SER CRIANÇA E TER ATITUDE INCOMPATÍVEL COM A INFÂNCIA
Ser criança é uma invenção da civilização contemporânea? Como se forma a ideologia da infância?
Será que há realmente uma infância?
Todas essas questões vêm à pauta quando ocorrem assassinatos cometidos por crianças.
Recentemente, no Jardim III Américas da cidade Assis, uma menina de 11 anos vitimou a outra colega de 6 anos de idade com golpes de faca.
Tal atitude não seria própria de uma criança com as características que atribuímos à infância.
Qualquer personalidade só poderia manifestar a intensidade de suas pulsões se atingidas o ápice das suas representações e concepções de mundo.
Ou seja, esse ápice seria o estado adulto, quando todas as nossas concepções estão amadurecidas e fundamentadas seja pelas teorias que conhecemos ou pela prática que vivenciamos.
Muito embora pelos estímulos recebidos pela sociedade com os estímulos midiáticos,( vídeo games, filmes inapropriados) qualquer criança poderá mostrar um traço de personalidade muito maduro para a idade, seja para o bem ou para o mal.
Existem comportamentos sendo exibidos todas as horas e que deixa surpresa e descontentamento.
A impressão que se dá é que os professores, pais, psicólogos e psiquiatras não podem controlar nada do que se passa na mente infantil e adolescente e pela proteção excessiva que é praxe nos dias de hoje, nos tornamos refém de nossas crianças, seja filhos ou alunos.
Essa referência, essa parte obscura de suas almas, aquilo que está preso nas amarras do subconsciente é uma porção daquilo que Sandra Maria Corazza, em seu livro, “ Infância e Educação” , (Ed. Vozes, 1998), chama de “criança maldita”.
Como Bruno Betelhem, em seu“Psicanálise de contos de fadas”ela se recorre a uma fabulação da Europa ocidental, a história do soldadinho de chumbo, que foi amaldiçoado com o seu amor pela bailarina.
“Por ser diferente de seus irmãos e também por amar demais, o soldadinho de chumbo fora amaldiçoado, posto a navegar no barco e condenado a morte pelo fogo.
Como referência a história, aproximando-a de um contexto real, Corazza rememora que no século XV, a Europa criara em sua paisagem imaginária, literária e pictórica, uma barca que levava os diferentes de uma cidade para outra, ou para lugar nenhum, a Narrenschiff, ou Nau dos Loucos.
Continuando o relato, ela registra que confiar os insanos aos mercadores e marinheiros, era encontrado um meio de torná-los prisioneiros no exterior, pois tais pessoas estavam entregues ao seu próprio destino.
Pode ser pensado que loucura e infância compartilham desse mesmo ritual de embarque em busca da Razão que se perde na noite dos tempos, como diz Foulcalt (1991:12).
Para retornar a verdade, a “criança maldita” e renegada, implicaria em uma vida de pobreza, cheia de afeto e de bons ensinamentos, ao crescer, se caracterizaria por assassinatos ou destruições por vingança, ou um pseudo reconhecimento como herói, de legendária força ou coragem, ou como soberano que traz para seus súditos toda sorte de venturas e felicidades.
Na realidade, como se indaga Corazza, se existe, qual é e como é dita a verdade dos infantis e da infância dos nossos dias?
Esse blog destina-se a reflexão e ao cotidiano desse mistério que é a vida em suas diversas faces e aspectos, com elementos de Educação e até mesmo de pesquisas sobre temas relevantes a propriétária do Blog. http://meuplugedu.plugedu.com/forum/comment/showDeleted?topicId=6080806:Topic:6840
sábado, 31 de outubro de 2009
O “Chutzpah” e a educação do desejo
Fonte:
http://www.espacoacademico.com.br - © Copyleft 2001-2008
Há pessoas que são determinadas, vão à luta, demonstram garra, gana, pique, audácia. Outras demonstram falta de iniciativa, acomodam-se, não se empolgam, parecem não ter vontade própria e até transmitem desânimo ou falta de sentido de vida. Essa segunda não explora os seus talentos, lembrando a parábola bíblica.
Os judeus têm a palavra “chutzpah”, que em iídiche (dialeto alemão falado pelos judeus europeus) para se referir a algo como audácia, gana, garra, se virar, ter iniciativa ou coragem para ir à luta. Tem “chutzpah” o sujeito que não fica esperando que o governo tome iniciativa, ou que os outros façam por sua conta e risco.
Michel Kepp[1] considera três sentidos para chutzpah: positivo, negativo ou ambivalente. Positivo, quando ela exprime algo saudável como a auto-estima e a iniciativa de servir ao bem comum. A iniciativa de alguém para consertar brinquedos e distribuí-los para as crianças carentes, ou prestar serviços voluntários, ou para a preservação da Amazônia e do planeta são chutzpah positiva. Mas, a cara-de-pau de negar tudo do deputado Paulo Maluf, e dos corruptos cínicos, mesmo depois de serem condenados pela justiça é “chutzpah negativa”. Já o sentido ambivalente é quando o ato de coragem tem um traço de arrogância. Em 2004, quando estava apenas atrás de Pelé em número de gols Romário disse: "eu me considero o mais importante jogador desde 1970". Ronaldo reagiu, chamando o rival de pretensioso. Essa atitude de Romário é um exemplo de “chutzpah” ambivalente.
Chutzpah X Abulia X Vitimização
Postura oposta ao chutzpah é a abulia. Wilhel Stekel (1966), que junto com Freud foram pioneiros da psicanálise, descreveu os abúlicos como sendo pessoas sem vontade própria, sem iniciativa, e sem capacidade para tomar decisões.
O desânimo, apatia, o esvaziamento de interesse pela vida ativa são sintomas de depressão que estão presentes em alguns tipos de esquizofrenia. Mas, a abulia não necessariamente indica doença psíquica, mas um jeito de ser e de viver sem iniciativa, sem audácia, sem garra de lutar por algo; falta-lhes “vontade de ferro”, diziam os antigos. Falta-lhes “chutzpah”, dizem hoje os judeus de New York. “Elas experimentam algo assim como se sua vontade tivesse travada”, observa Stekel. Revelam-se incapazes de reunir energia suficiente para se lançarem numa ação ousada se arriscando ganhar ou perder. No fundo, falta-lhes coragem necessária para “dar a sua cara pra bater” se sua iniciativa fracassar; falta-lhes coragem para assumir responsabilidades e correr risco de executar um ato que pode mudar as coisas.
Há pessoas que depois de muita cobrança suspendem artificialmente sua modorra, por exemplo, para fazer um curso, que poderá mudar sua vida. Conheço alunos matriculados para “fazer o curso por fazer”, mas que não se esforçam para serem “estudantes”[2]. Tais alunos ocupam a vaga de outro que poderia aproveitar melhor o curso para vir a ser um pesquisador ou um profissional apaixonado pela sua profissão[3], enfim, um verdadeiro estudante. Há pessoas que se dirigem ao serviço de seleção das empresas com pés de chumbo, às vezes chegam demasiado tarde, perdendo assim a oportunidade do emprego. Não raro, elas inventam defeitos naquele que seria seu emprego, dizendo coisas como: o salário é baixo, a empresa fica muito longe, as tarefas seriam aborrecidas, o chefe é um carrasco, etc. É um momento propício para ela evocar o “mecanismo das uvas verdes” da conhecida história infantil, da raposa não conseguindo alcançar as frutas diz: “ora, elas estão verdes”. Também, a desculpa rasteira que coloca toda a culpa de insucesso pessoal no sistema político só faz o abúlico refinar tal racionalização se auto-enganar de vítima infeliz.
Nas escolas e universidades os abúlicos geralmente se fazem de vítimas eternas do seu ofício. Professores repetem compulsivamente queixumes por sua situação de miséria estresse. Como se somente o magistério carregasse a pedra de Sísifo. Algumas vezes, quando respondi que era professor, ouvi um colega dizer: “Ah! Você é meu companheiro de sofrimento”. Um colega,[4] constrangido com tal chiste, pergunta-lhe: “A senhora sofre de quê?”.
É verdade que a geração atual de alunos dá mais trabalho porque vem mal educada de casa, que o nosso sistema de ensino é excessivamente burocrático e não dá continuidade às políticas educacionais; que os conteúdos vivem defasados e as capacitações dos professores geralmente não conseguem responder aos problemas concretos da sala de aula, tudo isso termina causando nesses profissionais, confusão, insegurança, estresse. Há ainda o fato de a sociedade não valorizar o profissional do ensino, mas daí se tornar vítimas eternas, posar-se de coitados, se acomodar, e fazer propaganda negativa porque é professor, é demais. Tal vitimização só aumenta a desvalorização do professorado pela sociedade.
A propósito, um psicoterapeuta se pergunta: essas falsas justificativas fornecem uma proteção real ou de vidro aos abúlicos ou vitimizados? Como um pai, cônjuge ou professor devem se posicionar diante dos queixumes e do marasmo? Que defesa psíquica os alunos devem arrumar diante de professores ressentidos, cujas aulas transparecem baixo astral? Que fazer para educar filhos para irem à luta em vez de filhos acomodados, sem iniciativa, e sem sonhos? É melhor conviver com pessoas dotadas de chutzpah ou de abulia? A cultura tem alguma influência na formação desses estilos de ser-na-vida?
Natureza, cultura e educação
Há culturas[5] que influenciam o desenvolvimento da auto-estima, para o sujeito ir à luta no trabalho, estudos, esportes, na vida. É mais valorizado quem tem "cojones”, como dizem os hispânicos. Outras, porém, não trabalham desde cedo o “chutzpah” nas crianças. Contudo, há aqueles que, por necessidade, muito cedo se obrigam desenvolver um “chutzpah” medido pela sua sobrevivência, muitas vezes abdicando do seu sonho maior.
Dizem que as mães judias instilam em seus filhos a idéia de que nenhum objetivo está fora do seu alcance. Kepp (ibid) observa que os judeus são educados para desenvolverem o “chutzpah”[6]. As mães judias instilam em seus filhos a idéia de que nenhum objetivo está fora de seu alcance. Os anglo-saxônicos também empurram desde cedo a criança para se virar em casa, na rua, na escola; é comum o pai introduzir o filho pequeno nas empresas, para realizar pequenas tarefas. Os japoneses que aqui estabeleceram educaram os filhos com “chutzpah”. O resultado hoje é visível: seus filhos e netos entram nas melhores universidades e se tornam excelentes profissionais e bons cidadãos. E a nossa cultura latino-americana educa nessa linha?
Uma característica das famílias latino-americanas é a superproteção aos filhos. Filhos de classe média, no Brasil, cada vez mais são mimados, e assimilam que não precisam se esforçar para conseguir as coisas. Os pais compram tudo o que eles pedem, rompendo assim com certos valores e limites necessários num projeto de vida próprio. Hoje, o leva-e-traz dos filhos às escolas e as casas dos amigos, na hora que eles exigem, faz com que os pais pareçam seus escravos. Principalmente as mães com seus excessos de agradinhos e vozinha adequada para lidar com bebês, no fundo, desejam eternizar a infância dos filhos. Assim, os pais passam-lhes a falsa idéia de que na vida basta querer e terá. As meninas de classe média e alta são consideradas bonequinhas de luxo, e, como tal, são dispensadas das tarefas domésticas. Que moça hoje tem iniciativa para arrumar a casa, fazer comida, lavar suas peças íntimas? Que menino hoje toma iniciativa de também ajudar nas tarefas domésticas? Que menino hoje se oferece para segurar a lâmpada enquanto o pai conserta algo? Falta ou não “chutzpah” no nosso modo de educar os filhos?
Que fazer com o seu talento?
Pergunto: devemos educar nossos filhos para irem à luta, ou para se acomodarem? Eles devem aprender a se virar sozinhos desde cedo ou ser dependentes dos pais, com medo de sair de uma imaginária bolsa-canguru? E os professores, orientam seu ensino para irem à luta, lutar por seu espaço profissional? Qual é o efeito educativo do professor que age como se fosse “mãezona” dos alunos, fornecendo grandes mamas com leite infinito para eles mamarem a vida toda? Queremos que nossos alunos sejam discípulos ou sujeitos que ousam pensar por si próprios?
Para Stekel “A maioria dos pais não sabem que a educação da vontade, da independência, do domínio de si mesmo, em todos os aspectos é o mais valioso bem pedagógico”. Os professores, idem.
No mundo de hoje, complexo, competitivo, incerto e inseguro, a nova geração precisa de uma educação que propicia o fortalecimento da vontade, que estimula a audácia e a construção de um projeto de vida ativa para conviver com o mudo dos adultos, de preferência voltado para o bem coletivo. Na década de 1960, Hanna Arendt alertava que a educação contemporânea caminha na contramão das exigências de um mundo cada vez mais complexo. Em vez de contribuir para ‘adultecer’, a educação pós-moderna infantiliza a nova geração. No início de 1982, também Neil Postman constata um “desaparecimento da infância” – das brincadeiras tradicionais – e a ascensão de um adulto-infantilizado[7]. Certamente, tais mudanças já estão contribuindo para um novo perfil de sociedade e de cidadão. Por exemplo, comparando as gerações que acompanhamos nos últimos 20 anos na clínica psicanalítica constatamos que “os adolescentes [hoje] sonham pequeno”(Ler artigo de CALLIGARIS, 2007).
Hoje, o mundo dos negócios demanda pessoas empreendedoras, a vida social demanda pessoas comprometidas com o bem comum. As décadas marcadas pela cultura da Revolução (1950 a 1970) também se valorizava o estilo “chutzpah”, ainda que de modo velado e pasteurizado do sentido capitalista. A universidade contemporânea também pressiona professores e alunos para desenvolver pesquisas e publicar. “Publish or perish” (Publicar ou morrer), dizem os norte-americanos. O pesquisador autêntico tem chutzpah; é preciso que haja interesse de aprender-fazendo, ter iniciativa e desejo de mais-aprender no desenvolvimento da pesquisa. O professor universitário com pouco ou nenhum chutzpah não é convidado para certas tarefas marcadas pela competência e prazos definidos.
Em verdade, ninguém é obrigado a ser empreendedor, comprometido com uma causa social ou política, ou pesquisador na ciência, ou viver refazendo o seu currículo Lattes[8]. Tanto no mundo real, competitivo, como no mundo virtual do Lattes, e até mesmo no mundo subjetivo ou narcísico, é mais valorizado o estilo que se aproxima do chutzpah.
No fundo, trata-se de uma “opção desejante” do sujeito, que “é solitária, não se explica, se faz”, observa Forbes (2004, p. 45). A psicanálise propõe, primeiro, que as pessoas se assumam como sujeitos de sua história; segundo, que cada um deve sustentar o seu desejo, isto é, a não ceder no que deseja. Torna-se necessário, portanto, descolar a sua pulsão-desejante primordial da mãe-pai, ousar “atravessar o conforto das soluções coletivas, fantasmáticas” (ibid) e superar o pavor da conseqüência de tomar iniciativa, de ir à luta, se arriscar a ficar pirado, louco de desejo, ou perdido no êxtase (gozo) próprio de sua condição de sujeito. Esse risco sempre existe, por isso, “a psicanálise não poderia preconizar nenhum ‘gozo sem limitações (...), pois é precisamente a limitação ao prazer o que permite ao sujeito aceder ao gozo”(COTTET, 1990, p. 152). Essa “limitação” é a busca de uma ética do desejo. Complementando, essa ética do desejo visa conduzir o chutzpah num estilo próprio do sujeito, numa perspectiva da razoabilidade do Eu (Ego) em relação ao mundo.
Contudo, há limites impostos pela idiossincrasia da personalidade de cada um. Pessoas de vontade débil provavelmente nunca desenvolverão uma vontade de ferro, ainda que estas pertençam a uma cultura que valoriza o “chutzpah”, ou que realizam um bom percurso psicanalítico. Pelo menos, elas podem vir a reconhecer o seu desejo, realizar o pouco de sua vontade e daí fazer do seu mínimo um máximo.
Referências
ARENDT, Hanna. ARENDT, H. A crise na educação. In: Entre o passado e o futuro. São Paulo: Perspectiva, 1972.
CALLIGARIS, Contardo. “Os sonhos dos adolescentes”. Folha de S. Paulo – Cad. Ilustrada, 11 de janeiro de 2007.
KEEP, Michel. "Chutzpah" à brasileira. Folha de S.Paulo – Cad. Equilíbrio, 09/03/06.
POSTMAN, Neil. O desaparecimento da infância. Rio de Janeiro: Ghafia, 1999.
STEKEL, Wilhelm.Vontade de viver. São Paulo: Mestre Jou, 1966.
MARQUES JR, Nailor. Educação para a felicidade. Maringá: Liceu, 2001.
FORBES, Jorge. Você quer o que deseja? São Paulo: Best Seller, 2004.
COTTER, Serge. Freud e o desejo do psicanalista. Rio de Janeiro: 1990.
Fonte:
http://www.espacoacademico.com.br - © Copyleft 2001-2008
Há pessoas que são determinadas, vão à luta, demonstram garra, gana, pique, audácia. Outras demonstram falta de iniciativa, acomodam-se, não se empolgam, parecem não ter vontade própria e até transmitem desânimo ou falta de sentido de vida. Essa segunda não explora os seus talentos, lembrando a parábola bíblica.
Os judeus têm a palavra “chutzpah”, que em iídiche (dialeto alemão falado pelos judeus europeus) para se referir a algo como audácia, gana, garra, se virar, ter iniciativa ou coragem para ir à luta. Tem “chutzpah” o sujeito que não fica esperando que o governo tome iniciativa, ou que os outros façam por sua conta e risco.
Michel Kepp[1] considera três sentidos para chutzpah: positivo, negativo ou ambivalente. Positivo, quando ela exprime algo saudável como a auto-estima e a iniciativa de servir ao bem comum. A iniciativa de alguém para consertar brinquedos e distribuí-los para as crianças carentes, ou prestar serviços voluntários, ou para a preservação da Amazônia e do planeta são chutzpah positiva. Mas, a cara-de-pau de negar tudo do deputado Paulo Maluf, e dos corruptos cínicos, mesmo depois de serem condenados pela justiça é “chutzpah negativa”. Já o sentido ambivalente é quando o ato de coragem tem um traço de arrogância. Em 2004, quando estava apenas atrás de Pelé em número de gols Romário disse: "eu me considero o mais importante jogador desde 1970". Ronaldo reagiu, chamando o rival de pretensioso. Essa atitude de Romário é um exemplo de “chutzpah” ambivalente.
Chutzpah X Abulia X Vitimização
Postura oposta ao chutzpah é a abulia. Wilhel Stekel (1966), que junto com Freud foram pioneiros da psicanálise, descreveu os abúlicos como sendo pessoas sem vontade própria, sem iniciativa, e sem capacidade para tomar decisões.
O desânimo, apatia, o esvaziamento de interesse pela vida ativa são sintomas de depressão que estão presentes em alguns tipos de esquizofrenia. Mas, a abulia não necessariamente indica doença psíquica, mas um jeito de ser e de viver sem iniciativa, sem audácia, sem garra de lutar por algo; falta-lhes “vontade de ferro”, diziam os antigos. Falta-lhes “chutzpah”, dizem hoje os judeus de New York. “Elas experimentam algo assim como se sua vontade tivesse travada”, observa Stekel. Revelam-se incapazes de reunir energia suficiente para se lançarem numa ação ousada se arriscando ganhar ou perder. No fundo, falta-lhes coragem necessária para “dar a sua cara pra bater” se sua iniciativa fracassar; falta-lhes coragem para assumir responsabilidades e correr risco de executar um ato que pode mudar as coisas.
Há pessoas que depois de muita cobrança suspendem artificialmente sua modorra, por exemplo, para fazer um curso, que poderá mudar sua vida. Conheço alunos matriculados para “fazer o curso por fazer”, mas que não se esforçam para serem “estudantes”[2]. Tais alunos ocupam a vaga de outro que poderia aproveitar melhor o curso para vir a ser um pesquisador ou um profissional apaixonado pela sua profissão[3], enfim, um verdadeiro estudante. Há pessoas que se dirigem ao serviço de seleção das empresas com pés de chumbo, às vezes chegam demasiado tarde, perdendo assim a oportunidade do emprego. Não raro, elas inventam defeitos naquele que seria seu emprego, dizendo coisas como: o salário é baixo, a empresa fica muito longe, as tarefas seriam aborrecidas, o chefe é um carrasco, etc. É um momento propício para ela evocar o “mecanismo das uvas verdes” da conhecida história infantil, da raposa não conseguindo alcançar as frutas diz: “ora, elas estão verdes”. Também, a desculpa rasteira que coloca toda a culpa de insucesso pessoal no sistema político só faz o abúlico refinar tal racionalização se auto-enganar de vítima infeliz.
Nas escolas e universidades os abúlicos geralmente se fazem de vítimas eternas do seu ofício. Professores repetem compulsivamente queixumes por sua situação de miséria estresse. Como se somente o magistério carregasse a pedra de Sísifo. Algumas vezes, quando respondi que era professor, ouvi um colega dizer: “Ah! Você é meu companheiro de sofrimento”. Um colega,[4] constrangido com tal chiste, pergunta-lhe: “A senhora sofre de quê?”.
É verdade que a geração atual de alunos dá mais trabalho porque vem mal educada de casa, que o nosso sistema de ensino é excessivamente burocrático e não dá continuidade às políticas educacionais; que os conteúdos vivem defasados e as capacitações dos professores geralmente não conseguem responder aos problemas concretos da sala de aula, tudo isso termina causando nesses profissionais, confusão, insegurança, estresse. Há ainda o fato de a sociedade não valorizar o profissional do ensino, mas daí se tornar vítimas eternas, posar-se de coitados, se acomodar, e fazer propaganda negativa porque é professor, é demais. Tal vitimização só aumenta a desvalorização do professorado pela sociedade.
A propósito, um psicoterapeuta se pergunta: essas falsas justificativas fornecem uma proteção real ou de vidro aos abúlicos ou vitimizados? Como um pai, cônjuge ou professor devem se posicionar diante dos queixumes e do marasmo? Que defesa psíquica os alunos devem arrumar diante de professores ressentidos, cujas aulas transparecem baixo astral? Que fazer para educar filhos para irem à luta em vez de filhos acomodados, sem iniciativa, e sem sonhos? É melhor conviver com pessoas dotadas de chutzpah ou de abulia? A cultura tem alguma influência na formação desses estilos de ser-na-vida?
Natureza, cultura e educação
Há culturas[5] que influenciam o desenvolvimento da auto-estima, para o sujeito ir à luta no trabalho, estudos, esportes, na vida. É mais valorizado quem tem "cojones”, como dizem os hispânicos. Outras, porém, não trabalham desde cedo o “chutzpah” nas crianças. Contudo, há aqueles que, por necessidade, muito cedo se obrigam desenvolver um “chutzpah” medido pela sua sobrevivência, muitas vezes abdicando do seu sonho maior.
Dizem que as mães judias instilam em seus filhos a idéia de que nenhum objetivo está fora do seu alcance. Kepp (ibid) observa que os judeus são educados para desenvolverem o “chutzpah”[6]. As mães judias instilam em seus filhos a idéia de que nenhum objetivo está fora de seu alcance. Os anglo-saxônicos também empurram desde cedo a criança para se virar em casa, na rua, na escola; é comum o pai introduzir o filho pequeno nas empresas, para realizar pequenas tarefas. Os japoneses que aqui estabeleceram educaram os filhos com “chutzpah”. O resultado hoje é visível: seus filhos e netos entram nas melhores universidades e se tornam excelentes profissionais e bons cidadãos. E a nossa cultura latino-americana educa nessa linha?
Uma característica das famílias latino-americanas é a superproteção aos filhos. Filhos de classe média, no Brasil, cada vez mais são mimados, e assimilam que não precisam se esforçar para conseguir as coisas. Os pais compram tudo o que eles pedem, rompendo assim com certos valores e limites necessários num projeto de vida próprio. Hoje, o leva-e-traz dos filhos às escolas e as casas dos amigos, na hora que eles exigem, faz com que os pais pareçam seus escravos. Principalmente as mães com seus excessos de agradinhos e vozinha adequada para lidar com bebês, no fundo, desejam eternizar a infância dos filhos. Assim, os pais passam-lhes a falsa idéia de que na vida basta querer e terá. As meninas de classe média e alta são consideradas bonequinhas de luxo, e, como tal, são dispensadas das tarefas domésticas. Que moça hoje tem iniciativa para arrumar a casa, fazer comida, lavar suas peças íntimas? Que menino hoje toma iniciativa de também ajudar nas tarefas domésticas? Que menino hoje se oferece para segurar a lâmpada enquanto o pai conserta algo? Falta ou não “chutzpah” no nosso modo de educar os filhos?
Que fazer com o seu talento?
Pergunto: devemos educar nossos filhos para irem à luta, ou para se acomodarem? Eles devem aprender a se virar sozinhos desde cedo ou ser dependentes dos pais, com medo de sair de uma imaginária bolsa-canguru? E os professores, orientam seu ensino para irem à luta, lutar por seu espaço profissional? Qual é o efeito educativo do professor que age como se fosse “mãezona” dos alunos, fornecendo grandes mamas com leite infinito para eles mamarem a vida toda? Queremos que nossos alunos sejam discípulos ou sujeitos que ousam pensar por si próprios?
Para Stekel “A maioria dos pais não sabem que a educação da vontade, da independência, do domínio de si mesmo, em todos os aspectos é o mais valioso bem pedagógico”. Os professores, idem.
No mundo de hoje, complexo, competitivo, incerto e inseguro, a nova geração precisa de uma educação que propicia o fortalecimento da vontade, que estimula a audácia e a construção de um projeto de vida ativa para conviver com o mudo dos adultos, de preferência voltado para o bem coletivo. Na década de 1960, Hanna Arendt alertava que a educação contemporânea caminha na contramão das exigências de um mundo cada vez mais complexo. Em vez de contribuir para ‘adultecer’, a educação pós-moderna infantiliza a nova geração. No início de 1982, também Neil Postman constata um “desaparecimento da infância” – das brincadeiras tradicionais – e a ascensão de um adulto-infantilizado[7]. Certamente, tais mudanças já estão contribuindo para um novo perfil de sociedade e de cidadão. Por exemplo, comparando as gerações que acompanhamos nos últimos 20 anos na clínica psicanalítica constatamos que “os adolescentes [hoje] sonham pequeno”(Ler artigo de CALLIGARIS, 2007).
Hoje, o mundo dos negócios demanda pessoas empreendedoras, a vida social demanda pessoas comprometidas com o bem comum. As décadas marcadas pela cultura da Revolução (1950 a 1970) também se valorizava o estilo “chutzpah”, ainda que de modo velado e pasteurizado do sentido capitalista. A universidade contemporânea também pressiona professores e alunos para desenvolver pesquisas e publicar. “Publish or perish” (Publicar ou morrer), dizem os norte-americanos. O pesquisador autêntico tem chutzpah; é preciso que haja interesse de aprender-fazendo, ter iniciativa e desejo de mais-aprender no desenvolvimento da pesquisa. O professor universitário com pouco ou nenhum chutzpah não é convidado para certas tarefas marcadas pela competência e prazos definidos.
Em verdade, ninguém é obrigado a ser empreendedor, comprometido com uma causa social ou política, ou pesquisador na ciência, ou viver refazendo o seu currículo Lattes[8]. Tanto no mundo real, competitivo, como no mundo virtual do Lattes, e até mesmo no mundo subjetivo ou narcísico, é mais valorizado o estilo que se aproxima do chutzpah.
No fundo, trata-se de uma “opção desejante” do sujeito, que “é solitária, não se explica, se faz”, observa Forbes (2004, p. 45). A psicanálise propõe, primeiro, que as pessoas se assumam como sujeitos de sua história; segundo, que cada um deve sustentar o seu desejo, isto é, a não ceder no que deseja. Torna-se necessário, portanto, descolar a sua pulsão-desejante primordial da mãe-pai, ousar “atravessar o conforto das soluções coletivas, fantasmáticas” (ibid) e superar o pavor da conseqüência de tomar iniciativa, de ir à luta, se arriscar a ficar pirado, louco de desejo, ou perdido no êxtase (gozo) próprio de sua condição de sujeito. Esse risco sempre existe, por isso, “a psicanálise não poderia preconizar nenhum ‘gozo sem limitações (...), pois é precisamente a limitação ao prazer o que permite ao sujeito aceder ao gozo”(COTTET, 1990, p. 152). Essa “limitação” é a busca de uma ética do desejo. Complementando, essa ética do desejo visa conduzir o chutzpah num estilo próprio do sujeito, numa perspectiva da razoabilidade do Eu (Ego) em relação ao mundo.
Contudo, há limites impostos pela idiossincrasia da personalidade de cada um. Pessoas de vontade débil provavelmente nunca desenvolverão uma vontade de ferro, ainda que estas pertençam a uma cultura que valoriza o “chutzpah”, ou que realizam um bom percurso psicanalítico. Pelo menos, elas podem vir a reconhecer o seu desejo, realizar o pouco de sua vontade e daí fazer do seu mínimo um máximo.
Referências
ARENDT, Hanna. ARENDT, H. A crise na educação. In: Entre o passado e o futuro. São Paulo: Perspectiva, 1972.
CALLIGARIS, Contardo. “Os sonhos dos adolescentes”. Folha de S. Paulo – Cad. Ilustrada, 11 de janeiro de 2007.
KEEP, Michel. "Chutzpah" à brasileira. Folha de S.Paulo – Cad. Equilíbrio, 09/03/06.
POSTMAN, Neil. O desaparecimento da infância. Rio de Janeiro: Ghafia, 1999.
STEKEL, Wilhelm.Vontade de viver. São Paulo: Mestre Jou, 1966.
MARQUES JR, Nailor. Educação para a felicidade. Maringá: Liceu, 2001.
FORBES, Jorge. Você quer o que deseja? São Paulo: Best Seller, 2004.
COTTER, Serge. Freud e o desejo do psicanalista. Rio de Janeiro: 1990.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
O Estado laico e a Religião na sala de aula
Foi aprovado pelo Senado brasileiro na última quarta-feira, 7 de outubro, o acordo firmado pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva e a Santa Sé, em novembro do ano passado, que estabelece a obrigatoriedade do oferecimento de ensino religioso pelas escolas públicas brasileiras. Diz o parágrafo 1 do Artigo 11: "O ensino religioso, católico e de outras confissões religiosas, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, em conformidade com a Constituição e as outras leis vigentes, sem qualquer forma de discriminação."
"Se essa lei for sancionada pelo presidente, nossa constituição será violada", afirma a professora Roseli Fischmann, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Metodista, de São Bernardo do Campo, na região metropolitana da capital paulista. Perita da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para a Coalizão de Cidades contra o Racismo e a Discriminação, responsável pelo capítulo sobre pluralidade cultural dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), coordenadora do grupo de pesquisa Discriminação, Preconceito e Estigma, vinculado à USP, e do Núcleo de Educação em Direitos Humanos, da Universidade Metodista e autora do livro Ensino Religioso em Escolas Públicas: Impactos sobre o Estado Laico, Roseli critica o acordo e fala, nesta entrevista a NOVA ESCOLA GESTÃO ESCOLAR, sobre as diversas e sempre irregulares maneiras de manifestação religiosa no cotidiano escolar.
O acordo assinado pelo presidente Lula com o Vaticano em 2008, que estipula a obrigatoriedade do ensino religioso nas escolas públicas, foi aprovado pelo Senado. E agora?
ROSELI FISCHMANN É importante ressaltar que o documento assinado pelo presidente da República prevê vários privilégios para a Igreja Católica: benefícios adicionais em termos de verbas públicas e ações com impacto sobre a cidadania, como a supressão de direitos trabalhistas para sacerdotes ou religiosos católicos, e a inclusão de espaços para templos católicos em planejamentos urbanos. Nesta entrevista, nos interessa o artigo sobre a obrigatoriedade do ensino religioso católico e de outras confissões religiosas, como está no texto. Mesmo fazendo menção a outras crenças, o acordo manifesta uma clara preferência por uma religião, o que obriga as escolas a adotar uma determinada confissão, e isso é inconstitucional. O Ministério das Relações Exteriores defende a iniciativa dizendo que não há problema, já que ela apenas reúne aquilo que já existe. Mas isso não é verdade.
Esse artigo poderia ter sido corrigido pelos parlamentares?
ROSELI Eles poderiam ter rejeitado o acordo. Quaisquer propostas de ressalvas precisariam ser revistas pelo Executivo e, como o documento tem caráter internacional e bilateral, nada poderia ser mudado sem a concordância do Vaticano. Ou seja, ficamos amarrados, o que caracteriza uma perigosa interferência no processo legislativo.
Com o acordo em vigor, o que pode acontecer nas escolas?
ROSELI Em relação ao ensino religioso em escolas públicas, será instalada uma mixórdia que abre a possibilidade de interpretações discordantes. Ainda que mencionado o caráter facultativo para o aluno, está criada uma obrigatoriedade do ensino católico, o que não existe nem na Constituição nem na LDB. E a nossa Constituição está sendo violada.
Por que misturar escola com religião é ilegal?
ROSELI No artigo 19 da Constituição, há dois incisos claros. O primeiro afirma ser vedado à União, aos estados, aos municípios e ao Distrito Federal estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público. O outro proíbe criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si. Ambos são os responsáveis pela definição do Estado laico, deixando-o imparcial e evitando privilegiar uma ou outra religião, para que não haja diferenças entre os brasileiros. Ora, se o Estado é laico, a escola pública que é parte desse Estado também deve sê-lo.
E as leis educacionais?
ROSELI Na própria Constituição, o artigo 210, parágrafo 1º, determina o ensino religioso facultativo para o aluno, nos horários normais das escolas públicas de Ensino Fundamental, o que pode se considerar como parte da tal ressalva da colaboração ao interesse público, citada na resposta acima. Já o artigo 33 da LDB diz que os sistemas de ensino ouvirão entidade civil, constituída pelas diferentes denominações religiosas, para a definição dos conteúdos do ensino religioso. Ou seja, essa entidade civil, a ser determinada, ou até criada, deve colaborar com a Secretaria de Educação em cada estado ou município. Isso é problemático porque quem quiser que a sua própria religião seja ensinada será obrigado a associar-se a essa entidade, ou não será sequer considerado no diálogo com o Estado, tendo assim violada sua liberdade de associação um direito garantido pela Constituição.
A lei deixa margem a dúvidas?
ROSELI Alguns termos deixam sim. O que se considera horário normal da escola? O tempo que a instituição passa aberta ou aquele em que a criança efetivamente estuda? Uma coisa é certa: a lei é explícita ao declarar que o ensino religioso é facultativo. Porém o que se vê são escolas públicas desrespeitando a opção das famílias e professando, irregularmente, uma fé no ambiente educacional.
Como essa questão é tratada em outros países?
ROSELI Nos Estados Unidos, simplesmente não há ensino religioso em escolas públicas, de nenhum nível. A Revolução Francesa ensinou a relevância da laicidade e hoje o país debate para preservar o Estado laico. Portugal está saindo gradativamente de um acordo que o ditador Antonio Salazar assinou com a Santa Sé em 1940 e aboliu o ensino religioso das escolas públicas.
Como a religião está presente no cotidiano da escola pública brasileira?
ROSELI Ela aparece, sempre de forma irregular, das mais diversas maneiras: o crucifixo na parede, imagens de santos ou de Maria nos diversos ambientes, no ato de rezar antes da merenda e das aulas, na comemoração de datas religiosas. Alguns professores chegam a usar textos bíblicos como material pedagógico para o ensino da Língua Portuguesa ou para trabalhar conteúdos de outras disciplinas. É um equívoco chamar essa abordagem de transversal porque quem faz isso enxerta conteúdo de uma disciplina facultativa numa obrigatória.
Atitudes como essas podem ser consideradas desrespeitosas mesmo quando a maioria dos alunos é adepta da mesma religião?
ROSELI Não importa se a escola tem só um estudante de fé diferente (ou ateu) ou se 100% dos alunos e funcionários compartilham a mesma crença. A escola é um espaço público e deve estar preparada para receber quaisquer pessoas com o respeito devido.
Termos religiosos, como graças a Deus e nossa (que vem de Nossa Senhora), são usados até por quem afirma não professar nenhuma fé. Não é isso que, de alguma forma, ocorre nas escolas?
ROSELI Há expressões que são culturais e as pessoas não param para pensar se estão dizendo algo com sentido religioso. Isso é observável também em outras línguas, como o gee, do inglês, pela inicial do nome da divindade (god). Dificilmente um ateu deixará de ser ateu porque disse nossa. Porém o que se vê nas escolas públicas brasileiras é muito diferente. O que se faz lá fere a lei.
Com o aumento do número de evangélicos, as práticas dessa religião também aparecem nas escolas públicas?
ROSELI A grande presença no interior das escolas brasileiras ainda é a de práticas católicas. De outros grupos, o que existe muitas vezes é a manifestação de valores e atitudes, voltadas para garantir respeito à sua identidade religiosa, para se defender de tentativas de imposição, notadamente dos católicos.
Muitas escolas tratam de temas religiosos com os jovens alegando que isso ajuda a combater a violência.
ROSELI A religião não impede a violência. A ideia de que ela sempre faz bem é equivocada. Basta lembrar que grande parte das guerras teve origem em conflitos religiosos. Na escola, a violência deve ser combatida com o ensino ao respeito e ao reconhecimento da dignidade intrínseca a todos, não com o pensamento de que apenas as pessoas que acreditam na mesma divindade merecem consideração.
Por que é importante separar a religião do cotidiano escolar?
ROSELI A escola pública não pode se transformar em centro de doutrinação ao sabor da cabeça de um ou de outro. O espaço público é de todos. Além disso, o respeito à diversidade é um conteúdo pedagógico. É importante aprender a conviver com as diferenças e a valorizá-las e não criar um ambiente de homogeneização, em que aquela pessoa que não se enquadra é deixada à parte ou vista com desconfiança e preconceito.
Como deve agir o gestor escolar para evitar irregularidades?
ROSELI O diretor da escola pública tem uma missão importante: fazer daquele espaço um lugar efetivamente para todos. Para tanto, o ensino religioso só deve existir se houver um requerimento dos pais solicitando-o. Caso contrário, não pode nem estar na grade. E, para que os filhos sejam matriculados na disciplina, é preciso que a família dê uma autorização por escrito. Os alunos não podem, em hipótese alguma, ser obrigados a frequentar essas aulas. As horas dedicadas à religião não devem ser computadas no histórico escolar para que os não-matriculados não tenham registrada uma carga horária menor do que os outros. O ideal é que o ensino religioso, quando houver, seja oferecido no contraturno. Nesse caso, cabe à escola disponibilizar outra atividade não religiosa no mesmo horário para configurar o caráter facultativo e a igualdade entre todos os alunos.
O que os pais podem fazer caso sintam que a escola está desrespeitando a liberdade religiosa?
ROSELI Tanto o Conselho Tutelar quanto o Ministério Público têm como função garantir o cumprimento das leis, inclusive as educacionais, e qualquer um desses órgãos pode ser acionado por quem achar que está tendo seus direitos violados.
As escolas confessionais e as particulares podem professar a sua fé?
ROSELI Sim. Os pais têm o direito de escolher a formação que querem dar aos filhos. A primeira LDB, de 1961, reconheceu (após muita polêmica) que deveria haver escolas particulares e, com elas, as confessionais, o que persiste até hoje. Na época, pensou-se no que fazer quando a família não tem condições financeiras para colocar a criança nessas instituições. Foram criadas então as bolsas de estudo, que são a origem do sistema de filantropia nas escolas. Porém essas escolas precisam seguir os PCNs e ensinar Língua Portuguesa, Matemática, Ciências e as outras disciplinas. Assim a criança vai aprender o que diz a fé, pela qual seus pais a colocaram ali, sem deixar de conhecer o que defende a Ciência.
Quais as implicações na formação integral da criança quando ela tem seu credo ou a opção por não seguir nenhuma crença desrespeitado?
ROSELI Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a família tem primazia na escolha da Educação que deve dar aos filhos, inclusive quanto à doutrina religiosa a seguir. Se em casa as crianças aprendem a cultuar de uma forma e na escola de outra, nasce um conflito de valores que pode comprometer a aprendizagem. Não é possível haver a imposição religiosa no ambiente educativo.
"Se essa lei for sancionada pelo presidente, nossa constituição será violada", afirma a professora Roseli Fischmann, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Metodista, de São Bernardo do Campo, na região metropolitana da capital paulista. Perita da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para a Coalizão de Cidades contra o Racismo e a Discriminação, responsável pelo capítulo sobre pluralidade cultural dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), coordenadora do grupo de pesquisa Discriminação, Preconceito e Estigma, vinculado à USP, e do Núcleo de Educação em Direitos Humanos, da Universidade Metodista e autora do livro Ensino Religioso em Escolas Públicas: Impactos sobre o Estado Laico, Roseli critica o acordo e fala, nesta entrevista a NOVA ESCOLA GESTÃO ESCOLAR, sobre as diversas e sempre irregulares maneiras de manifestação religiosa no cotidiano escolar.
O acordo assinado pelo presidente Lula com o Vaticano em 2008, que estipula a obrigatoriedade do ensino religioso nas escolas públicas, foi aprovado pelo Senado. E agora?
ROSELI FISCHMANN É importante ressaltar que o documento assinado pelo presidente da República prevê vários privilégios para a Igreja Católica: benefícios adicionais em termos de verbas públicas e ações com impacto sobre a cidadania, como a supressão de direitos trabalhistas para sacerdotes ou religiosos católicos, e a inclusão de espaços para templos católicos em planejamentos urbanos. Nesta entrevista, nos interessa o artigo sobre a obrigatoriedade do ensino religioso católico e de outras confissões religiosas, como está no texto. Mesmo fazendo menção a outras crenças, o acordo manifesta uma clara preferência por uma religião, o que obriga as escolas a adotar uma determinada confissão, e isso é inconstitucional. O Ministério das Relações Exteriores defende a iniciativa dizendo que não há problema, já que ela apenas reúne aquilo que já existe. Mas isso não é verdade.
Esse artigo poderia ter sido corrigido pelos parlamentares?
ROSELI Eles poderiam ter rejeitado o acordo. Quaisquer propostas de ressalvas precisariam ser revistas pelo Executivo e, como o documento tem caráter internacional e bilateral, nada poderia ser mudado sem a concordância do Vaticano. Ou seja, ficamos amarrados, o que caracteriza uma perigosa interferência no processo legislativo.
Com o acordo em vigor, o que pode acontecer nas escolas?
ROSELI Em relação ao ensino religioso em escolas públicas, será instalada uma mixórdia que abre a possibilidade de interpretações discordantes. Ainda que mencionado o caráter facultativo para o aluno, está criada uma obrigatoriedade do ensino católico, o que não existe nem na Constituição nem na LDB. E a nossa Constituição está sendo violada.
Por que misturar escola com religião é ilegal?
ROSELI No artigo 19 da Constituição, há dois incisos claros. O primeiro afirma ser vedado à União, aos estados, aos municípios e ao Distrito Federal estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público. O outro proíbe criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si. Ambos são os responsáveis pela definição do Estado laico, deixando-o imparcial e evitando privilegiar uma ou outra religião, para que não haja diferenças entre os brasileiros. Ora, se o Estado é laico, a escola pública que é parte desse Estado também deve sê-lo.
E as leis educacionais?
ROSELI Na própria Constituição, o artigo 210, parágrafo 1º, determina o ensino religioso facultativo para o aluno, nos horários normais das escolas públicas de Ensino Fundamental, o que pode se considerar como parte da tal ressalva da colaboração ao interesse público, citada na resposta acima. Já o artigo 33 da LDB diz que os sistemas de ensino ouvirão entidade civil, constituída pelas diferentes denominações religiosas, para a definição dos conteúdos do ensino religioso. Ou seja, essa entidade civil, a ser determinada, ou até criada, deve colaborar com a Secretaria de Educação em cada estado ou município. Isso é problemático porque quem quiser que a sua própria religião seja ensinada será obrigado a associar-se a essa entidade, ou não será sequer considerado no diálogo com o Estado, tendo assim violada sua liberdade de associação um direito garantido pela Constituição.
A lei deixa margem a dúvidas?
ROSELI Alguns termos deixam sim. O que se considera horário normal da escola? O tempo que a instituição passa aberta ou aquele em que a criança efetivamente estuda? Uma coisa é certa: a lei é explícita ao declarar que o ensino religioso é facultativo. Porém o que se vê são escolas públicas desrespeitando a opção das famílias e professando, irregularmente, uma fé no ambiente educacional.
Como essa questão é tratada em outros países?
ROSELI Nos Estados Unidos, simplesmente não há ensino religioso em escolas públicas, de nenhum nível. A Revolução Francesa ensinou a relevância da laicidade e hoje o país debate para preservar o Estado laico. Portugal está saindo gradativamente de um acordo que o ditador Antonio Salazar assinou com a Santa Sé em 1940 e aboliu o ensino religioso das escolas públicas.
Como a religião está presente no cotidiano da escola pública brasileira?
ROSELI Ela aparece, sempre de forma irregular, das mais diversas maneiras: o crucifixo na parede, imagens de santos ou de Maria nos diversos ambientes, no ato de rezar antes da merenda e das aulas, na comemoração de datas religiosas. Alguns professores chegam a usar textos bíblicos como material pedagógico para o ensino da Língua Portuguesa ou para trabalhar conteúdos de outras disciplinas. É um equívoco chamar essa abordagem de transversal porque quem faz isso enxerta conteúdo de uma disciplina facultativa numa obrigatória.
Atitudes como essas podem ser consideradas desrespeitosas mesmo quando a maioria dos alunos é adepta da mesma religião?
ROSELI Não importa se a escola tem só um estudante de fé diferente (ou ateu) ou se 100% dos alunos e funcionários compartilham a mesma crença. A escola é um espaço público e deve estar preparada para receber quaisquer pessoas com o respeito devido.
Termos religiosos, como graças a Deus e nossa (que vem de Nossa Senhora), são usados até por quem afirma não professar nenhuma fé. Não é isso que, de alguma forma, ocorre nas escolas?
ROSELI Há expressões que são culturais e as pessoas não param para pensar se estão dizendo algo com sentido religioso. Isso é observável também em outras línguas, como o gee, do inglês, pela inicial do nome da divindade (god). Dificilmente um ateu deixará de ser ateu porque disse nossa. Porém o que se vê nas escolas públicas brasileiras é muito diferente. O que se faz lá fere a lei.
Com o aumento do número de evangélicos, as práticas dessa religião também aparecem nas escolas públicas?
ROSELI A grande presença no interior das escolas brasileiras ainda é a de práticas católicas. De outros grupos, o que existe muitas vezes é a manifestação de valores e atitudes, voltadas para garantir respeito à sua identidade religiosa, para se defender de tentativas de imposição, notadamente dos católicos.
Muitas escolas tratam de temas religiosos com os jovens alegando que isso ajuda a combater a violência.
ROSELI A religião não impede a violência. A ideia de que ela sempre faz bem é equivocada. Basta lembrar que grande parte das guerras teve origem em conflitos religiosos. Na escola, a violência deve ser combatida com o ensino ao respeito e ao reconhecimento da dignidade intrínseca a todos, não com o pensamento de que apenas as pessoas que acreditam na mesma divindade merecem consideração.
Por que é importante separar a religião do cotidiano escolar?
ROSELI A escola pública não pode se transformar em centro de doutrinação ao sabor da cabeça de um ou de outro. O espaço público é de todos. Além disso, o respeito à diversidade é um conteúdo pedagógico. É importante aprender a conviver com as diferenças e a valorizá-las e não criar um ambiente de homogeneização, em que aquela pessoa que não se enquadra é deixada à parte ou vista com desconfiança e preconceito.
Como deve agir o gestor escolar para evitar irregularidades?
ROSELI O diretor da escola pública tem uma missão importante: fazer daquele espaço um lugar efetivamente para todos. Para tanto, o ensino religioso só deve existir se houver um requerimento dos pais solicitando-o. Caso contrário, não pode nem estar na grade. E, para que os filhos sejam matriculados na disciplina, é preciso que a família dê uma autorização por escrito. Os alunos não podem, em hipótese alguma, ser obrigados a frequentar essas aulas. As horas dedicadas à religião não devem ser computadas no histórico escolar para que os não-matriculados não tenham registrada uma carga horária menor do que os outros. O ideal é que o ensino religioso, quando houver, seja oferecido no contraturno. Nesse caso, cabe à escola disponibilizar outra atividade não religiosa no mesmo horário para configurar o caráter facultativo e a igualdade entre todos os alunos.
O que os pais podem fazer caso sintam que a escola está desrespeitando a liberdade religiosa?
ROSELI Tanto o Conselho Tutelar quanto o Ministério Público têm como função garantir o cumprimento das leis, inclusive as educacionais, e qualquer um desses órgãos pode ser acionado por quem achar que está tendo seus direitos violados.
As escolas confessionais e as particulares podem professar a sua fé?
ROSELI Sim. Os pais têm o direito de escolher a formação que querem dar aos filhos. A primeira LDB, de 1961, reconheceu (após muita polêmica) que deveria haver escolas particulares e, com elas, as confessionais, o que persiste até hoje. Na época, pensou-se no que fazer quando a família não tem condições financeiras para colocar a criança nessas instituições. Foram criadas então as bolsas de estudo, que são a origem do sistema de filantropia nas escolas. Porém essas escolas precisam seguir os PCNs e ensinar Língua Portuguesa, Matemática, Ciências e as outras disciplinas. Assim a criança vai aprender o que diz a fé, pela qual seus pais a colocaram ali, sem deixar de conhecer o que defende a Ciência.
Quais as implicações na formação integral da criança quando ela tem seu credo ou a opção por não seguir nenhuma crença desrespeitado?
ROSELI Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a família tem primazia na escolha da Educação que deve dar aos filhos, inclusive quanto à doutrina religiosa a seguir. Se em casa as crianças aprendem a cultuar de uma forma e na escola de outra, nasce um conflito de valores que pode comprometer a aprendizagem. Não é possível haver a imposição religiosa no ambiente educativo.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Há antivírus para combater a fofoca?
Dalmir Sant Anna
Dalmir Sant Anna
Palestrante mágico, pós-graduado em Gestão de Pessoas e bacharel em Comunicação Social. Autor do livro "Menos pode ser Mais" e de vários artigos publicados em revistas, sites e jornais. Considerado uma das grandes revelações da nova geração de palestrantes é um apaixonado pelo ilusionismo, que com carisma e entusiasmo, desperta mudanças comportamentais. Mágico profissional que desenvolve pesquisas científicas sobre Gestão com Pessoas para realizar um trabalho envolvente, com conteúdo cuidadosamente preparado, combinando a dose certa de descontração, informação e interatividade.
+ textos de Dalmir Sant Anna
Quantos fofoqueiros são necessários para substituir uma lâmpada queimada? Três: um para realizar a tarefa operacional e reclamar pela lâmpada ter queimado e dois para colocar em prática o vírus com comentários negativos sobre a roupa de quem está trabalhando, a maneira como subiu e desceu da escada e posteriormente, provocar comentários de como ficou o resultado da iluminação.
O vírus da fofoca pode ocorrer nos locais mais diversos com pequena ou grande quantidade de pessoas, em locais inusitados e quando um trabalhador demonstra expressiva dificuldade em acolher as mudanças que lhe são imposta - seja pelo ambiente profissional em que está inserido, ou ainda, pela forma como os outros colaboradores se relacionam, disseminando entre os colegas que o problema frequentemente está na empresa, na gestão, na liderança, nos equipamentos ou em algum outro fator externo. O antivírus é a ação de não levar adiante uma fofoca, prezando em valorizar a cooperação e estimular a proeminência do companheirismo.
Dar ouvidos a um fofoqueiro pode trazer consequências tristes - Lamentavelmente, o fofoqueiro é ainda um personagem garantido em muitas organizações e continuamente, lança o vírus da fofoca fazendo com que inúmeros profissionais levem consigo experiências negativas de empresas onde a fofoca gerou situações constrangedoras. Inúmeros desligamentos e afastamentos de locais de trabalho foram solicitados em decorrência da dificuldade de adaptação à cultura organizacional e aceitação aos colegas que frequentemente usavam da fofoca para buscar promoções e prejudicar o crescimento de um colaborador.
Observe que há pessoas que ficam incomodadas com o sucesso de outras e acabam não controlando a língua. Há pessoas que quando aborrecidas acabam disseminando o vírus da fofoca ao descobrir que você conquistou o primeiro lugar em uma competição, ingressou na universidade, iniciou um curso superior ou realizou uma conquista pessoal. Dar ouvidos a um fofoqueiro pode trazer consequências tristes, pois no momento de tirar os fatos a limpo, você pode ser considerado o culpado da história.
É momento de acionar o antivírus para combater a fofoca - Quando um colega de trabalho falar que a "boca é um túmulo", utilize o antivírus e realize o combate da fofoca. Detecte o vírus quando um intrigueiro somente fala mal dos outros, dissemina a discórdia e não é capaz de avaliar as falhas cometidas. O antivírus é acionado e entra em ação, quando a equipe de trabalho percebe que os resultados coletivos estão sendo prejudicados em decorrência da maledicência e dos boatos gerados por um ou mais integrantes da empresa.
Para realizar a remoção do vírus, a liderança não pode usar intermediários. Deve solicitar uma reunião, e de maneira enérgica colocar ponto final na situação. É momento de acionar o antivírus para combater a fofoca e compreender que o vírus pode ser disseminado por falta de experiência; entretanto, o fofoqueiro que recebeu uma dose de antivírus, foi alertado e já está avisado sobre o assunto.
A etiqueta corporativa abrange respeito aos demais colegas - Você foi convidado para um almoço por um colega de trabalho. Durante o encontro constata que o assunto principal é a disseminação do vírus da fofoca sobre outros colaboradores da empresa. Qual a sua conduta? Primeiramente é necessário demonstrar e deixar evidente que você é uma pessoa educada e profissional, agradecendo o convite do almoço. Em seguida, é necessário indicar que a etiqueta corporativa não é algo fútil e seu alcance está além de distinguir entre um garfo de salada e o do prato principal.
Acione o antivírus e mostre que não há interesse algum da sua parte, na continuidade da conversa sobre este assunto. Observe que a etiqueta corporativa abrange respeito aos demais colegas, principalmente, quando estes não estão presentes. O clima organizacional perde com a fofoca, através do vírus destrutivo do respeito ao próximo.
Normalmente, o fofoqueiro é o locutor oficial do programa "disse-me-disse" da "rádio peão" ou da "rádio corredor" (rede informal de comunicação transferida sem controle). Além de veicular intrigas e boatos, disponibiliza parte do seu tempo para ações improdutivas e deixa de realizar contribuições para o crescimento da empresa.
Quando um colega de trabalho entrar na sala e anunciar "vocês sabem da última?", imediatamente fique atento e acione o "antivírus do detector de fofocas", pois certamente, você estará ouvindo mais uma informação sem que os principais envolvidos estejam presentes.
Palavras-chave:
conflito
profissionalismo
postura profissional
Dalmir Sant Anna
Dalmir Sant Anna
Palestrante mágico, pós-graduado em Gestão de Pessoas e bacharel em Comunicação Social. Autor do livro "Menos pode ser Mais" e de vários artigos publicados em revistas, sites e jornais. Considerado uma das grandes revelações da nova geração de palestrantes é um apaixonado pelo ilusionismo, que com carisma e entusiasmo, desperta mudanças comportamentais. Mágico profissional que desenvolve pesquisas científicas sobre Gestão com Pessoas para realizar um trabalho envolvente, com conteúdo cuidadosamente preparado, combinando a dose certa de descontração, informação e interatividade.
+ textos de Dalmir Sant Anna
Quantos fofoqueiros são necessários para substituir uma lâmpada queimada? Três: um para realizar a tarefa operacional e reclamar pela lâmpada ter queimado e dois para colocar em prática o vírus com comentários negativos sobre a roupa de quem está trabalhando, a maneira como subiu e desceu da escada e posteriormente, provocar comentários de como ficou o resultado da iluminação.
O vírus da fofoca pode ocorrer nos locais mais diversos com pequena ou grande quantidade de pessoas, em locais inusitados e quando um trabalhador demonstra expressiva dificuldade em acolher as mudanças que lhe são imposta - seja pelo ambiente profissional em que está inserido, ou ainda, pela forma como os outros colaboradores se relacionam, disseminando entre os colegas que o problema frequentemente está na empresa, na gestão, na liderança, nos equipamentos ou em algum outro fator externo. O antivírus é a ação de não levar adiante uma fofoca, prezando em valorizar a cooperação e estimular a proeminência do companheirismo.
Dar ouvidos a um fofoqueiro pode trazer consequências tristes - Lamentavelmente, o fofoqueiro é ainda um personagem garantido em muitas organizações e continuamente, lança o vírus da fofoca fazendo com que inúmeros profissionais levem consigo experiências negativas de empresas onde a fofoca gerou situações constrangedoras. Inúmeros desligamentos e afastamentos de locais de trabalho foram solicitados em decorrência da dificuldade de adaptação à cultura organizacional e aceitação aos colegas que frequentemente usavam da fofoca para buscar promoções e prejudicar o crescimento de um colaborador.
Observe que há pessoas que ficam incomodadas com o sucesso de outras e acabam não controlando a língua. Há pessoas que quando aborrecidas acabam disseminando o vírus da fofoca ao descobrir que você conquistou o primeiro lugar em uma competição, ingressou na universidade, iniciou um curso superior ou realizou uma conquista pessoal. Dar ouvidos a um fofoqueiro pode trazer consequências tristes, pois no momento de tirar os fatos a limpo, você pode ser considerado o culpado da história.
É momento de acionar o antivírus para combater a fofoca - Quando um colega de trabalho falar que a "boca é um túmulo", utilize o antivírus e realize o combate da fofoca. Detecte o vírus quando um intrigueiro somente fala mal dos outros, dissemina a discórdia e não é capaz de avaliar as falhas cometidas. O antivírus é acionado e entra em ação, quando a equipe de trabalho percebe que os resultados coletivos estão sendo prejudicados em decorrência da maledicência e dos boatos gerados por um ou mais integrantes da empresa.
Para realizar a remoção do vírus, a liderança não pode usar intermediários. Deve solicitar uma reunião, e de maneira enérgica colocar ponto final na situação. É momento de acionar o antivírus para combater a fofoca e compreender que o vírus pode ser disseminado por falta de experiência; entretanto, o fofoqueiro que recebeu uma dose de antivírus, foi alertado e já está avisado sobre o assunto.
A etiqueta corporativa abrange respeito aos demais colegas - Você foi convidado para um almoço por um colega de trabalho. Durante o encontro constata que o assunto principal é a disseminação do vírus da fofoca sobre outros colaboradores da empresa. Qual a sua conduta? Primeiramente é necessário demonstrar e deixar evidente que você é uma pessoa educada e profissional, agradecendo o convite do almoço. Em seguida, é necessário indicar que a etiqueta corporativa não é algo fútil e seu alcance está além de distinguir entre um garfo de salada e o do prato principal.
Acione o antivírus e mostre que não há interesse algum da sua parte, na continuidade da conversa sobre este assunto. Observe que a etiqueta corporativa abrange respeito aos demais colegas, principalmente, quando estes não estão presentes. O clima organizacional perde com a fofoca, através do vírus destrutivo do respeito ao próximo.
Normalmente, o fofoqueiro é o locutor oficial do programa "disse-me-disse" da "rádio peão" ou da "rádio corredor" (rede informal de comunicação transferida sem controle). Além de veicular intrigas e boatos, disponibiliza parte do seu tempo para ações improdutivas e deixa de realizar contribuições para o crescimento da empresa.
Quando um colega de trabalho entrar na sala e anunciar "vocês sabem da última?", imediatamente fique atento e acione o "antivírus do detector de fofocas", pois certamente, você estará ouvindo mais uma informação sem que os principais envolvidos estejam presentes.
Palavras-chave:
conflito
profissionalismo
postura profissional
Vigiar e punir na sociedade de controle
Maria Bernadete Pupo
Maria Bernadete Pupo
Maria Bernadete Pupo é administradora de empresas, pós-graduada em Direito do Trabalho e Mestra em Recursos Humanos pelo Unifieo, onde é responsável pela gerência de RH e também palestrante para os cursos de MBA. Dinâmica e atuante é colaboradora de conteúdos para sites e outros órgãos que publicam matérias e informações sobre a sua área de especialização. É autora do livro "Empregabilidade acima dos 40 anos" pela Editora Expressão e arte. É docente dos cursos de graduação e de pós-graduação nas Faculdades Flamingo e Fito - Fundação Instituto Tecnológico de Osasco
O poder do homem sobre o homem começou desde que o ser humano sentiu a necessidade de multiplicar-se e evoluir culturalmente; foi justamente na passagem da modernidade para a contemporaneidade que ocorreu a mudança de um modelo social. O mundo foi se desenvolvendo e como consequência ampliou-se a importância da atividade de controle de uma minoria poderosa sobre a massa.
Com isso, as instituições sociais modernas produzem indivíduos muito mais móveis e flexíveis socialmente do que antes. Dessa forma, mesmo que o trabalhador esteja fora de seu local de trabalho, continua a ser intensamente governado pela lógica disciplinar. Michel Foucault nos apresenta o modelo disciplinar, representado pelo Panóptico, que nada mais é do que a máquina óptica do Século XVIII, que tanto serviria para prisões, quanto para hospitais, escolas e fábricas, e visava manter em constante vigilância as pessoas que, por algum motivo, poderiam infringir ou já teriam infringido as lei.
O Panóptico faz uso de dois modelos: o da exclusão e o da disciplina. O principal objetivo desta "máquina" é fazer com que as pessoas tenham total consciência de que podem ser vigiadas a qualquer momento e saibam que serão punidas se faltarem com a ordem, caso alguém esteja vigiando.
Essa introdução retrata parte da vida humana na atual sociedade, cuja função é disciplinar, vigiar e punir as pessoas inseridas no mundo corporativo. As organizações cada vez mais preocupadas com segurança, com aumento de produtividade e com redução de custos, apelam para as mais variadas formas de vigilância, adotando mecanismos mais sofisticados de controles invisíveis.
Nesse caso vemos desde programas de monitoramento de atividades em computadores, câmeras instaladas em diversos pontos, relógios de ponto eletrônico digitais, para se ter a certeza de que o funcionário está na organização; catracas para controlar o movimento entre os departamentos, como se todos ali participassem de um grande programa de "Big Brothers". Além disso, as empresas também analisam conversas por telefone, pela central de telefonia, em que os monitores podem entrar em ligação sem que ninguém perceba, tudo em nome do controle da qualidade. Os sistemas permitem ver o ramal que ligou e a duração da conversa.
Para se evitar problemas de ordem legal, geralmente a política das organizações é transparente, expondo ao funcionário, na hora da contratação, algumas punições que podem chegar à demissão. Com isso, os dispositivos de poder ficam circunscritos aos espaços fechados dessas instituições, o que lhes permite atuar em todas as esferas sociais.O que presenciamos na sociedade de controle é que houve uma espécie de incorporação da disciplina, por meio da presença de algum tipo de autoridade investida de poderes capazes de impor os procedimentos de poder e de saber, através do olho que vigia e pune.
E nesse dinâmico mundo disciplinar, vence quem padroniza o seu comportamento, ao perder sua intimidade e sua identidade; aquele que se afasta de seu "eu" e ao final acaba sendo produto e produtor desse desumano modelo social que nós mesmos ajudamos a manter. Não somos simples marionetes deste jogo de forças, como pensamos, mas, sim, co-autores dele, ao nos adaptarmos e silenciarmos diante dele com naturalidade, como se fosse mesmo natural passarmos de pessoa humana à cifra, e ainda ajudar a manter esse estado de ser ou de "não-ser."
Palavras-chave:
postura profissional
flexibilidade
Maria Bernadete Pupo
Maria Bernadete Pupo
Maria Bernadete Pupo é administradora de empresas, pós-graduada em Direito do Trabalho e Mestra em Recursos Humanos pelo Unifieo, onde é responsável pela gerência de RH e também palestrante para os cursos de MBA. Dinâmica e atuante é colaboradora de conteúdos para sites e outros órgãos que publicam matérias e informações sobre a sua área de especialização. É autora do livro "Empregabilidade acima dos 40 anos" pela Editora Expressão e arte. É docente dos cursos de graduação e de pós-graduação nas Faculdades Flamingo e Fito - Fundação Instituto Tecnológico de Osasco
O poder do homem sobre o homem começou desde que o ser humano sentiu a necessidade de multiplicar-se e evoluir culturalmente; foi justamente na passagem da modernidade para a contemporaneidade que ocorreu a mudança de um modelo social. O mundo foi se desenvolvendo e como consequência ampliou-se a importância da atividade de controle de uma minoria poderosa sobre a massa.
Com isso, as instituições sociais modernas produzem indivíduos muito mais móveis e flexíveis socialmente do que antes. Dessa forma, mesmo que o trabalhador esteja fora de seu local de trabalho, continua a ser intensamente governado pela lógica disciplinar. Michel Foucault nos apresenta o modelo disciplinar, representado pelo Panóptico, que nada mais é do que a máquina óptica do Século XVIII, que tanto serviria para prisões, quanto para hospitais, escolas e fábricas, e visava manter em constante vigilância as pessoas que, por algum motivo, poderiam infringir ou já teriam infringido as lei.
O Panóptico faz uso de dois modelos: o da exclusão e o da disciplina. O principal objetivo desta "máquina" é fazer com que as pessoas tenham total consciência de que podem ser vigiadas a qualquer momento e saibam que serão punidas se faltarem com a ordem, caso alguém esteja vigiando.
Essa introdução retrata parte da vida humana na atual sociedade, cuja função é disciplinar, vigiar e punir as pessoas inseridas no mundo corporativo. As organizações cada vez mais preocupadas com segurança, com aumento de produtividade e com redução de custos, apelam para as mais variadas formas de vigilância, adotando mecanismos mais sofisticados de controles invisíveis.
Nesse caso vemos desde programas de monitoramento de atividades em computadores, câmeras instaladas em diversos pontos, relógios de ponto eletrônico digitais, para se ter a certeza de que o funcionário está na organização; catracas para controlar o movimento entre os departamentos, como se todos ali participassem de um grande programa de "Big Brothers". Além disso, as empresas também analisam conversas por telefone, pela central de telefonia, em que os monitores podem entrar em ligação sem que ninguém perceba, tudo em nome do controle da qualidade. Os sistemas permitem ver o ramal que ligou e a duração da conversa.
Para se evitar problemas de ordem legal, geralmente a política das organizações é transparente, expondo ao funcionário, na hora da contratação, algumas punições que podem chegar à demissão. Com isso, os dispositivos de poder ficam circunscritos aos espaços fechados dessas instituições, o que lhes permite atuar em todas as esferas sociais.O que presenciamos na sociedade de controle é que houve uma espécie de incorporação da disciplina, por meio da presença de algum tipo de autoridade investida de poderes capazes de impor os procedimentos de poder e de saber, através do olho que vigia e pune.
E nesse dinâmico mundo disciplinar, vence quem padroniza o seu comportamento, ao perder sua intimidade e sua identidade; aquele que se afasta de seu "eu" e ao final acaba sendo produto e produtor desse desumano modelo social que nós mesmos ajudamos a manter. Não somos simples marionetes deste jogo de forças, como pensamos, mas, sim, co-autores dele, ao nos adaptarmos e silenciarmos diante dele com naturalidade, como se fosse mesmo natural passarmos de pessoa humana à cifra, e ainda ajudar a manter esse estado de ser ou de "não-ser."
Palavras-chave:
postura profissional
flexibilidade
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flexibilidade,
postura profissional
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
A Remuneração justa e adequada
O primeiro pilar da QVT: A Remuneração Justa e Adequada.
Prof. Chafic Jbeili – www.chafic.com.br
O trabalho é a fonte mais lícita para realização de qualquer necessidade ou desejo humanos.
Nada do que se possa desejar conquistar com honra e dignidade está fora do trabalho a não ser a herança familiar, entre outras raras exceções da mesma distinção. Por isto, todo trabalho honesto deve ser considerado uma bênção, mesmo que ainda não seja o ideal em termos de ganhos financeiros ou emocionais.
De forma restrita à dimensão financeira, é por meio da remuneração obtida com o trabalho realizado que o trabalhador busca saciar desde necessidades primordiais como alimentação, educação, saúde, higiene, lazer, vestuário, moradia e segurança até a realização de desejos de consumo mais sofisticados como aquisição de bens móveis e imóveis de luxo, além de serviços não-essenciais relacionados a hobbies, a estética, a caprichos especiais e à autorealização.
Desta forma, cada pessoa tem a sua escala particular do que seja uma remuneração justa e adequada sobre um mesmo tipo de trabalho. Infelizmente, por questões de sobrevivência e eventuais necessidades muitas pessoas se submetem a trabalhos que estão bem aquém de seus anseios, vocações e inclusive de sua capacidade profissional porquanto sua retidão de caráter não admite outra forma de manutenção de sua vida e de sua família a não ser pelo trabalho honesto, ainda que este trabalho não corresponda às suas competências e disposição de ideais.
Ideal ou não, mas de modo geral virtuoso, o trabalho é sempre algo inerente à sobrevivência dos homens e mulheres de bem. Neste aspecto, a percepção que cada pessoa elabora entre aquilo que faz e o valor de sua remuneração determina parte significativa de seu sentimento de mais valia, decência laboral e decoro existencial.
Quando alguém acredita que não ganha o suficiente pelo que faz, então ela passa a se sentir injustiçada, explorada, desrespeitada e sua produtividade cai proporcionalmente. De igual modo, mesmo que um trabalhador possa considerar sua remuneração justa, por outro lado ela também pode paralelamente sustentar certo sentimento de que a remuneração que recebe é inadequada às suas expectativas de vida, amenizando a esperança de realização e conquista das coisas que sonha adquirir. Quando a remuneração de um trabalhador não é suficiente para proporcionar, mesmo que em longo prazo, tudo o que ele sonha conquistar em sua vida, a desilusão é inevitável.
Para Richard E. Walton, professor de Administração em Harvard, a perda da QVT é uma conseqüência não apenas da remuneração justa e adequada em algumas relações de trabalho, mas de outras sete dimensões de caráter ambiental e humana que foram naturalmente negligenciadas durante a consolidação da dinâmica industrial de produção e consumo, privilegiando os aspectos da produtividade em massa, das novas tecnologias e da expansão econômica em detrimento do bem estar do trabalhador.
Nada pior para os resultados de qualquer organização do que um profissional com o sentimento de que está sendo abusado e explorado pela empresa. Tanto o sentimento de injustiça quanto o de inadequação da remuneração são extremamente nocivos para o desempenho do trabalhador, comprometendo sua qualidade de vida no ambiente de trabalho e interferindo em sua produtividade.
Apenas para ilustrar o raciocínio, eu recebo alguns e-mails, cujas histórias chocantes de professores que milagrosamente sobrevivem com salários entre R$150,00 e R$500,00 por mês me fazem perder o apetite, tamanha a indignação que experimento. Uma quantidade considerável de professores tem outros diversos tipos de trabalhos além da escola. Muitos contam precisar dar aulas particulares, fazer artesanatos, trabalhar em feiras nos finais de semana, entre outros inúmeros tipos de “bicos” para complementar a renda e não deixar faltar o pão de cada dia.
A proposta de federalização da Educação no Brasil, defendida pelo Senador Cristovam Buarque, pelo menos para determinar um piso salarial do professor no Brasil é algo que a classe docente mais privilegiada deveria abraçar em favor dos colegas menos favorecidos, que são a maioria em nosso país. Não basta o Governo gastar milhões com publicidade para dizer que a Educação é primordial e que o professor é importante, isto já sabemos! O que deveria ser realmente primordial e importante para o Estado é a valorização dos educadores para que tenham melhores condições de vida, a partir da remuneração justa e adequada à sua sobrevivência e realização pessoal.
Acredito que o impacto da atividade diária, constante e sistemática na vida das pessoas é de tal grandeza subjetiva que se confunde ao seu próprio caráter, moldando os usos e costumes de cada pessoa conforme o trabalho que realiza. Assim, cada pessoa se torna aquilo que ela faz e cada qual continua a fazer ou deixa de fazer conforme o reconhecimento que recebe pelo que faz. Neste sentido, a remuneração pode não ser a única, mas certamente é um dos principais fatores de percepção deste reconhecimento que tanto se espera pelo que se faz.
Na sequência deste raciocínio encontra-se amparado o primeiro pilar da QVT desta série, pois é do reconhecimento de seu trabalho que a pessoa pode medir a pertinência de seus esforços; e a partir daí poderá tolerar melhor suas angústias, suas privações e até suas decepções no processo de consecução de suas tarefas. Ao fazer as contas entre aquilo que faz e quanto recebe por compensação, a pessoa dará sentido objetivo ao seu trabalho e, por extensão, à sua vida de modo geral, pois é o valor do salário que determinará se um trabalhador irá viver de verdade ou apenas sobreviver.
De modo geral, pode-se medir a lisura de uma pessoa simplesmente pelo valor institucional que ela atribui ao emprego, enquanto fonte de renda e realização pessoal, em especial quando não o tem. As pessoas que se abatem com a falta de um emprego são muito mais nobres em suas essências do que aqueles que se mostram indiferentes e acomodados diante do ócio contínuo.
Quem vive do ócio acomoda-se na vã expectativa de um emprego mais digno de seu currículo, porém o trabalhador de verdade é dignificado pelo trabalho que realiza, enquanto suas expectativas não são contempladas plenamente. Nenhum trabalho é vergonhoso, desde que seja realizado por livre escolha, proporcione algum prazer e também seja produtivo e proporcionalmente rentável.
Enfim, por trás de um enunciado de boas intenções na valorização do trabalhador, corporações de todos os tipos, tamanhos e setores abusam e exploram sua força de trabalho da forma que melhor lhes convém. Esta inobservância ao primeiro pilar da QVT acaba se revertendo contra a sobrevida da própria instituição. O trabalho com remuneração justa e adequada transforma a pessoa em alguém melhor do que era antes de seu oportuno e merecido reconhecimento. Nada melhor para uma instituição do que um trabalhador grato, com sentimento de remuneração justa e adequada pelo trabalho que realiza!
Publicado em: www.chaficjbeili.blogspot.com
Prof. Chafic Jbeili – www.chafic.com.br
O trabalho é a fonte mais lícita para realização de qualquer necessidade ou desejo humanos.
Nada do que se possa desejar conquistar com honra e dignidade está fora do trabalho a não ser a herança familiar, entre outras raras exceções da mesma distinção. Por isto, todo trabalho honesto deve ser considerado uma bênção, mesmo que ainda não seja o ideal em termos de ganhos financeiros ou emocionais.
De forma restrita à dimensão financeira, é por meio da remuneração obtida com o trabalho realizado que o trabalhador busca saciar desde necessidades primordiais como alimentação, educação, saúde, higiene, lazer, vestuário, moradia e segurança até a realização de desejos de consumo mais sofisticados como aquisição de bens móveis e imóveis de luxo, além de serviços não-essenciais relacionados a hobbies, a estética, a caprichos especiais e à autorealização.
Desta forma, cada pessoa tem a sua escala particular do que seja uma remuneração justa e adequada sobre um mesmo tipo de trabalho. Infelizmente, por questões de sobrevivência e eventuais necessidades muitas pessoas se submetem a trabalhos que estão bem aquém de seus anseios, vocações e inclusive de sua capacidade profissional porquanto sua retidão de caráter não admite outra forma de manutenção de sua vida e de sua família a não ser pelo trabalho honesto, ainda que este trabalho não corresponda às suas competências e disposição de ideais.
Ideal ou não, mas de modo geral virtuoso, o trabalho é sempre algo inerente à sobrevivência dos homens e mulheres de bem. Neste aspecto, a percepção que cada pessoa elabora entre aquilo que faz e o valor de sua remuneração determina parte significativa de seu sentimento de mais valia, decência laboral e decoro existencial.
Quando alguém acredita que não ganha o suficiente pelo que faz, então ela passa a se sentir injustiçada, explorada, desrespeitada e sua produtividade cai proporcionalmente. De igual modo, mesmo que um trabalhador possa considerar sua remuneração justa, por outro lado ela também pode paralelamente sustentar certo sentimento de que a remuneração que recebe é inadequada às suas expectativas de vida, amenizando a esperança de realização e conquista das coisas que sonha adquirir. Quando a remuneração de um trabalhador não é suficiente para proporcionar, mesmo que em longo prazo, tudo o que ele sonha conquistar em sua vida, a desilusão é inevitável.
Para Richard E. Walton, professor de Administração em Harvard, a perda da QVT é uma conseqüência não apenas da remuneração justa e adequada em algumas relações de trabalho, mas de outras sete dimensões de caráter ambiental e humana que foram naturalmente negligenciadas durante a consolidação da dinâmica industrial de produção e consumo, privilegiando os aspectos da produtividade em massa, das novas tecnologias e da expansão econômica em detrimento do bem estar do trabalhador.
Nada pior para os resultados de qualquer organização do que um profissional com o sentimento de que está sendo abusado e explorado pela empresa. Tanto o sentimento de injustiça quanto o de inadequação da remuneração são extremamente nocivos para o desempenho do trabalhador, comprometendo sua qualidade de vida no ambiente de trabalho e interferindo em sua produtividade.
Apenas para ilustrar o raciocínio, eu recebo alguns e-mails, cujas histórias chocantes de professores que milagrosamente sobrevivem com salários entre R$150,00 e R$500,00 por mês me fazem perder o apetite, tamanha a indignação que experimento. Uma quantidade considerável de professores tem outros diversos tipos de trabalhos além da escola. Muitos contam precisar dar aulas particulares, fazer artesanatos, trabalhar em feiras nos finais de semana, entre outros inúmeros tipos de “bicos” para complementar a renda e não deixar faltar o pão de cada dia.
A proposta de federalização da Educação no Brasil, defendida pelo Senador Cristovam Buarque, pelo menos para determinar um piso salarial do professor no Brasil é algo que a classe docente mais privilegiada deveria abraçar em favor dos colegas menos favorecidos, que são a maioria em nosso país. Não basta o Governo gastar milhões com publicidade para dizer que a Educação é primordial e que o professor é importante, isto já sabemos! O que deveria ser realmente primordial e importante para o Estado é a valorização dos educadores para que tenham melhores condições de vida, a partir da remuneração justa e adequada à sua sobrevivência e realização pessoal.
Acredito que o impacto da atividade diária, constante e sistemática na vida das pessoas é de tal grandeza subjetiva que se confunde ao seu próprio caráter, moldando os usos e costumes de cada pessoa conforme o trabalho que realiza. Assim, cada pessoa se torna aquilo que ela faz e cada qual continua a fazer ou deixa de fazer conforme o reconhecimento que recebe pelo que faz. Neste sentido, a remuneração pode não ser a única, mas certamente é um dos principais fatores de percepção deste reconhecimento que tanto se espera pelo que se faz.
Na sequência deste raciocínio encontra-se amparado o primeiro pilar da QVT desta série, pois é do reconhecimento de seu trabalho que a pessoa pode medir a pertinência de seus esforços; e a partir daí poderá tolerar melhor suas angústias, suas privações e até suas decepções no processo de consecução de suas tarefas. Ao fazer as contas entre aquilo que faz e quanto recebe por compensação, a pessoa dará sentido objetivo ao seu trabalho e, por extensão, à sua vida de modo geral, pois é o valor do salário que determinará se um trabalhador irá viver de verdade ou apenas sobreviver.
De modo geral, pode-se medir a lisura de uma pessoa simplesmente pelo valor institucional que ela atribui ao emprego, enquanto fonte de renda e realização pessoal, em especial quando não o tem. As pessoas que se abatem com a falta de um emprego são muito mais nobres em suas essências do que aqueles que se mostram indiferentes e acomodados diante do ócio contínuo.
Quem vive do ócio acomoda-se na vã expectativa de um emprego mais digno de seu currículo, porém o trabalhador de verdade é dignificado pelo trabalho que realiza, enquanto suas expectativas não são contempladas plenamente. Nenhum trabalho é vergonhoso, desde que seja realizado por livre escolha, proporcione algum prazer e também seja produtivo e proporcionalmente rentável.
Enfim, por trás de um enunciado de boas intenções na valorização do trabalhador, corporações de todos os tipos, tamanhos e setores abusam e exploram sua força de trabalho da forma que melhor lhes convém. Esta inobservância ao primeiro pilar da QVT acaba se revertendo contra a sobrevida da própria instituição. O trabalho com remuneração justa e adequada transforma a pessoa em alguém melhor do que era antes de seu oportuno e merecido reconhecimento. Nada melhor para uma instituição do que um trabalhador grato, com sentimento de remuneração justa e adequada pelo trabalho que realiza!
Publicado em: www.chaficjbeili.blogspot.com
sábado, 24 de outubro de 2009
Histórico de Summerhill
Summerhill é uma escola que se localiza na Inglaterra.
Fundada em 1921 pelo educador Alexander Sutherland Neill, é uma das pioneiras dentro do movimento das chamadas "escolas democráticas". Atende a crianças dos ensino fundamental e médio (secundário). Atualmente é dirigida pela filha do fundador, Zoe Readhead
Uma escola democrática caracteriza-se por dois princípios básicos:
a possibilidade de os alunos escolherem se querem ou não assistir as aulas; e
a dinâmica de assembléias, onde todos participam, para decidir as normas da escola.
Summerhill destaca-se por defender que as crianças aprendem melhor se livres dos instrumentos de coerção e repressão utilizados pela grande maioria das escolas. Nela todas as aulas são opcionais, os alunos podem escolher as que desejam freqüentar e as que não desejam. Neill fundou a escola acreditando que "uma criança deve viver a sua própria vida - não uma vida que seus pais acreditem que ela deva viver, não uma vida decidida por um educador que supõe saber o que é melhor para a criança."
Em 1917 Neill conheceu o trabalho da "Little Commonwealth", uma escola-reformatório coordenada por Homer Lane, psicanalista estadunidense. O que mais lhe chamou a atenção nela foi que os próprios jovens internos, detidos por cometerem diversos tipos de delitos, geriam-lhe o espaço.
Outro psicanalista que teve forte influência sobre Summerhill foi Wilhelm Reich, amigo pessoal e também analista de Neill. Nota-se a presença de suas idéias em especial na defesa de uma educação coletiva em substituição à educação burguesa e socialmente estratificada.
Reich elaborou alguns escritos sobre educação, em que discute quais seriam as formas de educar adequadas e as não adequadas, tendo em vista a felicidade das pessoas. Para ele, uma educação que frustre demais ou que satisfaça demais está fadada ao fracasso. Frustrar demais significa criar uma pessoa encolhida, incapaz de satisfazer as suas próprias vontades; por outro lado, satisfazer demais significa criar uma pessoa incapaz de conviver socialmente.
A educação tradicional defende e estimula a repressão dos instintos e das vontades na infância e a psicanálise vai influenciar fortemente Neill ao acrescentar que essa repressão é responsável por muitas das neuroses que se manifestam na pessoa, tanto quando ela ainda é criança quanto ao longo da vida adulta.
Neill estabeleceu que a principal meta de uma escola deve ser auxiliar os seus alunos para que estes sejam capazes de encontrar a própria felicidade e é por isso que propõs um modelo muito diferente do das escolas tradicionais, que segundo ele só conseguem promover uma atmosfera de medo. Para uma pessoa ser feliz ela precisa ser livre para escolher os seus próprios caminhos. É por isso que em Sumerhill renunciou a qualquer tipo de autoridade moral e hierarquia.
Em Summerhill, nenhum adulto tem mais direitos que uma criança, todos tem direitos iguais. Todos devem ser livres, entendendo liberdade como uma construção coletiva e respeitar os iguais. A liberdade precisa que todos sejam livres para existir.
A pedagogia tracional supõe que as crianças possuem uma tendência natural ao egoísmo, sendo necessário uma interferência autoritária por parte da família e da escola, para desenvolver o altruísmo. Summerhill parte do princípio de que as crianças realmente são egoístas, mas que, crescendo sem medos, desenvolvem o altruísmo naturalmente. Ao se tentar impor a elas um comportamento altruísta para fugir do pretenso egoísmo natural é que se cristaliza esse comportamento. Ou seja, a educação tradicional erra por acreditar que é necessária uma interferência autoritária, sem perceber que é justamente esse tipo de interferência que alimenta aquilo que identifica como problema. Segundo Neill é somente através do medo que se pode tentar forçar o interesse de alguém.
Em Summerhill todas as regras de convívio e as soluções aos problemas que surgem no dia-a-dia são resolvidas conjuntamente em uma assembléia que ocorre semanalmente, na qual cada pessoa, seja criança, professor ou funcionário, tem direito a falar e votar, sendo que o peso do voto é igual para todos. As normas da escola são construídas por todos, todos sentem-se parte do coletivo e se empenham em aprimorá-lo. Um bom exemplo disso são as punições definidas pela Assembléia. Em uma ocasião, um menino, que não tinha dinheiro para ter a sua própria bicicleta, pegou uma de outra criança para dar uma volta e acabou estragando-a. A punição acertada foi que todos os membros da escola juntassem dinheiro para consertar a bicicleta estragada e para comprar uma para o menino que não tinha a sua. Não existe sentimento de ódio vinculado a punição.
A escola
Summerhill atende alunos de 5 a 16 anos. As crianças são divididas em três grupos etários: dos 5 aos 7 anos, dos 8 aos 10 anos, dos 11 aos 15 anos.
As crianças dormem na escola durante o período letivo e são instaladas por grupos etários com uma "mãe-da-casa" para cada grupo. Os alunos não sofrem inspeção nos quartos e ninguém é responsável por pegar os objetos pessoais deixados fora do lugar além, é claro, do próprio dono.
As manhãs são destinadas para as lições e as tardes são livres para atividades diversas que as crianças desejem desenvolver. Apesar de os alunos não serem obrigados a participar das aulas, um grupo pode expulsar de uma aula um aluno faltoso por atrapalhar o andamento dos trabalhos.
Bibliografia
NEILL, A. S.. Liberdade sem medo. São Paulo: IBRASA, 1977.
Fundada em 1921 pelo educador Alexander Sutherland Neill, é uma das pioneiras dentro do movimento das chamadas "escolas democráticas". Atende a crianças dos ensino fundamental e médio (secundário). Atualmente é dirigida pela filha do fundador, Zoe Readhead
Uma escola democrática caracteriza-se por dois princípios básicos:
a possibilidade de os alunos escolherem se querem ou não assistir as aulas; e
a dinâmica de assembléias, onde todos participam, para decidir as normas da escola.
Summerhill destaca-se por defender que as crianças aprendem melhor se livres dos instrumentos de coerção e repressão utilizados pela grande maioria das escolas. Nela todas as aulas são opcionais, os alunos podem escolher as que desejam freqüentar e as que não desejam. Neill fundou a escola acreditando que "uma criança deve viver a sua própria vida - não uma vida que seus pais acreditem que ela deva viver, não uma vida decidida por um educador que supõe saber o que é melhor para a criança."
Em 1917 Neill conheceu o trabalho da "Little Commonwealth", uma escola-reformatório coordenada por Homer Lane, psicanalista estadunidense. O que mais lhe chamou a atenção nela foi que os próprios jovens internos, detidos por cometerem diversos tipos de delitos, geriam-lhe o espaço.
Outro psicanalista que teve forte influência sobre Summerhill foi Wilhelm Reich, amigo pessoal e também analista de Neill. Nota-se a presença de suas idéias em especial na defesa de uma educação coletiva em substituição à educação burguesa e socialmente estratificada.
Reich elaborou alguns escritos sobre educação, em que discute quais seriam as formas de educar adequadas e as não adequadas, tendo em vista a felicidade das pessoas. Para ele, uma educação que frustre demais ou que satisfaça demais está fadada ao fracasso. Frustrar demais significa criar uma pessoa encolhida, incapaz de satisfazer as suas próprias vontades; por outro lado, satisfazer demais significa criar uma pessoa incapaz de conviver socialmente.
A educação tradicional defende e estimula a repressão dos instintos e das vontades na infância e a psicanálise vai influenciar fortemente Neill ao acrescentar que essa repressão é responsável por muitas das neuroses que se manifestam na pessoa, tanto quando ela ainda é criança quanto ao longo da vida adulta.
Neill estabeleceu que a principal meta de uma escola deve ser auxiliar os seus alunos para que estes sejam capazes de encontrar a própria felicidade e é por isso que propõs um modelo muito diferente do das escolas tradicionais, que segundo ele só conseguem promover uma atmosfera de medo. Para uma pessoa ser feliz ela precisa ser livre para escolher os seus próprios caminhos. É por isso que em Sumerhill renunciou a qualquer tipo de autoridade moral e hierarquia.
Em Summerhill, nenhum adulto tem mais direitos que uma criança, todos tem direitos iguais. Todos devem ser livres, entendendo liberdade como uma construção coletiva e respeitar os iguais. A liberdade precisa que todos sejam livres para existir.
A pedagogia tracional supõe que as crianças possuem uma tendência natural ao egoísmo, sendo necessário uma interferência autoritária por parte da família e da escola, para desenvolver o altruísmo. Summerhill parte do princípio de que as crianças realmente são egoístas, mas que, crescendo sem medos, desenvolvem o altruísmo naturalmente. Ao se tentar impor a elas um comportamento altruísta para fugir do pretenso egoísmo natural é que se cristaliza esse comportamento. Ou seja, a educação tradicional erra por acreditar que é necessária uma interferência autoritária, sem perceber que é justamente esse tipo de interferência que alimenta aquilo que identifica como problema. Segundo Neill é somente através do medo que se pode tentar forçar o interesse de alguém.
Em Summerhill todas as regras de convívio e as soluções aos problemas que surgem no dia-a-dia são resolvidas conjuntamente em uma assembléia que ocorre semanalmente, na qual cada pessoa, seja criança, professor ou funcionário, tem direito a falar e votar, sendo que o peso do voto é igual para todos. As normas da escola são construídas por todos, todos sentem-se parte do coletivo e se empenham em aprimorá-lo. Um bom exemplo disso são as punições definidas pela Assembléia. Em uma ocasião, um menino, que não tinha dinheiro para ter a sua própria bicicleta, pegou uma de outra criança para dar uma volta e acabou estragando-a. A punição acertada foi que todos os membros da escola juntassem dinheiro para consertar a bicicleta estragada e para comprar uma para o menino que não tinha a sua. Não existe sentimento de ódio vinculado a punição.
A escola
Summerhill atende alunos de 5 a 16 anos. As crianças são divididas em três grupos etários: dos 5 aos 7 anos, dos 8 aos 10 anos, dos 11 aos 15 anos.
As crianças dormem na escola durante o período letivo e são instaladas por grupos etários com uma "mãe-da-casa" para cada grupo. Os alunos não sofrem inspeção nos quartos e ninguém é responsável por pegar os objetos pessoais deixados fora do lugar além, é claro, do próprio dono.
As manhãs são destinadas para as lições e as tardes são livres para atividades diversas que as crianças desejem desenvolver. Apesar de os alunos não serem obrigados a participar das aulas, um grupo pode expulsar de uma aula um aluno faltoso por atrapalhar o andamento dos trabalhos.
Bibliografia
NEILL, A. S.. Liberdade sem medo. São Paulo: IBRASA, 1977.
Summerhill
Quanto a questão das regras, eu gostaria de falar de Summerhill. Essa escola, segundo o seu fundador, A.S. Neill, é uma das escolas mais alegres do mundo. Ele continua dizendo que ele prefere formar um lixeiro feliz do que um Primeiro Ministro neurótico. Esse endereço do you tube em cima dessa postagem, é sobre a Escola de Neill.
Estudei sobre essa escola na UNESP de Presidente prudente, com a Profª DrªGilza Garms.
Abaixo, um texto da Wikipedia sobre Summerhill.
Boa leitura!
Estudei sobre essa escola na UNESP de Presidente prudente, com a Profª DrªGilza Garms.
Abaixo, um texto da Wikipedia sobre Summerhill.
Boa leitura!
Comunicado da Secretaria Estadual da Educação
Programa Valorização pelo Mérito é aprovado
na Assembleia
Projeto que permite aos professores quadruplicar o salário inicial vai mudar a história das remunerações do magistério no Brasil .
Foi aprovado na madrugada desta quarta-feira (21), na Assembléia Legislativa, o Projeto de Lei Complementar (PLC) 29/2009 que cria o Programa de Valorização Pelo Mérito, que dá continuidade ao projeto de melhoria da qualidade da educação e da valorização do professor da rede estadual de São Paulo. “Esta é uma revolução na carreira dos professores do Estado de São Paulo que haverá de repercutir em todo Brasil”, afirmou o secretário de Estado da Educação, Paulo Renato Souza.
Sobre o Programa
Em 6 de outubro, o secretário Paulo Renato Souza esteve na Assembleia Legislativa para detalhar o então Projeto de Lei Complementar (PLC) 29/2009 em uma audiência pública com deputados e entidades de classe. À época, ele reiterou que o conceito do programa está alinhado à política educacional do Governo do Estado, iniciada em 2006 e que privilegia professores, diretores e supervisores de ensino, valorizando o profissional de toda a rede de acordo com seu esforço e dedicação.
O Programa Valorização pelo Mérito conta com medidas que vão permitir aos professores quadruplicar o salário inicial da carreira desde que cumpram as regras de promoção e tenham notas mínimas em avaliações. A remuneração inicial para a jornada de 40 horas semanais, que hoje é de R$ 1.834,85, poderá chegar a R$ 6.270,78 ao longo da carreira, um aumento de 242%. Pelas regras atuais, a elevação máxima de salário é de 73%. “São Paulo dá um passo gigantesco para mudar a história das remunerações de professores no Brasil”, diz o secretário de Estado da Educação.
O Programa Valorização pelo Mérito traz grandes vantagens para os professores e para a sociedade. O s integrantes do magistério poderão ter importantes ganhos de remuneração ao longo de suas carreiras em função apenas de seu esforço e dedicação, valorizando o mérito. As novas regras da promoção tornarão as carreiras do magistério mais atrativas para bons alunos egressos do Ensino Médio.
Os salários de diretores de escola e supervisores de ensino também poderão crescer mais com as novas regras. A remuneração de diretor de escola poderá chegar a R$ 7.147,05, mais de três vezes o salário inicial, que é de R$ 2.321,09. Sem as mudanças, o salário final de diretor de escola seria de R$ 3.786,03. No caso dos supervisores, a remuneração poderá chegar a R$ 7.813,63, mais de três vezes o salário inicial de R$ 2.509,11. Além desses valores, os profissionais do magistério ainda vão acumular vantagens como auxílio por localização de exercício, auxílio transporte, sextas partes e quinquênios, e levarão todos os benefícios para as suas aposentadorias. As mudanças fazem parte de Projeto de Lei enviado pelo governador Serra à Assembleia Legislativa no dia 6 de agosto deste ano.
As novas regras da promoção também estimularão o constante aperfeiçoamento dos atuais integrantes do magistério. Por meio dos exames, a Secretaria da Educação poderá direcionar o aperfeiçoamento do magistério para as áreas onde as deficiências forem mais notórias. A vinculação da assiduidade à evolução da carreira fará diminuir o absenteísmo nas escolas, melhorando o resultado do aprendizado. E a gestão escolar vai melhorar com diretores e supervisores mais focados no resultado escolar. “O programa vai dar uma contribuição muito importante para que a educação pública de São Paulo tenha professores mais preparados e uma gestão escolar mais eficiente”, afirma Paulo Renato.
Além do programa de valorização, os profissionais continuarão se beneficiando do Bônus por Resultado, que paga até 2,9 salários extras por ano para as equipes que superarem as metas estabelecidas para cada escola. Com o novo programa, os valores pagos pelo bônus serão ainda maiores, pois os salários serão maiores. O Programa Valorização pelo Mérito dá sequência ao amplo programa desenvolvido pelo Governo do Estado para melhorar a qualidade da educação, com medidas como o Programa Ler e Escrever (voltado a acelerar a alfabetização de crianças da primeira à quarta séries), o São Paulo Faz Escola (com novo currículo e materiais específicos para alunos e professores) e diversas modalidades de recuperação de aprendizagem para alunos com dificuldades, entre outras ações.
O Programa de Valorização pelo Mérito é a segunda etapa do Programa + Qualidade na Escola, lançado em maio pelo Governo do Estado. Em sua primeira fase, o programa criou a Escola de Formação de Professores de São Paulo, mudou a forma de ingresso dos profissionais do magistério (instituindo o curso de formação como última etapa do processo seletivo), criou duas novas jornadas de trabalho (de 12 e 40 horas semanais), abriu 80 mil novas vagas para cargos efetivos do magistério e regulamentou a situação dos professores temporários, instituindo o exame como requisito para sua atuação nas aulas.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
A mutabilidade das regras
A MUTABILIDADE DAS REGRAS PARA AS CRIANÇAS
Como será que a crianças se posicionam em relação as regras comuns que norteiam a sua vida na sociedade, principalmente no âmbito escolar?
“Cinco estudos da Educação Moral”, de organização de Lino de Macedo, tendo também a presença de Maria Suzana Stéfano de Menin, responde a essa questão.
Em um primeiro momento, verificou-se que as crianças não receberiam com satisfação uma escola aonde as crianças poderiam fazer o que quisessem.
Ensino em grupos, atividades coletivas e métodos ativos.
Assim como a Escola de Summer Hill, na Inglaterra.
Nessa escola, segundo a maioria das crianças, não se ensinaria nada, já que seria tudo uma grande bagunça!
Assim, compreendeu-se que para as crianças, uma regra não é boa nem má, mas vai depender do uso que farão dela.
Quem inventou as regras? Para as crianças do estudo, que se baseiam na heteronomia, foi Deus, a diretora ou alguém que sabia muito.
Para as crianças há a sacralidade das regras e elas são necessárias.
As crianças se vêem como receptoras das regras e não como criadoras.
(Esse é um ponto muito importante, já que mostra a quantidade de pessoas que acostumaram a viver num regime heterônomo no Brasil e quando alguém quer discordar das regras e fazer diferente, é tachado de “louco” ou “louca”.);
Como será que a crianças se posicionam em relação as regras comuns que norteiam a sua vida na sociedade, principalmente no âmbito escolar?
“Cinco estudos da Educação Moral”, de organização de Lino de Macedo, tendo também a presença de Maria Suzana Stéfano de Menin, responde a essa questão.
Em um primeiro momento, verificou-se que as crianças não receberiam com satisfação uma escola aonde as crianças poderiam fazer o que quisessem.
Ensino em grupos, atividades coletivas e métodos ativos.
Assim como a Escola de Summer Hill, na Inglaterra.
Nessa escola, segundo a maioria das crianças, não se ensinaria nada, já que seria tudo uma grande bagunça!
Assim, compreendeu-se que para as crianças, uma regra não é boa nem má, mas vai depender do uso que farão dela.
Quem inventou as regras? Para as crianças do estudo, que se baseiam na heteronomia, foi Deus, a diretora ou alguém que sabia muito.
Para as crianças há a sacralidade das regras e elas são necessárias.
As crianças se vêem como receptoras das regras e não como criadoras.
(Esse é um ponto muito importante, já que mostra a quantidade de pessoas que acostumaram a viver num regime heterônomo no Brasil e quando alguém quer discordar das regras e fazer diferente, é tachado de “louco” ou “louca”.);
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Aumento por mérito da classe de PEB I e a pirâmide social
Fonte: Folha de São Paulo, 22/09/09
“ A história de Alda” Marília Pinto de Carvalho- Scielo
A real realidade. Patrícia e as escolas públicas do Estado ( e do município também.)
Paulo Renato disse que os salários dos professores vão ter alterações.
O que me preocupa e talvez o que preocupa a APEOESP é que esse aumento por mérito não vai ajudar todos os membros da classe.
Na perversidade das relações humanas e pedagógicas, apenas uma parcela vai ser beneficiada por essa medida.
Sei disso por experiência própria.
Quando poderia receber um aumento substancial por mérito, me tiraram a sala de aula e suspenderam o meu salário.
Até por que nem enxergam o que eu faço, a não ser para dar broncas e ameaçar a demissão.
Teria que ir trabalhar em São Paulo. Para mim, trabalhar em São Paulo seria o mesmo que trabalhar em Marte.Talvez os marcianos não sejam tão geopolíticos e exclusivistas.
Dois anos sem salário e agora há uma chance de ser demitida por abandono de cargo, com dívidas a perder de vista.
Quem conhece a história de Alda, do livro de Marília Pinto de Carvalho sabe do que eu estou falando.
A própria autora do livro já se refere a ela como de menos valia.
Vivemos em uma sociedade de classes.
Um pequeno trecho do artigo de Marília Pinto de Carvalho:
A professora
“Em 1996, com 45 anos de idade e 16 de experiência no ensino, Alda era a única professora negra5 da escola pesquisada. Era, também, a única de origem nordestina – nascera em Recife – e a única mãe solteira, com um filho de sete anos. Entre os demais professores e professoras daquela escola, apresentava uma qualidade de vida sensivelmente inferior, sendo a responsável exclusiva pelo sustento próprio e do filho, e ocupando-se, à tarde, com serviços de costura, para complementar o orçamento.
Esse conjunto de condições colocava Alda numa situação de isolamento dentro do grupo, embora poucas pessoas admitissem qualquer preconceito contra ela. A própria Alda comentava um distanciamento social, mas não falava abertamente sobre a cor de sua pele, e não punha o racismo como central em suas dificuldades de relacionamento com o grupo de professores e professoras:
Eu sinto uma relação péssima. [...] E eu estou achando um ambiente assim muito... burguês. Uma burguesia em termos financeiros, uma burguesia em termos de conhecimento. [...] Elas estão num pedestal lá na altura.”
Não me identifico com Alda, pois ela mesma não se dava valor e nem pensava sobre si e sobre o tratamento desumano que recebia da Escola e da sociedade.
O aumento por mérito e os cargos melhores sempre são dados para quem estão no topo da pirâmide.
Mas essa história de pirâmide não existe mais, me diriam.
Eu responderia que a perversidade das relações humanas atrapalha qualquer Projeto para melhorar o ensino.
Estou em uma situação que só vou voltar a acreditar no poder das pessoas de boa vontade que estão na Educação se tiverem sensibilidade suficiente para me entender e preservarem o meu emprego no Estado.
“ A história de Alda” Marília Pinto de Carvalho- Scielo
A real realidade. Patrícia e as escolas públicas do Estado ( e do município também.)
Paulo Renato disse que os salários dos professores vão ter alterações.
O que me preocupa e talvez o que preocupa a APEOESP é que esse aumento por mérito não vai ajudar todos os membros da classe.
Na perversidade das relações humanas e pedagógicas, apenas uma parcela vai ser beneficiada por essa medida.
Sei disso por experiência própria.
Quando poderia receber um aumento substancial por mérito, me tiraram a sala de aula e suspenderam o meu salário.
Até por que nem enxergam o que eu faço, a não ser para dar broncas e ameaçar a demissão.
Teria que ir trabalhar em São Paulo. Para mim, trabalhar em São Paulo seria o mesmo que trabalhar em Marte.Talvez os marcianos não sejam tão geopolíticos e exclusivistas.
Dois anos sem salário e agora há uma chance de ser demitida por abandono de cargo, com dívidas a perder de vista.
Quem conhece a história de Alda, do livro de Marília Pinto de Carvalho sabe do que eu estou falando.
A própria autora do livro já se refere a ela como de menos valia.
Vivemos em uma sociedade de classes.
Um pequeno trecho do artigo de Marília Pinto de Carvalho:
A professora
“Em 1996, com 45 anos de idade e 16 de experiência no ensino, Alda era a única professora negra5 da escola pesquisada. Era, também, a única de origem nordestina – nascera em Recife – e a única mãe solteira, com um filho de sete anos. Entre os demais professores e professoras daquela escola, apresentava uma qualidade de vida sensivelmente inferior, sendo a responsável exclusiva pelo sustento próprio e do filho, e ocupando-se, à tarde, com serviços de costura, para complementar o orçamento.
Esse conjunto de condições colocava Alda numa situação de isolamento dentro do grupo, embora poucas pessoas admitissem qualquer preconceito contra ela. A própria Alda comentava um distanciamento social, mas não falava abertamente sobre a cor de sua pele, e não punha o racismo como central em suas dificuldades de relacionamento com o grupo de professores e professoras:
Eu sinto uma relação péssima. [...] E eu estou achando um ambiente assim muito... burguês. Uma burguesia em termos financeiros, uma burguesia em termos de conhecimento. [...] Elas estão num pedestal lá na altura.”
Não me identifico com Alda, pois ela mesma não se dava valor e nem pensava sobre si e sobre o tratamento desumano que recebia da Escola e da sociedade.
O aumento por mérito e os cargos melhores sempre são dados para quem estão no topo da pirâmide.
Mas essa história de pirâmide não existe mais, me diriam.
Eu responderia que a perversidade das relações humanas atrapalha qualquer Projeto para melhorar o ensino.
Estou em uma situação que só vou voltar a acreditar no poder das pessoas de boa vontade que estão na Educação se tiverem sensibilidade suficiente para me entender e preservarem o meu emprego no Estado.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
A construção do conhecimento
A construção do conhecimento
Para Piaget (1987), a inteligência é uma forma de adaptação. É uma contínua construção, criando formas cada vez mais complexas e buscando uma equilibração progressiva entre o organismo e o meio. A inteligência possui estruturas variáveis e funções invariáveis, estas últimas possibilitando descrever o mecanismo de funcionamento do pensamento em termos biológicos. As funções invariáveis são chamadas por ele de invariantes funcionais da inteligência: funcionais, porque estão envolvidas no funcionamento da inteligência e invariantes, porque qualquer que seja o momento evolutivo, sempre haverá assimilação do meio às atividades do sujeito e acomodação destas atividades às características impostas pelo objeto. As funções invariantes básicas são a organização e a adaptação, esta última, com seus dois componentes inter-relacionados - assimilação e acomodação. "O organismo adapta-se construindo materialmente novas formas para inseri-las nas do universo, ao passo que a inteligência prolonga tal criação construindo, mentalmente, as estruturas suscetíveis de aplicarem-se ao meio" (Piaget , 1987, p.15-16).
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Parentêses: A questão do ensino
Ensinar
Ensinar é tarefa de profissionais. Ensinar é um trabalho complexo que requer conhecimento, autonomia, prazer e criatividade.
Professor não é cumpridor de tarefas. Não se deve proletarizar o trabalho docente.
Assumir a palavra no espaço público é uma das condições que o profissional utiliza para exercer a sua autonomia.
Existem outras ocasiões que o professor e a professora podem exercer a sua profissionalidade, sem timidez.
Aos professores de Ensino Fundamental gostaria de dizer que se assumam como educadores e que não tenham vergonha de seus erros.
É errando que se aprende
Ensinar é tarefa de profissionais. Ensinar é um trabalho complexo que requer conhecimento, autonomia, prazer e criatividade.
Professor não é cumpridor de tarefas. Não se deve proletarizar o trabalho docente.
Assumir a palavra no espaço público é uma das condições que o profissional utiliza para exercer a sua autonomia.
Existem outras ocasiões que o professor e a professora podem exercer a sua profissionalidade, sem timidez.
Aos professores de Ensino Fundamental gostaria de dizer que se assumam como educadores e que não tenham vergonha de seus erros.
É errando que se aprende
Construíndo a noção do número
Quando as crianças de pré escola vêem fileiras de pedaços de isopor vão pensar que tem mais do que sua professora se os seus pedaços estiverem espalhados numa fileira paralela ao de sua professora. Isso se chama o princípio da não conservação. A criança não conserva o número.
Partindo desse princípio, aparentemente tão simples, os professores refletem sobre o que é ensinar o número na sala de aula para os pequenos.
O número é a relação criada mentalmente por cada indivíduo, segundo Kamii.
A criança constrói relações entre os objetos, e com isso, progride na construção do conhecimento lógico matemático.
Assim como nós, a criança não detém todo o conhecimento, ainda que evolua a cada dia nessa direção.
Conhecemos parcialmente, pois captamos parcialmente a fonte de todo o conhecimento.
A fonte do conhecimento lógico matemático é interna, numa abstração empírica e abstrata.
_O que é que você vê?__ O examinador pergunta.
__Vejo bichos. __pode ser a resposta da criança.
__ Conte todos os animais __ orienta o examinador.
A criança conta.
__ Existem mais gatos ou mais animais?
__ Mais gatos.
Para uma criança de 4 anos, fazer a inclusão de gatos e animais numa classe só é algo que não foi construído.
Para ela,no seu entendimento, a seguinte pergunta foi: mais cachorros ou mais gatos?
Ela não pode seccionar ainda o todo em duas partes: animais: gatos e cachorros.
Ela pode seccionar duas partes e dividi-las como gato e cachorro.
Para elas, naquele momento, o todo não existe mais. Elas conseguem pensar sobre o todo, mas não quando estão pensando sobre as partes.
Para comparar o todo com as partes, a criança tem que fazer duas operações mentais e isso uma criança de quatro anos não consegue fazer ainda, segundo Piaget.
Segundo o autor, a finalidade da educação é extrair a autonomia da criança, que é indissociavelmente social, moral e intelectual.
Quatro balões e em cada balão há quatro elementos diferentes: flor, lápis, balão e bala. Somente em um balão, o da flor há um elemento a mais.
Pede para criança localizar em qual balão está a quantidade diferente.
Nesse momento, está a atividade que propõe para a criança encontrar o conjunto que tenha a mesma propriedade de números.
Essa forma de ensinar supõe que a criança vá abstrair a propriedade do número a partir de vários conjuntos numéricos, da mesma forma que abstraem a cor e outras características dos objetos.
Na visão piagetiana, a abstração infantil a partir da cor a partir dos objetos são muito diferentes da abstração dos números.
È outro tipo de relação que não vai necessariamente dotar a criança de um aprendizado sobre números e relações numéricas.
Os números são aprendidos pela abstração reflexiva, pois para ensinar até o número 100, por exemplo, eu não posso desenhar 100 flores dentro de um balãozinho.
E também não posso pedir para a criança fazer a operação de subtração 100_67 utilizando balõezinhos e símbolos.
A construção do número, na criança, é a síntese que estabelece a partir de uma ordem e de uma inclusão hierárquica.
Partindo desse princípio, aparentemente tão simples, os professores refletem sobre o que é ensinar o número na sala de aula para os pequenos.
O número é a relação criada mentalmente por cada indivíduo, segundo Kamii.
A criança constrói relações entre os objetos, e com isso, progride na construção do conhecimento lógico matemático.
Assim como nós, a criança não detém todo o conhecimento, ainda que evolua a cada dia nessa direção.
Conhecemos parcialmente, pois captamos parcialmente a fonte de todo o conhecimento.
A fonte do conhecimento lógico matemático é interna, numa abstração empírica e abstrata.
_O que é que você vê?__ O examinador pergunta.
__Vejo bichos. __pode ser a resposta da criança.
__ Conte todos os animais __ orienta o examinador.
A criança conta.
__ Existem mais gatos ou mais animais?
__ Mais gatos.
Para uma criança de 4 anos, fazer a inclusão de gatos e animais numa classe só é algo que não foi construído.
Para ela,no seu entendimento, a seguinte pergunta foi: mais cachorros ou mais gatos?
Ela não pode seccionar ainda o todo em duas partes: animais: gatos e cachorros.
Ela pode seccionar duas partes e dividi-las como gato e cachorro.
Para elas, naquele momento, o todo não existe mais. Elas conseguem pensar sobre o todo, mas não quando estão pensando sobre as partes.
Para comparar o todo com as partes, a criança tem que fazer duas operações mentais e isso uma criança de quatro anos não consegue fazer ainda, segundo Piaget.
Segundo o autor, a finalidade da educação é extrair a autonomia da criança, que é indissociavelmente social, moral e intelectual.
Quatro balões e em cada balão há quatro elementos diferentes: flor, lápis, balão e bala. Somente em um balão, o da flor há um elemento a mais.
Pede para criança localizar em qual balão está a quantidade diferente.
Nesse momento, está a atividade que propõe para a criança encontrar o conjunto que tenha a mesma propriedade de números.
Essa forma de ensinar supõe que a criança vá abstrair a propriedade do número a partir de vários conjuntos numéricos, da mesma forma que abstraem a cor e outras características dos objetos.
Na visão piagetiana, a abstração infantil a partir da cor a partir dos objetos são muito diferentes da abstração dos números.
È outro tipo de relação que não vai necessariamente dotar a criança de um aprendizado sobre números e relações numéricas.
Os números são aprendidos pela abstração reflexiva, pois para ensinar até o número 100, por exemplo, eu não posso desenhar 100 flores dentro de um balãozinho.
E também não posso pedir para a criança fazer a operação de subtração 100_67 utilizando balõezinhos e símbolos.
A construção do número, na criança, é a síntese que estabelece a partir de uma ordem e de uma inclusão hierárquica.
sábado, 17 de outubro de 2009
A crisálida e a Proboleta

REVISTA NOVA ESCOLA
Ao receber minha revista hoje, que por engano foi parar na casa do vizinho, eu comecei a pensar como é importante ter um veículo como essa revista para ter um direcionamento do que faço na sala de aula.
Os conteúdos que eu aproveito dessa revista são devidamente adequados a realidade da clientela da escola, mas é uma coisa que dá muito certo.
Conheci no ano passado, uma Diretora de Escola que utilizou a Nova Escola para um planejamento na Escola.
Achei muito importante e positivo o bom uso da Revista. Depois ela arrumou algumas revistas em uma prateleira suspensa na sala dos Professores.
Vejo em algumas páginas conteúdos ou palavras de caráter ideológico e talvez a Revista não passasse em uma análise crítica como uma publicação de viés democrático e equalizador.
Mas não posso ficar procurando cabelo em ovo. Devo admitir que estar ao lado dos desfavorecidos e dos excluídos e procurar ajudá-los por uma questão de humanidade e de ética profissional, não é desejar permanecer numa classe social excluída.
Entendo que muito do preconceito que em contra mim, (e já estou me perguntando se ele existe ou é uma projeção da minha auto estima defasada) vem do fato de ser de origem pobre.
Li não sei aonde que a maioria dos professores vem de origem pobre.
Entrevejo a lagarta se transformando em borboleta. A aluna pobre se transformando na professora pobre que quer ser reconhecida como tal e quer mudar de vida através da vivência na Educação.
Então já não existe mais a aluna pobre, que se transformou em professora, mas nem professora rica no sentido material da palavra.
Existe a Professora rica que quer enriquecer a cultura do país, formando e informando de uma maneira certa.
Da riqueza que há na Educação. E eu posso duramente criticada e afrontada por alguns, ousar ser mais e melhor.
A Revista Nova Escola tem uma grande contribuição nessa transmudação da lagarta na borboleta.
Do piruá em milho de pipoca.
Eu não sou professora picareta, eu sou professora borboleta.
A borboleta que tem sua fragilidade mas acredita na beleza da Educação e em dias melhores.
Ao receber minha revista hoje, que por engano foi parar na casa do vizinho, eu comecei a pensar como é importante ter um veículo como essa revista para ter um direcionamento do que faço na sala de aula.
Os conteúdos que eu aproveito dessa revista são devidamente adequados a realidade da clientela da escola, mas é uma coisa que dá muito certo.
Conheci no ano passado, uma Diretora de Escola que utilizou a Nova Escola para um planejamento na Escola.
Achei muito importante e positivo o bom uso da Revista. Depois ela arrumou algumas revistas em uma prateleira suspensa na sala dos Professores.
Vejo em algumas páginas conteúdos ou palavras de caráter ideológico e talvez a Revista não passasse em uma análise crítica como uma publicação de viés democrático e equalizador.
Mas não posso ficar procurando cabelo em ovo. Devo admitir que estar ao lado dos desfavorecidos e dos excluídos e procurar ajudá-los por uma questão de humanidade e de ética profissional, não é desejar permanecer numa classe social excluída.
Entendo que muito do preconceito que em contra mim, (e já estou me perguntando se ele existe ou é uma projeção da minha auto estima defasada) vem do fato de ser de origem pobre.
Li não sei aonde que a maioria dos professores vem de origem pobre.
Entrevejo a lagarta se transformando em borboleta. A aluna pobre se transformando na professora pobre que quer ser reconhecida como tal e quer mudar de vida através da vivência na Educação.
Então já não existe mais a aluna pobre, que se transformou em professora, mas nem professora rica no sentido material da palavra.
Existe a Professora rica que quer enriquecer a cultura do país, formando e informando de uma maneira certa.
Da riqueza que há na Educação. E eu posso duramente criticada e afrontada por alguns, ousar ser mais e melhor.
A Revista Nova Escola tem uma grande contribuição nessa transmudação da lagarta na borboleta.
Do piruá em milho de pipoca.
Eu não sou professora picareta, eu sou professora borboleta.
A borboleta que tem sua fragilidade mas acredita na beleza da Educação e em dias melhores.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Projeto de Informática

OPINIÃO DE UM EDUCADOR
No Jornal Voz da Terra de hoje, dia 16/09 saiu a opinião do ex-secretário da educação, Profº Rubens Cruz, sobre a Educação no nível estadual e municipal.
O Professor falou sobre a defasagem salarial do professor assisense, sobre a impossibilidade de efetivar-se um Plano de Carreira no Magistério, pois a cúpula do poder administrativo rejeita a idéia.
Não faria mal valorizar o professor através de um salário mais atrativo e de um Plano de Carreira.
Apóio o bônus por mérito, implantado pela Secretaria Estadual de Educação, baseado na freqüência e no comprometimento do docente.
Apreciei muito também a idéia da Bolsa de Mestrado e Doutorado ofertado pela Secretaria da Educação. São iniciativas como essa que fazem a educação caminhar com mais acerto.
A APEOESP critica o ideário do bônus. Eu creio que esse sistema é bom e justo.
O problema é que o bônus, da maneira como está sendo implantado é reservado para poucos, a minoria dos educadores.
Então o Sindicato critica essa postura exclusivista e elitista que sempre caracterizou a educação brasileira.
Voltando a matéria do Jornal local, acredito que quando o Professor recordou da implantação dos pólos de informática nas EMEIFS e nas EMEFS do município de Assis na sua gestão, ele acertou na sua fala.
Pois essa gestão da Secretaria da Educação de Assis parece não estar valorizando devidamente esse Projeto de Informática, implantado na gestão de Cruz.
Os computadores estão instalados nas escolas, mas a continuação das capacitações dos educadores na área de Informática está caminhando muito lentamente.
Eu considerava muito bonito o ideal da alfabetização digital, que era como se referia a esse Projeto de Informática nas escolas públicas.
Sem noção de Informática, a criança, mesmo com excelentes notas na escola não irá muito longe.
Resta saber, utilizando o senso crítico que ainda me resta, se essa lentidão no Projeto de Informática é apenas um descuido ou se tem razões políticas e administrativas para não avançar.
Entendo como mãe e como Professora, que descontada as devidas proporções, os secretários da educação devem continuar o trabalho do outro, e aperfeiçoá-lo.
Então essa minha garrafinha que foi jogada no mar na noite de hoje, pede a nossa querida Secretária da Educação que tenha um olhar carinhoso para o Projeto de Informática na Rede Municipal de Assis e aperfeiçoe o excelente trabalho de Cruz nessa área.
No Jornal Voz da Terra de hoje, dia 16/09 saiu a opinião do ex-secretário da educação, Profº Rubens Cruz, sobre a Educação no nível estadual e municipal.
O Professor falou sobre a defasagem salarial do professor assisense, sobre a impossibilidade de efetivar-se um Plano de Carreira no Magistério, pois a cúpula do poder administrativo rejeita a idéia.
Não faria mal valorizar o professor através de um salário mais atrativo e de um Plano de Carreira.
Apóio o bônus por mérito, implantado pela Secretaria Estadual de Educação, baseado na freqüência e no comprometimento do docente.
Apreciei muito também a idéia da Bolsa de Mestrado e Doutorado ofertado pela Secretaria da Educação. São iniciativas como essa que fazem a educação caminhar com mais acerto.
A APEOESP critica o ideário do bônus. Eu creio que esse sistema é bom e justo.
O problema é que o bônus, da maneira como está sendo implantado é reservado para poucos, a minoria dos educadores.
Então o Sindicato critica essa postura exclusivista e elitista que sempre caracterizou a educação brasileira.
Voltando a matéria do Jornal local, acredito que quando o Professor recordou da implantação dos pólos de informática nas EMEIFS e nas EMEFS do município de Assis na sua gestão, ele acertou na sua fala.
Pois essa gestão da Secretaria da Educação de Assis parece não estar valorizando devidamente esse Projeto de Informática, implantado na gestão de Cruz.
Os computadores estão instalados nas escolas, mas a continuação das capacitações dos educadores na área de Informática está caminhando muito lentamente.
Eu considerava muito bonito o ideal da alfabetização digital, que era como se referia a esse Projeto de Informática nas escolas públicas.
Sem noção de Informática, a criança, mesmo com excelentes notas na escola não irá muito longe.
Resta saber, utilizando o senso crítico que ainda me resta, se essa lentidão no Projeto de Informática é apenas um descuido ou se tem razões políticas e administrativas para não avançar.
Entendo como mãe e como Professora, que descontada as devidas proporções, os secretários da educação devem continuar o trabalho do outro, e aperfeiçoá-lo.
Então essa minha garrafinha que foi jogada no mar na noite de hoje, pede a nossa querida Secretária da Educação que tenha um olhar carinhoso para o Projeto de Informática na Rede Municipal de Assis e aperfeiçoe o excelente trabalho de Cruz nessa área.
Ao mestre com respeito

É muito raro ter esse procedimento em relação aos professores e professoras, por parte de um Secretário da Educação.
Talvez seja uma homenagem de preaxe, mas motiva e eleva a alto estima de quem trabalha com a Educação.
Aos mestres, com respeito
No Dia dos Professores, que celebramos hoje, é oportuno destacar o profundo respeito e a admiração que tributamos a nossos mestres, em especial aos que atuam na rede estadual de ensino. Foi esse o sentido de todas as ações desenvolvidas no atual governo e que, na essência, buscam apoiar os professores no seu dia a dia na escola, premiar seu desempenho e valorizar sua carreira pelo mérito. Reconhecemos a dedicação de nossos professores, que são capazes de superação extrema para alcançar resultados notáveis com seus alunos, muitas vezes sem contar com todas as condições que seriam desejáveis para o desenvolvimento de seu trabalho. Diariamente nos deparamos com esses exemplos, que, não poucas vezes, nos emocionam no limite das lágrimas, pela prova de amor à profissão que revelam. De outro lado, somos obrigados também a reconhecer a justiça das cobranças da sociedade brasileira por uma educação de mais qualidade para nossas crianças e nossos jovens. Nos últimos 15 anos, nosso país foi capaz de garantir o acesso das crianças às escolas, mas todas as avaliações educacionais mostram que, mesmo em nosso Estado, estamos ainda muito longe de assegurar a todos a qualidade educativa que o mundo de hoje exige para formar os cidadãos do futuro. Sabemos que a chave para solucionar esse problema está no professor: na qualidade de sua formação, na sua valorização e no apoio ao desenvolvimento de seu trabalho na escola. Reconhecer deficiências na formação dos mestres não significa responsabilizá-los pelas mazelas na qualidade educacional. Ao contrário, em boa medida eles também são vítimas de um sistema de formação que privilegia o estudo de teorias que estão muito longe da realidade da sala de aula de nossas escolas. Somos solidários com nossos mestres e orientamos o trabalho da Secretaria de Educação no atual governo no sentido de oferecer todas as condições para que nossos professores possam desempenhar suas tarefas com dignidade, competência e eficácia nos resultados. Desde os primórdios do atual governo, definimos programas e ações voltados para a sala de aula, que procuram apoiar os professores em suas tarefas de ensinar. É o caso dos programas Ler e Escrever e São Paulo faz Escola, que, além de definirem um currículo objetivo e abrangente, contemplam a formação continuada, o professor auxiliar na primeira série e farto material de apoio para alunos e professores de todos os segmentos da educação básica. Também devem ser mencionadas a recuperação da aprendizagem, a criação de função gratificada para professor coordenador pedagógico e as novas gratificações para diretores, vices e supervisores. Além disso, estamos permanentemente trabalhando para a melhoria da infraestrutura física de nossas escolas, para apoiar diretores e professores nas questões de segurança e por dotar todas as escolas de ensino médio com o programa Acessa Escola - laboratórios ligados à internet em banda larga. A seguir, definimos o índice de qualidade para nossas escolas - o Idesp -, que combina os resultados das avaliações dos alunos por meio do Saresp com os indicadores do fluxo escolar, medido pelas aprovações, repetências e evasão. Com base no Idesp fixamos metas de qualidade para cada ciclo do ensino fundamental e instituímos o bônus por resultado, de acordo com a evolução, para cada escola, que pode significar um ganho de até praticamente 25% para os funcionários da educação do Estado a cada ano. O bônus premia o trabalho coletivo de toda a equipe da escola e é igual para todos os integrantes de um mesmo segmento do ensino em cada escola. Mais recentemente definimos novas jornadas de trabalho, criamos regras claras para garantir o trabalho dos temporários, passando a exigir um exame para todos os que vierem a dar aulas, e criamos 80 mil vagas de professor efetivo no Estado. Mais importante, definimos novas regras para os concursos de ingresso, que serão feitos em duas etapas, com um curso de formação a ser oferecido pela Escola de Formação de Professores de São Paulo, nos moldes das mais importantes carreiras de Estado em nosso país. Agora, está em análise na Assembléia Legislativa a proposta de Valorização pelo Mérito, um projeto que promove melhoria radical nas carreiras do magistério do Estado de São Paulo e reconhece tão somente o esforço individual do professor no seu constante empenho por melhorar a qualidade de nossa educação. Por meio das novas faixas salariais criadas, os professores, diretores e supervisores poderão multiplicar por mais de três vezes a sua remuneração inicial, mediante indicadores de assiduidade, permanência numa mesma escola e aproveitamento em exames a serem organizados pela Secretaria da Educação. A proposta está estruturada de forma que, ao longo do tempo, a grande maioria dos nossos professores possa alcançar os níveis salariais mais elevados. Com ela buscamos solucionar o problema da falta de perspectivas de uma verdadeira progressão salarial nas atuais carreiras do magistério. Uma vez aprovado, o projeto haverá de tornar as carreiras do magistério verdadeiramente atraentes para os jovens egressos do ensino médio e voltar a despertar o respeito da sociedade, que foi sua marca no passado. Respeito é a palavra que define o relacionamento que procuramos ter com nossos professores. Em relação e eles, o mais comum em nosso país é os governantes adotarem discursos paternalistas, às vezes piegas, que escondem preconceitos e profundo desrespeito. Os professores da rede estadual de São Paulo são capazes e pelos seus méritos e dedicação haverão de liderar um processo de reversão da má qualidade da educação em nosso país. Para tanto não basta consolá-los com palavras bonitas. Devemos oferecer-lhes condições dignas de trabalho, apoio na escola e estímulos para que busquem constantemente o seu aperfeiçoamento. Somos parceiros! Aos mestres, com respeito.
No Dia dos Professores, que celebramos hoje, é oportuno destacar o profundo respeito e a admiração que tributamos a nossos mestres, em especial aos que atuam na rede estadual de ensino. Foi esse o sentido de todas as ações desenvolvidas no atual governo e que, na essência, buscam apoiar os professores no seu dia a dia na escola, premiar seu desempenho e valorizar sua carreira pelo mérito. Reconhecemos a dedicação de nossos professores, que são capazes de superação extrema para alcançar resultados notáveis com seus alunos, muitas vezes sem contar com todas as condições que seriam desejáveis para o desenvolvimento de seu trabalho. Diariamente nos deparamos com esses exemplos, que, não poucas vezes, nos emocionam no limite das lágrimas, pela prova de amor à profissão que revelam. De outro lado, somos obrigados também a reconhecer a justiça das cobranças da sociedade brasileira por uma educação de mais qualidade para nossas crianças e nossos jovens. Nos últimos 15 anos, nosso país foi capaz de garantir o acesso das crianças às escolas, mas todas as avaliações educacionais mostram que, mesmo em nosso Estado, estamos ainda muito longe de assegurar a todos a qualidade educativa que o mundo de hoje exige para formar os cidadãos do futuro. Sabemos que a chave para solucionar esse problema está no professor: na qualidade de sua formação, na sua valorização e no apoio ao desenvolvimento de seu trabalho na escola. Reconhecer deficiências na formação dos mestres não significa responsabilizá-los pelas mazelas na qualidade educacional. Ao contrário, em boa medida eles também são vítimas de um sistema de formação que privilegia o estudo de teorias que estão muito longe da realidade da sala de aula de nossas escolas. Somos solidários com nossos mestres e orientamos o trabalho da Secretaria de Educação no atual governo no sentido de oferecer todas as condições para que nossos professores possam desempenhar suas tarefas com dignidade, competência e eficácia nos resultados. Desde os primórdios do atual governo, definimos programas e ações voltados para a sala de aula, que procuram apoiar os professores em suas tarefas de ensinar. É o caso dos programas Ler e Escrever e São Paulo faz Escola, que, além de definirem um currículo objetivo e abrangente, contemplam a formação continuada, o professor auxiliar na primeira série e farto material de apoio para alunos e professores de todos os segmentos da educação básica. Também devem ser mencionadas a recuperação da aprendizagem, a criação de função gratificada para professor coordenador pedagógico e as novas gratificações para diretores, vices e supervisores. Além disso, estamos permanentemente trabalhando para a melhoria da infraestrutura física de nossas escolas, para apoiar diretores e professores nas questões de segurança e por dotar todas as escolas de ensino médio com o programa Acessa Escola - laboratórios ligados à internet em banda larga. A seguir, definimos o índice de qualidade para nossas escolas - o Idesp -, que combina os resultados das avaliações dos alunos por meio do Saresp com os indicadores do fluxo escolar, medido pelas aprovações, repetências e evasão. Com base no Idesp fixamos metas de qualidade para cada ciclo do ensino fundamental e instituímos o bônus por resultado, de acordo com a evolução, para cada escola, que pode significar um ganho de até praticamente 25% para os funcionários da educação do Estado a cada ano. O bônus premia o trabalho coletivo de toda a equipe da escola e é igual para todos os integrantes de um mesmo segmento do ensino em cada escola. Mais recentemente definimos novas jornadas de trabalho, criamos regras claras para garantir o trabalho dos temporários, passando a exigir um exame para todos os que vierem a dar aulas, e criamos 80 mil vagas de professor efetivo no Estado. Mais importante, definimos novas regras para os concursos de ingresso, que serão feitos em duas etapas, com um curso de formação a ser oferecido pela Escola de Formação de Professores de São Paulo, nos moldes das mais importantes carreiras de Estado em nosso país. Agora, está em análise na Assembléia Legislativa a proposta de Valorização pelo Mérito, um projeto que promove melhoria radical nas carreiras do magistério do Estado de São Paulo e reconhece tão somente o esforço individual do professor no seu constante empenho por melhorar a qualidade de nossa educação. Por meio das novas faixas salariais criadas, os professores, diretores e supervisores poderão multiplicar por mais de três vezes a sua remuneração inicial, mediante indicadores de assiduidade, permanência numa mesma escola e aproveitamento em exames a serem organizados pela Secretaria da Educação. A proposta está estruturada de forma que, ao longo do tempo, a grande maioria dos nossos professores possa alcançar os níveis salariais mais elevados. Com ela buscamos solucionar o problema da falta de perspectivas de uma verdadeira progressão salarial nas atuais carreiras do magistério. Uma vez aprovado, o projeto haverá de tornar as carreiras do magistério verdadeiramente atraentes para os jovens egressos do ensino médio e voltar a despertar o respeito da sociedade, que foi sua marca no passado. Respeito é a palavra que define o relacionamento que procuramos ter com nossos professores. Em relação e eles, o mais comum em nosso país é os governantes adotarem discursos paternalistas, às vezes piegas, que escondem preconceitos e profundo desrespeito. Os professores da rede estadual de São Paulo são capazes e pelos seus méritos e dedicação haverão de liderar um processo de reversão da má qualidade da educação em nosso país. Para tanto não basta consolá-los com palavras bonitas. Devemos oferecer-lhes condições dignas de trabalho, apoio na escola e estímulos para que busquem constantemente o seu aperfeiçoamento. Somos parceiros! Aos mestres, com respeito.
Paulo Renato Souza
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Piaget e as crianças

Em seu livro, “The child’s conception of the world’" a primeira preocupação de Jean Piaget é procurar saber e sentir o mundo como o sente e sabe as crianças nas suas fases e estágios de desenvolvimento.
Para o autor, o mundo que as crianças concebem em sua fantasia, é bem diferente do que é o mundo na realidade.
Então para ele, o primeiro problema e a primeira questão relativa à criança e a sua relação com a concepção de mundo é a noção da criança sobre a realidade.
A segunda questão é a importância das explanações da criança e a forma como ela explica e sente o mundo através de seus olhos.
Muitas vezes, a nossa visão adultocêntrica não nos permite “ver o mundo com os olhos de uma criança”.
Uma terceira questão que orientou Piaget foi a forma como as crianças interpretam e vivenciam as regras.
Com o conhecimento acumulado do mundo, os adultos buscam nas explicações filosóficas, políticas e psicológicas a criação e a manutenção das regras.Para o autor, a criança se guia pela noção da causalidade.
Esse livro foi escrito com esse tema principal:a causalidade concebida pela criança e a realidade que se coloca, ás vezes, até de forma abrupta para ela.
Para o autor, o mundo que as crianças concebem em sua fantasia, é bem diferente do que é o mundo na realidade.
Então para ele, o primeiro problema e a primeira questão relativa à criança e a sua relação com a concepção de mundo é a noção da criança sobre a realidade.
A segunda questão é a importância das explanações da criança e a forma como ela explica e sente o mundo através de seus olhos.
Muitas vezes, a nossa visão adultocêntrica não nos permite “ver o mundo com os olhos de uma criança”.
Uma terceira questão que orientou Piaget foi a forma como as crianças interpretam e vivenciam as regras.
Com o conhecimento acumulado do mundo, os adultos buscam nas explicações filosóficas, políticas e psicológicas a criação e a manutenção das regras.Para o autor, a criança se guia pela noção da causalidade.
Esse livro foi escrito com esse tema principal:a causalidade concebida pela criança e a realidade que se coloca, ás vezes, até de forma abrupta para ela.
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