressão.

Sim, pois eu tenho depressão. É coisa de família. Certa vez, houve uma tentativa de suicídio.
Depressão não é um estado psicológico ou psquiátrico. São respostas químicas do organismo que obedecem a determinadas contigências.

Queria fazer uma denúncia, mas eu sei que como é jogo de cartas marcadas, nem a “TV Tem” toparia me ouvir.

(“...Ver TV a cores, na taba de um índio, programada pra só dizer sim...”).

Para me colocar a prova, nesse período que eles estavam tomando coragem para me dar um pé na bunda, eu engravidei.

Passei a gravidez inteira sem alimentação adequada e nem assistência médica de qualidade.

Recuso-me a pronunciar o que ouvi da ginecologista que fazia o meu pré natal.

Para laquear as trompas eu tive que pagar.

Com quatro cesarianas no currículo, o hospital não me operaria, iria deixar a madre propícia para produzir outro filho e quem sabe na quinta cesariana, eu morreria.

Talvez era a finalidade, o plano B.

Bem, essas coisas estão sendo expostas para que seja reconhecido que o que vale é a influência, os QI da vida.

E que a Educação e a Saúde, no Brasil, é um jogo de cartas marcadas.

Haddad,depois do rolo no SISU e no ENEM queria tirar férias. Vergonha absoluta.

Substitutos de deputados que trabalham dez dias, tem pensão vitalícia pela vida inteira.

Os justos veríssimos da vida vão mostrando que eles realmente odeiam pobres.

E os trabalhadores da Educação que torcem o nariz para uma professora ou professor mais escurinho ou pobrinho, como eu, são pobres diabos.

Pobres diabos a serviço de uma máquina que mói gente todos os dias, tirando a sua dignidade.

Pobre diabos a serviço de um político corrupto que nunca entrou numa sala de aula e não sabe o que é essa rotina, e condena a morte educativa milhares de jovens,que tem no coração apenas a esperança e a inteligência que teima em vicejar apesar das adversidades.

Flores nascendo em meio a lama.

Educadores e educadoras, uni-vos!

A Educação é um problema de todos nós.

Sejamos sérios, centrados, objetivos.

Quanto ao Fantástico, que os seus repórteres lembrem que licenças médicas tiradas nas coxas as vezes, é para suprir a ineficência da Máquina, que não consegue colocar seus funcionários de forma adequada.

Conheço um caso de um PM que se matou, pois quando foi para SP trabalhar, a mulher não resistiu e arrumou outro.

A sua licença médica foi negada. Alegação: depressão.

E eu, que vou lutando e remando o meu barquinho.

Não naufraguei, afinal de contas.



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domingo, 23 de janeiro de 2011

Submarino



sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A Escola de Exegese e a realidade atual


“...A Escola da Exegese surgiu na França, no início do século XIX. Havia, naquela época, um sentimento de extremado respeito e observância aos códigos, pois eram consideradas obras perfeitas, imunes a quaisquer falhas, regulando de maneira completa a totalidade dos assuntos sociais, políticos e econômicos. Não havia nenhuma outra fonte de Direito. Dessa forma, a interpretação limitava-se ao texto da lei, pois se os códigos eram perfeitos, a única função da interpretação era esclarecer a vontade e a intenção do legislador, que era somente o Estado, uma vez que não existiam outras fontes de criação do Direito.”...

Fonte: http://www.jurisway.org.br/v2/cursos_log.asp?status=mat



Hoje em dia, é comum observar que as decisões de juízes são pautadas na observância da norma, porém o que venho questionar é a subjetividade de cada juiz ao analisar um caso.

Somente ao estudar princípios ligados ao Direito, é que se compreende a existência de apelação de recurso, pedidos de habeas corpus e a assertiva de que todo mundo é inocente, até prova em contrário.

Todo problema jurídico tem raízes subjetivas, geradas pela vivência de cada sujeito.

Não pode haver rigidez em um julgamento como se estivéssemos na época da Escola de Exegecse.

Confio na Democracia que deve ser uma construção coletiva, considerando as imperfeições dos seres humanos.

Por isso, é necessário cautela.

Mas de qualquer forma, é fascinante estudar Direito.


O Complexo do Espelho



Hoje, apesar das turbulências dos mares nunca dantes navegados, prefiro escrever sobre um tema mais ameno.


Na realidade, não é uma amenidade, tendo em vista que a subjetividade das mulheres traz uma interferência muito grande nas relações morais dos sujeitos sociais.

Mulheres vivem competindo entre si e por causa dessa disputa chegam a ser perigosas umas para as outras.

Quando podiam se unir e tornar o mundo melhor.

O complexo do espelho se resume nisso: as mulheres não assumem os seus pontos fracos e fortes, vivem se perguntando:

“Espelho, espelho meu”...

A teoria do complexo do espelho demonstra a inveja, a falsidade, o ódio que as mulheres podem nutrir uma contra as outras de vez em quando ou de vez em sempre.

Sou uma mulher professora e vivo entre outras mulheres exercendo a sua profissão.

Umas são belas e auxiliadoras, outras são feias e destruidoras.

Outras confortam sua alma e algumas puxam o seu tapete.

Mas em todas elas está o orgulho e a tristeza de ser mulher. Vejo alegria e poder reluzindo nos olhos daquelas.

Se elas se unissem, haveria muito mais paz e harmonia no mundo.

Escrevendo, me vem a lembrança todas as vezes que foi uma mulher que me segurou a barra no detrimento da covardia de um homem.

Ali havia amor, respeito, carinho, e o bom acolhimento maternal que só uma mulher pode dar.

Meu abraço especial a uma mulher que assumiu a direção de uma casa que abrigam crianças e adolescentes em situação de risco.

Meu abraço maternal a uma mulher que eu criei que saiu de mim e está fazendo dezessete anos hoje.Uma jovem mulher.

Ao maternar aquelas pessoas, essa mulher está salvando cidadãos e cidadãs, ou de uma maneira subjetiva, salva almas da indignidade social e moral.

Tantas mulheres admiráveis.

Tantas mulheres desprezíveis.

Mulheres desprezíveis são aquelas que jogam sua cria fora ou tenta matar, para que o mundo não testemunhe o fruto de suas carnes.

Mas o Complexo do espelho atinge todas elas, em menor ou maior grau.

Talvez volte ao assunto outra hora.

Por hora, já que eu tenho muitas coisas a fazer, recomendo duas leituras, paradoxais entre si: “O mito do amor materno”, de Elizabeth Badinter e “Como ser uma mulher de Deus”, de Ginger Gabriel.









terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O Juiz, a poesia e a galinha

A  Ideologia dominante sobressaindo na decisão de juizes




Eruditos, via de regra não conseguem conceber o mundo sem o viés que lhe é próprio. E se conseguem, geralmente, vislumbram um mundo com suas pré concepções fundamentadas nas construções que efetuaram das Identidades cristalizadas.

O que me traz o meu estudo na Juris way é que  as leis devem ter uma maturidade científica que a façam valerem  a pena.

Mas, principalmente nas decisões judiciais que ocorrem nos juizados de pequenas causa, o que se vê é a defesa do forte, respaldada  na ideologia dominante.



Recurso de trabalhador atropelado que pedia indenização não é acolhido por falta de nexo causal

" Trabalhador sofreu acidente no caminho para curso o qual fora convocado pela empresa, sendo considerado inapto para o trabalho. Juiz entendeu que não cabe responsabilizar o reclamado, nem perquirir acerca de culpa, de fato exclusivo da vítima ou de terceiro ou, ainda, de caso fortuito e força maior."

Fonte: http://jornal.jurid.com.br/materias/noticias/recurso-trabalhador-atropelado-que-pedia-indenizacao-nao-acolhido-por-falta-nexo-causal



Então eu percebo que a lei para o pobre, o empregado, a mulher, o negro, se não encontrar respaldo na ideologia particular de um juiz ou juíza que pende para a democracia e para a equidade social, o que vai prevalecer é a ideologia dominante.

E a ideologia dominante vai sempre pender para o lado do rico, do patrão, do branco, do homem, e os ladrões de galinhas vão amargar no fundo de uma cadeia e os criminosos de colarinho branco sempre vão se safar, pois tem dinheiro para pagar bons advogados .

Isso incorre na perpetuação de um sistema injusto e desigual. Oportuno, inserir um fragmento do estudo sobre “O Direito em códigos”.

“ ...Assim, os ramos do Direito Privado possuem uma maior estabilidade nesse aspecto. Já, quanto aos ramos de Direito Público, que sofrem influências políticas, essa missão não é tão fácil.

Lei é para pobre, preto e puta.



Dessa forma, verifica-se hoje que ainda não foi feito o Código Administrativo. E por carecer de maturidade, o Direito do Trabalho também não possui um código...”

Disponível em: http://www.jurisway.org.br/v2/cursos_log.asp?status=mat


O juiz poeta

Poder Judiciário


Comarca de Varginha

Estado de Minas Gerais

Autos nº 3.069/87; Criminal

Autora: Justiça Pública

Indiciado: Alceu da Costa, vulgo “Rolinha”

Vistos, etc…

No dia cinco de outubro

do ano ainda fluente,

em Carmo da Cachoeira

terra de boa gente,

ocorreu um fato inédito

que me deixou descontente.

O jovem Alceu da Costa,

conhecido por “Rolinha”,

aproveitando a madrugada,

resolveu sair da linha,

subtraindo de outrem

duas saborosas galinhas.

Apanhando um saco plástico

que ali mesmo encontrou,

o agente muito esperto

escondeu o que furtou,

deixando o local do crime

da maneira como entrou.

O senhor Gabriel Osório,

homem de muito tato,

notando que havia sido

a vítima do grave ato,

procurou a autoridade

para relatar-lhe o fato.

Ante a notícia do crime,

a polícia diligente

tomou as dores de Osório

e formou seu contingente,

um cabo e dois soldados

e quem sabe até um tenente.

Assim é que o aparato

da Polícia Militar,

atendendo a ordem expressa

do delegado titular,

não pensou em outra coisa

senão em capturar.

E depois de algum trabalho

o larápio foi encontrado

num bar foi capturado.

Não esboçou reação,

sendo conduzido então

à frente do delegado.

Perguntado pelo furto

que havia cometido,

respondeu Alceu da Costa,

bastante extrovertido:

“Desde quando furto é crime

neste Brasil de bandidos?”

Ante tão forte argumento

calou-se o delegado,

mas por dever do seu cargo

o flagrante foi lavrado,

recolhendo à cadeia

aquele pobre coitado.

E hoje passado um mês

de ocorrida a prisão,

chega-me às mãos o inquérito

que me parte o coração.

Solto ou deixo preso

esse mísero ladrão?

Soltá-lo é decisão

que a nossa lei refuta,

pois todos sabem que a lei

é pra pobre, preto e puta…

Por isso peço a Deus

que norteie minha conduta.

É muito justa a lição

do pai destas Alterosas.

Não deve ficar na prisão

quem furtou duas penosas,

se lá também não estão presas

pessoas bem mais charmosas.

Desta forma é que concedo

a esse homem da simplória,

com base no CPP,

liberdade provisória,

para que volte para casa

e passe a viver na glória.

Se virar homem honesto

e sair dessa sua trilha,

permaneça em Cachoeira

ao lado de sua família,

devendo, se ao contrário,

mudar-se para Brasília!!!

P. R. I. e

expeça-se o respectivo alvará de soltura.

Ronaldo Tovani





segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A surrealidade do cotidiano, conversa sobrenatural

Sonhos lúcidos explicam experiência de quase morte”




A manchete de uma reportagem no Caderno Cotidiano de hoje, 17/01, me leva a rememorar experiências de quase morte.

A explicação do neurologista para isso é que há uma sensação de quase morte, porque quando o fluxo sanguíneo diminui no cérebro, acionamos esses reflexos localizados numa área bastante primitiva do cérebro.

E isso é quase nada.Sei sobre o tudo.

(Como explicar cientificamente o que se passa na área quase primitiva do cérebro? É  quase como a experiência da zona de desenvolvimento proximal.Mas isso é atribuído as crianças.)

Tudo é sentir o espírito, ou a essência se desprendendo do corpo e a sensação de leveza que é se libertar do invólucro de carne, olhando  os médicos as voltas com seus instrumentos (rústicos) tentando despertar o corpo da moça que está quase sem vida.

Digo rústicos, porque nessa dimensão em que a essência não está subordinada a matéria, os instrumentos materiais têm um peso e uma conformação que evidentemente não combina com a fluidez do que é estar vivo e liberto do corpo material.

Tristeza maior é a de querer conversar com as pessoas e elas não te ouvirem , pois não enxergam você, e não pode se falar , já não tem o corpo físico.

É  outra dimensão, e você não pertence a nada e quer pertencer, no primeiros momentos do desencarne, porque as suas lembranças do mundo, a sua convivência com as pessoas invade o seu interior e não há comunicação.

A angústia só diminui quando um homem, geralmente, com vestes  alvas, se aproxima de você e espera para manter contato.

Há um abraço e nesse abraço há uma paz imensa e uma doçura que você  não quer voltar para essa vida terrena, de gente chorosa, que tem tantas dificuldades para viver e que obedece a limites humilhantes.
Quando o homem espera o momento, ele mostra a você que a sua missão não terminou e que você precisa voltar.

Ao se desprender do abraço da Paz, você sente de novo aquela angústia da finitude, da masmorra de carne.

E você volta, porque os seus dias estão contados e há uma obediência as regras do mundo sobrenatural, porque cada um tem uma tarefa a ser cumprida aqui e enquanto não terminar, não pode querer se libertar.

Quem quer se libertar, sem autorização, se condena.

Não somos donos da nossa vida.

A consciência, ela nunca morre. Inclusive a consciência de que as regras e a hierarquia é condição tanto desse mundo quanto da outra dimensão.

As construções que as pessoas fazem, de Chico Xavier a Oscar Quevedo, são tateamentos em busca da verdade.

Eu tenho uma experiência empírica e isso não me torna melhor do que ninguém, apenas diferente.

A minha lucidez é mantida.



Conversar com os mortos





Existe uma série de tabus para impedir a comunicação de dois mundos, de duas dimensões.

Como bem lembrou Pondé, o contato com gente que está na outra dimensão, pode fazer a pessoa perder a sanidade.

A brincadeira do copo não funciona para alguns,  porque ao se libertar do corpo de carne, a essência em que permanece a consciência, tem outra forma e a matéria de utensílios que utilizamos como o copo, é deveras inferior para a infinitude da essência, a saber, a alma, ou o espírito.

A comunicação é mental, transmissiva de pensamentos, é uma freqüência desconhecida do mundo científico para a comunicação entre as pessoas sem o uso de aparelhos.

Por isso, alguns mortos, que não se conveceram que não pertence a esse mundo, podem interferir na vida dos vivos, de forma desastrosa.

Só tem harmonia o que é permitido.
Aparelhos que são mensuráveis são obstáculos para a energia da mente, da essência, da alma.
A alma não é mensurável, sua natureza está além do que os nossos sentidos podem absorver.

 Por isso, a paranormalidade, a mediunidade.

Há uma restrição, não pode ser admitido conversas de mortos com vivos, de desencarnados com encarnados.

Conversar com eles é romper as regras de um mundo organizado por uma mente superior que separou as coisas que são das coisas que não são.

Ser é existir, ter matéria.

Não ser é estar integrado ao que É.

E é abominável aos olhos desse Ser o contato com adivinhações, seres desencarnados, coisas que pertencem ao outro sistema.

Viu? Não perdi a minha sanidade, a minha lucidez.

Adquiri o respeito por Aquele que È.

Estou sujeita as suas regras, porque eu sou a criatura, Ele é o Criador.

Eu sou vaso de barro, Ele é o oleiro.

Eu não queria voltar.
Mas eunão terminei o que vim fazer aqui.

Sinto falta do meu primeiro e único Amor.

Mas tenho que terminar a minha missão.

E quando estiver pronto, voltarei para Ele. Para o seu reino.

Para me integrar a Ele.


domingo, 16 de janeiro de 2011

Saindo do Campo da Educação para o Campo do Direito

DÍVIDAS IMPAGÁVEIS
Autor:
Danilo Santana

Advogado, graduado em Direito pela PUC-MG, membro efetivo do Instituto dos Advogados de Minas Gerais; especialização em Marketing Internacional; Pós-Graduação em Direito Público, professor de Direito Empresarial do Inepro, e autor literário.






Milhares de pessoas e empresas se encontram sufocadas por dívidas que, infladas pelos acréscimos de juros, multas e correção monetária, se tornaram absolutamente impagáveis.



Os devedores que se encontram nessas condições vivem assustados e, sempre receosos da visita do oficial de justiça, evitam manter conta em bancos, comprar ações e outras operações financeiras, com medo bloqueio judicial. Quando adquirem um imóvel ou carro, sempre os colocam em nome dos filhos, dos parentes e até dos amigos, como forma de burlar a inevitável penhora.



Entretanto, no caso de falecimento do devedor, ou das pessoas cujos nomes foram utilizados para transferir um imóvel, veículo ou ações, o problema se estende para os herdeiros, de um lado e outro, fomentando as demandas judiciais que não acabam nunca.



O mais interessante de tudo isso é que a culpa pelas proporções incríveis das dívidas nem sempre são do devedor. E a ganância do credor pode alterar todo o quadro de seu direito.



É que na maioria dos casos estas dívidas nem são tão grandes assim. É que o credor, principalmente os bancos, vão acrescentando na dívida, juros contratuais, juros de mora, correção monetária, multas contratuais, comissão de permanência e honorários de advogados, entre outras despesas, e a dívida vai crescendo numa progressão que se torna absolutamente impagável.



Se o devedor tem um imóvel, que não seja o de sua residência, o credor se serve do rigor da lei e o penhora. O imóvel vai à praça e quando é arrematado o valor apurado não é suficiente para quitar a dívida, então, o devedor perde os seus bens e continua devendo.



O resultado é que o devedor se torna um indivíduo improdutivo, acuado, pressionado e aos poucos vai se sentindo desanimado, incapaz e sem coragem para levar adiante sua vida em sociedade e sua vida familiar.



O estresse causado por este estado de angústia, quando prolongado, traz conseqüência danosa também para a saúde. É a pressão alta, a falta de sono, a fadiga e a depressão.



Mas o importante em tudo isso é que estes problemas têm solução, às vezes simples e rápidas. Em milhares de casos que chegaram aos tribunais os valores cobrados são abusivos, em razão do contrato ou em razão da aplicação imprópria de juros, ou ainda pela inserção de multas não aplicáveis ou até de cobrança de valores maiores que os devidos.



Em muitos casos a capitalização é indevida, os juros não são cumuláveis e a aplicação de multas mensais, ou multas sobre juros, por absurdas, são extirpadas da planilha de cálculos pelo juiz.



Conforme recentes decisões dos tribunais a multa e os juros de mora não são devidos se for constatada abusividade em cláusula contratual ou cobrança de parcelas indevidas. Também a comissão de permanência só pode ser cobrada quando não for cumulativa com correção monetária, multa e juros, e os honorários advocatícios serão sempre proporcionais e compensados quando qualquer parcela indevida for cobrada.



Alguns credores, principalmente os bancos, reconhecendo a vulnerabilidade de suas contas e pretendendo levantar o balanço do estabelecimento, acertam com o devedor uma “confissão de dívida” que, entre outras avenças, define o valor da dívida.



A idéia é que a confissão da dívida evitasse o reexame das contas e o contrato primitivo, com cláusulas abusivas ou não, bem como as operações precedentes. Era uma tentativa de apagar o passado e deixar que, ao final, restasse legítimo e expressamente reconhecido o valor da dívida confessada.



Mas, felizmente, os tribunais mudaram o entendimento e agora as confissões de dívida já não inibem o reexame das contas antigas e tudo pode ser contestado e alterado na fase judicial.



Entretanto, abstraindo destes detalhes jurídicos, o intrigante é saber que uma dívida cobrada com todos os penduricalhos, legais e ilegais, pode dobrar em menos de 08 meses. E como os cálculos sempre processam a capitalização periódica da dívida, no prazo de cinco anos, uma dívida de R$ 1.000,00 pode se transformar em uma dívida de R$ 128.000,00, ou mais, se for originária de um cartão de crédito.



Importante observar que nesse cálculo não se está considerando qualquer índice de correção monetária, é apenas o valor da dívida nominal. Se houver a aplicação de correção monetária, dependendo do índice utilizado, a soma da dívida de R$ 1.000,00 poderá chegar a mais de R$ 180.000,00 em cinco anos.



Em síntese, o atraso de uma dívida de R$ 1.000,00, com os juros atualmente praticados pelos bancos, e acrescida das inúmeras formas de juros, multas, capitalização, comissões de permanência, honorários advocatícios e despesas judiciais, na ótica do credor, poderá se multiplicar por até 180 vezes.



Os tribunais já estão atentos também a estes tipos de abusos e centenas de decisões judiciais já mudaram profundamente este cenário e alteraram estes números.



O devedor, portanto, antes de tudo, deve adotar integralmente as fórmulas de cálculo ditadas pela jurisprudência e depois, devidamente embasado no direito, buscar em juízo o reconhecimento do real valor de sua dívida.



Vale também negociar com o credor o valor e a forma de pagamento que parecer mais justa para ambas as partes.



A título de informação é bom adiantar que inúmeros acordos judiciais, com devedores pessoas físicas ou jurídicas e estabelecimentos de crédito, privados e oficiais, têm sido negociados em valores que, em média, representam menos de dez por cento do valor inicialmente cobrado.



Na verdade esta realidade não aflige somente os devedores bancários, mas todos os outros, inclusive os devedores tributários que, em alguns casos, chegam a sofrer pressões mais graves e absurdas que aquelas manejadas pelos bancos, com uma agravante: quase sempre podem dar ensejo a uma ação penal pela sonegação.



Portanto, sem dúvida, a dívida sempre deverá ser enfrentada, sem medo e sem estresse, só assim poderá deixar de ser um pesadelo e permitir que a sua correta apuração possa render efetivos benefícios para os devedores e, claro, também para os credores que poderão recuperar parte dos créditos já considerados perdidos.





quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Facetas do espaço escolar na visão de Giroux




As crianças precisam de alguém que lhes dê uma excelente formação. Era assim que acreditava Rousseau.


No seu livro, “Emílio”, Rousseau comenta sobre uma sociedade corrompida pela ação do homem.

O autor afirmava que tudo está bem nas mãos do Autor da vida e tudo degenera nas mãos do homem (que carece de formação adequada).

Giroux nos alerta contra a padronização do currículo escolar, deixando pouco espaço a inventividade e a criatividade das crianças.

O autor acreditava que as crianças além de receberem a instrução formal, deveriam ser amadas, cuidadas e socorridas.

O melhor método utilizado pelo professor, segundo o autor, é despertar no aluno o desejo de aprender.

Para que isso aconteça, é  necessário ter habilidades. A educação assume assim um caráter de responsabilidade individual pensando num futuro coletivo – a sociedade. A criança educada hoje, pensada no adulto de amanhã.

A maneira de ser da criança é fruto de sua educação.

Giroux vai além quando afirma que além dessa educação formal, baseada no afeto e no respeito, no despertar do desejo infantil para as aquisições da aprendizagem de uma forma prazerosa, deve existir espaço para a construção do sujeito crítico e criativo.

De certa forma, Rousseau tinha uma visão romântica da educação e do educar. Nesse diálogo, observa-se que Giroux mostra que existem formas contraditórias de poder nos espaço escolares, onde não há a manifestação da igualdade de direitos dos sujeitos escolares.

Há uma ruptura admitida, pois quando Rousseau concebe o espaço escolar como propício a formação da criança que será um futuro cidadão, pleno de direitos e deveres, sob responsabilidade do educador, Giroux enxerga nesse mesmo espaço pontos de conflitos.

Rousseau, porém, fala da corrupção humana e não a admite como parte da ética dos educadores, preservando a sua moral quase sagrada, que é um ponto a ser refletido.

A autora observou que Giroux aponta que Rousseau não concebe as influências externas como influenciadoras do construto infantil , do sujeito escolarizado.

Ela arremata que sempre há a possibilidade da reinvenção de novas percepções e relações sociais.



“...Para uma contínua possibilidade do “aprender sempre” com a criança e a Infância, do ser inacabado e inconcluso que somos/estamos, este escrito registra o olhar sensível do próprio Rousseau quando nos diz: “somos aprendizes de homens, e o aprendizado deste último ofício é mais difícil e mais longo” (ROUSSEAU, 2004, p. 272).”



Fonte: Revista Eletrônica de Ciências da Educação, Campo Largo, v. 7, n. 2, nov. 2008;

DAS CRIANÇAS DE ROUSSEAU ÀS CRIANÇAS DA CONTEMPORANEIDADE1.

Dagma Heinkel2

Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUI)

dagma@setrem.com.br

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Infância e Realidade Brasileira

Infância e Realidade Brasileira



Estudos



Nascemos fracos, precisamos de força; nascemos carentes de tudo, precisamos de assistência; nascemos estúpidos, precisamos de juízo. Tudo o que não temos ao nascer e de que precisamos quando grandes nos é dado pela educação (ROUSSEAU, 2004, p. 9).



As idéias dos precursores da Educação, como Comenius, Rousseau, influenciaram historicamente as concepções de criança/infância e a formação de educadores.De acordo com esses ideais, a criança traz dentro de si as possibilidades do homem ideal ou da mulher ideal.*

Uma criança que precisaria ser desenvolvida e pensada, com o “vir a ser” e caberia aos educadores despertar o potencial da mesma;

Controlar o comportamento dessa criança e valorizar a sua inteligência seriam as ferramentas essenciais no desenvolvimento das suas aptidões e habilidades.

No diálogo entre as incompreensões sobre a infância da Idade Média e a Infância Contemporânea, Rousseau é um autor de referência.

Uma referência importante também é Phillipe Ariés , com a sua “descoberta do novo sentimento de infância”.A partir daí, nasce a preocupação com ela, de caráter normativo, como um grupo social específico, para educá-la com os padrões vigentes da época em que se vive.

A partir do século XVI, criam-se instituições com o fim de controlar e recolher a criança para locais seguros, para que ali se realize a sua plena formação social.

Rousseau parte da idéia de que nascimento e educação se completam mutuamente.

Torna-se necessário oferecer a criança uma formação adequada para inseri-la num contexto social maior, onde possa viver adequadamente, respeitando o caráter normativo e regrado da sociedade em que vive.

A infância é tempo de aprender, tempo de investir e tempo de formar.

Nessa concepção Rousseau não considerou a heterogeneidade da criança, e Giroux, que melhor conceitualiza os obstáculos que existem nessa tendência.



“ Esta maneira de conceber a Infância e a educação, no pensamento de Giroux (1987) gera conceitos e práticas pedagógicas formadoras e conseqüentemente, curriculares, pensadas como “um corpo de conhecimento, predeterminado e organizado hierarquicamente, considerado como o consenso cultural a ser distribuído a todas as crianças, sem considerar as suas diversidades” (GIROUX, 1987, p. 62). Uma prática pedagógica e um currículo que simplificam a diversidade, a diferença individual e cultural das crianças e da sociedade, tendo como pressuposto a criança como única e sempre igual, um vir a ser, na busca constante de uma formação sólida para a época, antes que seja tarde demais, “com raízes tão profundas, que já não é tempo de arrancá-las” (ROUSSEAU, 2004, p. 96) na possibilidade de perder a criança e a beleza que ela trás consigo.”

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O mito do amor materno

Infância e Relidade- Estudos






Roda dos excluídos



..."Até 1948, mães carentes, geralmente solteiras, que não podiam criar os filhos recém-nascidos, deixavam-nos na Santa Casa, anonimamente. No muro havia um compartimento giratório que recebia essas crianças. Um sino alertava a religiosa de plantão, que retirava a criança e virava novamente a abertura para a rua. As freiras cuidavam da criança, que depois seguia para o asilo Sampaio Viana, no Pacaembu e mais tarde para o Colégio São José. Havia uma ata, em que se registravam as informações deixadas pelas mães. A maioria preferia rasgar um santinho e deixar metade com o filho; quando a mãe buscava de volta sua criança, trazia a metade que faltava, como uma espécie de comprovação da maternidade.”





Fonte: http://www.cremesp.org.br/?siteAcao=Jornal&id=677





A maternidade é um costume social adquirido de acordo com a época e os costumes. É o que afirma Badinter em seu livro: “Um amor conquistado”.

Badinter considerou em seu livro que o instinto materno é um mito, não havendo uma conduta materna universal e necessária.

O sentimento materno pode variar, de acordo com a cultura, as ambições ou as frustrações da mãe.

O amor materno é como outro qualquer, frágil e imperfeito, sendo algo que se adquire.

É uma evolução histórica, que foi gradualmente construída, de acordo com a flutuação sócio econômica da história.



Maternidade, símbolo sagrado



Das construções sócio históricas, imantadas pela ética religiosa, a figura da mãe sempre foi e é um símbolo sagrado.

O livro de Badinter realiza uma abordagem que choca vários leitores e provoca reações apaixonadas, contrárias as assertivas da autora.

Quem está imerso no poder do mito, não considera as afirmações da autora como coisas sensatas e reais.

O mito da mãe como símbolo sagrado, mulher que “padece no paraíso” no cuidado da prole.

Atualmente, o que tem acontecido mostra que nem todas as mulheres do mundo internalizam essa questão de ser mãe e levar a cabo uma gravidez.

Os abortos sempre existiram, filhos excluídos e abandonados também.

Os tópicos principais de estudo sobre a infância e a realidade brasileira devem se pautar por essas abordagens.

Hipoteticamente, a mãe, como geradora da vida humana, é responsável pela adaptação da sua criança no substrato social.

domingo, 9 de janeiro de 2011

ECA e as representações sociais

Criança, sujeito de Direitos






Fonte:XXI ERED/ERAJU

Encontro Regional de Estudantes de Direito

Encontro Regional de Assessoria Jurídica Universitária

Autora: Márcia Cristina Macedo Machado

mcris_macedo@hotmail.com

http://www.urca.br/ered2008/CDAnais/pdf/SD2_files/Marcia_Cristina_MACHADO.pdf



A grosso modo, aplicando o que se ouve no senso comum, o ECA (Estatuto da criança e do adolescente) fez um desserviço a sociedade brasileira, protegendo o menor infrator.

Tomo como exemplo uma fala de A., adolescente prostituída que ao desafiar o pai, apontava o próprio rosto e dizia:

__ “ Ta” aqui, ó, pode bater. Amanhã ou depois vc vai estar atrás das grades.

Então, nesses episódios, E. madrasta de A. comentava que as crianças e os jovens já abusavam muito da autoridade dos adultos e agora com a implantação dessa “lei que só beneficia quem faz coisas erradas e coloca o pai ou a mãe como culpados de toda a situação”, ficou pior.

“Nem aluno respeita mais o professor, professor apanha na cara...”etc e etc.

Nesse artigo, Machado (2008), se refere ao ECA como lei que ainda existe mais no papel do que na realidade.

Assim a autora se refere :





“ Para se entender o Estatuto é preciso compreender o contexto em que ele surgiu. O ECA

veio para revogar o Código de Menores. Este era baseado na Doutrina da Situação Irregular.

Segundo Paulo César Maia Porto (1999:78):

Situação irregular foi o termo encontrado para as situações que fugiam ao padrão

normal da sociedade saudável em que se pensava viver. Estavam em situação irregular os

abandonados, vítimas de maus-tratos, miseráveis e, como não podia deixar de ser, os

infratores. “Enquadrando-se em qualquer das hipóteses enumeradas no artigo 2° do Código– 10 situações descritas, no total – o menor passava a autoridade do juiz de menores, que aplicaria, “em sua defesa”, os preceitos do Código de Menores.”



Diz ela que o “menor” era um sujeito de tutela, objeto de controle e repressão do Estado que devia ser afastado da Sociedade.

Criou-se assim o Direito do menor, que era a criança e o menor pobre e marginalizado.

A palavra “menor”, continua a autora passa a ser largamente utilizada com uma conotação social negativa e ligadas a pobreza e (opinião minha), a semi marginalidade.

Na Constituição Federal de 1988, a criança e o adolescente passam a ser sujeitos de direitos.

“... O artigo 227 da Carta Magna assegura que:

Artigo 277 – É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao

adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação,

ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de

negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

Anteriormente, como enfatiza a autora, as leis brasileiras emprestavam ao menor uma assistência jurídica que não passavam de sanções, penas disfarçadas em medidas de proteção. Não apoiava a família desestruturada.

Num enfoque crítico, observa-se que o ECA regulamentou e regularizou a situação da criança e do adolescente, porém, as posturas das famílias estão bem longe daquilo que se presumia alcançar.

Finalizo dizendo que se não há informação suficiente para a mobilização social e tirar do imaginário popular essa visão distorcida do ECA, as novas leis que asseguram a proteção efetiva da criança e do adolescente não cumprirão os objetivos para que foram criadas.
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/patriciaruiz

sábado, 8 de janeiro de 2011

Passaporte problemático

 

“Filho de Lula afirma que irá devolver passaporte (Folha de São Paulo, 08/01/11)”





Acho mesquinhas as atitudes das pessoas que ficam divulgando as irregularidades do ex-presidente Lula.

Um passaporte custa R$ 174,00. E as outras roubalheiras que eles e elas fazem e que não temos conhecimento?

Em uma atitude de bom senso e de muita simplicidade, Luiz Cláudio diz que irá devolver o passaporte, em branco.

A maioria das pessoas esquece que a família do Lula é gente simples como as pessoas da classe C. Lula é um ex-operário e só ele foi Presidente.

Assumir a presidência da República é como assumir um cargo público.

Só quatro ou oito anos.

Claro que as raposinhas fazem mal as vinhas, como diz por aí.

Mas ficar esmiuçando coisinhas de um ex-presidente não vai diminuir a corrupção.

Rei posto, rei morto.

Devem ficar de olho no que Dilma vai fazer agora.

Da Dilma, já ouvi muitas coisas, que são impublicáveis.

Acho que ela é uma mulher digna, honesta e corajosa.

Quem não tem pecado atire a primeira pedra.

Acho que a maioria das pessoas se pudesse desfrutar de regalias, fariam coisas piores do que admitir o ganho de um passaporte.

Sem hipocrisia, fófis.


quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A difícil realidade das crianças e adolescentes brasileiros

Fonte: Revista Espaço Acadêmico, ano 2, nº 12, Rudá Ricci, sociólogo.

A difícil realidade das crianças e adolescentes brasileiros










O Brasil parece marcado em sua alma pelo abandono social. Muitos autores tentaram explicar este fenômeno. Grande parte das tentativas de explicação centraram seus argumentos na nossa cultura política. Em nosso sangue correria um hábito “patrimonialista”. O patrimonialismo teria origem nas relações de subordinação que existiam no interior da Casa Grande, na época da escravidão: as amas de leite e seus filhos que perambulavam pela Casa Grande eram considerados “quase iguais”. Eram tutelados, protegidos, mas não ouvidos. Em suma, uma relação falsa, cínica, em que as brutais desigualdades eram tratadas como meras diferenças. Francisco Weffort, nosso atual Ministro da Cultura, escreveu um texto em que defendia a noção de “dualidade” da sociedade brasileira: uns votam, como exercício formal para confirmar o que historicamente sabemos, que quem vota não governa e apenas legitima a outra parte, detentora do real poder de decidir.



Alguns segmentos sociais de nosso país sentem mais de perto as conseqüências de nossa cultura política. Um desses segmentos é o composto por crianças e adolescentes. No primeiro trimestre deste ano foi registrado um crescimento de 145% no número de denúncias de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes se comparado ao mesmo período de 2001. O levantamento foi realizado pela Abrapia (Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência), em parceria com o Ministério da Justiça. O maior crescimento (180%) foi verificado no número de casos de abuso sexual: 60 em 2001 contra 168 casos neste ano.



Mas, qual a relação desta informação com o patrimonialismo? Ocorre que em 80% dos casos de abuso sexual, a violência é cometida por alguém que a criança ou adolescente ama e confia. Em 62% dos casos o autor do abuso é alguém da própria família, em especial, pais e padrastos. Em 79% dos casos, o ato ocorre dentro da casa da vítima. O horror que emerge nas entrelinhas desses dados é que tais adultos abusam de indivíduos psicologicamente indefesos. Na faixa etária entre 5 e 8 anos de idade, a criança possui uma dependência moral e psicológica quase total, enfrentando um duro percurso de inserção nas regras da sociedade. Quem ensina o percurso à criança é o pai ou adulto mais próximo afetivamente. Piaget denominou tal fase de egocêntrica e percebeu em suas pesquisas que os pais confundem-se no imaginário das crianças com a figura de Deus.



Contudo, o drama de nossas crianças e adolescentes não se limita ao espaço doméstico. A cultura patrimonialista viceja nas políticas públicas. Segundo a ONU, apenas 1/3 das metas estabelecidas durante a Convenção sobre os Direitos da Criança, ocorrida em 1990, foram alcançadas pelo Brasil. A divulgação desta análise foi feita pelo ministro Paulo Renato, no último dia 30 de abril. O documento da ONU revela que, das 27 metas estabelecidas, o Brasil atingiu apenas 9 e cumpriu parcialmente mais 11. Se atingimos as metas de erradicação da poliomielite, redução de casos de sarampo e cobertura acima de 90% da população-alvo em todas vacinas infantis, não conseguimos cumprir as metas de erradicação do trabalho infantil. O grande ponto negativo foi o atendimento aos adolescentes infratores, considerados “avanços muito tímidos” no relatório. Não atingimos justamente as metas mais diretamente vinculadas à mudança de hábito cultural. De nada adianta salvarmos as vidas de crianças e adolescentes se não sabemos tratá-las como tal, se não sabemos educá-las, se nós, adultos, continuamos olhando para uma criança como se fossem “pequenos adultos” ou “coisas inferiores”.











RUDÁ RICCI

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Urtigão e Peninha

URTIGÃO E PENINHA






Partindo da ética da boa convivência e da tolerância mútua que é obrigatória no mundo civilizado,acho curioso como a Globo e Edir Macedo não se bicam

A Globo poderia ser o Peninha, aquele primo do Donald, muito maluco e cheio de invencionices.

Essa observação é relativa as suas novelas: muita coisa pirada, que “prefiro não comentar”.

E o Edir, leia-se Record, poderia ser o Urtigão, sitiante mal humorado que vive em posição de defesa, com uma cartucheira na mão. Para a linguagem atual, um fuzil AR 15.

Na posse de Dilma, a Globo cortou a transmissão quando iria aparecer o Edir.

Mas voltando ao espírito civilizatório e ético, construção improvável do processo civilizatório, o Edir bem que podia lembrar que foi o modelo da Globo que o impulsionou a construir o seu império.

E a Globo podia lembrar que o sol nasceu para todos e que para a gente vencer o inimigo, devemos nos juntar a ele...