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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Barangas

Em processo de embarangamento




Na verdade, fófis, final de ano, estou num processo de embarangamento.

Cansei de ser sexy. Sabe aquela calça de pijama que tem um furo no joelho? Pois é, última moda em Parris.

Carquel tinha falado, mas eu acho que o meu cabelo não presta.

Acostumei com a chapinha.

Resolvi dar uma folga para o pobre coitado, mas quando eu me olho no espelho, vixe..kedê eu?

E uma tal de hipotiróide, sei não, o papo está aumentando.

Eu acho que o ano novo devo focar no processo de desembarangamento.

Mas praquê tudo isso?

Bem, regime, ginástica, boca fechada.

Nada de chocolate.

Praque?

Pra retardar o processo da gravidade que fará cair todos os meus acessórios que dantes eram opulentos e firmes.

No final das contas, quando as pelancas começarem a surgir, o embarangamento se efetivará.

E não preciso de um novo amor.

Preciso de um emprego novo que eu ganhe o triplo do que eu ganho.

Preciso escrever um livro, em um país que poucos gostam de ler.

Preciso fazer minha Pós, pois professora primária é um nível normal para o meu desejo de SER.

Nada de refrigerantes. Nada de carne de porco.

Desembarangar.

Para me olhar no espelho e gostar de mim.

Eu me amo, eu me adoro, eu não consego viver sem mim, mas estou meio barangueada.

As armas, companheira!

Ai que pregui...

Fim de ano

Fim de ano, fim de ciclo

Estamos nos aproximando do final de ano, faltam dois dias.
Toda vez que chega o final de um ano, é final de um ciclo.
Tudo o que passou não voltará mais.
Estamos mais gordos ou mais magros. Estamos mais felizes ou mais tristes.Tivemos mais sucesso ou ficamos mais pobres.
Muitas coisas subiram e outras desceram.
Lemos livros de ateísmo, ou livros de auto-ajuda. Perdemos a nossa fé, ou começamos a crer. Deixamos de ser chics e ficamos brega, pois bregas nunca deixamos de ser. Ou semore fomos chics.
Nos emocionamos com as novelas da Globo ou metemos o pau nos folhetins que tem uma ajuda ambígua, pelos conteúdos que trazem.
Ganhamos um amor ou perdemos aquele sapato velho.
Descobrimos laços de afetividade ou de contato físico com os Neanderthais. Que tais?
Mas no fim de tudo estamos vivos.
Chegamos vivos da voracidade desse ano que nos magoou, enraiveceu , alegrou, renovou, nos fez viver.
Semi mortos das tristezas e das crueldades de casos que viraram assunto de mídia.
Surpresos com a vida ávida por viver  daquele garotinho que sobrevivou de uma queda de dois metros e da rejeição da sua mãe.
Mas importa que aprendamos a ser pais e mães desse menino. Ou de outros meninos, perninhas magrelas que querem um copo de Coca Cola.
Celebremos a vida, celebremos o amor.

De coração de Natal
Enfeite a árvore de sua vida
Com guirlandas de gratidão!
Coloque no coração laços de cetim rosa,
Amarelo, azul, carmim.
Decore seu olhar com luzes brilhantes
Estendendo as cores em seu semblante
Esta é a sua roupa para o Ano que se inicia...
(Cora Coralina)

...e a Maria Izabel, guerreira,da APEOESP,  meu brado de guerra, que me ensinou a querer lutar pelos meus direitos e ser um pouco mais gente esse ano...


sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Blogger Buzz: Stats Gadgets Graduate from Draft

Blogger Buzz: Stats Gadgets Graduate from Draft

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Hoje eu não quero falar nada

Hoje eu não quero falar nada. Férias. Recesso. Volto quando o Tico e O Teco brigarem.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Meus mortos


Natal é uma época onde pensamos em todos aqueles que desapareceram da nossa vida, como uma fumaça.
Recordo-me da vó Maria, uma pessoa que não via há dois anos.Tive um sonho muito nítido com ela, e todos os seus parentes que já se foram, que pelos laços do casamento,  são meus parentes e  estão mortos também.
No sonho, eu conversava com ela e me revelou que já tinha morrido. Então, olhei em seus olhos e vi a face da morte. Olhos vazados, pele flácida, sem sinal de vida. E o que estava a minha frente era a essência do espírito animando aquele corpo já sem vida.
No dia seguinte, o telefone toca. Era um recado para irmos assinar  uns documentos para regularizar o espólio.
No cartório, fui comunicada que a vó tinha morrido em junho e que um parente  pensava que o outro tinha avisado e no final  ninguém avisou.
Fiquei estarrecida como se cumpre a passagem bíblica: no final ddos tempos, o amor esfriará no coração de muitos.
A vó Ruiz morreu e não pude ir me  despedir dela.



Melhor assim. o que eu quero guardar de lembrança são o cheiro de seus pães feitos no forno a lenha, e a habilidade e a destreza com a qual ela fazia tortellas, um pastel de pobre, frito com a massa de pão que fica crocante e gostoso.
O frango com quiabo que ela preparava também é um lembrança boa.
Quero lembrar-me da acolhida em sua casa, quando eu , grávida de três meses, cheguei para ficar.
Ali, na igrejinha particular do sítio, eu revivi cenas da minha própria infância, com todas as imagens de santos e santas e o rosário, mas a imagem de Nossa Senhora Aparecida preta e o sotaque mais espanhol que eu já conheci,nesse sincretismo de brasilidade com espanholadas.
 E o meu filho, hoje já rapazinho , floresceu em meu ventre, como floresceu o pé de maracujá, plantado pelo vô, (que também já se foi) , que eu observava, contente com os raios de sol lambendo a minha pele e a brisa tocando os meus cabelos, e o cheiro de café torrado feito por aquelas mãos boas e incansáveis já não me causava enjôo.
Dizem que foi um médico que comprou aquele pedacinho de chão, onde eu fui feliz, tive paz e descansei na segurança de um lar e no colo do meu Senhor, com a vó,que tinha o nome de sua mãe, Maria.
Abençoo os médicos. Muitos deles são criaturas de Luz.
E todos aqueles espanhóis que vieram me visitar em meus sonhos, estão agora junto com a minha amada vó.E ela matou a saudade de sua filhinha Francisca,  que morreu em uma fogueira de festa junina, (naquele sítio de Presidente Bernardes, herança de Franscisco Ruiz Torrencila) , aos sete anos de idade.
Assim é a vida., renascimento e morte, dor e amor,luz e sombra.
Eu não tenho medo dos meus mortos. Tenho amor e saudade.
Creio que na Glória de Jesus, vamos nos reunir na casa do Pai maior.
A Bênção, vozinha.
La bendicion, vocecita.





sábado, 11 de dezembro de 2010

A vida como ela é: Palavra de mulher

A vida como ela é: Palavra de mulher

mulher palavra cinderela

Palavra de mulher

A palavra da mulher




Grata surpresa encontrar Fernanda Torres na Ilustrada. Depois de entrar em ebulição com os artigos de Pondé, eu agora vou me deleitar com o que Torres escreve.

Muito perspicazes e pagãos todos os seus comentários sobre a história de José e seus irmãos.

Toca no ponto básico da história e das paixões humanas, movidas pela sensualidade feminina e pelo poder da vagina, que os deuses nos protejam.

Falar besteira é se comprometer com as agruras das críticas ao não civilizatório e falar de determinadas coisas não é tarefa de moças educadas e boazinhas.

Mas falar, se desculpando, que o que vai produzir é o que uma atriz que escreve e que não são confiáveis as suas escritas, e que vai procurar não envergonhar os seus pares e nem os seres do seu gênero.

Já é um aspecto do complexo de Cinderela. Se preocupar em agradar e não ferir.

Ora cara Fernanda, Pondé chega a se grosseiro com algumas palavras e mostra claramente que está bem situado no seu castelo, de homem branco e letrado, professor de Faculdade que combate os produtos da sociedade organizada, que apontam para uma ética e uma civilidade que realmente não existe.

“Contra um mundo melhor” é o seu último livro.

Você vai escrever para nós, suas leitoras emancipadas que sabemos muito bem o que querem as mulheres.

Então, seja você mesma esse misto de sensualidade e de intelectual, que ousa e cruza as pernas, mas continua a dizer, através da sua inteligência e sensibilidade que as mulheres não são bibelôs, prontas para serem comidas e usadas, mas seres que buscam andar ao lado dos homens e não atrás dos mesmos.
Saiba você que não basta a nós mulheres, descruzarmos as pernas e assumirmos a nossa sexualdiade e sensualidade e que sim, nós movemos o mundo com o requebrar dos nossos quadris, pois se até Hitler nasceu de uma mulher.
Lembre-se que já é tempo de pararmos de pedir desculpas por existir e escrever o que der na cabeça desde que o Grande Pai, o estado, nos permita.



Bem vinda.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Hipóteses da professora "burra"

O autismo é encarado como a forma mais original, primitiva do pensamento. A lógica aparece mais tarde. O pensamento egocêntrico é o elo entre ambos.


O egocentrismo da criança até a idade de sete, oito anos é impermeável a experiência, ou seja, a criança tem uma natureza psíquica egocêntrica e mesmo quando é submetida a uma prova concreta de altruísmo e de necessidade de deixar o direito dos outros conviver harmoniosamente com o direito dela, o egocentrismo dela permanece.

A plasticidade do pensamento da criança depende das suas estruturas cognitivas e biológicas.

O fato de termos crianças de seis anos forçadas a adquirir instrumentos de linguagem na forma da aquisição da língua escrita e falada e seus códigos, talvez seja a explicação para o analfabetismo funcional que vigora nas escolas.

As crianças são apresentadas ao letramento e a alfabetização, seja construtivista ou fônica, mas seus aparelhos orgânicos e psíquicos não podem suportar as informações que lhe são ministradas.

É como querer que um computador com poucos megabytes suporte um software de gigabytes.

As influências que os adultos fazem as crianças serem submetidas não são recebidas pelas crianças da mesma forma que o pensamento adultocêntrico concebe.

Para a sua assimilação, é necessário que a estrutura da criança assimile a nova informação deformando-a, ou seja, mudando-a de forma, atinente com que a sua estrutura possa suportar.

Nem Piaget, nem Vigotsky, nem Freud ou qualquer outro teórico puderam realmente conceitualizar o pensamento e a linguagem infantil, pois não são crianças.

Eles chegaram perto daquilo que é realmente verdade. Mas saber o que uma criança sente ou pensa, é a própria criança que dá conta

Cai por terra o conceito da criança “burra”. Cada ser sabe por si o que lhe cabe ou lhe sabe. Se a sociedade organizada inventou meios de provar e de fixar as inteligências dos sujeitos num quadro organizado por suas estruturas elitistas, problema dela.

Se a cada indivíduo é necessário que corresponda as expectativas e habilidades que o currículo impõe e não consegue fazer isso, problema dele.

Ele ou ela que vai sofrer as conseqüências de não ter seguido as normas dessa sociedade meio fascista.

Sorte de quem gosta de se submeter as exigências do currículo.Azar de quem odeia escola.

Mas isso não me desobriga, como professora educar os meus aluninhos e aluninhas indisciplinados, mesmo quando não querem receber educação.

A lenda da loura do banheiro

Esta história é muito contada em escolas da rede pública na cidade de São Paulo. Sua fama é muito grande entre os alunos.




Uma garota muito bonita de cabelos loiros com aproximadamente 15 anos sempre planejava maneiras de matar aula. Uma delas era ficar ao banheiro da escola esperando o tempo passar.



Porém um dia, um acidente terrível aconteceu. A loira escorregou no piso molhado do banheiro e bateu sua cabeça no chão. Ficou em coma e pouco tempo depois veio a morrer.



Mesmo sem a permissão dos pais, os médicos fizeram autópsia na menina para saber a causa de sua morte.



A menina não se conformou com seu fim trágico e prematuro. Sua alma não quis descansar em paz e passou a assombrar os banheiros das escolas. Muitos alunos juram ter visto a famosa loira do banheiro, pálida e com algodão no nariz para evitar que o sangue escorra.



:: Versão Portal do Folclore

A loura do banheiro

A LOIRA DO BANHEIRO




“...Até a idade de sete ou oito anos o jogo domina a tal ponto o pensamento da criança que é muito difícil distinguir a invenção deliberada, da fantasia que a criança julga ser verdade.”... (Vigostky, Pensamento e Linaguagem.)



Crianças acreditam firmemente que há uma loira no banheiro das escolas. Descrição: uma moça loira, nova, de roupas velhas e misteriosa. Nada fala, só observa.

O menininho da outra classe veio perguntar se odia falar com o coleguinha. Eu perguntei o assunto.

__ A l-loira do banheiro... Ela existe mesmo.__ O garoto estava assustado, seus olhos esgazeados, como se tivesse visto assombração.

Fiquei intrigada com aquilo, me deu um arrepio.

Mas graças as leituras de Vigotsky, extraí o óbvio: para as crianças, as suas fantasias coletivas são verdadeiras. Isso é jogo simbólico.