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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Síndrome de Caco Antibes





Meias palavras. O complexo de vira-latas do brasileiro transformado em Síndrome de Caco Antibes
Causando.
Contamina uma determinada Faculdade e todo o aparelho educativo.
Pena.
Se você não gosta de gente pobre e acredita que quem nasceu para tostão nunca chega a milhão, saiba que D.Pedro I proclamou a nossa (in) dependência em cima de um pangaré.
E que segundo os anais (bem sugestivo), o dia que proclamou a Independência estava com diarréia.
Que Napoleão Bonaparte era fruta, que Lawrence das Arábias gostou de ser aprisionado pelos soldados russos, que a Dona Florinda é um objeto de desejo dos Seu Madrugas da vida.
QUE ESSE MUNDO É MUITO LOUCO E A POLÍCIA NÃO SABE???
Saiba que aquele ranhento que não sabe o que é sabonete é que paga o seu salário no final do mês.
Saiba que os ricos só sobrevivem, como diz o nosso Jô comendo pobres, no sentido figurado e próprio da palavra.
(Lembra daquela Edileusa  que foi mandada embora logo que sua mãe descobriu que as suas visitas ao toalete rareavam?)



Estou cansada. Não quero falar de assunto chato.
Logo eu vou entrar na idade da LOBA. AUUUUU!!!
Os cordeirinhos que se cuidem.Dois de 20 por um de 40.
 Capaz. 
Beijo da Gooordaaa.




terça-feira, 29 de maio de 2012

A vida começa aos 40


A vida começa aos 40



Tão menina quanto aquela vez que quis fazer Teatro amador para ser chamada de Atriz.
Olívio enganou o Diabo e pediu o troco. Teatro Municipal de Presidente Prudente.Festival de Teatro amador de Paraguaçu Paulista. 
Besteirol.
 Não sinto o peso dos quarenta.
Minha alma é bela, jovem e alegre.
Ter quarenta anos é coisa de gente velha.
Eu sou Peter Pan. Neverland.
A vitrine da vida oferece mil petiscos. O duro é ter coragem para estender a mão e pegar um.
Tenho juízo é claro. Sempre tive juízo.
Quem sabe agora a vida me ensine a ter nenhum. Adoraria.
Djavan, Marisa Monte, Mozart. Adoro música.
Livros, livros e livros.
Mamãe? Minha velha senhora, que me ensinou as primeiras letras.Me ensinou a ser gente.
Papai? Uma lembrança daquele homem louco, que adorava uma biritinha. Como a filha. Mas a minha birita  é com juízo.Carinho.
Filhos? Almas em evolução.
Amores? Nem as paredes confesso. Mas ares  platônicos  machadianos e aristotélicos continuam  a me dar trabalho.Dói...
Ilusões. Mestrado.
Casamento? Sapato velho, que serve no pé. Às vezes caleja.
Faculdade?UNESP? Decepção. Síndrome de Caco Antibes.
Professores? Desmistificados, são menores;Mas devo a eles minha profissão e meu amor pela Educação.
Filme? O óleo de Lorenzo.
Melhor aluno ou aluna? Aquele que me honra.
Perfume? Boticário, Natura... Não conheço Channel.
Jornal? Folha de São Paulo;
Banco? Itaú, sonho com um 0.
Melhor livro: Pássaros feridos.
Eu sou... Plena, passional.
Terei quarenta. E continuo assim.
.Sou Claire,Zaíra, Carmem, Ana Hercília... Sou... Patrícia
Sou poetisa, menina, anciã,escritora,rezadeira,acredito em milagres, hare krishna hare, hare,  psicóloga de almanaque, faxineira, roceira,cozinheira, amante,amada,193.
As vezes, sem sucesso, com a verdade estampada na cara... 171.
Palavras que me definiriam: jade, turquesa, azul, céu,romã, travesseiro, mar,pedra, caminho, rosa, cetim, orquídea, papel de pão, xícara de chá,coração, TUM TUM TUM,você. Amém.
Já basta.
 Comemoro a vida.Causando.
Melhor poesia: Se... Rudyard Kipling.


Se

Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;

Se és capaz de pensar --sem que a isso só te atires,
De sonhar --sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;

Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
Resta a vontade em ti que ainda ordena: "Persiste!";

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra com tudo o que existe no mundo
E o que mais --tu serás um homem, ó meu filho! 

If

If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you,
If you can trust yourself when all men doubt you
But make allowance for their doubting too,
If you can wait and not be tired by waiting,
Or being lied about, don't deal in lies,
Or being hated, don't give way to hating,
And yet don't look too good, nor talk too wise;

If you can dream--and not make dreams your master,
If you can think--and not make thoughts your aim;
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two impostors just the same;
If you can bear to hear the truth you've spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
And stoop and build 'em up with worn-out tools; 

If you can make one heap of all your winnings
And risk it all on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breath a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: "Hold on!" 

If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with kings --nor lose the common touch,
If neither foes nor loving friends can hurt you;
If all men count with you, but none too much,
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds' worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that's in it,
And --which is more-- you'll be a Man, my son!


You´ll be a Woman my daughter











domingo, 27 de maio de 2012

O silêncio dos culpados


Do artigo da Ilustríssima


Silêncio ensurdecedor
A corrupção acadêmica e a crise financeira
 Fonte de estudos:Folha de São Paulo, caderno Ilustríssima
Autor:Charles Ferguson
Tradução: Clara Allan
(Para minha querida Hitléria)

Talvez não seja eu o tipo certo para permanecer na Educação. Tenho um olhar crítico e ativo, que me coloca em maus lençóis.
Em certas ocasiões, devemos fazer de conta que somos cegos, surdos e mudos, frase essa do Dr. Waldemar Cavina, que visitei semana passada.
E eu disse a ele que percebi ao longo da minha trajetória, que devemos aprender a engolir sapinhos e ele disse que devemos aprender a engolir sapões.
No entanto, existe um Jornal com força suficiente para tocar nos pontos nevrálgicos da corrupção acadêmica.
Nem esse Jornal escapa do filtro investigativo, porque nada e nem ninguém é neutro o suficiente para escapar das forças vivas da corrupção e do silêncio opressivo que sustenta uma estrutura corrupta e mortal, sem primeiro verificar o que é salutar para o seu próprio interesse.
Ou seja,a ética “do que eu vou ganhar com isso”.
No artigo em pauta, o jornalista, Charles Ferguson fala  de amplos conflitos de interesses  em universidades e institutos de estudos e entre pesquisadores acadêmicos.
Ele cita, por exemplo, a corrupção na área acadêmica médica, onde o dinheiro pode exercer uma influência perniciosa num campo supostamente objetivo e científico.
Ele coloca um atenuante, talvez, para se proteger, onde declara que existem mudanças na área médica em curso, aderindo às exigências de transparência.
 O problema da corrupção acadêmica hoje está tão entrincheirado que disciplinas e  universidades importantes estão gravemente comprometidas,escreve ele.
Cita um economista importante, Larry Summers, da era Obama,que cometeu,segundo o jornalista, uma sucessão bem documentada de erros e concessões.
Para se ter uma ideia,o economista recebeu U$ 135 mil dólares por um discurso.
E aqui no Brasil, não pode ser diferente. O funil se estreita cada vez mais.
E a corrupção e os conflitos de interesses ocorrem em todas as esferas.
A sociedade de controle , cooptadora de recursos faz com que só haja ascensão acadêmica a quem interessa e que esteja comprometido a manter o status quo da hegemonia dominante.
Como lá na área acadêmica, nos Estados Unidos, aqui no Brasil devemos manter  um silêncio que é ensurdecedor.
E as marcas da corrupção são sentidas em maior ou menor grau em todas as instituições, onde a neutralidade vai para o ralo.
Esse campo remete mais uma vez ao estudo da moralidade dos sujeitos, não para atravancar as mentes com conhecimentos inúteis, mas para alertar que ao reconhecer a impunidade e a corrupção devamos fazer algo.
Reconheço que as pessoas, principalmente políticos, empresários, líderes de Igrejas, vão se mantendo entre os estágios 1 e 2.
Abaixo, um resumo da teoria de Kholberg,que se suicidou.


A teoria do desenvolvimento moral é a mais conhecida de Kohlberg. Sua teoria, assim como a de Piaget, é universalista. Não afirma a universalidade das normas, mas a das estruturas que permitem a aplicação das normas em contextos precisos e proporcionam critérios para o juízo moral. Acredita que através de um processo maturacional e interativo, todos os seres humanos têm a capacidade de chegar à plena competência moral, medida pelo paradigma da moralidade autônoma, ou, como prefere Kohlberg, pela da moralidade pós-convencional.[3]
Os seis estágios de Kohlberg podem ser, generalizadamente, agrupados em três níveis de dois estágios cada: pré-convencional, convencional, e pós-convencional.[4][5][6]
Seguindo as exigências construcionistas de Piaget de um modelo de estágios, como exposto em sua teoria do desenvolvimento cognitivo, é extremamente raro regredir em estágios – perder o uso de capacidades de estágios mais altos. Não se pode pular estágios, cada um fornece uma nova e necessária perspectiva, mais abrangente e diferenciada de seu predecessores, mas integradas com eles.[7][8] Os estágios não avançam em "bloco", podendo a pessoa estar em determinado estágio em uma área, e em outro estágio em outra área.[9] Sua teoria é dinâmica, e não apenas estática. Potencialmente, todo indivíduo é capaz de transcender os valores da cultura em que foi socializado, ele não apenas os incorpora passivamente. Com isso, a própria cultura pode ser modificada.
Podemos esquematizar a teoria de Kohlberg da seguinte maneira:
Nível 1 (Pré-Convencional)
1. Orientação "punição obediência"
(Como eu posso evitar a punição?)
2. Orientação auto-interesse (ou "hedonismo instrumental")
(O que eu ganho com isso?)
Nível 2 (Convencional)
3. Acordo interpessoal e conformidade
(Normas sociais)
(Orientação "bom moço"/"boa moça")
4. Orientação "manutenção da ordem social e da autoridade"
(Moralidade "Lei e Ordem")
Nível 3 (Pós-Convencional)
5. Orientação "Contrato Social"
6. Princípios éticos universais
(Consciência principiada)

Não espero que todas as pessoas avancem para o nível 6,embora líderes de Igreja disfarcem muito bem que sejam detentores desse nível.
Parabenizo o Jornal por trazer a matéria referida onde encontro eco da minha própria inconformidade pessoal e social, do ponto de vista ético.
Ao educar uma criança desejo que ela viva num mundo melhor, e a minha reflexão não é vã.
Se esse nível de moralidade se manter, as teorias de Malthus vão se concretizar.
Embora acredite que a teoria malthusiana tenha a perversidade nazista,não posso deixar de reconhecer que se não houver controle de natalidade, os recursos se esgotarão e haverão calamidades públicas,como surtos de suicídios e homicídios em massa,motivados pelo fervor religioso e místico,que escraviza mentes e corpos a sujeições dignas de nota.





sábado, 26 de maio de 2012

Aprendendo a ser feliz


Ela estava Aprendendo a dar e receber amor. Descobriu através do amor, o seu caminho e propósito de vida. Um novo início para o amor. Novos padrões de comportamento em relação ao amor próprio. Liberta de traumas e agressões do passado que a impediam de viver relacionamentos mais verdadeiros e plenos.
Naquele dia tudo era diferente. Abriu a janela da alma e deixou a brisa que revigora entrar.
Tinha aprendido muito naqueles dias que amar não é sofrer e nem renunciar a coisa alguma.
Amar é sentir a vida, é sentir na quietude a completude perto do que se ama.
Não importava sua idade e nem as imperfeições do seu corpo, diante de uma tirania que oprime e obriga a viver com duas folhas de alface.
Ela era bela a seu modo e o amor colocava em seu rosto uma radiância nova e as vezes as lágrimas desciam pesadas e ela se recusava a lembrar de algo que poderia a afligir.
Encontrava-se novamente naquele canto esperançoso do coração, onde finalmente aprendera a identificar a metade que lhe faltara.
Aquele amor era um cântico novo em seus lábios e as coisas iriam ser diferentes.
Aprenderia a se permitir a felicidade.


quinta-feira, 17 de maio de 2012

O ranço do colonialismo na cultura brasileira


Colonialismo, para mim, é aderir aos valores advindos da cultura dos dominados face aos dominantes.
A cultura brasileira tem escritores que tem uma linguagem racista que vão impregnando e cristalizando o racismo e os seus filhotes que são a opressão e o preconceito na cabeça dos escolares.
Abaixo, uma mostra desse traço na cultura brasileira.

FERNANDO SABINO

A ÚLTIMA CRÔNICA

              A Última Crônica

                     Fernando Sabino


  A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café 
  junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. 
                                     
                                     
  A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou 
do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, 
   que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao 
   episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de 
esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, 
torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. 
Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o 
verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último 
poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar 
     fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica. 
                                     
                                     
     Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de 
       sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha 
de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas 
curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres 
  esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da 
família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam 
                   para algo mais que matar a fome. 
                                     
       Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro 
     que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, 
inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um 
    pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando 
 imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta 
para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a 
      reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu 
 lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão 
 apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho -- um bolo 
    simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia 
                             triangular. 
                                     
        A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. 
Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e 
      filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O 
 pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os 
                         observa além de mim. 
                                     
       São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta 
 caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, 
 o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto 
ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra 
 com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. 
    A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas 
  e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura -- 
 ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de 
    bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, 
      satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da 
    celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se 
encontram, ele se perturba, constrangido -- vacila, ameaça 
abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se 
                          abre num sorriso. 
                                     
        Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura 
              como esse sorriso. 
                                     



sexta-feira, 11 de maio de 2012

Mothering Days


Nesse segundo Domingo de Maio, reflito em como o mundo mudou, desde a minha infância na qual eu era apenas uma menina fora da escola, há 40 km da escola mais próxima.
Em tempos de globalização, oportunidades e contatos nos trazem possibilidades jamais imaginadas como  saber de Michelle e Obama,mais acessíveis até do que Dilma Roussef.
Um casal modelo.
São cultos e inteligentes, desmistificaram essa história de serem inacessíveis.
São acessíveis a mim, que sou brasileira e busco referenciais e concepções;
Tem uma família e uma relação sólida e dão exemplos de caráter e justiça.
São ícones, é inspiração.
Michelle é uma mulher que ajudou a construir o político e dar firmeza aos passos de Obama tendo realizado o sonho de Martin Luther King, que fez parte do discurso de Obama no dia de sua posse.
Outra referencia de peso é Nelson Mandela.
Seu exemplo de dignidade coloca um patamar honesto no “sonho americano”.
È uma personificação histórica da sociedade equalizadora e justa sonhada por Luther King e a ascendência negra.
Assistir “Amistad” foi uma bela experiência.
Mais belo ainda é saber que os sonhos se tornam reais e que a minha luta particular não é vã.
Tomando como suporte uma referência histórica da origem dos Dias das mães, que foi nos Estados Unidos com Ana Jarvis, na época que o Presidente dos Estados Unidos era Woodrow Wilson, desejo a Michelle e a todas as mães, fé, força, coragem e humildade.
E sonho. Nunca se esqueçam de sonhar para os seus filhos e filhas belos e poderosos sonhos.




 In this second Sunday of May, we reflect on how the world has changed since my childhood where I was just a girl out of school, some 40 km from the nearest school.
In times of globalizationopportunities and contacts bring usopportunities never imagined to know Michelle Obama and more affordable than even Roussef.
A model couple.
They are educated and intelligentdemystified this story to beinaccessible.
Are accessible to me, I am Brazilian and I seek references and concepts;
Have a family and a solid relationship and give examples of character and justice.
They are iconsis inspiration.
Michelle is a woman who helped build the political and give firmness to the steps Obama has realized the dream of MartinLuther King, who was part of Obama's speech on the day of his inauguration.
Another reference weight is Nelson Mandela.
His example of dignity puts an honest level in the "American dream".
It is a personification of the historical society and just dreamed up by equalizing Luther King and black ancestry.
Watch "Amistad" was a beautiful experience.
More beautiful still is to know that dreams come true and that myparticular struggle is not in vain.
Taking a historical reference to support the origin of Mothers Day, which was in the United States with Anna Jarvis at the time that theU.S. president was Woodrow WilsonMichelle and I wish all mothersfaith, strength, courage and humility.
And dream. Never forget to dream for their sons and daughters ofpowerful and beautiful dreams.




Amistad - Trailer

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O Presidente dos Estados Unidos manifestou a sua adesão ao movimento LGBT e apóia o casamento entre homossexuais


Essa adesão foi comunicada aos simpatizantes do Democraty Part,via e-mail.





Patricia --

Today, I was asked a direct question and gave a direct answer:

I believe that same-sex couples should be allowed to marry.

I hope you'll take a moment to watch the conversation, consider it, and weigh in yourself on behalf of marriage equality:

http://my.barackobama.com/Marriage

I've always believed that gay and lesbian Americans should be treated fairly and equally. I was reluctant to use the term marriage because of the very powerful traditions it evokes. And I thought civil union laws that conferred legal rights upon gay and lesbian couples were a solution.

But over the course of several years I've talked to friends and family about this. I've thought about members of my staff in long-term, committed, same-sex relationships who are raising kids together. Through our efforts to end the "Don't Ask, Don't Tell" policy, I've gotten to know some of the gay and lesbian troops who are serving our country with honor and distinction.

What I've come to realize is that for loving, same-sex couples, the denial of marriage equality means that, in their eyes and the eyes of their children, they are still considered less than full citizens.

Even at my own dinner table, when I look at Sasha and Malia, who have friends whose parents are same-sex couples, I know it wouldn't dawn on them that their friends' parents should be treated differently.

So I decided it was time to affirm my personal belief that same-sex couples should be allowed to marry.

I respect the beliefs of others, and the right of religious institutions to act in accordance with their own doctrines. But I believe that in the eyes of the law, all Americans should be treated equally. And where states enact same-sex marriage, no federal act should invalidate them.

If you agree, you can stand up with me here.

Thank you,

Barack
Apesar de saber que é um e-mail endereçado aos cadastrados no Democratic Party, fiz questão de responder.
President:
I know that nothing can stop love or affinity between two people, President, and even if it seems strange to see two women two men living ours relations of affection and sexuality, we should respect that.
As Brazil is a country that considers religious ties, analyzing the situation at the spiritual side, spiritualists believe that we have several lives and one of them, the predominance of sexuality are not unglued before one's soul, then this life, will repeat the samestandards and codes of past life.
Studies of gender and sexuality says that the biological part is determined, the construction of sexual identity is made
​​according toothed orientation or personal desire. I believe that we have no right to judge.
As the leader of a powerful nation, this position is commendable and important, since there is, among the crowd a pathological or obligations to be homosexual, because the collective unconsciousadheres to certain fads or trends.
Personally, I do not approve of homosexual relationships, according to my code of conduct and my sexual orientation.
But I believe in "Carpe diem," or live and let live.
I have gay friends and are good people.
Their decision is ethical and democratic.

Thank you and sucess in your life politic.

Na verdade, eu tenho medo do mundo para os filhos e alunos, ou as filhas e as alunas.
Como condicionamento, só acredito numa relação heterossexual, porque condicionamentos nos levam a aceitar somente aquilo que nos é tolerável.Como um ateu, que abomina a ideia de fé.
Penso que os homossexuais devem ter direito a liberdade de amar a quem quiser, mas não se deve transformar isso numa tendência, movimentos, militâncias.
A orientação sexual dos indivíduos continua sendo uma situação particular, de foro íntimo e ninguém parou para pensar o que esse modismo pode interferir na construção identitária dos meninos e das meninas.
Admiro o Obama não porque ele apóia o casamento de homossexuais, mas porque ele é um estrategista.
Se ele apoiar o LGBT ele conquista uma grande fatia do eleitorado.
Na minha franqueza e simplicidade, vou continuar trocando idéias com o Partido dos Democratas, e vendo em cada homem e em cada mulher, o traço comum que nos une:
Sermos Humanos, demasiadamente humanos.
Posteriormente, fui convidada a apoiar o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Estou pensando no que  farei.
Patr?Cia --

"I think same-sex couples should be able to get married."

That's what our President said yesterday afternoon, and with it, made history.

Let's show that we're right there with him:

Add your name alongside other Democrats in support of marriage equality today.

The President made clear that he's always stood up for LGBT rights -- whether in fighting to get hospital visitation rights for LGBT patients and their loved ones, or ending "Don't Ask, Don't Tell."

But he said what brought him to support same-sex marriage, more than anything, is his strong belief in equal rights for everyone.

In his own words, "When I meet gay and lesbian couples, when I meet same-sex couples and I see how caring they are, how much love they have in their hearts, how they're taking care of their kids, when I hear from them the pain they feel that somehow they are still considered less than full citizens when it comes to their legal rights, then for me I think it just has tipped the scales in that direction."

Folks, this is what Democrats are all about -- and I'm so proud we have a president who's willing to stand up and say it.

Let's join him. Show your support for marriage equality today:

http://my.democrats.org/Equality

Thanks,

Debbie

Rep. Debbie Wasserman Schultz
Chair
Democratic National Committee




terça-feira, 8 de maio de 2012


Tenderness





Quando era criança, num almoço de Natal, ficou curiosa para saber o que significava Tender.
Era apenas mais uma carne  que mamãe assaria e com certeza, com os olhos rasos de água, fingiria uma felicidade por sobre a borda do copo de cristal com um vinho perfumado que ela não poderia beber por causa  da idade e brindaria a sua solidão de mulher largada e fazer de conta que papai estava por ali, fumando o seu cigarro com cheiro dementa, contrabandeado e que iria até a cozinha virar as batatas e beslicar a torta de morango,sorrindo-lhe com paciência e ternura, pois ela era muito lenta para preparar o almoço e papai perdoava sempre ela, porque era uma exímia vendedora e com seus lucros abastecera a casa com todas as engenhocas modernas, com os risos e a bagunça de crianças em volta do vídeo game.
Então, numa tarde de outono, ele se fora. Chegou da rua, com seu   cheiro adocicado de menta, a sua barba por fazer, a camisa amarfanhada e chamou-a para uma conversa que ela nunca teria  querido  ouvir e que tentou disfarçar, esmagando sua dor sobre um sorriso torto , avisando-o que naquele dia o almoço estava pronto e ele não quis ouvir e nem almoçar e depois de uma conversa rápida, em que ele explicou em pequenas palavras o que acontecera, atravessou o apartamento com passos rápidos e nunca mais voltara.
Ajudara-a com muito dinheiro. Havia lhe deixado uma gorda poupança e passara para o nome da família dois imóveis bem localizados.
Mas mamãe era uma pessoa triste e patética. Porque ficara aturdida e não conseguira entender o que se passara pela cabeça de papai e por mais dinheiro que ele havia deixado, seus olhos sempre seriam rasos de água, seu sorriso sempre seria torto, sua solidão sempre seria maior que os anos felizes que papai havia lhe dado.
Eleonora cresceu nesse lar assim, de coração partido e da lembrança da dor nos olhos de mamãe. Jamais poderia amar um homem, pois os homens haveriam de fazer com ela e com elas o que papai fizera com mamãe.


Cresceu misturando fome de alimento com fome de amor e odiando a palavra Tender. Pois foi aquele almoço específico que mamãe, aturdida, filtrara sua dor e desabou sobre o prato, chorando de olhos fechados, os punhos fechados, com um lamento alto e fino, extravasando toda sua alma, as crianças assustadas, a vovó consumida de pena pela filha , o desabafo, a ferida exposta.
Comer, para ela era somente o essencial. Um trauma naquele almoço de Domingo, em que a mãe descobrira o humano de papai e que perdera tudo.
Ela era esguia, seios diminutos, cintura finíssima, ancas largas, e usava o cabelo curto,rente, Maria cabeluda como a mãe jamais seria.
Eleonora nunca mais comera aquele tipo de carne e aprendeu a desconfiar das pessoas, jamais seria tão patética como sua mãe fora.
Mal sabia ela que a sua precaução a tornara bem mais patética, porque ela fugia do inevitável.
Quando tinha 15 anos enamorara-se de um rapaz, que  fazia caminhadas no Ibirapuera quando ela ia lá de bicicleta..
Não queria saber desse sentimento, pois embora fosse nova, não iria dar o braço a torcer.
Um dia, chegou uma caixa pelo Correio. Uma caixa média, com um celofane amarelo dentro.
Uma caixa de bombons de licor, uma rosa em botão e um cartão escrito em inglês.
Intrigada, leu:
 I'll be hoping that we find ourselves at a glance, captured my soul to yours. Walk on a floor of stars on to eternity

Tenderness

Aquilo lhe deu pavor. TENDER? NESS?
Pateticamente, reviveu a dor da mãe, chorando miseravelmente sobre o Tender e lembrou-se do pavor que sentira quando soubera do monstro que morava dentro de um lago.
Viu papai sorrir-lhe maldosamente, com seus dentes caninos, e pensou que ia desmaiar.
Correu até o lixo e jogou a caixa dentro, limpando as mãos freneticamente.
Semanas passaram-se.

Sobre a sombra de um ipê rosa, no Ibirapuera, parque de referencia e memórias, deu seu primeiro beijo.
Como se despertasse de um pesadelo, aquele abraço quente e acolhedor a redimiu de todas as suas dores.
Falou-lhe tudo, de mamãe, de papai,  do tender, do tenderness, do lago, do monstro, e na sua ingenuidade, nem poderia imaginar que aquele estranho pensaria que ela era um pouco louca.
Mas ele riu. Ele riu muito e caçoando dela, pediu-lhe para não crescer jamais.
Sete meses de namoro e um casamento.
E ele a fizera feliz.
Mamãe, já grisalha, conheceu o amigo e despediu-se do fantasma de papai, partindo as suas  correntes e jogando-as no forno onde assara alegres tenders e lombos   de  porco  com maçãs na boca, troçando da vida e comemorando a cada noite bem dormida os anos de solidão e os cabelos grisalhos que papai lhe deixara.
Atualmente, Eleonora se alimenta com a voracidade que os anos de cativeiro na memória triste e embaçada de papai lhe tirara.
Suas curvas esbeltas dão lugar a robustez de um corpo nutrido e amado com perfeição.
Parou de trabalhar e se entregou aos prazeres da vida de casada que se transformarão em desprazeres.
Talvez, quando a morte ceifar o seu par, ela conheça a dor e se tornará tão patética quanto a mãe já fora.
Chorará sobre uma ceia triste, lamentando a dor da perda, da voracidade inexorável da vida que mortifica a tudo.
Mas essa possibilidade para Eleonora é remota.
Alimenta-se bem, de orgulho e de prazer.
Tenderness.Eternity.