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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A postura de Hillary Clinton sobre as questões de gênero




Entrevista com Hillary Clinton: uma nova agenda para as mulheres
Hillary fala dos objetivos do governo Obama nas questões de igualdade de gênero e defesa dos direitos da mulher ao redor do mundo
Mark Landler/ NYT 21/09/2009 14:36



Hillary Clinton em discurso



Hillary Rodham Clinton sustentou sua posição como advogada para os problemas globais das mulheres em 1995, quando, como primeira-dama, proclamou um discurso apaixonado na conferência da ONU em Pequim. Como secretária de Estado, ela criou uma nova posição, embaixatriz dos problemas globais das mulheres, e recrutou Melanne Verveer, sua ex-chefe de equipe, para preenchê-la. E ela tem atraído atenção para as mulheres em praticamente todas as paradas em suas viagens, mais recente em uma visita de 11 dias à África, durante a qual, entre outras coisas, foi para o leste do Congo para falar sobre estupros em massa.
Horas antes de partir para tal viagem, Clinton discutiu os assuntos das mulheres e a política internacional da administração de Obama durante 35 minutos em seu elegante escritório no sétimo andar do Departamento de Estado. A seguir uma versão condensada e editada de nossa conversa.
Na audiência de confirmação, você disse que colocaria os problemas das mulheres no núcleo da política internacional americana. Mas como você sabe, em muitas partes do mundo, a igualdade de gêneros não é aceita como um direito humano universal. Como superar essa resistência cultural arraigada?Hillary - Deve-se reconhecer o quão arraigado é, mas também é preciso atingir um entendimento de como muitas das metas que perseguimos na nossa política internacional são inatingíveis, ou muito mais difíceis de atingir, sem oferecer mais direitos e responsabilidades para as mulheres.
A democracia não significa nada se metade das pessoas não pode votar, ou se o voto não conta, ou se o grau de instrução é tão baixo que o exercício do voto é posto em dúvida. É por isso que, quando viajo, faço eventos com mulheres, converso sobre os direitos da mulher, me encontro com mulheres ativistas, coloco as preocupações das mulheres para os líderes com os quais converso.
Acredito que a transformação nos papéis das mulheres é o último grande impedimento do progresso universal – fizemos progresso em muitos outros aspectos da natureza humana que costumavam ser barreiras discriminatórias para a participação total das pessoas. Mas, em muitos lugares, e de muitas formas, a opressão das mulheres permanece como lembrete absoluto de como é difícil perceber o potencial humano total.
Estou curioso sobre as prioridades que você está estabelecendo. A administração Obama vai ter uma questão marcante – combate à exploração sexual ou à violência baseada em gênero, ou mortalidade materna, ou educação para garotas – na forma que o combate ao HIV veio a simbolizar a estratégia da administração Bush?Hillary - Temos como uma questão marcante o fato de que as mulheres e meninas são fator central na nossa política externa. Se você olhar para o que precisa ser feito, em algumas sociedades, é um problema diferente do que em outras. Em algumas das sociedades nas quais as mulheres são destituídas de poderes políticos e econômicos, elas têm acesso à educação e plano de saúde. Em outras sociedades, pode até ser que elas votem, mas bebês do sexo feminino ainda estão sendo expostos para morrer.
Portanto não é um programa específico, como uma política. Quando o assunto é nossa agenda global de saúde, a saúde materna agora é parte do alcance da administração Obama. Estamos orgulhosos do trabalho que esse país fez, por meio da Pepfar, contra o HIV/AIDS (o Plano Emergencial do Presidente para a Combate à AIDS foi iniciado por George W. Bush em 2003). Saímos de uma compreensão de como lidar com a AIDS global para um reconhecimento de que agora é uma doença feminina, porque as mulheres são as mais vulneráveis e geralmente não têm força para se defender. E são cada vez mais as jovens e até meninas.
Mas mulheres morrem a cada minuto de cuidados de saúde materna precários. Você sabe, HIV/AIDS, tuberculose, malária – todas são, infelizmente, assassinas de oportunidades iguais. Saúde materna é uma questão feminina; é uma questão familiar; é uma questão infantil. E o fato de que os Estados Unidos dizem aos países que têm taxas de mortalidade maternal bem elevadas, “Nós nos preocupamos com o futuro de suas crianças, e para fazer isso, nos preocupamos com o presente de suas mulheres”, é uma declaração poderosa.



Hillary em visita à Índia
Você tem um ponto de vista sobre o que deve vir primeiro: fortalecer as mulheres economicamente e depois esperar que elas adquiram papel político por elas mesmas? Ou você busca dar mais posição e esperanças legais e políticas e esperar que possam ganhar espaço na esfera econômica?


Hillary - É uma grande questão, porque acho que o registro histórico mostraria que ambas as rotas funcionaram. As mulheres não estavam fortalecidas economicamente quando enfim incluímos o direito ao voto feminino em nossa Constituição. Então os direitos das mulheres foram expandidos em 1920, e isso abriu muitas portas para que elas se vissem em papéis diferentes, incluindo econômicos, fora do lar.
A Índia é uma democracia há 60 anos, e estendeu o voto para todos, para toda casta, homens e mulheres igualmente. Então as mulheres puderam votar, mas sem fortalecimento econômico não tiveram a influência que os votos deveriam ter trazido, motivo pelo qual o governo da Índia tem dado tanta importância para a extensão das oportunidades econômicas e políticas igualmente para as mulheres.
E quando visitamos a AMAE, a Associação das Mulheres Autoempregadas (na Índia), aquelas mulheres tinham o voto antes de nascer, mas ao serem fortalecidas economicamente, ao serem capazes de se defender dentro das famílias, nas ruas ou nas vilas, lhes dá um sentido de autonomia e autoridade que apenas o voto não pode ter.Em suas viagens como secretária de Estado, você se enfocou pesadamente no papel do microempréstimo. Há um motivo nesses primeiros dias para tender a enfatizar o econômico sobre o político?


Hillary - É interessante: é parcialmente por conta de onde fui. É também porque trabalhei com microcrédito desde 1983, voltando para o Arkansas e outros projetos nos quais trabalhei com meu marido lá.
Também fico fascinada com toda pesquisa de opinião pública internacional que vejo, que a primeira coisa que a maioria dos homens e mulheres quer é um bom emprego com um bom salário. Está no núcleo da aspiração humana poder sustentar-se, dar um futuro melhor para suas crianças. As microempresas são criadas unicamente para fortalecer as mulheres porque – por meio da tentativa e erro de seu desenvolvimento, se retomarmos a invenção de Muhammad Yunus em Bangladesh – as mulheres são muito melhores ao investir em bens futuros do que os homens que participaram do microcrédito se mostraram. E elas também são bem confiáveis em pagar de volta, porque ficam muito ansiosas para ter a ajuda extra e o reconhecimento que o microcrédito oferece.
Portanto, não faço distinção entre fortalecimento econômico e político, e fortalecimento social; acho que é justo dizer que ambos precisam andar lado a lado.
Existem especialistas em contraterrorismo que fizeram a observação que países que nutrem grupos terroristas tendem a ser as mesmas sociedades que marginalizam as mulheres. Você vê ligação entre a sua campanha sobre problemas femininos e nossa segurança nacional?Hillary - Acho que há uma ligação absoluta. Se você olhar onde estamos lutando contra o terrorismo, há uma conexão com grupos que estão se portando contra a modernidade, e isso é mais evidente no tratamento das mulheres.
O que tem a ver impedir garotinhas de ir à escola no Afeganistão, jogando ácido nelas, com manter um confronto contra uma opressão externamente? É uma projeção da insegurança e da desorientação que muitos desses terroristas e seus simpatizantes sentem com relação a um mundo mutável rapidamente, onde eles ligam a televisão e veem programas com mulheres que se comportam de modo que nem podem imaginar. A ideia de que jovens mulheres em suas próprias sociedades perseguem um futuro independente é profundamente ameaçadora para os valores culturais deles.
Muitos dos países onde os abusos contra as mulheres são mais intensos são também os que têm uma importância estratégica vital para os Estados Unidos: Paquistão, Arábia Saudita, Índia. Como você pode advogar agressivamente em prol das mulheres sem arriscar esses relacionamentos estratégicos?


Hillary - Bem, em vários desses relacionamentos estratégicos, há um comprometimento em avançar os papéis e direitos das mulheres. Na Índia, as mudanças que foram feitas são memoráveis. Ainda há dezenas de milhares de mulheres muito pobres, mas as mulheres têm tido cada vez mais responsabilidade; elas são vistas em posições públicas e também econômicas, em que a estatura delas é aceita pela sociedade.
Quando me encontro com as lideranças chinesas, assim como fiz no Diálogo Estratégico e Econômico, elas têm mulheres que são parte da equipe de liderança, e as mulheres estão assumindo papéis econômicos e políticos mais importantes.
Obviamente, há trabalho a ser feito tanto na Índia quanto na China, pois o infanticídio de bebês do sexo feminino ainda é impressionantemente alto, e infelizmente, com a tecnologia, os pais podem usar o ultrassom para saber o sexo da criança e abortar as meninas simplesmente porque preferiam ter um menino. E essas são atitudes profundamente fixas. Mas no nível governamental, há uma grande dose de abertura e comprometimento que estou vendo.
Em outras sociedades onde temos interesses de segurança estratégicos, é um desafio avançar a agenda de forma que inclua as questões das mulheres. Quando fizemos nossa revisão de estratégia no Afeganistão, dissemos claramente: “Não podemos ser tudo para todos no Afeganistão”. Temos que nos focar em algumas preocupações críticas. Mas uma deles foi o papel das mulheres, e a participação delas na sociedade.

Hillary Clinton em Luanda


Deixe-me fazer uma pergunta sobre a Índia, onde acabamos de concluir um acordo de Diálogo Estratégico. Não percebi tanta ênfase no combate à exploração sexual na sua viagem, apesar de estar claro que a Índia figura como a capital mundial da prostituição e exploração sexual. É possível fazer um esforço com os indianos no mesmo momento em que estamos tentando fazer tantas outras coisas com eles?


Hillary - Com certeza, e na verdade, fazemos isso todos os anos com nosso relatório anual sobre tráfico de pessoas. É uma prioridade elevada para mim, e é tratada como parte de nossas discussões correntes que temos com muitos países. Em uma democracia como a Índia, existe um desafio de levar à palavra até a jurisdição local – a polícia local, os juízes locais, as autoridades locais. Mas não tenho dúvida da seriedade com a qual o governo deles aborda a questão.
Será que alguns dos bilhões de dólares que os Estados Unidos gastaram em apoio militar ao Paquistão desde o 11/09 poderiam ter sido mais bem gastos em educação e planos de saúde para garotas e mulheres?


Hillary - Sim. A resposta é sim, e em minhas reuniões com o então presidente Musharraf em 2003, 2005 e 2007, e neste país também, falei sobre isso o tempo todo.
Lembro-me de visitar uma vila a cerca de 45 minutos de Lahore, quando estive no Paquistão como primeira-dama, e nos encontramos com um grupo de mães e avós na vila. E elas queriam muito ter uma escola de nível secundário para as filhas, assim como os filhos tinham. Mas a escola para os filhos não era na vila, então eles tinham que viajar. Ninguém podia imaginar as filhas saindo da vila para continuar a educação.
E quando penso nos extraordinários paquistaneses nas profissões, na medicina, na educação, acho que é certamente o caso de que se o Paquistão tivesse investido mais na educação de crianças para que as famílias pobres não tivessem que mandar seus meninos para fora e serem educados por extremistas, poderia ter feito a diferença. E ainda pode, porque isso é parte de nossa abordagem agora.
Porque também é uma questão de como distribuímos nossos recursos.


Hillary - Está certo, e com os projetos de lei de Karry-Lugar/Berman, que oferecem ajuda a esses tipos de propósito no Afeganistão, esperamos tentar compensar o tempo perdido. (Esses projetos de lei do Senado e da Câmara estão sendo finalizados atualmente no Congresso.)
Violência baseada no gênero é um problema enorme em muitas partes da África, e em lugares como Congo, o estupro, como se sabe, é um instrumento de guerra. Como você, ou qualquer outra pessoa, conseguiria combater isso?


Hillary - O presidente Obama, eu e os Estados Unidos não vamos tolerar essa violência devassa, sem sentido e brutal perpetrada contra meninas e mulheres. Não sabemos exatamente o que podemos fazer, mas vamos fornecer ajuda e algumas ideias sobre como organizar melhorar as comunidades para lidar com isso.
Essas milícias, que perpetuam muitos desses estupros e outros ataques horríveis contra meninas e mulheres, são bem pagas, ou percebem os desperdícios de proteger as minas. Essas minas, que são um dos grandes recursos naturais do Congo, produzem muitos dos materiais que vão em nossos celulares e outros eletrônicos. São dezenas de milhares de dólares que são injetados nessas milícias que se traduzem em um sentido de impunidade que é então exercido contra os membros mais fracos da sociedade.
O embaixador de crimes de guerra, Steve Rapp, tem a distinção de estar entre os primeiros promotores internacionais a ganhar um caso contra violência de gênero, e quis especificamente que ele assumisse esse papel, pois quero destacar essa questão.
Estive em vários eventos femininos com você, onde os homens da plateia se distraíam em seus BlackBerrys ou cochilavam depois de alguns minutos. Como mudar a mentalidade, não apenas em outros continentes, mas em casa e nesse edifício, que tende a ver as questões femininas como um gueto rosa?


Hillary - Percebendo os argumentos que estou dando aqui – que os chamados “problemas femininos” não atingem somente as mulheres, mas são problemas de estabilidade, de segurança, de equidade. O Banco Mundial e muitos outros analistas provaram várias vezes que onde as mulheres são destratadas, onde lhe são negados direitos iguais, você encontrará instabilidade que frequentemente serve como incubadora do extremismo.
Uma mulher que tem segurança suficiente na própria vida para investir nas crianças e vê-las indo para a escola não vai ter tantas crianças. As batalhas de recursos na água e na terra serão diminuídas. Isso tudo está ligado. E é uma questão de como usamos as forças dura e leve, assim chamadas, e as usamos para avançar não somente nos fins americanos, mas ao avançar o progresso global, estamos tornando o mundo mais seguro para as nossas próprias crianças.
No mês passado, em Nova Déli, uma jovem mulher lhe fez uma pergunta interessante: Como você vê o progresso das mulheres na Índia e nos Estados Unidos? Ela apontou que a Índia elegeu uma mulher como primeira-ministra dentro de três décadas de independência, enquanto os EUA ainda não elegeram uma presidente mulher. Existe alguma lição da sua própria campanha presidencial que você pode usar e levar a outras mulheres em outros lugares do mundo?Hillary - Bem, você me ouviu falar sobre isso em muitos cenários, do Japão à Coreia do Sul, à Índia, à América Latina (risos). É uma das perguntas mais comuns que me fazem, ao lado da pergunta sobre como posso trabalhar agora para e com o presidente Obama, já que ele e eu disputamos tão vigorosamente um contra o outro. Está claramente nas mentes de mulheres jovens. E acho isso emocionante e gratificante.
Minha campanha, por muitos milhões de razões, deu bastante esperança a várias mulheres jovens. Ainda é o comentário mais comum que as pessoas fazem para mim: “sua campanha me deu coragem” ou “sua campanha fez diferença na vida da minha filha” ou “voltei para a escola por causa da sua campanha”. Então, é um assunto pendente, e as jovens sabem que é um assunto pendente.
A vasta maioria delas nunca vai concorrer a um cargo político no país. Mas elas podem decidir buscar uma educação que as famílias não aprovam, ou se mudarem por conta de um emprego que é um pouco assustador para elas, mas que sentem ter as habilidades para realizar. Ou se levantar e falar contra a injustiça que veem. E é a onda que está montando – e não dá para impedir.
Vivo por esses momentos, em que vejo uma mulher se levantar na AMAE - uma mulher pobre e analfabeta – e dizer: “Sou a presidente da AMAE; 1.1 milhão de mulheres votou”. Quer dizer, que grande feito para ela. Portanto, tenho muita alegria de fazer esse trabalho. Acho que é bem importante, mas é extremamente tocante ver que as vidas desses indivíduos mudaram por causa de algum evento ou discurso, que você não tinha ideia do porquê de ter causado impacto neles.
(Mark Landler é correspondente diplomático do The New York Times.)

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

A proletarização da Universidade


O utilitarismo da função docente na Universidade e os objetivos da apropriação do conhecimento pelos educandos


O utilitarismo é funcional nesse mundo capitalista."Conhecer" o mundo ,como meta acadêmica, somente é uma possibilidade que se esgota em si, já que perde o seu sentido, pois no mundo real há contas a pagar e filhos para criar.

Até os professores universitários os tem.A ação pedagógica de prover ensino somente para a classe abastada, não tem nada de superior em si, já que é tão ou mais capitalista ou reducionista quanto a idéia de proletarização das Universidades.

"Transformar" o mundo tem um sentido mais objetivo é útil a medida que essa transformação seja racional.Ser útil e ter utilidade são males necessários ao sistema.

O acesso ao conhecimento erudito e o domínio das formas superiores de ser, estar e pensar, não deve ser restrito só aos bem nascidos.

Os mal nascidos, os favelados disputam o mesmo espaço que os de elite.

A massa famélica, faminta, pode invadir os campos protegidos pelos muros e grades dos selecionados e bem nutridos.

Então, todos serão homens e mulheres, humanos demasiado humanos, numa disputa geopolítica sangrenta.

Talvez aí resida o perigo do discipulado dos gestores de favelas.

Quando essa disputa acontecer,o ato não acontecerá na Universidade com ares de circo,será na arena.

E na arena ( romana ou espanhola) estão os touros irracionais. É matar ou morrer.

Prestemos atenção ao homem (espécie humana, descontada a exclusividade da relação de Gêneros).

Prestemos atenção nesse espaço que é a Universidade que se proletarizou com uma pitada de arte circense.

É nesse campo que nascem que nascem os conflitos originários das rupturas.

E são nas rupturas que a práxis tem elemento fértil.

Lembremos de Rosseau: " Viver é o ofício que quero ensinar saindo de minhas mãos, ele não será, concordo, nem magistrado, nem soldado, nem padre, ele será primeiramente um homem".




domingo, 13 de setembro de 2009

Menina nuvem

Obra de Kandinsky
Menina nuvem

Algumas obras de Kandinsky


Histórico de Kandinsky

Wassily Kandinsky nasceu em Moscou (Rússia) em 1866 e morreu em 1944 em Paris (França). Pintor e escritor, Kandinsky formou-se em Direito e Economia. Seu interesse pela pintura veio do impacto que lhe causou a exposição de 1895, dos Impressionistas franceses, apresentada na Rússia. Viajou a Paris em 1896, decidido a dar início a seus estudos artísticos, aos trinta e um anos de idade. Seguiu para Munique onde, sob a tutela de Anton Azbé, estudou pintura por dois anos, prosseguindo, em seguida, os estudos com o professor da Academia de Munique, Franz von Stuck. Kandinsky recebeu nesta época influências dos trabalhos de Gauguin, dos Nabis e de Seurat. Influenciado pelo Art-Nouveau, que atingia toda a Europa, Kandinsky, aliando-se ao espírito de época, fundou em 1901 uma associação de artistas chamada Phalanx (Falange).

Kandinsky


Kandinsky

Exposição de Arte

Kasemir Malevitch faz parte da exposição artística no Centro cultural do Banco do Brasil, em São Paulo.
Suas obras segundo Gullar, rompe com a figura para expressar a sensibilidade da ausência do objeto.

Pensadores contemporâneos













Artigo Fonte: Folha de São Paulo 13/09/09
Referências Bibliográficas: Wikipedia, a enciclopédia livre)
Kasimir Severinovitch Malevich, transliteração do cirílico Казимир Северинович Малевич (Kiev, 12 de fevereiro de 1878São Petersburgo, 15 de maio de 1935) foi um pintor abstrato soviético. Fez parte da vanguarda russa e foi o mentor do movimento conhecido como Suprematismo.
Kazimir Malevich nasceu perto de Kiev, Ucrânia. Seus pais, Seweryn e Ludwika Malewicz, eram poloneses étnicos e ele foi batizado na Igreja Católica Romana. O pai foi supervisor nas refinarias de açúcar, pelo que era obrigado a viajar constantemente.
Em Parjómovka, Kazimir completa os cinco anos de Escola de Agricultura; gosta do campo e aprende por si mesmo a pintar as paisagens e os camponeses que o rodeiam. Em Konotop dedica-se exclusivamente a pintar e produzir a sua primeira obra. Em meados dos anos noventa consegue ser admitido na Academia de Kiev.
Em 1904, após a morte de seu pai, Malevich mudou-se para Moscovo, onde estudou na Escola de Pintura, Escultura e Arquitectura de 1904 a 1910 e no estúdio de Fedor Rerberg, em Moscovo (1904-1910). Foi um período de muitas descobertas para o jovem artista. Em Moscou, graças a coleções importantes de quadros franceses de S.I. Chtchukine e de I.A. Morozov, Malevich conheceu o impressionismo, o cubismo e o fovismo.




domingo, 6 de setembro de 2009

Em que o Sr. Gilberto acredita?

No que Dimeinsten acredita?


" A melhor segurança dos ricos não está nos seus muros nem no policiamento privado.Está na chance de idéias como o bairro -educador de Heliópolis darem certo e se espalharem pelas regiões metroplitanas.
Imaginar-se seguro numa sociedade que não para de produzir marginais é semelhante a apostar que o dinheiro debaixo do colchão serve como segurança contra o crime." ( Folha de São Paulo, 06/09/09)

Mais uma vez essa idéia: pobres gerando marginais. E a saída está na Educação.
Mas o pobre não está acreditando mais na Educação. Pois os professores e as professoras não tem suporte nem estrutura psicológica e nem material para educar com qualidade.

Uma outra realidade


Pobre proletário gera violência e criminalidade, eis a essência da opinião crua desse autor.E a quantidade de filhos está relacionada a baixa escolaridade da mulher.Bem, o que se sabe é que há uma candidata a reitora de uma renomada Universidade que tem seis filhos.e que eu, com superior completo, tenho quatro.

Como nunca pude contar com um plano de saúde,já que não acredito neles, as minhas cesarianas foram feitas pelo SUS.E também porque não tenho dinheiro para pagar um quarto 100% particular. Paguei o IAMSPE um ano e meio e quando eu precisei, fiquei na mão.

O SUS nunca me deixou na mão, ruim ou bom.

Então existem mitificações em torno de certas construções sobre o social.

Tenho algumas dificuldades para criar os meus filhos e filhas. Não possuo ainda casa própria.

O que me preocupa é que autores formadores de opinião divulgam essas idéias perigosas.A periculosidade dessas idéias é que o tratamento dado a famílias paupérrimas é o que aconteceu no mês passado: tratores entraram na parte miserável de uma favela jogando os barracos das pessoas no chão e destruindo os seus pertences.SEM AO MENOS AVISAR.
Crianças, velhos, mulheres e até um cadeirante estão ao relento sem comida,nem água, nem banheiro.Uma mulher que tinha acabado de chegar do trabalho resgatou dos escombros metade da carteria de vacinação de um de seus filhos.E o Datena, furiosamente, perguntava por uma assistente social ou por alguma ajuda da Prefeitura, gestão Gilberto Kassab.
Sabe-se que construíram outros barracos exatamente no mesmo lugar.Uma tristeza.

Uma bárbarie.

Quando a minha família veio de S. Paulo éramos sete: meus pais e cinco crianças, inclusive eu.

O que eu vivi em Sâo Paulo com minha família, não desejo nem para o meu pior inimigo.

Lembro da minha irmã Adriana que morreu pois passou da hora dela nascer, pelo mal atendimento de um hospital público em São Paulo.

Lembro do meu irmãozinho Irineu, morto aos seis meses de idade com pneumonia, pela precariedade do atendimento médico.

Era a prole da minha mãe, mas eram o meu irmão e a minha irmã,e eu os amava.

Pobre, sr. Dimeisnten, não gera violência, gera amor.

O que gera violência é a canalhice dos políticos e a falta de amor de uma sociedade excludente.

Desigualdade social, algumas reflexões


Uma idéia interessante com Gilberto Dimeinsten




Existe a idéia de que baixo capital humano (pouca educação) gera baixo capital social (frágeis redes de solidariedade entre os indivíduos) o que explica, em boa parte, por que ainda somos tão desiguais e tão violentos.”.
Essa frase foi retirada de um site de Gilberto Dimeinsten. Conheci suas idéias na Faculdade com a Profª Yoshie Ussami Ferrari Leite.
Um artigo dele sobre a necessidade de produzir prazer na sala de aula, o prazer de educar e o prazer de aprender.
É problemático pensar em ter e gerar prazer na sala de aula, dada a situação que a professora e o professor brasileiros vivem.
Existem outras idéias mais interessantes no seu site.
Essa semana buscarei construir um conhecimento sobre a minha perspectiva sobre esse artigo de Dimeinsten que está contido no “Aprendiz”.
Essas idéias tratam do binômio baixa escolaridade e número maior de filhos.O autor analisa da seguionte forma: quanto mais filhos os pobres tem, maior a probabilidade de formar marginais.


Menos filhos, menos violência



A informação mais importante da pesquisa do IBGE que acaba de ser divulgada é a redução brusca do número de filhos das mulheres com baixa escolaridade. Se na década de 1970, mulheres com menos de três anos de escolaridade tinham em média 7 filhos, agora passou 3 -- e continua caindo. É uma boa notícia para quem está preocupado com a violência urbana.Há uma série de causas para a violência --e uma delas é a desestruturação familiar. Ou seja, a dificuldade ou até total incapacidade dos pais cuidarem de seus filhos, gerando um ciclo de marginalidade. A combinação de menos filhos por família com aumento da oferta de serviços públicos, especialmente educação (e desde a creche e pré-escola), é uma receita óbvia para termos sociedades mais integradas e, portanto, menos violentas. Até porque significam família com mais estudo e renda.Essa tendência ainda pode ser acelerada com programas de prevenção da gravidez em comunidades mais pobres como as favelas, onde, segundo estimativas, a média está acima dos três filhos por mulher.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O casebre


No casebre, estão seres humanos, homens, mulheres e crianças que devidamente orientados e ensinados, educados, poderão libertar-se de suas amarras e se construír.

Ao construírem-se construirão um mundo melhor ao seu redor e não envergonharão mais as sociedades de classe com sua pobreza, fome e imundície.

Um grito de liberdade ecoa. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

Quem crê que os pobrezinhos vão tomar o seu lugar e os impedem de subir pela escada da ascencão- dignidade pessoal, estão devidamente enganados.

A medida que a pobreza e a imundície aumenta no mundo, todos estarão afetados. Pois terão que construir muros e grades para defender seus bens.

Terão bens com fartura, mas não terão liberdade...

Uma lição de humildade


Uma lição de humildade

No velório do meu pai, eu o vi como se ele tivesse remoçado. Olhei com calma suas feições e ali, a despeito da sua morte trágica encontrei paz.
De todas as lembranças que eu tive naquele momento, lembrei-me que uma vez ele comprou um caderno universitário, de dez matérias.
Material inadequado para uma criança de 2ª série.
Ele foi devidamente repreendido pelo dono do caderno, meu irmão, e ficou um pouco desconcertado.
Respondeu que um dia um de seus filhos estaria em uma Universidade, assim como o seu sobrinho Wilson, filho da sua irmã, costureira, que já havia comprado uma casa na Rua General Osório, quase centro de Presidente Prudente, segundo suas palavras.
“... Ali aonde a Jacira mora, era tudo mato quando eu fui embora para S. Paulo, e agora está asfaltado, virou cidade e ela comprou uma casa, como dinheiro de sua costura...”
Para nós aquela possibilidade no momento era como se falasse que um dia iríamos morar em Marte.
Universidade era coisa para rico ou remediado, igual ao filho do japonês, dono do sítio, que sonhava fazer Administração de empresas e nos chamava de colonos. Colonizados.
Eu, na minha ingenuidade de criança, pedi ardorosamente a Deus, recém descoberto pelas lições de Helena, catequista, que um dia eu pudesse atravessar os portões de uma Universidade.
Por todos esses caminhos eu passei. Foi como se Deus tivesse me guiado.
Todas as ilusões estão morrendo. A própria universidade me mostrou um mundo inóspito, onde não cabem sonhos.
Mas eu continuo sonhando. Eu ainda sou aquela criança que amava seu pai a despeito de todas as suas falhas e do seu alcoolismo e que iria transformar em realidade o seu sonho.
Eu que ainda vou fazer Mestrado e Doutorado, para que se cumpra a promessa contida em uma música entoada atualmente por Padre Fábio de Mello: “À custa de uma enxada conseguiram ser Doutor”.
Foi na enxada que meu pai sustentou certo período de tempo seus filhos e filhas, antes que o alcoolismo lhe usurpasse a razão.
As ilusões morreram, mas o que era sólido ficou.
O amor ficou. A vontade de trabalhar e viver do suor do trabalho, lições preciosas ensinadas por meu pai ficou.
Em certa medida, apesar de seu vício, ensinou a maior das virtudes: a dignidade e o respeito próprio, a defesa de um ideal.
Paradoxal e práxico.
Mas é na práxis que se constrói a realidade do lutador e do construtor de sonhos, na Oficina de Jesus.
Jesus, filho de um carpinteiro ensinou uma lição de humildade hoje para Patrícia, filha de um lavrador.
E o lavrador ensinou a sua filha que por mais que pareçam impossível os sonhos se tornam realidade.








quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Síndrome de Burnout


SINDROME DE BURNOUT

O último informativo da APEOESP cita a síndrome de Burnout, que vez ou outra, acomete alguns docentes.
As sensações que eu verifico não podem ser classificadas de depressão, pois o estado depressivo se caracteriza da seguinte forma:
A depressão (também chamada de transtorno depressivo maior) é um problema médico caracterizado por diversos sinais e sintomas, dentre os quais dois são essenciais [1]: humor persistentemente rebaixado, apresentando-se como tristeza, angústia ou sensação de vazio e redução na capacidade de sentir satisfação ou vivenciar prazer.
Fonte: Wikipedia
Então, síndrome de Burnout se caracteriza com os sintomas que apresentam alguns docentes:
A síndrome de burnout, numa tradução livre do inglês significa combustão completa, é um estado de exaustão prolongada e diminuição de interesse, especialmente em relação ao trabalho, mas que pode causar também perda do desejo sexual.
Síndrome de burnout também pode ser intitulada de estresse ocupacional.
Segundo o psiquiatra Dr. Luiz A. Nogueira-Martins: ‘Há um estresse adaptativo do organismo (corpo e mente) às pressões internas (desejo, ambições, expectativas) e externas (pressões vinculadas ao exercício profissional e as condições de trabalho).
Sintomas
Sintomas físicos:
fadiga constante, cefaléias, distúrbios gastrointestinais , alterações do sono, dores musculares, alterações de peso, alterações cardiovasculares e perda da memória.
Sintomas psicológicos: dificuldade de concentração, humor depressivo, ansiedade, rigidez, ceticismo (não consegue acreditar em possibilidades positivas).



terça-feira, 1 de setembro de 2009

Helenas


AS DUAS HELENAS


Helena, mulher de Menelau, filha de Zeus e de Leda, irmã gêmea da Rainha Clitemnestra, que foi raptada aos onze anos de idade.
Era considerada a mulher mais bela do mundo.
Na mitologia grega, como diz Pasquale é isso. È isso.
Na vida real são duas Helenas que me decidem a vida. Mulheres.
A minha catequista, Helena Costa, que era bela, morena, de cabelos ondulados e longos. Tinha uma pinta na face esquerda.
Eu nutria um profundo respeito por ela, que sabia de coisas que eu não sabia do misterioso Jesus.
Um dia, Helena apareceu na aula com uma indisfarçável manchinha roxa no pescoço, oculta por um pouco de pasta de dente, ou outra pomada qualquer.
Ponto a menos. Santa com pés de barro.
Desmistificada. E é isso que os homens fazem com as mulheres, desmistificam-nas.
Aos trinta e sete anos de idade, conheci outra Helena. Uma Helena que ajudará a decidir sobre o meu emprego público.
Essa me surpreendeu também, posto que loura, de cabelos longos, parece uma artista de cinema. Voz ligeiramente rouca.
Imponente. Bela.
Eu não fiquei com medo, dada a seriedade da situação.
E também não me cabe mistificar essa Helena. Ela apenas é uma funcionária pública de escalão, que relata coisas da vida de funcionários públicos para seu superior imediato e sugere a eles, os segundos, que peçam exoneração, pois podem ser exonerados.Procuradora.
Helena me diz que não decide, só relata.
Quem decidirá será um homem. O Secretário da Educação. Educação? (!!???).
Outra vez um homem.
E as duas Helenas que ficarão na minha memória, vão ficar lá, lavando e cozinhando, no caso da primeira helena e dando ordens para as criadas, no caso da segunda.
E eu, que não sou helena, sou Patrícia, resgatarei minha origem nobre, por ainda, debaixo de tanta dor, poder tecer a teia do pensamento sensitivo sobre os atos dramáticos que se fazem no palco da vida.
Descobri que a minha querida helena, catequista, teve uma filha com anencefalia.
Deus desmistificado. Como pode ser bom, se permite a uma mulher que falava Dele para as crianças ter uma filha com esse problema?
È para que se manifeste nessa criança a sua Glória, diria a Bíblia.
Não sei se isso aconteceu. Não sei se a criança sarou.
Hoje, como diz Rubem Alves, estou triste.
Ele está triste com o PT. Partido dos Trabalhadores. Eu estou triste com outro PT. Patrícia traída.
Traída pelo imaginário da Democracia e pelo descalabro da Legislação e pela falácia do cumprimento da Constituição, o direito de ir e de vir.
Traída pelas paixões do Estado, que acoberta uns e pune outros. Indevidamente.
Assim, vamos remando o barco, até o Portal.
Fazendo juntos a nossa história e registrando ela na memória.Sem nos conhecermos e sem ao menos sabermos como as decisões que se tomam e as leis que foram criadas interferem tanto na vida uns dos outros.
Fechem-se as cortinas.
Passemos para o próximo Ato.