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sábado, 28 de abril de 2012

Poliamor


POLIAMOR, UMA OPÇÃO PARA RELCIONAMENTOS ESTÁVEIS E (IN) FIÉIS
Quem me falou essa palavra foi um estudante de Psicologia, no nível de Pós Graduação.
Considero que seria a opção mais “politicamente correta” de quem está cansado da mesmice e da hipocrisia de uma relação desgastada.

O site da Wikipedia define Poliamor como um comportamento social que e  já é realidade.
Poliamor (do inglês polyamory) são relações interpessoais amorosas que recusam a monogamia como princípio ou necessidade.
Por outras palavras, o poliamor, como opção ou modo de vida, defende a possibilidade prática e sustentável de se estar envolvido de modo responsável em relações íntimas, profundas e eventualmente duradouras com vários parceiros simultaneamente.
O Poliamor como movimento tem existido dum modo visível e organizado nos Estados Unidos nos últimos vinte anos, acompanhado de perto por movimentos na Alemanha e Reino Unido. Recentemente, a imprensa em geral tem feito a cobertura quer do movimento poliamor em si, quer dos episódios que lhe estão ligados. Em Novembro de 2005 realizou-se a Primeira Conferência Internacional sobre Poliamor (International Conference on Polyamory & Mono-Normativity) em Hamburgo, Alemanha.
O processo civilizatório sempre se modifica, dando a exata perspectiva de que tudo é construído.

Fidelidade?


Fidelidade, um mito?


No processo civilizatório, as pessoas foram adestradas a manter fidelidade a uma só, por razões variadas;
O substrato burguês, com sua hipocrisia costumeira, recomenda a fidelidade apoiada pela Igreja e pelo Estado;
Mas se formos observar o histórico das relações amorosas e sexuais da humanidade, observaremos procedimentos que não obedecem as regras dos condicionamentos construídos pelo Processo civilizatório.
...”Pretende-se aqui informar, educando, olhando não só para o aspecto anatómico e biológico desse fenômeno a que alguém chamou de «A fragilidade humana quando pressionada por estímulos animalescos», mas também  para o ético, aspecto este sistematicamente  ignorado pela nossa sociedade, segundo uma visão tão neutra e objetiva quanto humanamente possível..( http://joaogil.planetaclix.pt/ps01.htm).
As sociedades coletoras-caçadoras tinham entendimento de que o sexo era algo que gerava prazer.Os tipos sexuais eram representados em esculturas e pinturas como forma de registrar momentos e preferências, além de rituais.
Era comum sacerdotes e xamãs se travestirem, numa flexibilidade ligada a rituais com cunho espiritual, como observa uma universitária da USP,Pammela,  cujo endereço de blog é http://reflexoesdehistoria.wordpress.com/.
Na Grécia antiga, sem fonte histórica, há um boato de que  havia relações homossexuais  entre os filósofos  e seus discípulos.
Partindo dessas análises, fundamentadas por pesquisas, observa-se que esse modelo (frágil) da sacralidade da fidelidade deve ser desconstruído.
Essa descontrução não serve a prosmicuidade, porque a promiscuidade gera consequências danosas a sociedade.
Quando os adultos começarem a refletir sobre a sua sexualidade e as suas escolhas sexuais, a sua descendência será  orientada e o nível de perversões sexuais tenderá a desaparecer, porque conhecido e tratado.
Tomo a fidelidade não apenas por mito,mas por construção social originada no processo civilizatório e extraio dela o que é útil num âmbito social: menos DST, menor taxa de crianças abandonadas, abortadas, menos neuroses acumuladas.
A fidelidade gera uma ética  do amor cuidado,maior tranquilidade para o casal e a prole.
Mas numa opção de descontruir a hipocrisia da fidelidade obrigatória e traduzida em sofrimento, porque tal fidelidade presta um desserviço a felicidade humana.
Se existe o sentimento amoroso e a ética de cuidar de si e dos outros, a fidelidade é bem vinda.
Mas uma fidelidade repaginada, pensada em sua essência e no que gera para o bem estar coletivo e para a sobrevivência individual.



quinta-feira, 26 de abril de 2012

As voltas com o currículo oculto






Existe uma nuance perversa do currículo oculto que nesse mundo virtual,nesse  espaço que tenho para expressar minha opinião faço por bem revelar.
O recorte se faz exatamente ali, onde no popular se diz que “o buraco é mais embaixo”;
Não basta só você fazer uma boa prova, você tem que  ser aceita e se o grupo social do qual você quer fazer parte, não concordar com seu jeito de ser e acontecer, você é descartada.
Existe uma lei que egressos do Curso de Humanas podem fazer outra faculdade da área, optando por vagas remanescentes.
Mas isso não acontece, a não ser que você contrate um advogado para rever seus direitos.
Assim como quando se vai fazer um curso de formação continuada, se não for algo que a sua Secretaria ordenou, seu salário sofre descontos, embora na legislação, o professor pode fazer cursos sem descontar do seu  salário,, já que é de interesse essa continuação de formação. Que, diga-se de passagem, não resolverá os conflitos da falta de educação que alguns alunos e algumas alunas têm.
Sem disciplina, como diria a Assunção, não há aprendizagem.
O professor pode muito pouco contra a indisciplina sem um estagiário, ou um orientador educacional.
Para fazer um Mestrado, quem decide sobre a admissão dos candidatos, o  que se pondera como coisas para o currículo oculto é um absurdo.
Uma falácia abrir vagas para Mestrado em Psicologia quem tem Pedagogia. O máximo que  acontece é ficar oitenta reais mais pobre.
Por mais que você estude, como eu estudei, eles não aceitam.
Como ouvi de dois estudantes de Psicologia, no ônibus para a UNESP. “Quem é aquela lá?”
“Acho que é professora”;
“E o que está fazendo aqui?”
“Acho que agora quer ser psicóloga?” (ironia);”Então sabem o que deviam fazer?” “Dar um soco na cara dela, de uma vez.”.
Hostilidade e machismo, assim como fizeram recentemente no rodeio das gordas. Incluo-me nesse subgrupo, com muito orgulho, com a minha fartura adiposa, muuuito boa.
Como pedagoga, não tenho obrigação de fazer prova como um psicólogo.
Mas está tudo lá: o paradigma tradicional, o emergente, a crítica de Boaventura, a crítica do Jornal “Folha de Sâo Paulo” a uma psicóloga  que trata a homossexualidade como doença, a recomendação para a imparcialidade do psicólogo entre o seu  ethos pessoal e profissional e uma prova de espanhol que trata de um assunto que eu domino: Gênero e sexualidade.
Mas, como sujeito epistêmico, não fui selecionada.
A quem interessa que  uma professora de ensino fundamental domine  saberes da  Psicologia?
A ninguém.
Cabeça baixa, ouvindo ordens, fazendo Cursos para manter a ótica “construtivista”, com o ideário de Ferreiro e Teberovsky, atrasando o domínio da lecto escrita no Brasil, POIS NÃO INTERESSA QUE AS CAMADAS POBRES DA POPULAÇÃO DOMINEM SABERES QUE SÃO EXCLUSIVOS DA CLASSE DOMINANTE.
Um eterno devir: o professor faz que ensina, o aluno faz que aprende.
Livros, caros, material selecionado e a criança cada vez mais perdida. Como um analfabeto em uma biblioteca. Perverso.
Ainda estou tentando sobreviver nessa classe (Educação) em que existem bastante problemas.
A Lei da  Sobrevivência, como diria Darwin.
Eu tenho simplesmente vergonha.
Vergonha de fazer parte de uma escola que é,como diria Bourdier e Passeron, aparelho reprodutor da classe dominante.
Quero dizer aos meus oponentes que eu não pretendo ser Presidente da República.
Não deliro.
Obedeço, obedeço, como uma criança;
Sou simples: um bom jornal, um bom livro, um bom chocolate quente, um bom vinho, um bom cobertor de orelha.
Não tenho a ilusão demudar.
O Paradigma emergente é uma Força que está viva e que  está acontecendo.
Agora é hora de trabalhar.
Ciao.
Sou inofensiva, só gosto de Psicologia.
Aos estudantes de Psicologia, quero dizer que eu não pretendo ser Psicóloga. Nem quero ser Professora.
Se esses títulos me tirarem a capacidade de ver,sentir e chorar a dor do outro e a minha própria miséria.
Me impedirem o Amor àgape e o amor Eros.

domingo, 22 de abril de 2012

Caminhos


Caminhar I


Caminhas seguro que sua gênese e prole
Está protegida
Até o último fio de cabelo está contado
Deus tem cuidado de Vós
Antes que Maia absorva teu entendimento
E te jogue nos porões da servidão
Da falta de Fé...
Há uma maldição que paira sobre o filho do Homem
A miserilabilidade de não crer
Maia, a Deusa da Ilusão
Que faz os homens acreditarem que seu pensamento é vão
E que sua vida é absorvida pelo chão
Dissolvendo-se em meio a Terra Mãe
Que a tudo transforma
Tua essência, tua psique, tua alma
Está entrelaçada nos sonhos de Deus
E Ele tem cuidado de vós
Dando-lhe um renovo possível
 De um Amor que é maior que a Morte
Maior que o mistério de sentir-se o Ser
E de Ser o sentir
Maior que você

quarta-feira, 18 de abril de 2012

O mistério da Consciência


O Mistério da Consciência: Sentir e conhecer




Quem busca a amplitude do conhecimento humano, ativando os recursos da sua consciência ou do seu Self, percebe, que como nos lembra Damásio, (2000), que partindo da consciência central, que é a nossa matriz, onde o sentir e o conhecer estão em seu estado primitivo, a consciência ascende por uma linha espiral (para) a consciência elevada e que nos dá um panorama geral sobre nós e nossa gênese.
Para ser cientista, uma prerrogativa essencial é de buscar uma base comum da razão e da existência das coisas a partir de dados exatos e concretos.
O aporte que se busca são os dados empíricos.
 Partindo de um dado empírico, sei  que a Consciência está além desse invólucro de carne que nos envolve que denominamos de corpo.
Tal fato não está envolvido com nenhuma linha kardecista ou busca de espiritualidade específica, sem menosprezar esse campo de conhecimento.
Está no real, no que o meu aparato orgânico e sensorial captou.
Quando eu estive em coma durante 13 dias, a minha consciência se desprendeu em parte do meu corpo e estive muito perto de viver sem esse veículo corpóreo.
Além daquele momento, em que se atravessa um túnel longo e em rodamoinho, com uma claridade no final, e a vida passa como um filme, está o ver-se separada da matéria, refletir sobre o sentido e a razão daquele corpo sobre uma cama, ligado a tantos aparelhos para mante-lo vivo.
A consciência expandida que está em todos os lugares, a comunicação mental, através de ondas sonoras e interações com  outras consciências, que não me permito citar, já que não quero transformar esse texto em um apelo místico e salvacionista.
A liberdade desse estar longe de limitações orgânicas, inclusive o da ruptura de laços terrenos.
O de saber-se alma, essência, eterna. O de permitir-se renunciar ao patrimônio das coisas pequenas, terrenas;
A liberdade que me tomou a consciência era tão plena que eu não queria retornar para meu corpo limitado,ferido, inerte.
Mas existe uma Lei superior a vontade humana, da qual não citarei porque não existem dados científicos suficientes  para me referir a ela.
O mistério da consciência humana, razão e vontade, consciência central e ampliada, Identidade construída passa além dos limites da Ciência Humana.
Estou buscando seus saberes, estou em contato permanente com seus eruditos.
Mas há um conhecimento prévio, há dados empíricos que independem de frequentar centros de ensino, Universidades.
As Universidades, os livros, estruturam e ordenam as minhas experiências.
O “Conhece-te a ti mesmo” de Sócrates, fica delineado e expandido.
A busca religiosa também dá contribuições e se eu não encontrei a Verdade, encontrei setas que me aproximam delas.
O mistério da consciência humana se resume em um fragmento mórmon:
Há um véu que nos é colocado, para adormecer a nossa consciência,  da vida que escolhemos aqui, das pessoas que decidimos ser irmãos e irmãs de missão e de caminhada.
Uma consciência de nós mesmos em outros planos e dimensões,sob outros valores.
 O plano começa com a nossa existência pré-mortal, ou a vida que vivíamos antes de vir para a Terra. Os Mórmons acreditam que vivemos antes de vir à Terra com nosso Pai Celestial como espíritos que Ele havia criado. Nós éramos felizes lá, mas precisávamos progredir e crescer mais. Então o Pai Celestial nos apresentou o plano o qual viríamos para um mundo físico que seria criado – a Terra – onde poderíamos ter um corpo físico para abrigar o nosso espírito e onde poderíamos crescer através de nossas próprias experiências. Essa vida terrena nos traria dificuldades, mas precisávamos de um lugar para ser testados e para sermos provados para nosso Pai Celestial.

 Em outro plano, uma linguagem poética revela o meu intimo sem que eu tenha escrito sobre o assunto.
Dize:  
O vento do meu espírito  
soprou sobre a vida.  
E tudo que era efêmero se desfez.  
E ficaste só tu, que és eterna ...  
 Não queiras ter pátria.  
Não dividas a Terra.  
Não dividas o Céu.  
Não arranques pedaços ao mar.  
Não queiras ter.  
Nasce bem alto,  
Que as coisas todas serão tuas.  
Que alcançarás todos os horizontes.  
Que o teu olhar, estando em toda parte  
Te ponha em tudo,*  
Como Deus.  

* verso-base: Estarás em tudo, 
II  Não sejas o de hoje.  
Não suspires por ontens ...  
Não queiras ser o de amanhã.  
Faze-te sem limites no tempo.  
Vê a tua vida em todas as origens.  
Em todas as existências.  
Em todas as mortes.  
E sabe que serás assim para sempre.  
Não queiras marcar a tua passagem.  
Ela prossegue:  
É a passagem que se continua.  
É a tua eternidade ...  
É a eternidade.  
És tu. 
III  Não digas onde acaba o dia.  
Onde começa a noite.
Não fales palavras vãs. 
 
As palavras do mundo.  
Não digas onde começa a Terra,  
Onde termina o céu.  
Não digas até onde és tu.  
Não digas desde onde é Deus.  
Não fales palavras vãs.  
Desfaze-te da vaidade triste de falar.  
Pensa, completamente silencioso.  
Até a glória de ficar silencioso,  
Sem pensar. 
IV  Adormece o teu corpo com a música da vida.  
Encanta-te.  
Esquece-te.  
Tem por volúpia a dispersão.  
Não queiras ser tu.  
Quere ser a alma infinita de tudo.  
Troca o teu curto sonho humano  
Pelo sonho imortal.  
O único.  
Vence a miséria de ter medo.  
Troca-te pelo Desconhecido.  
Não vês, então, que ele é maior?  
Não vês que ele não tem fim?  
Não vês que ele és tu mesmo?  
Tu que andas esquecido de ti?*  

*verso-base: Tu que te esqueceste de ti? 
 Esse teu corpo é um fardo.  
É uma grande montanha abafando-te.  
Não te deixando sentir o vento livre  
Do Infinito.  
Quebra o teu corpo em cavernas  
Para dentro de ti rugir  
A força livre do ar.  
Destrói mais essa prisão de pedra.  
Faze-te recepo.  
Âmbito.  
Espaço.  
Amplia-te.  
Sê o grande sopro  
Que circula...  
VI  Tu tens um medo:  
Acabar.  
Não vês que acabas todo o dia.  
Que morres no amor.  
Na tristeza.  
Na dúvida.  
No desejo.  
Que te renovas todo o dia.  
No amor.  
Na tristeza.  
Na dúvida.  
No desejo.  
Que és sempre outro.  
Que és sempre o mesmo.  
Que morrerás por idades imensas.  
Até não teres medo de morrer.  

E então serás eterno.  
VII  Não ames como os homens amam.  
Não ames com amor.  
Ama sem amor.  
Ama sem querer.  
Ama sem sentir.  
Ama como se fosses outro.  
Como se fosses amar.  
Sem esperar.  
Por não esperar.  
Tão separado do que ama, em ti,  
Que não te inquiete  
Se o amor leva á felicidade,  
Se leva á morte,  
Se leva a algum destino.  
Se te leva.  
E se vai, ele mesmo...  
XVIII  Os teus ouvidos estão enganados.  
E os teus olhos.  
E as tuas mãos.  
E a tua boca anda mentindo  
Enganada pelos teus sentidos.  
Faze silêncio no teu corpo.  
E escuta-te.  
Há uma verdade silenciosa dentro de ti.  
A verdade sem palavras.  
Que procuras inutilmente,  
Há tanto tempo,  
Pelo teu corpo, que enlouqueceu.  
 Este é o caminho de todos que virão.  
Para te louvarem.  
Para não te verem.  
Para te cobrirem de maldição.  
Os teus braços são muito curtos.  
E é larguíssimo este caminho.  
Com eles não poderás impedir  
Que passem, os que terão de passar,  
Nem que fiques de pé,  
Na mais alta montanha,  
Com os teus braços em cruz.  
XI  Vê formaram-se sobre todas as águas  
Todas as nuvens.  
Os ventos virão de todos os nortes.  
Os dilúvios cairão sobre os mundos.  
Tu não morrerás.  
Não há nuvens que te escureçam.  
Não há ventos que te desfaçam.  
Não há águas que te afoguem.  
Tu és a própria nuvem.  
O próprio vento.  
A própria chuva sem fim...  
XII  Não fales as palavras dos homens.  
Palavras com vida humana.  
Que nascem, que crescem, que morrem.  
Faze a tua palavra perfeita.  
Dize somente coisas eternas.  
Vive em todos os tempos  
Pela tua voz.  
Sê o que o ouvido nunca esquece.  
Repete-te para sempre.  
Em todos os corações.  
em todos os mundos.  
XIII  Renova-te.  
Renasce em ti mesmo.  
Multiplica os teus olhos, para verem mais.  
Multiplica os teus braços para semeares tudo.  
Destrói os olho que tiverem visto.  
Cria outros, para as visões novas.  
Destrói os braços que tiverem semeado,  
Para se esquecerem de colher.  
Sê sempre o mesmo.  
Sempre outro.  
Mas sempre alto.  
Sempre longe.  
E dentro de tudo.  
XIV  Eles te virão oferecer o ouro da Terra.  
E tu dirás que não.  
A beleza.  
e tu dirás que não.  
O amor.  
E tu dirás que não, para sempre.  
Eles te oferecerão o ouro d'além da Terra.  
E tu dirás sempre o mesmo.  
Porque tens o segredo de tudo.  
E sabes que o único bem é o teu.  
XV  Não queiras ser.  
Não ambiciones.  
Não marques limites ao teu caminho.  
A Eternidade é muito longa.  
E dentro dela tu te moves, eterno.  
Sê o que vem e o que vai.  
Sem forma.  
Sem termo.  
Como uma grande luz difusa.  
Filha de nenhum sol.  
XVI  Tu ouvirás esta linguagem,  
Simples,  
Serena,  
Difícil.  
Terás um encanto triste.  
Como os que vão morrer,  
Sabendo o dia...  
Mas intimamente  
Quererás esta morte,  
Sentindo-a maior que a vida.  
XVII  Perguntarão pela tua alma.  
A alma que é ternura,  
Bondade,  
Tristeza,  
Amor.  
Mas tu mostrarás a curva do teu vôo  
Livre, por entre os mundos...  
E eles compreenderão que a alma pesa.  
Que é um segundo corpo,  
E mais amargo,  
Porque não se pode mostrar,  
Porque ninguém pode ver...  
XII  Quando os homens na terra sofrerem  
Sofrimento do corpo,  
Sofrimento da alma,  
Tu não sofrerás.  
Quando os olhos chorarem  
E as mãos se quebrarem de angústia  
E a voz se acabar no rogo e na ameaça,  
Quando os homens viverem,  
Tu não viverás.  
Quando os homens morrerem na vida,  
Quando os homens nascerem na morte,  
Na vida e na morte nunca mais*  
Nunca mais tu não morrerás.**  

*verso-base:Nem na vida nem na morte  
**verso-base:Tu não morrerás. 
XIX  Não tem mais lar o que mora em tudo.  
Não há mais dádivas  
Para o que não tem mãos.  
Não há mundos nem caminhos  
Para o que é maior que os caminhos  
E os mundos.  
Não há mais nada além de ti.  
Porque te dispersaste...  
Circulas em todas as vidas  
Pairas sobre todas as coisas  
e todos te sentem  
Sentem-te como a si mesmos  
E não sabem falar de ti.  
XX  Não digas que és dono.  
Sempre que disseres  
roubas-te a ti mesmo.  
Tu, que és senhor de tudo...  
Deixa os escravos rugirem,  
Querendo.  
Inutiliza o gesto possuidor das mãos.  
Sê a árvore que floresce  
Que frutifica  
E se dispersa no chão.  
Deixa os famintos despojarem-te.  
Nos teus ramos serenos  
Há florações eternas  
E todas as bocas se fartarão.  
XXI  O teu começo vem de muito longe.  
O teu fim termina no teu começo.  
Contempla-te em redor.  
Compara.  
Tudo é o mesmo.  
Tudo é sem mudança.  
Só as cores e as linhas mudaram.  
Que importa as cores, para o Senhor da Luz?  
Dentro das cores a luz é a mesma.  
Que importa as linhas, para o Senhor do Ritmo?  
Dentro das linhas o ritmo é igual.  
Os outros vêem com os olhos ensombrados.  
Que o mundo perturbou,  
Com as novas formas.  
Com as novas tintas.  
Tu verás com os teus olhos.  
Em sabedoria.  
E verás muito além.  
XXII  Não busques para lá.  
O que é, és tu.  
Está em ti.  
Em tudo.  
A gota esteve na nuvem.  
Na seiva.  
No sangue.  
Na terra.
E no rio que se coalhou em mundo. 
 
Tu tiveste um destino assim.  
Faze-te à imagem do mar.*  
Dá-te à sede das praias  
Dá-te à boca azul do céu  
Mas foge de novo à terra.  
Mas não toques nas estrelas.  
Volve de novo a ti.  
Retoma-te.  

*verso-base: procura o mar. 
XXIII  Não faças de ti  
Um sonho a realizar.  
Vai.  
Sem caminho marcado.  
Tu és o de todos os caminhos.  
Sê apenas uma presença.  
Invisível presença silenciosa.  
Todas as coisas esperam a luz,  
Sem dizerem que a esperam.  
Sem saberem que existe.  
Todas as coisas esperarão por ti,  
Sem te falarem.  
Sem lhes falares.  
XXIV   Não digas: Este que me deu corpo é meu Pai.  
Esta que me deu corpo e minha Mãe.  
Muito mais teu Pai e tua Mãe são os que te fizeram  
Em espírito.  
e esses foram sem número.  
Sem nome.  
De todos os tempos.  
Deixaram o rastro pelos caminhos de hoje.  
Todos os que já viveram.  
E andam fazendo-te dia a dia  
Os de hoje, os de amanhã.  
E os homens, e as coisas todas silenciosas.  
A tua extensão prolonga-se em todos os sentidos.  
O teu mundo não tem pólos.  
E tu és o próprio mundo.  
XXV  Sê o que renuncia  
Altamente:  
Sem tristeza da tua renúncia!  
Sem orgulho da tua renúncia!  
Abre a tua alma nas tuas mãos  
E abre as tuas mãos sobre o infinito.  
E não deixes ficar de ti  
Nem esse último gesto!  
XXVI  O que tu viste amargo,  
Doloroso,  
Difícil,  
O que tu viste breve,  
O que tu viste inútil  
Foi o que viram os teus olhos humanos,  
Esquecidos...  
enganados...  
No momento da tua renúncia  
Estende sobre a vida  
Os teus olhos  
E tu verás o que vias:  
Mas tu verás melhor...  









domingo, 15 de abril de 2012

A ética do Amor cuidado


A ética do amor cuidado
O modo feminino de cuidado
Porque precisamos proteger ao invés de destruir
No 7º Concurso Cultural Ler e Escrever é Preciso, do Instituto ECOFuturo, o meu aluno inscreveu sua história do “Livro Mágico”.
Cuidei para que sua memória não fosse perdida e que a sua inventividade fosse preservada para motivar os outros e as outras a criarem suas próprias histórias, a colocarem um tijolinho que fosse ao Patrimônio cultural do Brasil.
Depois, por razões políticas e de abuso de autoridade não pude continuar a lecionar na mesma turma, não me desvencilhei da ternura que esse gesto me proporcionou.
Entendi que, ao cuidar dos meus alunos para que produzam histórias, eles estão cuidando de mim, porque consideram a minha  trajetória, obedecem as minhas sugestões.
Eles e elas  constroem a minha Identidade de Profissional da Educação e seus gestos são grandiosos, pois contribuem para mim e para eles mesmos.
Não acredito na aula expositiva, onde o professor passa o conteúdo de forma inexpressiva e os alunos e alunas apenas concordam com meneios de cabeça.
Acredito em aulas vivas, onde há controvérsias, onde os alunos possam, com seu conhecimento prévio, reestruturar o conteúdo, ressignificando-o.
.

E pude fazer minhas as palavras do autor João Mendes de Juazeiro do Norte:
“Sigo em busca de gestos poéticos, tenho a pretensão de eternizar as diversas coisas que o cotidiano trazem e que são deliciosas.”
A minha retórica é assim:

“...Sigo em busca de gestos poéticos,para que a beleza do efêmero não seja destruída e comungada com as almas simples e sinceras que (ainda) se alimentam do amor e da ternura.”
Para o aluno e aluna, o que eles e elas produziram tem muito significado: deve ser valorizado e divulgado.
Assim são algumas professoras e professores que encontrei pela vida afora. Ao me darem a oportunidade de me expressar,de ressiginificar, de contestar, de me expor,me deram a oportunidade de me construir com consciência de que a palavra é vida.
E que a palavra cura, conforta, destrói emata.
Palavra voando as cegas e com as asas danificadas não chega aonde se espera.

Fonte: Instituto ECO Futuro MEC 2012




domingo, 8 de abril de 2012

A linguagem da alma


Psicografar: escrever a linguagem da alma
Nossos sentidos captam aquilo para os quais estão habilitados e organicamente estruturados.
Pessoas que psicografam são aquelas que não precisam pertencer ao Centro espírita ou ser adepta do Kardecismo.
São pessoas que conseguem captar a psiché de outra, estando na dimensão terrena ou não.
Para os que já partiram dessa dimensão,e não conseguiram aceitar o desencarne, estão vagando por dimensões em que buscam um alívio para a alma errante e interferem no campo sensorial de pessoas que possuem dotes paranormais.
Uma vez aceita essa interferência há um núcleo dual,em que a subjetividade e a inconsciência do receptor pode sofrer perturbações,e num consultório de Psicologia,são diagnosticadas como deficientes mentais.
Tais fenômenos ocorrem quando o receptor não admite a troca de energia,a necessidade de comunicação da alma sofredora.
Nas igrejas, são tratadas como possessas de espíritos imundos;
É apenas a alma de um ente desencarnado que busca paz.
Cada vez mais frequentes as citações científicas sobre a abertura de portais tridimensionais nos últimos tempos, principalmente no meio científico e acadêmico.
São textos que são escritos ou digitados sem que a imaginação do escriba flua e sim outra interferência que precisa ser expressa no momento em que se manifesta.
Ateus não captam essa possibilidade, pois o seu aparato orgânico e sensorial está programado para assimilar essa realidade de acordo com a  rigidez de suas convicções.
A pessoa a quem está estipulada essa condição não apresenta nenhuma característica especial, a não ser o de deixar a mente e a mão à disposição da psique que quer se manifestar, ainda que já não esteja encarnada.
Cumpre-se o que está escrito:
E, depois disso, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os velhos terão sonhos, os jovens terão visões. - Joel 2:28

As produções que são originadas desse contato são rascunhos de um pensamento, e por isso mesmo, sujeitas a erros e presas as práticas e as vivências  dessas pessoas quando estavam na dimensão terrena ou de subjetividades vividas ou imaginadas.
Não se escolhe ser meio para essas manifestações e as produções que querem se fazer conhecidas e muitas vezes, o escriba não se agrada do que foi produzido.
Não existe também qualquer comprometimento da psique de quem escreve a mensagem a não ser que se recuse terminantemente a ser veículo da expressão da psique que quer se manifestar.
Existe um ordenamento jurídico que acolhe como prova, a manifestação do ente desencarnado que utilizou de um médium para produzir uma prova para a decisão de um julgamento.
É o que assevera Leite (1998), na sua dissertação de Mestrado em Juiz de Fora, na sua tese “Psicografia como meio de prova no Processo penal”.
Nessa tese jurídica, com respaldo científico, o autor relata o seguinte:
...A psicografia se apresentará como um métodoeficiente de verificação do passado delituoso, a fim de esclarecer os fatos e iluminar a decisão do Estado-juiz a respeito da culpabilidade do acusado, sempre emconsonância com as garantias e os direitos fundamentais ínsitos ao devido processo legal história. A Constituição da República de 1988 ao declarar, em forma deprincípios, o Estado brasileiro como um estado laico, ainda defendeu a “liberdade de consciência e de crença”, assim como é defeso à privação de direitos por motivos de fé religiosa e ou de convicção filosófica, possibilitou a idéia da admissibilidade da psicografia como prova. Logo, essa controvertida questão não soa nem de perto estar pronta e acabada o que leva a aumentar ainda mais as peculiaridades do tema, o que torna o exame do tema particularmente instigante.”




sábado, 7 de abril de 2012

Prosa e imaginação

Eliodora




Eliodora e os dois pardais

Quase que Eliodora não conseguia acreditar na angústia que lhe assomava o peito a revisitar o seu intimo e o seu semblante.
Não poderia jamais imaginar que sentiria aquele sentimento agridoce que lhe pulsava o coração nos ouvidos, colocava duas manchas rubras em sua face e lhe fazia um tremor nas pernas que lhe liquefazia.
Alonso,o objeto de seus suspiros ignorava sua existência como se ignorasse a mancha de café rotineira da toalha de mesa, que logo era substituída pela funcionária  ou as migalhas de pão que  serviam de alimento para os passarinhos que batiam ponto todo dia na janela do refeitório.
Eliodora colava o nariz arrebitado na vidraça, as duas bochechas e a boca e ficava observando dois pardais que se alimentavam das migalhas de pão que Alonso ou outro deixava sobre a toalha da mesa.
Tinha um desejo insano de querer ser um desses pássaros e compartilhar das migalhinhas , em um desejo antropofágico dela por  Alonso, fundir-se como alimento,como essência, não precisando exatamente se era alimento ou se era alimentada.
O mundo explodia lá fora, entre cores e imagens, caleidoscópios e fragmentos, vida e morte, saudade  e saturação de presença,frio, calor, tristeza e alegria, agonia e êxtase, barulho e silêncio e dentro do corpo de Eliodora uma outra explosão que ela preferia ignorar,pois eram  muitas memórias e o mover do mundo,a natureza de mulher, instinto biológico, afetos e angústias que ela poderia, se não fosse demasiado humana, ignorar.Sua subjetividade fez com que suas regras menstruais viessem mais cedo por aqueles dias.Sentiu-se fecunda.
 Era o aparato biológico, era um funcionamento previsível.
Em tudo lembrava outra personagem que recebeu o ser mulher em meio a um raio quente de sol, nas asas de uma águia, em um sonho onde acolheu sua feminilidade e ao despertar, a mancha rubra despontando entre lençóis.
Alonso não sabia de nada disso, nunca iria saber.
Sua palidez e seus joelhos magros, as preces sem término em cima de um estrado,as gotas de suor escorrendo pela face,como o sangue  rubor de Eliodora,já denunciavam sua vocação.
Vocação,no latim vocare, o chamado.

Iria ser Padre. Já estava com vinte e cinco. Jamais havia sido atraído por mulher alguma. As mulheres não lhe interessavam nem um pouco.
Seres barulhentos e frívolos, como os pássaros que lhe importunava toda manhã, ao disputar as migalhas de pão,com seus chilreios altos.
Tinha uma vaga gratidão da matriz, mas como o Senhor,era ríspido com ela, que se demorava muito ao telefone,querendo saber se tinha cobertores suficientes.
__Que queres tu, mulher? Minha hora não chegou.
Mamãe tinha uma mania de colecionar fotografias de bebês  sorridentes e olhava de soslaio para Alonso,talvez,idiotamente,imaginando quantos netos ele iria lhe dar.
Nenhum.
Daria-lhe filhos. Filhos do mundo. Pessoas de suas paróquias, envolvidas em seus pecados, mulheres  tolas com  suas proles,homens carregados com suas concupiscências, suas raparigas disputando com as esposas um lugar no bolso e no coração dos homens.
E Eliodora vicejava. Cada dia mais robusta, cabelos longos até a cintura, decote pronunciado, caminhando com passos estudados para prender a atenção de seu alvo.
Alguém também  tinha planos para Alonso.
Não podia esquecer o seu cabelo negro, brilhante e seus  olhos expressivos, da cor de mel, as suas mãos sensíveis,o seu jeito tímido,a sua mania de inclinar a cabeça para o lado quando ficava pensativo.
Tinha por Alonso o mesmo apreço ciumento que tinha pelo seu anel de religioso de alta hierarquia.
Imaginava-o erudito, poderoso, ensinando e levando adiante os ensinamentos que ele deveria receber de Alguém.
E assim se fez.
Um belo dia, Alonso juntou seus poucos pertences  e retirou-se daquele lugar.
Ao seu lado, imponente, caminhava seu  superior ,com a mão cheia de anéis em seu ombro.
Alonso, ombros erguidos, de forma elegante, orgulhoso de si mesmo, lançava a poeira de seus  pés para trás,abandonando aquele lugar, para um outro, de imponência e luxo que lhe era merecido.
Eliodora espalmou as mãos na mesma janela de todas as manhãs, e, pranto convulsivo, deixou fluir toda a espera, toda a ânsia, todo o desejo, consumindo-se, até o vulto de Alonso dobrar a esquina.
Iam-se os homens, descendo a rua, satisfeitos consigo mesmo e Alonso não teve misericórdia de olhar para trás.
No seu desespero, sentou-se a mesa,procurando se recompor e uma  sensação hilariante rompeu-se dentro de si.
Gargalhou ferozmente,dentro de sua desesperança,e lembrou-se de algo que a fez rir desesperadamente:
Eram dois os pardais.
E ela, ao arrancar suas unhas e penas, voava pela primeira vez na vida.
Virava águia.