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quarta-feira, 28 de julho de 2010

Dráuzio Varella, o poeta do caos

Dr. Dráuzio Varella faz uma medicina poética.
Pronto, esse é o meu conceito sobre a medicina de Draúzio, imbuído da poesia que há em meu olhar, que vejo poesia em tudo.
Faz coisas curiosas e incomuns em seu exercício de medicina.
Dentro do presídio, seu olhar apurado fixou-se em formas breves de vida com conteúdos frágeis e perenes, pois sobrevivem a dor.
Do salmo 91, recitado por um presidiário em meio a corpos violentamente feridos e abatidos, até a vaidade trágica da travesti vivida por Rodrigo Santoro, no filme "Carandiru".
Varella comentou, a Ilustrada de 20/07 que não consegue viver em visitar os presídios.
Sua vocação é viver no limite, ajudando vidas limítrofes.
E. no caso, faz poesias sem saber, ao trabalhar com as mãos, curando, restaurando, dando dignidade a vidas anônimas e sofridas.
Se eu fosse espiritualista, diria que o médico é um espírito superior encarnado e benfajezo.
Acompanhar a vida se fazendo nos ventres de mulheres grávidas em um programa de Tv.
Acompanhar a vida se desfazendo em presídios onde as pessoas sobrevivem, apesar do caos e da dor.
Sua função maior é acreditar na vida.
Crer que a vida, soberana por natureza, deve nascer todos os dias dessas formas destruídas pelos seus procedimentos, pelos seus conteúdos.
Pois, as formas, como nas salas de aulas, são paralelas aos conteúdos.

Democratas

Patricia --




When you and I set out on this journey three years ago, we knew that ours would be a lengthy struggle to build a new foundation for this country -- one that would require squaring off against the special interests who had spent decades stacking the deck in their favor.



Today, it is clear that you have shifted the odds.



This morning, I signed into law a bill that represents the most sweeping reforms of Wall Street since the Great Depression, and the toughest consumer financial protections this nation has ever seen. I know that I am able to do so only because the tens of thousands of volunteers who make up the backbone of this movement overcame the most potent attack ads and the most powerful lobbying the special interests could put forward.



Our special-interest opponents and their Republican allies have now set their sights on the elections in November as their best chance to overturn the historic progress we've made together.



We count entirely on supporters like you to fight back -- no special interests, no corporate PACs. To keep making change and to defend the change we have already won, we need you to contribute so we have the resources necessary going into the election.



Can you donate $5 today to help lay the groundwork for the fights ahead?



Because of Wall Street reform, we will ensure that Americans applying for a credit card, a mortgage, or a student loan will never again be asked to sign their name under pages of confusing fine print. We will crack down on abusive lending practices and make sure that lenders don't cheat the system -- and create a new watchdog to enforce these consumer protections.



And we will put an end to taxpayer-funded bailouts, giving us the ability to wind down any large financial institution if it should ever fail.



The passage of Wall Street reform is at the forefront of the change we seek, and it will provide a foundation for a stronger and safer economy.



It is a foundation built upon the progress of the Recovery Act, which has turned 22 months of job losses into six consecutive months of private-sector job growth. And it is a foundation reinforced by the historic health reform we passed this spring, which is already giving new benefits to more than 100 million Americans, ushering another 1 million Americans into coverage by next year.



But today's victory is not where our fight ends.



Together, we will move forward in the months ahead on the tough fights we have yet to finish -- even if cynics say we should wait until after the fall elections. This movement has never catered to the conventional wisdom of Washington. And we have fought to ensure that our progress is never held hostage by our politics.



You and I did not build this movement to win one election. We did not come together to pass one single piece of legislation. We are fighting for nothing less than a new foundation for our country -- and that work is not complete. As we face the challenges ahead, I am relying on you to stand with me.






https://my.democrats.org/WallStreetReformed



Thank you for helping us get here,



President Barack Obama
Patricia Rodrigues Ruiz

Criar seu atalho

domingo, 11 de julho de 2010

Dialogando com as idéias de Haquira Osakabe

Dialogando com as idéias de Haquira Osakabe


(in memorian)



Novos desafios para os professores da Escola pública





Abandonar a estigmação dos sujeitos, a estereotipia, a identidade cristalizada.

Ver em cada aluno ou aluna, mesmo aqueles mais difíceis uma promessa de um bom profissional.

Padronizar os sujeitos, colocá-los como uma referência ruim na escola pública, se apegar aos postulados que se mantém pelas crises sociais de classe e corpo social na forma de preconceitos não é o caminho ideal.

Emílio Odebrecht, na sua coluna da Folha de São Paulo lembrou do grande poder das novelas sobre as massas.

E eu me lembro, nesse momento da responsabilidade de cada professor sobre a vida de seu aluno e aluna.

Creio ser certo incutir no aluno do 2º ano de Ensino Fundamental a idéia da utilidade do estudo e sua funcionalidade na vida do cidadão.

O preconceito, os estereótipos, a menos valia cognitiva do sujeito da baixa classe social muitas vezes representados pelos próprios professores também tem um grande poder.

A forma como recebo meu aluno é fator primordial para a sua inserção e permanência no quadro educativo.

Não cabe ao professor ou professora continuar insistindo na idéia do aluno ideal.

Nós lidamos com alunos reais e eles nos trazem desafios constantes.

Em questões de currículo, Haquira Osakabe fala de currículos estruturados como uma panacéia burocratizante.

A desigualdade social mostra a sua face perversa em um desses currículos estruturados.

O Projeto Ler e Escrever pressupõe comportamento leitor por parte da família das crianças.

Recomenda, num livrinho que as famílias levam para casa, que os pais e as mães leiam tudo junto com o filho.

No mercado, na rua, na padaria, no ponto de ônibus;

Fala de revistas, de jornais. Esse não é o Brasil que eu conheço.

Geralmente, o aluno desfavorecido economicamente sempre fica a margem desses projetos, no que tange o envolvimento de sua família na parceria família escola.

Uma das mães que atendi era analfabeta e mora na zona rural.

Para essa mãe, o livrinho do Projeto não vai ter efeito nenhum.

O filho dessa senhora, uma criança esperta, já domina a letra de forma e está aperfeiçoando a letra cursiva.

Não desenvolveu comportamento leitor ainda, pois não se interessa pela roda da leitura que é feita todos os dias dentro da classe e nem leva livros para ler em casa.

Faz parte da cultura familiar dele não valorizar os livros. Faz parte da escola ensiná-lo a valorizar.

E esse é o desafio de cada professor que admiti-lo como aluno.

Tal caso isolado não invalida a eficiência do Projeto.

Muito ao contrário.

Se pensarmos nessas famílias em que não ocorreu a inserção educacional, saberemos que a responsabilidade dos alunos vindos dessas famílias é dobrada.

Pois eu não posso contar com a parceria da família para instigar o comportamento leitor em seus filhos e filhas.

O comportamento leitor, a autonomia educativa, a importância do ler e do escrever deve ser responsabilidade da equipe de professores na escola.

São eles que devem orientar e não desistir dessa criança;



Poesia no filme "O brilho de uma paixão"

Poesia do filme “Brilho de uma paixão”.








“A construção poética é uma farsa


Se a poesia não surgir naturalmente, como as folhas de uma árvore...


Então é melhor que não surja.


È uma experiência além da alma


A poesia é como um lago


Quando você mergulha num lago, você não pode senti-lo se não regalar-se com a água


A poesia é a linguagem do mistério”...



Compilado do filme “O Brilho de uma paixão” de Jane Campion. E com um toque pessoal meu. São belas palavras e muito simples que oferecem a minha alma uma resposta que eu já tinha e não conseguia expressar dessa forma.

È um mundo diferente com culturas diferentes, mas que atraem pela leveza e simplicidade.

Um filme despretensioso, que fala de sentimentos humanos e fica o valor da poesia como forma e como conteúdo.

Quando eu faço poesia, por exemplo, não me preocupo com a rigidez da sua construção.

Vou colocando nas palavras todo o sentimento, como uma catarse.

Concordo com o personagem do filme: o poeta Keats. A poesia é como um raio de sol e somente as almas sensíveis entendem a sua linguagem.

sábado, 10 de julho de 2010

Uma história de vida

"Lembremo-nos que o homem interior se renova sempre. A luta enriquece-o de experiência, a dor aprimora-lhe as emoções e o sacrifício tempera-lhe o caráter. O espírito encarnado sofre constantes transformações por fora, a fim de engrandecer-se por dentro". (Chico Xavier)






Penso em conversar com um psicólogo e ver se o meu medo de dirigir pode ser dissipado.


Mas me retraio, porque eu sei ser racional e sair fora de mim e me observar em separado, como se eu pudesse olhar para outra pessoa.

Sei que o medo nasceu por causa daquele acidente. E nenhum psicólogo vai poder superar esse medo para mim.

Atualmente, fazendo um mergulho profundo na minha alma, descubro em um livro chamado Segredo da Sombra que as coisas que nos acontecem fazem com que percamos a fé em nós mesmos.

Nós criamos a nossa história de vida a fim de nos tornarmos alguém ou alguma coisa.

Nossas histórias contêm a chave para nossas realizações.

Na nossa essência carregamos o melhor de Deus, muitas vezes corrompido e destruído pelos acontecimentos mundanos.

A menina que eu trazia dentro de mim, pode dormir sossegada.

Quero ser alguém que libere para o mundo o seu potencial e dê o seu melhor.

Aprendi fazer as coisas com mais amor e valorizo cada toquinho de lápis que existe.

Aprendi a calçar as sandálias da humildade.

Lembro-me de uma história ouvida de uma Diretora de escola que se chama “Milho de pipoca”.

Com essa história e sua reflexão, aprendi que eu preciso muito dos outros e que eu não posso continuar a ser piruá.

È muito gostoso se relacionar com as pessoas, ser sociável, ter amigos e amigas e amar na dor, no amor e aprender a perdoar.

Especialmente perdoar a si mesmo.

Nunca vou ser totalmente perfeita, mas tenho amadurecido muito no meu egocentrismo, ou egoísmo.

Lembro-me de um livro de Erica Jong, chamado “Medo de voar”.

E de outro de Collete Dowling, chamado “Complexo de Cinderela”.

Essa mulher que sou, nasceu mais forte através da análise cuidadosa desses livros.

Se eu não conseguir superar esse medo de dirigir, vou sim, pisar em um consultório de psicologia.

Mas eu refletirei um pouco mais na minha história de vida e posso descobri de repente, que quem tem medo de dirigir é a menina, que quer ser dependente e que tem medo de crescer, como Peter Pan.

Talvez a mulher de 38 anos possa entrar naquele carro e sair pipocando por aí.(Mas não pode pipocar muito, senão provoca acidentes).

Em breve um novo capítulo dessa história. Mas sem ter um poste no meio, ou um motorista alcoolizado para bater na traseira do carro.

MILHO DE PIPOCA


MILHO DE PIPOCA QUE NÃO PASSA PELO FOGO

CONTINUA A SER MILHO PARA SEMPRE.

ASSIM ACONTECE COM A GENTE.

AS GRANDES TRANSFORMAÇÕES ACONTECEM QUANDO PASSAMOS PELO FOGO.

QUEM NÃO PASSA PELO FOGO FICA DO MESMO JEITO A VIDA INTEIRA.

SÃO PESSOAS DE UMA MESMICE E UMA DUREZA ASSOMBROSA

SÓ QUE ELAS NÃO PERCEBEM E ACHAM QUE SEU JEITO DE SER É O MELHOR JEITO DE SER.





MAS, DE REPENTE, VEM O FOGO

O FOGO É QUANDO A VIDA NOS LANÇA NUMA SITUAÇÃO QUE NUNCA IMAGINAMOS: A DOR

PODE SER FOGO DE FORA: PERDER UM AMOR, PERDER UM FILHO, O PAI, A MÃE, PERDER O EMPREGO OU FICAR POBRE.

PODE SER FOGO DE DENTRO: PÂNICO, MEDO, ANSIEDADE, DEPRESSÃO OU SOFRIMENTO, CUJAS CAUSAS IGNORAMOS.

HÁ SEMPRE O RECURSO REMÉDIO: APAGAR O FOGO!





SEM FOGO O SOFRIMENTO DIMINUI, COM ISSO, A POSSIBILIDADE DA GRANDE TRANSFORMAÇÃO TAMBÉM.





IMAGINO QUE A POBRE PIPOCA, FECHADA DENTRO DA PANELA, LÁ DENTRO CADA VEZ MAIS QUENTE PENSA QUE SUA HORA CHEGOU: VAI MORRER

DENTRO DE SUA CASCA DURA FECHADA EM SI MESMA, ELA NÃO PODE IMAGINAR UM DESTINO DIFERENTE PARA SI.





NÃO PODE IMAGINAR A TRANSFORMAÇÃO QUE ESTÁ SENDO PREPARADA PARA ELA.





A PIPOCA NÃO IMAGINA AQUILO QUE ELA É CAPAZ.





AÍ, SEM AVISO PRÉVIO, PELO PODER DO FOGO A GRANDE TRANSFORMAÇÃO ACONTECE: BUM!

E ELA APARECE COMO OUTRA COISA COMPLETAMENTE DIFERENTE, ALGO QUE ELA MESMA NUNCA HAVIA SONHADO.





BEM, MAS AINDA TEMOS O PIRUÁ, QUE É O MILHO DE PIPOCA QUE SE RECUSA A ESTOURAR.





SÃO COMO AQUELAS PESSOAS, POR MAIS QUE O FOGO ESQUENTE, SE RECUSAM A MUDAR.





ELAS ACHAM QUE NÃO PODE EXISTIR COISA MAIS MARAVILHOSA DO QUE O JEITO DELAS SEREM.





A PRESUNÇÃO E O MEDO SÃO A DURA CASCA DO MILHO QUE NÃO ESTOURA. NO E NTANTO, O DESTINO DELAS É TRISTE, JÁ QUE FICARÃO DURAS A VIDA INTEIRA.





DEUS É O FOGO QUE AMACIA NOSSO CORAÇÃO, TIRANDO O QUE NELE HÁ DE MELHOR.

ACREDITE QUE PARA EXTRAIRMOS O MELHOR DE DENTRO DE NÓS TEMOS QUE, PASSAR PELAS PROVAS DE DEUS.

TALVEZ HOJE VOCÊ ENTENDA O MOTIVO DE ESTAR PASSANDO POR ALGUMA COISA.

MAS TENHO CERTEZA QUE QUANTO MAIS QUENTE O FOGO, MAIS RÁPIDO A PIPOCA ESTOURA.





Enviado por: Sonia

Suas palavras são importantes - Envie sua história - ou dê um significado para uma palavra.






sexta-feira, 9 de julho de 2010

Sopa de letrinhas, educação como alimento


Alfabetizando




Teoria de Luiz Carlos Cagliari e prática de Patrícia



O distanciamento entre o que preconiza a teoria e o que acontece na prática é absolutamente imenso.

De um lado, temos Cagliari, com todas as suas críticas sobre as cartilhas. A ênfase de sua crítica é dizer que cartilha vem de carta, e que tinha o direcionamento religioso dos jesuítas a fim de inculcação ideológica.

Do outro lado, temos Capovilla que critica fortemente o que foi feito do construtivismo em terra brasilis, adotando a “alfabetização construtivista “ de Piaget e que é um mecanismo perverso para formar analfabetos funcionais.

Ainda de outro lado, temos Kátia, professora tutora da SME de Assis que afirma, com ênfase, que o professor ou é construtivista ou fonético.

Ainda de outra ponta da linha, está Onaide S. Mendonça, que foi minha professora e de quem aprendi as teorias de Paulo Freire sobre a alfabetização e a palavra geradora.

E desse lado estou eu, que acho fascinante alfabetizar e que nem quando estou de férias consigo relaxar e descansar.

E ainda de um último lado, temos Lourdes Rodelling, Supervisora da SME de Assis, que resolveu me crucificar e dizer que não tenho perfil para alfabetizar.

Mesmo depois de ter alfabetizado a maioria das crianças do Pré III, com a ajuda de Marcos Hailler, projetos maluquinhos e fontes paradidáticas.

E no meio de toda essa confusão, temos os alunos, nossos queridos alunos e alunas.

Temos a Gisele* que não quer registrar conteúdos, começou o ano no pré silábico e está no mês de Julho com o silábico sem valor sonoro.

Temos o Kaíque* com a mesma situação da Gisele que também registra o que quer, na hora que quer, podendo vir diretora, coordenadora, estagiário, corpo de bombeiro e polícia que ele dá de ombros e grita esganiçado: “que qui é, hein?”

Temos a Silmara*, cuja letra garranchal passeia alegremente pelo caderno e é extremamente copista, há dois bimestres no nível silábico sem valor sonoro.

E a Mariana*, lindinha, cujo caderno é um mimo, mas que não avança de nível há exatamente dois bimestres.

Copiar, copia, mas não entende o conteúdo e não muda de nível.

O que fazer com essas crianças?

O Projeto Ler e Escrever tem sido bom na sala de aula, mas a metodologia utilizada faz com que a aplicação do mesmo fique muito lenta.

O que dizem?

Importa a forma como as crianças aprendem e não o conteúdo pelo conteúdo.

Importa o que tem por trás da sopa do neném.

Quando Cagliari afirma que a alfabetização passou a ser vista como questão de sobrevivência em todos os níveis da sociedade, como explicar o grande número de analfabetos funcionais que povoam o nosso querido e não tão alfabetizado país?

E ele sintetiza que os livros didáticos impediram a ação personalizada dos professores, passando a ser prejudiciais.

Então, nesse momento histórico vem um tal projeto que nos diz como fazer, o que fazer e de que forma fazer. (????????)

Continua o autor a dizer que o duelo dos métodos foi trágico, pois tirou do professor a autoridade, o controle, a administração do como fazer e porque fazer.

Num replanejamento recente, uma professora pergunta-nos porque decidimos ser professores e ninguém respondeu algo muito profundo.

Eu pensei assim:

__ Decidi ser professora porque é muito emocionante ensinar algo a alguém.

Receber conhecimento, assimilá-lo e multiplicá-lo.

Mas triste, me calei.

E quando eu não agüentava mais, eu perguntei a professora ministradora do curso porque há tanta resistência até por parte dos professores aceitar a matemática do cotidiano do profº Bigode e porque os pais não entendem que o mundo mudou e que os filhos deles tem uma outra forma de aprender e que os professores tem uma outra forma de ensinar?

E qual a dimensão da Matemática no cotidiano?

Lembrei também que o homem entendeu que não tem cabimento sair por aí com um saco de pedrinhas nas costas para fazer as suas barganhas e inventaram o algoritmo,e o velho e bom dinheiro.



Percebi que ficou nervosa com a minha pergunta, mas não estamos numa democracia?

Posso perguntar, pois perguntar não ofende.

Cagliari diz: “Tiraram a competência do professor.”.

Grande sujeito, o Paulo Freire! Cagliari afirma que ele queria mesmo era alfabetizar, não queria saber de rotular os métodos.

Oh, sim e método é ferramenta e um bom artista com uma ferramenta inadequada não consegue bons resultados.

E tristemente se constata que todos os materiais, inclusive os PCN só dão ao professor o método.

Mas ele/ela deve ter autonomia para administrar a sua aula e dar a cada terra a semente certa.

Mas alguns diretores e diretoras ainda são do tempo que o caderno do aluno/aluna deve ser certinho, sem orelhas e com letra pedagógica e o método certo é o BA BE BI BO BU.

Quando Cagliari afirma que ninguém precisa escrever nada na vida se não quiser, o que importa é saber ler, imagino que seria um precursor de escândalos se fosse professor do Ciclo I.

Então, posso absolver a Gisele e o Kaíque, e dar a eles a semente certa.

Atividades diferenciadas todos os dias, o uso do alfabeto móvel, atividades lúdicas de alfabetização divertida, listas, trabalho com o nome próprio, e se precisar o método fônico ou a palavra geradora, que chamo de mágica, pois é mais apropriado.

E lhe agradeço Onaide, porque a Samanta* passou do nível silábico de valor sonoro para o silábico alfabético num espaço de um mês, pois eu utilizei algumas palavras geradoras.

Claro que o método bom é o que traz resultado e apesar das críticas de Cagliari, algumas atividades do projeto Ler e Escrever tem alavancado o processo do ensino aprendizagem da minha turminha.

Eu preciso ter autonomia e estar no controle.

Todas as professoras alfabetizadoras precisam ter um pouco mais de autonomia e poder assumir o controle de suas salas de aula.

Para finalizar, os nomes das crianças são fictícios, e eu não achei mal colocar alguns nomes como são, pois afinal não estou ofendendo ninguém.

O horror, o horror

O horror, o horror




Não gosto de escrever sobre a barbárie. A impressão que causa é que estou fazendo parte da horda sensacionalista que explora o infeliz caso dessa moça ingênua e apaixonada por atletas do futebol e esse ser monstruoso que inflingiu a pior dor aquela que um dia ao se relacionar com ele, concebeu e gerou dele..

Mas preciso falar do horror.

Talvez a dor passe se eu contar um pouquinho do que eu sei sobre a barbárie que é cometida contra a mulher.

Existe uma pseudo libertação da mulher do julgo escravista a que era submetida desde os primórdios da sociedade paternalista.

Mas hoje, o horror me mostra que é tudo muito igual.

Sem voz nem vez, as mulheres continuam a lutar pelos seus direitos, sobrecarregadas de seus deveres.

Defasagem de salários, condições injustas de negociação nesse mundo que é essencialmente masculino.

E quem é vítima dessa barbárie?

Todas as mulheres em maior ou menor grau.

Imagino a aflição daquela moça, indefesa e eu de certa forma, sem querer me expor, sou alvo da barbárie que se comete na Educação;

O que as vezes, se escreve sobre mim, de forma injusta e cruel, me conferindo um status que eu não tenho: o de não ser fiel ao meu ofício e nem o de fazer jus as minhas atribuições.

E são atos de covardia, como me tirar da sala de aula e me colocar num cargo administrativo numa biblioteca e me mandar limpar as prateleiras e o chão.

Como a Secretaria de Estado da Educação, ao me tirar o ganha pão porque eu não pude ir trabalhar em São Paulo, me dando todo tipo de prejuízo.

Sim, porque no passado, antes de conseguir me formar como Professora eu trabalhava como faxineira. E não tenho vergonha disso.

Até hoje, divido o meu tempo na educação com as tarefas do meu lar.

Toda mulher tem uma faxineira dentro de si. Afinal, quando a empregada falta quem vai fazer o serviço?

Isso de fato aconteceu. Mas já passou.

È um subproduto do imaginário coletivo sobre a Identidade cristalizada.

E voltando ao caso de Samudio, há quem ainda levante o dedo acusatório para ela, colocando como hipótese a paternidade do bebê.

Haverá quem a defina como culpada, por ter tentado dar o “golpe da barriga”?

Toda essa postura que a sociedade organizada adotará, não devolverá ao bebê a sua mãe;

E eu, que amamento, fico querendo esquecer, e me pergunto: será que a criança ainda era amamentada?

A dor, a subjugação, a humilhação dessa moça também é um pouco minha.



Do imaginário coletivo vão brotar expressões como as que eu li num twitter: “Eliza Samudio era gente da pior espécie, mas nada justifica o que foi feito com ela.”

Como no caso do estupro, a mulher sofre a violência e ainda é culpada.

Se eu pudesse falar algo aos avós do bebê, eu diria a eles:

Quando ela estava sozinha, gerando o filho do atleta, alguém se importou com ela? Alguém a procurou?

O que disse seu pai? Trate de resolver essas coisas logo.

Agora, com ela morta, a barbárie consumada, todos querem cuidar da criança.

Trocar o seu nome, inclusive.

Ao invés de ficarem brigando nos tribunais, se unam e aliviem o peso do fardo dessa criança, que já tem uma história de horror marcando sua vida.

E ao goleiro eu diria que segurar a Bíblia agora não vai diminuir a dor que voc~e causou.

E é só.

terça-feira, 6 de julho de 2010

A morte de Deus

A morte (?)de Deus




Nietzsche é um escritor pós cristão, como alguns afirmam. Ele que teve a coragem necessária para continuar a registrar e explicar o mundo depois do banimento da idéia de Deus.

Segundo um conceito bíblico, é a presença do anticristo no mundo;

Prescindir da idéia de Deus é uma possibilidade de desvencilhar da ideologia judaico cristã e abrir mão da fé , respirando um ar puro das idéias da condenação, do erro, do pecado, do sentimento de culpa;

Não é mais necessário se agarrar aos ditames do faça isso ou faça aquilo.

Viver sem o eterno medo da condenação, livres da culpa, do medo. Livres.

Ao olhar a vida humana, despida da promessa de ressurreição em Jesus Cristo, loge de uma ética espiritualizada, vejo um animal racional as voltas com seus mitos e lendas.

Fazendo suas reconstruções, tecendo a teia da vida, na tentativa de explicar e dar sentido as suas concepções de mundo e de homem.

Se apegando ao real, ou aquilo que seus sentidos e sentimentos captam como real.

Vejo-o entretecido com os produtos que a sua mente cria, inventando e reinventado mundos mitos e fatos; Eros, Thanatus, amor ódio, morte, nascimento.

Vejo a mim mesma me agarrando a minha fé e rejeitando a idéia de extirpar a fé em Jesus e na sua salvação.

Seria um alívio me libertar da idéia de Deus?

Ao fazer isso, liberto-me da obrigação de receber seus emissários, com a cantilena ensaiada que não resiste a um embate teórico mais aprofundado.

Libero em mim o grito selvagem da sobrevivência.

Para obras fundamentadas em valores morais bons, recebo a educação que me dá as construções da base moral e social, em valores, fazer o que é certo, o que é útil, o que é correto.

A força estranha

Dentro de um contexto humano, aonde chegam as minhas limitações e o desejo de agradar a minha carne, está a presunção de abdicar da idéia de Deus;

A fé cega e a faca amolada é o contexto de Deus ocidental que tudo vigia, tudo controla e tudo pune;

Mas a essência do que é Deus, dentro de um contexto espiritualizado é mais do que isso.

È uma força que vem, inexplicavelmente e não é um produto do meu corpo, pois é uma energia poderosa e indescritível que não depende de mim para existir.

Não sei a sua origem e os meus sentidos são limitados para compreender essa força que é Deus, como criador e doador da Vida;

O referido autor, que proclamou a morte de Deus, acabou morrendo pela loucura da sua carne e a impossibilidade de seus afetos destinados a uma só mulher.

E a cada dia, o milagre da vida continua, e toda a vida ressurge e renasce e sempre há um novo amanhecer.

Nietzsche morreu.

Deus continua vivo no coração e na alma do que crê.