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quarta-feira, 28 de julho de 2010

Dráuzio Varella, o poeta do caos

Dr. Dráuzio Varella faz uma medicina poética.
Pronto, esse é o meu conceito sobre a medicina de Draúzio, imbuído da poesia que há em meu olhar, que vejo poesia em tudo.
Faz coisas curiosas e incomuns em seu exercício de medicina.
Dentro do presídio, seu olhar apurado fixou-se em formas breves de vida com conteúdos frágeis e perenes, pois sobrevivem a dor.
Do salmo 91, recitado por um presidiário em meio a corpos violentamente feridos e abatidos, até a vaidade trágica da travesti vivida por Rodrigo Santoro, no filme "Carandiru".
Varella comentou, a Ilustrada de 20/07 que não consegue viver em visitar os presídios.
Sua vocação é viver no limite, ajudando vidas limítrofes.
E. no caso, faz poesias sem saber, ao trabalhar com as mãos, curando, restaurando, dando dignidade a vidas anônimas e sofridas.
Se eu fosse espiritualista, diria que o médico é um espírito superior encarnado e benfajezo.
Acompanhar a vida se fazendo nos ventres de mulheres grávidas em um programa de Tv.
Acompanhar a vida se desfazendo em presídios onde as pessoas sobrevivem, apesar do caos e da dor.
Sua função maior é acreditar na vida.
Crer que a vida, soberana por natureza, deve nascer todos os dias dessas formas destruídas pelos seus procedimentos, pelos seus conteúdos.
Pois, as formas, como nas salas de aulas, são paralelas aos conteúdos.

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