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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Maria e a questão do direito ao aborto


Maria




Maria representou  no seu Sim, toda a ruptura de um modelo de mulher que representa as forças do Mal.

Foi ela que absolveu a mulher do castigo da desobediência, gerando seu Filho Jesus, que carregou para a Cruz todos os nossos pecados e dores.

Maria santificou a nós, mulheres e devemos obediência a ela, que sem condições nenhuma, aceitou trazer ao mundo o Filho de Deus, encarnado.

Nessa reflexão, quero me opor a liberação do aborto, e de todas as práticas ilegais que derivam desse direito que abusadamente, querem dar a mulher.

A mulher é dona do seu corpo, mas não é dona da vida que se inicia dentro dela.

O dom da vida pertence ao Criador.

Que Maria e seu filho Jesus protejam as mães que não tem recursos para criar seus filhos e de dar a Luz a eles.

Amém

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Nossa Senhora Aparecida e algumas construções

A mística feminina





Quando eu era criança, minha mãe, na sua simplicidade, sem recursos financeiros ou um aporte familiar, me entregou a mãe de Jesus, na linguagem contextualizada dela, a saber, Nossa Senhora Aparecida.

Disse que ela seria a minha madrinha e que tinha sido determinado que ela cuidaria de mim até o final da minha vida.

Isso me remete ao escravismo, onde os negros, no seu sincretismo religioso, elegeram alguns santos e santas como seus protetores, o equivalente ao Negrinho do pastoreio e o Padre Cícero do Nordeste do país.

Minha mãe, ela mesma uma descendente de escravos, assimilou pela tradição oral, os costumes religiosos e, como diria um Professor, o elo do xamã.

E eu recebi essa ordenação materna, como natural, contestando ela mais tarde, quando comecei a buscar uma religião que se adequasse as minhas concepções e aspirações.

Por ela, fui protegida em momentos cruéis e sem esperanças, onde Deus sempre me deu o livramento.

Em uma Igreja Evangélica, o presbiterianismo, foi me dito que todos os santos e santas do sincretismo religioso brasileiro são de origem demoníaca e inclusive, essa imagem que foi achada no rio na cidade de Aparecida, era um pedaço de uma imagem que tinha vindo pelo mar, de uma ilha africana e foi dessa maneira que se estabeleceu no Brasil o culto a Nossa Senhora Aparecida, uma heresia e uma blasfêmia ao ministério cristão.

Penso que esse filósofo presbítero viajou um pouquinho na maionese.

E eu, que estudo religião, por autodidatismo, não tendo o elã do esnobismo que acomete as pessoas estudadas, continuando a ser Patrícia da Silva Rodrigues, posso construir a minha teoria.

Vamos a ela.

A mística feminina no Brasil, centrada ao redor de Nossa Senhora Aparecida pode ter se originado em um momento onde houve a necessidade de combater todos os preconceitos de raça, credo, etnia, religião e que tais.

Foi através de uma origem humilde, e Maria, mãe de Jesus, que também foi alvo de preconceito em sua época, por ser judia e por ser mulher, pode querer ter se inserido no Brasil, sendo representada por uma mulher negra, de origem africana.

Outro dia, no Jornal Voz da Terra, li, numa coluna do espiritismo que quando desencarnamos, levados a presença de Deus, por Jesus e por Maria, somos julgados de forma igual, independente de nossa origem.

E me lembra também um filme brasileiro, onde Fernanda Montenegro é Nossa Senhora e Norton Nascimento é um Jesus negro, “O alto da Compadecida”.

Felizmente, é outra ótica de pensamento, livre dessa ética hegemônica, que o Jesus da civilização ocidental deve ser e aparenta ser branco, de olhos azuis e cabelos loiros.

Mas na realidade, segundo as pesquisas científicas, a vida humana começou na África e o primeiro ser humano era negro.

Infernais são essas construções totalitárias que são repassadas para o ethos social, onde o bom e o belo é o branco e o rico.

Achei mais alegria na barra da saia da minha mãe, me ensinando as primeiras letras, do que nos círculos sociais acadêmicos e religiosos onde existem algumas pessoas corrompidas pelas vaidades do mundo, cheias de ódio e de ambição, buscando o poder a todo custo.

Assim, eu Patrícia da Silva Rodrigues em busca da minha Identidade, originada de um sincretismo de raças, a negra e a branca, (minha bisavó paterna era loira de olhos claros) , me declaro simpatizante de Nossa Senhora Aparecida, mãe de Jesus no Brasil, representada pela imagem negra de uma santa, isenta do pecado da idolatria.

E declaro ainda que maior pecado é jurar pelo templo e o seu dinheiro (ainda que em cima da Bíblia) pois Jesus, o rei dos reis afirmou que o que vale mais é o que deposita sua vida em cima do templo, não o próprio templo.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Liturgia de hoje

LEITURA I 2 Tes 1, 1-5.11b-12




«O nome de Cristo será glorificado em vós, e vós n’Ele»



Início da Segunda Epístola do apóstolo São Paulo



aos Tessalonicenses

Paulo, Silvano e Timóteo à Igreja dos Tessalonicenses,

que está em Deus, nosso Pai, e no Senhor Jesus Cristo:

A graça e a paz vos sejam dadas

da parte de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo.

Devemos dar contínuas graças a Deus

por vós, irmãos, como é justo,

porque a vossa fé faz grandes progressos

e o amor de uns pelos outros vai aumentando em todos vós.

Assim nós mesmos nos gloriamos de vós nas Igrejas de Deus,

por causa da vossa perseverança e da vossa fé,

no meio de todas as perseguições e tribulações que suportais.

Elas são um sinal do justo juízo de Deus,

que quer tornar-vos dignos do seu reino, pelo qual sofreis.

O nosso Deus vos considere dignos do seu chamamento

e, pelo seu poder,

se realizem todos os vossos bons propósitos

e se confirme o trabalho da vossa fé.

Assim o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo

será glorificado em vós, e vós n’Ele,

segundo a graça do nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo.





Palavra do Senhor.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Gaiolas , asas e o direito do pensamento livre

Pela sua inteligência, o homem é a força de vida considerada superior em comparação aos outros animais.


No entanto, o Processo civilizatório deixou nos homens e nas mulheres a alienação e por conseqüência, a escravidão mental.

Alguns homens e algumas mulheres da massa preferem deixar que os outros pensem por eles.

Creio que evolutivamente, o organismo do homem já não tem a tendência de se modificar radicalmente, o que acontecerá daqui por diante, é uma evolução do ponto de vista mental.

Chegará uma hora em que fenômenos ditos paranormais ou sobrenaturais serão explicados pela exatidão das ciências e o homem, como espécie terá um domínio superior sobre os produtos que sua mente consegue absorver e assimilar.Outra idéia a ser trabalhada.

Quando eu era criança, imaginava que a hipnose era algo que poderia ter um viés maligno, e a pessoa hipnotizada seria tomada por um poder extra corporal.

Hoje sei que a hipnose traz a tona aquele poder interior que a criatura tem concentrada dentro de si mesma. Asas.

E que tudo o que a hipnose causa dá o nível da submissão do indivíduo a regras criadas por outros, a ordens imperativas que estão nos outros e não em si mesmas.Gaiolas.

Creio que um espírito superior e livre não permite que outros lhe tomem o último recanto intimo em si mesmo: o poder da sua imaginação, do seu pensamento, do seu exercício de poder SER.Asas.

E aqueles indivíduos que não se deixam dominar, estão lançando mãos de seu direito de poder ser. Asas. Aqueles que se prendem, que se deixam prender , estão dando aos outros o poder de tomar seus corpos e suas mentes. Gaiolas.

Rubem Alves nos fala de gaiolas e asas.

Assim é na escola, assim é na vida.

Gaiolas e asas

Os pensamentos me chegam de forma inesperada, sob a forma de aforismos. Fico feliz porque sei que Lichtenberg, William Blake e Nietzsche frequentemente eram também atacados por eles. Digo "atacados" porque eles surgem repentinamente, sem preparo, com a força de um raio. Aforismos são visões: fazem ver, sem explicar. Pois ontem, de repente, esse aforismo me atacou: "Há escolas que são gaiolas. Há escolas que são asas".

Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-las para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.

Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são os pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.

Esse simples aforismo nasceu de um sofrimento: sofri conversando com professoras de segundo grau, em escolas de periferia. O que elas contam são relatos de horror e medo. Balbúrdia, gritaria, desrespeito, ofensas, ameaças... E elas, timidamente, pedindo silêncio, tentando fazer as coisas que a burocracia determina que sejam feitas, como dar o programa, fazer avaliações... Ouvindo os seus relatos, vi uma jaula cheia de tigres famintos, dentes arreganhados, garras à mostra - e a domadoras com seus chicotes, fazendo ameaças fracas demais para a força dos tigres.

Sentir alegria ao sair de casa para ir à escola? Ter prazer em ensinar? Amar os alunos? O sonho é livrar-se de tudo aquilo. Mas não podem. A porta de ferro que fecha os tigres é a mesma porta que as fecha com os tigres.

Nos tempos de minha infância, eu tinha um prazer cruel: pegar passarinhos. Fazia minhas próprias arapucas, punha fubá dentro e ficava escondido, esperando... O pobre passarinho vinha, atraído pelo fubá. Ia comendo, entrava na arapuca e pisava no poleiro. E era uma vez um passarinho voante. Cuidadosamente eu enfiava a mão na arapuca, pegava o passarinho e o colocava dentro de uma gaiola. O pássaro se lançava furiosamente contra os arames, batia as asas, crispava as garras e enfiava o bico entre os vãos. Na inútil tentativa de ganhar de novo o espaço, ficava ensanguentado... Sempre me lembro com tristeza da minha crueldade infantil.

Violento, o pássaro que luta contra os arames da gaiola? Ou violenta será a imóvel gaiola que o prende? Violentos, os adolescentes de periferia? Ou serão as escolas que são violentas? As escolas serão gaiolas? Vão me falar sobre a necessidade das escolas dizendo que os adolescentes de periferia precisam ser educados para melhorarem de vida. De acordo. É preciso que os adolescentes, que todos, tenham uma boa educação. Uma boa educação abre os caminhos de uma vida melhor. Mas eu pergunto: nossas escolas estão dando uma boa educação? O que é uma boa educação?

O que os burocratas pressupõe sem pensar é que os alunos ganham uma boa educação se aprendem os conteúdos dos programas oficiais. E, para testar a qualidade da educação, criam mecanismos, provas e avaliações, acrescidos dos novos exames elaborados pelo Ministério da Educação.

Mas será mesmo? Será que a aprendizagem dos programas oficiais se identifica com o ideal de uma boa educação? Você sabe o que é "dígrafo"? E os usos da partícula "se"? E o nome das enzimas que entram na digestão? E o sujeito da frase "Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heróico o brado retumbante"? Qual a utilidade da palavra "mesóclise"? Pobres professoras, também engaioladas... São obrigadas a ensinar o que os programas mandam, sabendo que é inútil. Isso é hábito velho das escolas. Bruno Bettelheim relata sua experiência com as escolas: "Fui forçado (!) a estudar o que os professores haviam decidido que eu deveria aprender. E aprender à sua maneira".

O sujeito da educação é o corpo, porque é nele que está a vida. É o corpo que quer aprender para poder viver. É ele que dá as ordens. A inteligência é um instrumento do corpo cuja função é ajudá-lo a viver. Nietzsche dizia que ela, a inteligência, era "ferramenta" e "brinquedo" do corpo. Nisso se resume o programa educacional do corpo: aprender "ferramentas", aprender "brinquedos".

"Ferramentas" são conhecimentos que nos permitem resolver os problemas vitais do dia-a-dia. "Brinquedos" são todas aquelas coisas que, não tendo nenhuma utilidade como ferramentas, dão prazer e alegria à alma.

Nessas duas palavras, ferramentas e brinquedos, está o resumo da educação. Ferramentas e brinquedos não são gaiolas. São asas. Ferramentas me permitem voar pelos caminhos do mundo.

Brinquedos me permitem voar pelos caminhos da alma. Quem está aprendendo ferramentas e brinquedos está aprendendo liberdade, não fica violento. Fica alegre, vendo as asas crescer... Assim todo professor, ao ensinar, teria de se perguntar: "Isso que vou ensinar, é ferramenta? É brinquedo?" Se não for, é melhor deixar de lado.

As estatísticas oficiais anunciam o aumento das escolas e o aumento dos alunos matriculados. Esses dados não me dizem nada. Não me dizem se são gaiolas ou asas. Mas eu sei que há professores que amam o vôo dos seus alunos.

Há esperança...

Leia outras crônicas







domingo, 1 de agosto de 2010

Banho de Lua

A vida é bonita

Aquarela Brasileira - Martinho da Vila

Luiz Gonzaga -- O Xote Das Meninas - Oficial

Clementina de Jesus - "Marinheiro Só" (1982)

Luiz Gonzaga -- Asa Branca - Oficial



Luiz Gonzaga, um ícone cultural
http://youtu.be/K-FLU9AxXQE

Tom Jobim: Garota de Ipanema (com Vinicius de Moraes)



Garota de Ipanema é outra música que vamos trabalhar e que as crianças vão conhecer do cancioneiro popular brasileiro.

Projeto Ler e Escrever



Para resgatar o patrimônio cultural do Brasil e preservar a memória histórica, algumas músicas serão trabalhadas com as crianças no Projeto Folclórico do Mês de Agosto.

O milagre de Marina

Retratos do Brasil- Construção da Identidade Nacional e a candidatura de Marina Silva





Paulo Prado, em 1928, esboçou a construção da identidade nacional visto sob um viés colonialista: ou seja, o que os portugueses conceberam no seu imaginário sobre os brasileiros e as brasileiras, bem como sobre a Terra que tão bem os recebeu.

Para os portugueses da época da colonização, como assevera Prado, o Brasil era como um degredo ou purgatório.

Mais tarde, em 1933, Gilberto Freyre, em “Casa Grande e Senzala”, conceituou o Brasil e as suas vivências sob a ótica patriarcal, tendo como suporte o escravismo e a mestiçagem.

Sérgio Buarque de Holanda,(1936), imbuído de um olhar metodológico e severo, escreve a nossa história cultural de uma forma madura.

Fazendo um apanhado geral do que nos mostram essas obras, não há traços de nostalgia ou de grandeza na construção primitiva do Brasil, tendo como parâmetro o olhar ibérico.

Esse “complexo de vira-latas” que nos assalta de vez em quando, vem desse olhar predominante.

Afinal, Salum (2003), sempre tratou de alertar que a história registrada nos livros não conta a história dos vencidos, mas sim a dos vencedores.

A propósito dessa frase sucinta e verdadeira, naturaliza-se a opressão da hegemonia declarada, seja ela travestida de hierarquia educacional, política, filosófica e antropológica, tendo a escola como reprodutora das desigualdades sociais, como afirma Bordieu e Passeron, (1930).

Manda quem pode e obedece quem tem juízo.

Marina Silva, uma das candidatas a Presidência da República, é mais do que isso. Ela é a síntese de um processo de superação e de resistência as forças da hegemonia dominante.

Ela é prova viva de que a Educação, (parafraseando um lugar comum e midiático), transforma a vida das pessoas a que a elas se dedicam.

Faz coro com John Dewey e sua afirmação, a de que a alma tem a potência de um milhão de cavalos.

Mas voltando a construção da identidade nacional, é bom saber que as identidades estão se transformando e que as minorias tem um espaço reconhecido e que a juventude do Brasil como país, o possibilita a avançar bem mais.

A minha crença na Educação reside nisso.

Há corpos caídos nessas batalhas históricas e sociais. Há gente que ficou no caminho. Outros que foram arrancados a força.

Mas a resistência dos que caíram,, defendendo o seu espaço é um tijolo na construção da soberania da democracia nacional.

A ética de Marina vem da sua construção como cidadã e tem forte viés cristão.

Marina é Davi contra Golias.

Por outro lado, tenho receio de que a modo de Tancredo, Marina seja vitimada nessa batalha.

E também penso que se acaso, acontecer o verdadeiro milagre de Marina, irão deixar ela governar.



http://www.valedoparaiba.com/clickensino/sbuarque.ppt#262,5

http://www.senado.gov.br/senadores/dinamico/paginst/senador59a.asp